(Don't) Let Me Go
3 I Can't Stay
Notas iniciais
Não. Isso não tá acontecendo. Por favor, alguém me faz acordar desse pesadelo.
–L-liam, eu não sei o que dizer. — uma lágrima escorreu no meu rosto. — Eu... eu não sei. Me deixa pensar.
– Eu te dou o tempo que você quiser. — forçou um sorriso. — Mas eu só preciso de uma coisa.
Não consegui nem recuar. Nossos lábios se tocavam, eu não entendi o que sentia. Aliás, o que eu não sentia. Eu não posso iludi-lo.
– NOSSA GENTE, VOCÊS PODERIAM AO MENOS SER DISCRETOS, NÉ? — Stella nos viu aos beijos.
– Ste... — eu e Liam falamos, em sincronia, com caras de paisagem.
– Calma gente, podem se pegar, mas façam isso em casa, obrigada, de nada. — ela nos deixou a sós.
– Os doces já estão praticamente prontos, eu... eu acho que vou embora. — Liam continuava a forçar sorrisos, me doía ver ele daquele jeito.
Eu pedi pra pensar, mas eu não gosto de Liam. Não assim. Eu amo Liam, ele é como um irmão pra mim. Eu não posso iludi-lo, mas ao mesmo tempo, não posso perde-lo. Eu não sei o que fazer.
– Barbs, acabei de arrumar. Precisa de mais alguma coisa?
– Sim, preciso da minha melhor amiga. — não consegui segurar as lágrimas, desabei nos braços da Stella.
– Hum, deixa eu adivinhar... Liam finalmente disse que gostava de você?
– VOCÊ SABIA?? E VOCÊ NÃO ME DISSE NADA? — berrei.
– Sim, eu sabia. Ele me contou já faz um tempo.
– QUANTO TEMPO?
– Alguns meses.
– E POR QUE VOCÊ NÃO ME DISSE NADA?
– DESCULPA, EU NÃO QUERIA MAGOAR O LIAM.
Aquilo me doeu na alma. Ela não queria magoar o Liam, e eu também não quero.
– Ste... — continuei a chorar.
– Eu sei que você nunca foi a favor da Katniss deixar o Gale na friendzone, mas você agora vai fazer a mesma coisa, não é? Você não o ama, dar pra ver. — ela pegou um guardanapo e limpou minhas lágrimas, que desciam cada vez mais., mas ela ainda me arrancou um sorriso fraco.
– Não. Eu não o amo. Quer dizer, eu não sei. Eu poderia experimentar, mas... E se não der certo?
– Vamos fazer uma coisa. Vamos pegar toda a comida aqui, vamos pra minha casa, vamos comer tudo e assistir nossos filmes preferidos. O que você acha? — propositou.
– Tia Anne vai me matar. — sorrimos. — Mas, dane-se, vamos!
Pegamos TUDO. Tudo o que tinha na cozinha. Fechamos a lanchonete, antes mesmo de abrir [risos].
Entramos no meu carro, e fomos em direção à casa dela.
**
Chegando lá, pegamos várias almofadas e jogamo-las, literalmente, no chão.
Alugamos quatro filmes. O primeiro que assistimos: Diário de Uma Paixão. Rios de lágrimas. Pra superar, assistimos Juntos Pelo Acaso. Ok, vamos parar de rir: Um Amor para Recordar. Superamos de novo com Mulheres Ao Ataque.
Comemos tudo o que trouxemos. T-U-D-O. Não sei como somos magras. THANK YOU, LORD.
Após isso, colocamos o som no máximo, ao som de tudo. De danças loucas com as músicas da Katy Perry até chorarmos com o Ed Sheeran.
Estava tarde, precisava ir. Eu ia acordar cedo no dia seguinte.
– Amiga, já vou! — Dei um abraço em Stella e ia saindo, até que Stella me puxou pelo braço.
– BARBARA! — ela virou seu celular pra mim, mostrando o relógio.
A música nos causou um problema.
22:06.
– Meu Deus...
– Dorme aqui, amanhã você vai. Não podes ir a essa hora! É perigoso.
– Eu preciso ir, Ste. Não vai acontecer nada, eu prometo. — a abracei.
– Me liga quando chegar. Vou ficar rezando por ti.
– Ligo, obrigada amiga.
Sai porta afora.
Eu estava com bastante medo, não posso negar.
Até que vi um homem, decidi segui-lo, ele poderia ser confiável.
Mas manti uma certa distância.
Um carro começou a seguir o certo homem. Com o farol muito alto, um homem perguntou: "Posso ajudar?".
E então, o motorista saiu do carro. Eu não consegui vê-lo direito, mas era um homem, um rapaz.
Eu tentei me esconder.
O rapaz apontou uma arma em direção ao homem. Eu congelei.
Ele atirou.
Meu Deus.
Acho que quem morreu foi eu.
Esperei o carro se afastar e me aproximei do homem. Liguei para a ambulância.
– Alôo??? É da ambulância??? Tem um homem baleado na rua Vinte e se...
Alguém arrancou o celular de mim. Era o rapaz.
Sua mão foi em direção à minha boca.
Apaguei.
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