Don't Stop Dream
23 Agora somos só eu e você.
Notas iniciais
Evitar Peter não seria uma boa escolha, eu sabia que precisava dele, ele era o meu equilíbrio, por isso o acompanhei sem protestar.
Dirigimo-nos a entrada da barraca, que estava vazia. Jason havia saído para explorar o local.
_ Diga... – Fui a primeira a falar. Peter ficou bastante tempo sem falar comigo, eu ansiava por ouvi-lo um pouco.
Peter suspirou, escolhendo as palavras que usaria, e meu estômago se contraiu na expectativa. Estava muito quente essa noite, e o suor grudava meu cabelo no rosto.
_ Gata, você não vai acreditar. – Jason volta, justamente quando era para ficar longe. Parecia um dom, o dom de empacar meu relacionamento com Peter. Se é que eu me atrevo a chamar de relacionamento.
_ O que houve Jay? – Sorri, tentando parecer descontraída.
_ Ai Amy, que apelido de cachorro! – Reclamou.
_ Combina perfeitamente então. – Peter resmungou do meu lado.
_Um lago. – Ele não se deixou levar pelo comentário de Peter e anunciou, excitado, olhando diretamente para mim. Seu cabelo estava molhado e caia sobre os olhos.
_ Tudo o que eu precisava! – Pensei em voz alta. A notícia me animou tanto, a ponto de eu me esquecer completamente de Peter. – É muito longe? Meu corpo clama por um banho. E agora! –Me levantei.
_ Não, não. É logo ali... –Jason respondia quando Peter interveio.
_ Mas é claro que ela não vai sozinha. É perigoso! Muito perigoso! – Levantou e colocou-se ao meu lado.
_ Eu vou com você Amy. Não se preocupe. – Jason Ofereceu. – Serei seu guarda. – Fiquei imaginando que ele não é o tipo de cara que fica apenas de guarda...
_ NÃO! – Peter bradou, provavelmente partilhando do mesmo pensamento que eu. Este envolveu minha cintura mais uma vez, num movimento que estava se tornando comum.
Jason esperou uma reação de minha parte, mas eu não fiz nada a respeito, encantada com o toque de Peter. Observei o olhar do lobo se encher de frustração ao fitar o braço de Peter em minha barriga, num gesto hiper possessivo, e então meu “guarda” retirou-se de nossa companhia, entrando, a passos largos, na barraca.
Desvencilhei-me de Peter e caminhei até a porta da barraca para pegar minha bolsa.
_ Você não vai Amy... É perigoso, você sabe...
Eu o ignorei e joguei a mochila sobre o ombro. Peter cruzou os braços, duro, sinalizando que não iria comigo. Continuei a ignorá-lo e fui na direção que Jason viera, esbarrando nele quando passei. Peter agarrou-me pelo cotovelo, forçando nossos olhares a se encontrarem.
_ Você é muito teimosa Amélia Cowell. Muito! – Ele me largou e começou a me acompanhar.
Peter e eu caminhamos mata adentro, em silencio. Eu estava contente por ter ganhado a nossa “batalha” não oficial. Adverti que não deveríamos nos afastar muito de Jason.
_ Não vamos muito longe. – Peter me respondeu. – Jason disse que é perto... _
Ei... A gente estava no meio de uma conversa, não é? – Lembrei
_ Só queria conversar mais em particular com você.
Encontramos o lago. Águas taciturnas e cristalinas. Desejei me atirar lá dentro, com roupa e tudo.
Havia um pequeno tronco caído no meio do caminho. Peter se sentou e logo depois eu o fiz companhia. Esperei ele falar.
_ Está tudo bem com você? – Enfim ele falou. –Quer dizer... Eu sei que foi muito emocionante para você ouvir a profecia.
_ Eu estou bem. Obrigada por perguntar. –A conversa estava muito automática. Eu pensei um pouco antes de falar. – E obrigada por apesar de tudo estar me protegendo.
_ Eu prometia à você.
_ Pensei que não cumpriria a sua promessa.
_ Eu não sou desses. Sempre vou te proteger, não importa o que aconteça. – e finalmente ele olhou dentro dos meus olhos. Me senti constrangida e fascinada pela intensidade que vi ali.
_ Eu ainda me lembro que você estava lá. – fiz uma pausa. – Todas as noites você entrava no meu quarto e protegia os meus sonhos.
_ Você aguentava a pressão da aldeia o dia inteiro. Não é justo você aturar as mesmas pressões em seus sonhos.
_ Por que se afastou? – Por fim perguntei. – Você me evitou. Nos últimos dias eu acordei e você não estava lá, mas meus sonhos continuavam sob o seu controle. Você se afastou, mas ao mesmo tempo estava tão perto. Eu não consigo te entender.
_ Olha Amy... – ele se virou e segurou minhas duas mãos. – Você pode me julgar de todas as maneiras possíveis, pode rir de mim ou me ignorar, mas não seria justo comigo nem com você deixar essa história de lado.
