Don't Stop Dream
24 Guerreiro Glorioso.
Notas iniciais
Tudo estava muito calmo. Não havia nenhum sinal do inimigo.
Peter e eu nos levantamos e olhamos melhor ao redor.
Sons de galhos quebrados começaram a ecoar pelo local, atrás de árvore mais próxima surgiu uma figura horripilante. Em questão de segundos seus companheiros surgiram dos arbustos a nossa volta. Estávamos cercados.
Eles eram completamente desfigurados, pareciam mortos vivos. Algumas partes eram carne, mas em outras os insetos faziam a festa em machucados que exibiam até os ossos. Nenhum deles falava, e se falavam era apenas entre si, para mim eles apenas estavam gemendo.
Ótimo, nem quando eu ganho o beijo dos meus sonhos eu tenho sossego.
_ Não deixe eles te morderem. – sussurrou Peter.
_ O que são essas coisas? – perguntei no mesmo tom de voz que ele.
_ Barbados. – respondeu. – Deslumbrados pelo ouro, eles querem o seu Eplitórogo.
_ Se eu entregar a eles, eles vão embora?
_ Não. – Peter fez uma pausa. – Vão comer você.
Um deles deu um gemido tão auto que eu me assustei. Eles eram enormes, por mais que tenham forma de pessoas. Estávamos encurralados, completamente em desvantagem.
Provavelmente eles estavam esperando um ataque, mas tanto eu quanto Peter não nos mexíamos... Jason! Droga, Jason estava sozinho e provavelmente as coisas feias iam chamá-lo para participar da festa também.
Uma das criaturas tomou a frente e pareceu farejar o local. Virou-se para os outros e emitiu gemidos. Um grupo de cinco seguiu para aonde Jason estava acampado.
Ah não! Eu não sabia o que fazer, se eu gritasse seria o inicio de uma briga na qual nós não venceríamos, mas eu não podia deixar Jason, estávamos juntos nessa.
Eu respirei fundo.
_ JASON! – gritei. – CUIDADO!
A agitação foi imediata.
Os bárbaros partiram para cima de nós. Desejei que minha espada estivesse comigo e ela apareceu, eu ataquei.
Tadinho, esse perdeu a cabeça.
Olhei para Peter, ele estava se saindo bem.
Eu nunca havia lutado com tantas pessoas assim, mas senti orgulho. De inicio eu estava me saindo bem... Como falei, apenas de inicio. Era cada um mais forte que o outro, e em meio a tudo isso ainda pude perceber que alguns eram mulheres, mas a maioria continuava sendo homens.
_ Obrigada por gritar. – Jason parou ofegante ao meu lado.
Não tive tempo de responde-lo. A luta continuava.
Um de cada vez vinha me atacar, eu depositava apenas um golpe e o próximo já se aproximava fazendo com que eu nem saiba se consegui deter o meu oponente anterior. Eram tantos e pareciam não ter fim.
Um brutamontes enorme era o próximo. Meu primeiro reflexo foi enfiar a espada em seu coração, mas ele foi mais rápido, agarrou a lamina da minha arma como se não sentisse nenhuma dor, mas foi cortado. Da sua mão saia um liquido preto que não se comparava nada com sangue. Com a espada ainda em sua mão tentei chutá-lo, mas eu estava muito distante. Soltei a arma e o bárbaro também. Ele ficou parado analisando o ferimento da mão, seus olhos foram correndo até a minha direção, mas seu olhar não estava fixo em meu rosto, ele estava olhando para o meu braço. Ah não, isso vai atrair eles ainda mais.
No meu braço havia um corte onde sangue jorrava.
A criatura me olhou como se eu fosse a ultima comida do mundo e partiu para cima de mim. Eu estava desarmada e completamente indefesa, não conseguiria deter uma criatura daquele porte. Essa é a minha morte, pensei.
Fechei os olhos e esperei o ataque.
Um rígido me desperto. Jason!
Jason estava na minha frente em sua forma de lobo. A aberração estava inconsciente no chão.
_ AMY! – Peter estava com a minha espada na mão.
Ele a jogou. Peguei e voltei à luta.
Agradeceria Jason depois...
Eu tentava depositar naquela luta todos os conhecimentos que recebi durante o treinamento: a concentração, a força de vontade e o mais principal de todos, dar o meu melhor para vencer. Mas eu estava exausta, os bárbaros pareciam brotar de algum lugar e a luta nunca terminava. Com muito esforço dei um golpe em uma das criaturas que parecia ser uma mulher. Me ajoelhei implorando para que tudo isso acabasse.
Eu estava tonta, nunca lutei tanto tempo assim. Na minha frente parou uma forma pequena. Foquei a minha visão e percebi que era uma criança. Eu não sabia dizer se era menina ou menino porque se tratava de uma criatura da mesma espécie a qual eu estava lutando. Seu rosto era inteiramente desfigurado, só pude ver com clareza os seus olhos, vermelhos, como sangue.
Por segundos ficamos ali, parados. A criança parecia tão assustada quanto eu. Do nada uma mão quente encosta no meu pescoço e me lança no ar. Só parei quando bati em uma superfície que eu poderia arriscar ser uma árvore. A mão voltou ao meu pescoço. Abri os olhos e vi um dos brutamontes a minha frente. A dor na minha cabeça voltou e eu não conseguia atacar.
_ Amy! – a voz de Peter me fez despertar. – Use o Eplitórogo!
_ Não! – gritei. Eu estava segura do que estava falando.
Os alvoroços da briga continuaram.
_ Mas que idiota, Amy! – Peter agora estava no meu campo de visão cercado por três. – Use logo!
_ Não! – insisti. _ Por quê?
_ Porque eu te amo Peter! – eu falei a verdade. Eu realmente amava Peter e eu não iria deixá-lo ali. Se fosse para morrer, morreríamos juntos.
Peter parou e me olhou com uma expressão indecifrável. Essa não era a hora para declarações de amor, por isso me virei e fiz o possível para evitar que a grande criatura me devorasse. Na verdade, seus olhos estavam fixos no Eplitórogo. Sua mão foi lentamente na direção do meu cordão, mas eu fui mais rápida e o golpeei com a espada, a dor tinha aliviado. Sua mão foi decepada.
Ele me soltou, mas não fez nenhum sinal de dor, percebeu que para pegar o ouro que eu carregava era preciso me matar antes.
A dor voltou. Toda vez que eu pensava em atacar as dores ficavam cada vez mais intensas. A criatura se preparou para vir me atacar. Eu tentava levantar a espada, mas algo me pressionava ao chão e eu não conseguia me mexer. A dor se tornava cada vez mais insuportável.
Peter surgiu e começou a lutar com o meu oponente. Aproveitei a pequena brecha pra tentar me levantar. Nada! A cada pensamento a dor ficava mais intensa. Percebi que a dor sempre aparecia em situações onde eu pensava em atacar. Me concentrei e tentei pensar em outras coisas.
Uma lembrança feliz... O nascimento de Louis.
Mamãe estava na cama do hospital segurando o meu irmão recém nascido:
_ Vem cá filha! – chamou ela. – Vem ver o seu irmãozinho.
Eu me aproximei e sentei a beira da cama. Papai estava do outro lado.
_ Ele parece com você. – disse meu pai.
_ Ele tem cara de joelho. – disse com cara de desigual.
Todos riram. Eu era pequena, certamente não falaria uma coisa dessas na minha idade atual.
_ Qual é o nome dele? – perguntei.
Meus pais se entreolharam.
_ Que tal você escolher? — disse minha mãe.
_ Por que eu?
_ Por que você é a irmã dele. Que mal há você escolher um nome bem bonito para o seu irmão? – ela sorriu.
_ Nenhum. – eu busquei nomes em meus pensamentos. De primeira pensei em Brian, mas eu não sabia o significado do nome, mas um era bastante claro em minha mente... – Louis. – disse.
_ Que nome lindo filha. – todos sorriam. – Mas por que Louis? – minha mãe perguntou.
_ Uma vez ouvi falar sobre o significado desse nome. – fiz uma pausa. – Louis, guerreiro glorioso.
A lembrança se foi e eu percebi que não me recordava da onde teria ouvido o significado do nome do meu irmão. Será que foi coincidência? Louis é realmente um guerreiro e espero que se torne glorioso.
Eu estava mais relaxada e consegui me levantar, mas com a consciência do que estava acontecendo a dor voltou. Eu já havia levantado mas a dor se tornava enorme.
_ Amy, – A voz de Peter me chamou. – Acabou... Acabou! A luta terminou.
Um alívio percorreu o meu corpo. A luta terminou e com ela a preocupação. Eu não precisava mais me preocupar em atacar...
_ A dor na cabeça. – gemi. O desconforto estava indo embora, mas ainda estava lá. – Ela se intensifica quando eu penso em atacar.
Peter ficou em silêncio, ele parecia me estudar. Colocou a mão em cima do meu ferimento que fisicamente parecia nem estar mais lá.
_ Não foi só ai. – falei. – Foi na cabeça inteira e eu não consegui me levantar quando você estava lutando com aquela coisa. Parecia que eu estava presa ao chão.
_ Isso tem cara de feitiço. – Peter falou. – Quando chegarmos na aldeia vou te levar direto a minha mãe e conversarei com Safira, ela vai saber o que fazer.
Eu concordei.
_ Como você está? – perguntei.
_ Feliz.– Ele sorriu.
_ Feliz? – estranhei. – Nos acabamos de sermos atacados e você está feliz?
_ Você disse que me ama. – ele esbanjou um largo sorriso.
Eu sorri em retribuição.
_ Peter, eu não sabia qual eram os meus verdadeiros sentimentos no submundo, – falei. – Mas agora sei e mesmo que não soubesse, eu nunca te abandonaria.
_ Eu faria o mesmo. – ele se aproximou e selou os nossos lábios. Um beijo calmo e delicado.
_ Será que dá para vocês pararem com isso e prestarem atenção em mim um segundinho? – a voz rude de Jason nos interrompeu.