_ Eu quero que você me conte tudo, Peter. Eu não quero que você se afaste de mim novamente.
_ Amy... Eu... – ele procurava as palavras. – Eu não sei como te contar isso.
_ Vamos Peter, conte logo! –implorei.
_ Nós nunca mais tivemos um tempo a sós e você sabe muito bem que temos um assunto pendente, eu não me esqueci. – ele se referia ao acontecimento no submundo. – Sabe... As coisas vão se complicar agora Amy. Você vai ter uma missão... Não teremos tempo para nós.
_ Peter... – Prendi a respiração ao ouvir “nós”.
_ Não, não. Eu não terminei. – ele me calou. – Eu não sou bobo, Amy, percebi que você falou aquilo da boca para fora. Eu decidi não colocá-la mais contra a parede, por mais que eu estivesse magoado, não queria perder você. Mas você se aproximou do Jason. Eu pensei que o que eu sentia ia sumir, mas tive ciúmes só de ver vocês dois trocando olhares. Eu não estava suportando mais. O jeito que ele te olha, te toca... Tudo me irrita. É como se ele estivesse se apossando do meu bem mais precioso. – os olhos de Peter brilhavam.
A lua estava no seu auge, seu reflexo luminoso no lago nos observava. Meu batimento cardíaco havia parado, ao ouvir essas coisas.
Peter estava realmente se abrindo comigo.
_ Quando você foi falar comigo e me insultou falando que eu me aproximei de você apenas por interesse, eu tive ódio de você. – Prosseguiu – Pensei em como você poderia não perceber tudo o que estava acontecendo. Eu desejei nunca mais te ver. – meu coração doía com cada palavra que ele dizia. – Mas eu não fui capaz de te esquecer. Só de pensar em você correndo perigo eu sinto que tenho que te proteger. Eu não faço isso pela promessa, Amy. Faço isso porque eu me apaixonei por você. Eu te amo.
Eu congelei.
Peter acabou de falar que me ama! Ele teve ciúme do Jason esse tempo todo e agora esta na minha frente dizendo que me ama. Eu queria gritar, pular, agarrá-lo e dizer que eu nunca mais iria solta-lo, mas tentei me controlar. O sorriso foi inevitável. Aqueles olhos azuis esperavam uma resposta, mas tudo em mim estava em um completo caos. Meus olhos se encherão de lágrimas de felicidade, eu tentava evitar que elas saíssem. Meu coração estava disparado e meu corpo todo arrepiado. Era a melhor sensação que eu já tive na minha vida.
Eu amava e era correspondida.
Sem dizer nenhuma palavra fui me aproximando. Eu realmente não sabia o que eu estava fazendo, a felicidade me impulsionava. Peter percebeu e uma de suas mãos correu para as minhas costas. Agora estávamos o mais perto do que poderíamos ficar. Meu coração disparava cada vez mais, estava a ponto de ter o melhor ataque cardíaco da minha vida. Nossos rostos estavam tão próximos que podíamos sentir as respirações um do outro. Peter deu o mais lindo os sorrisos.
_ Agora somos só eu e você. – sussurrei.
Meus olhos foram de encontro com os lindos olhos azuis de Peter. Sua mão livre agora acariciava o meu rosto. Eu me aproximei mais e ele também. Nossos lábios se tocaram, em fim nos beijamos. Um beijo lento e calmo, que com o tempo ia se intensificando. O beijo era um sinal de entrega, nós queríamos isso, nos entregamos um ao outro. Meu coração saltitava de alegria e eu deixei uma lágrima de felicidade escapar. Nada se comparava a isso, o beijo que me fez esquecer de que a alguns minutos atrás eu chorava com medo do meu destino. Peter era realmente o meu ponto de equilíbrio. Por ele eu enfrentava tudo isso, só para ter mais momentos assim ao seu lado. Seus lábios eram macios e acolhedores. Nos beijávamos como dois apaixonados.
_ Eu nem acredito. – ele disse entre o beijo. – Me diga que isso não é um sonho.
_ Não. Não é. – respondi sorrindo. – Estou aqui e isso não é um sonho.
Peter apertou delicadamente os meus quadris e me puxou mais para si, nossa proximidade me fez querer mais. Nossos lábios se tocam novamente. Envolvo-o com os braços em torno do seu pescoço, puxando-o contra mim, isso fez com que nosso beijo se intensificasse. Antes éramos apenas dois bobos que se beijavam pela primeira vez, como pessoas que nunca se tocarão antes do beijo, mas a realidade era que eu e Peter já tínhamos certa intimidade, portanto certos gestos não se tornaram inconvenientes.
Parecia que com ele eu poderia ser eu mesma, me soltar e mostrar aquilo que eu guardo com medo do julgamento das outras pessoas.
Alguma coisa passa sumindo perto do meu ouvido...
Paramos imediatamente e olhamos ao redor, nada.
_ Amy! – Peter me chamou, sussurrando.
Ele olhava para uma árvore atrás de nós. Uma flecha.
Estamos em perigo.

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