Olhamos em sua direção e sua expressão era séria, mas o que mais nos surpreendeu foi o que ele segurava. A criança dos olhos vermelhos que tirou minha atenção durante a luta. Jason o segurava pelo pescoço, mas parecia que não havia necessidade disso, ele não fazia nada para tentar escapar.
_ O que você pretende fazer? – perguntei.
_ Matar. – Jason foi direto.
_ NÃO! – eu não sabia por que, mas eu não o mataria.
_ Amy. – Peter envolveu minha cintura. – Você não pode ter pena. Ele não terá pena de você.
Eu me afastei dele.
_ Olhem para ele? Parece que ele pretende nos atacar?
_As aparências enganam. – disse Jason.
_ As aparências enganam? – repeti. – Eu vou falar uma coisa para vocês: Essa criatura podia ter me atacado durante a luta, eu estava na frente dele, entregue. Ele não fez nada. – me aproximei do mesmo. – Deixem ele ir embora, por favor. Peter e Jason se entreolharam.
Jason relutou, mas soltou a criatura.
Por um instante a pequena criança ficou parada, mas depois correu mata adentro. Ela parou e se virou para mim, pude ver que seu olhar era de gratidão.
_ Vamos embora Amy. – Disse Peter.
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Nos banhamos rapidamente no rio, revezado para ficar de guarda enquanto o outro se lavava.
Arrumamos tudo o que era necessário, não pretendíamos parar. Os cavalos eram nossa maior preocupação. Reabastecemos o estoque de alimentos com algumas frutas que encontramos na floresta.
Era manha e Peter calculou que chegaríamos à aldeia no meio da madrugada seguinte. Acreditamos que os cavalos não aguentariam uma viagem tão longa, mas decidimos arriscar.
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Ao cair a tarde não aguentávamos mais. Thor estava voando muito baixo e decidimos descer.
Alimentei os cavalos junto com Peter enquanto Jason armava um breve acampamento para descansarmos por algumas horas.
Jason não trocou nenhuma palavra conosco depois de termos iniciado a viajem, ele permaneceu calado e fechado em seu mundo.
Thor e Trovão pareciam agradecidos pela comida.
Voltamos para perto de Jason e tratamos de dividir os turnos de vigia.
_ Vamos tirar duas horas para recuperarmos as energias. – disse Peter. – Jason pode ficar na primeira hora e depois eu fico.
_ O que? – Jason parecia bravo. – Uma hora de descanso para cada um é muito pouco, não acha? E ela? Fica às duas horas descansando sem fazer nada? Ela é a escolhida, mas aqui não é exclusiva não! – Jason me olhou de canto de olho. Eu concordava com ele, mas não esperava essa reação da sua parte. – Alias – continuou. – Quem disse que você é o líder para tomar a frente desta maneira? – seu tom de voz estava exaltado.
_ Olha só como você fala comigo seu cachorro! – Peter também se exaltou. Ele apontou o dedo para Jason e agora os dois estavam em pé frente a frente, rugindo feitos dois animais.
_ Parem! – gritei. – Calem a boca vocês dois. – esperei eles focarem toda atenção em mim. – Já que vocês agiram dessa maneira sou eu quem vai resolver isso! Três horas, cada um vigia por uma hora. Todos vão dormir por duas horas, todos estarão em vantagem.
Eles permaneceram quietos e como quem cala consente, fizeram o combinado.
Jason foi o primeiro, ele se afastou um pouco.
Eu e Peter ficamos sozinhos. A barraca não estava perfeita, mas era um bom abrigo.
Deitamos virados um para o outro.
_ Você não precisava ficar de guarda. – Peter interrompeu o silêncio.
_ Eu tenho o mesmo valor que vocês, Peter.
_ Tudo bem. – ele sorriu. – Agora durma, você precisa.
_ Você também. – disse fechando os olhos.
Senti a mão suave de Peter acariciando o meu rosto. O carinho me fez dormir rapidamente.
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_ Já se passaram uma hora. – Jason entrou na barraca nos acordando.
_ Eu vou. – disse sonolenta.
_ Deixa que eu vou, Amy. – Disse Peter. – Quero ficar o mais longe possível desse animal.
Jason permaneceu calado, ignorando a provocação. Peter me deu um selinho e saiu. Antes de deitar novamente olhei o relógio para me certificar que Peter não iria tomar o meu turno.
Eu deitei e Jason continuou sentado. Ele polia a sua espada.
_ Não vai descansar? – perguntei.
_ Durma tranquila. – ele nem olhou para mim. – Quando eu terminar aqui eu vou deitar.
Ele não queria conversa, isso era fato, mas eu devia uma coisa a ele:
_ Jason?!
_ Sim.
_ Obrigada.
_ Pelo que?
_ Por ter me protegido na luta.
_ Você faria o mesmo por mim.
A conversa terminava aqui.
Fechei os olhos e esperei adormecer novamente, mas tive a estranha sensação de estar sendo observada por Jason.
Fiquei constrangida.
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