Notas iniciais
Hey, pessoal!!! Fiquei bem feliz com os comentários. Muito obrigada pelo carinho. Mais um capítulo. Aproveitem e boa leitura!!!

1 semana depois...

P.O.V Do Freddie

— Coma mais devagar, filho. Pra quê tanta pressa? — Minha mãe me olhou pasma.

— Vou sair com a Sam, ela vai me mostrar um pouco mais da cidade. Depois vamos na loja de HQ's. E mais tarde ela vai me ensinar a andar de skate. — Falei dando uma pausa enquanto almoçava.

— Freddie, é ótimo que esteja se divertindo. Fico feliz que arranjou uma amiga. Gosto de te ver sorridente e alegre pela casa, mas a ideia de você ir aprender andar de skate não me agrada nenhum pouco. — Claro que ela ia querer cortar o meu barato.

— Mãe, não sou criança. Já vou fazer 18 anos. Eu não vou cair e vir correndo com um braço quebrado, e nem com os joelhos ralados. Até seria divertido, eu me sentiria um pouco mais...

— Não, filho, isso não! Detestaria te ver machucado, somente tome cuidado. Volte para a casa ileso, ok? — Pediu preocupada.

— Está bem. — Concordei.

— Sam parece uma boa garota, vejo que vocês se entendem. Só não gosto da mãe dela e nem daquele homem que vive chegando bêbado. Eles brigam muito, coitada dessa menina, não deve ter sossego em casa. Como uma mãe coloca um homem nojento dentro da própria casa com uma filha adolescente morando sob o mesmo teto? — Estava indignada.

O conflito na casa da Sam não era segredo pra ninguém ali no bairro.

— Complicado, mãe. A Sam não merece isso. Ela é tão legal. — Falei.

Minha mãe sorriu assentindo.

— Já não acha que está na hora de contar, filho? — Me encarou.

— Contar o quê? — Me fiz de desentendido.

— Sobre sua condição de vida. Que você têm...

— A Sam não precisa saber. — A cortei.

— Como não, filho? Ela não é sua amiga? Você precisa contar a ela. — Insistiu.

— Para ela ficar com pena de mim? Não, obrigado. Perdi a fome. — Empurrei meu prato.

Mamãe me olhou inconformada. Ela não entendia.

— Freddie, esconder que é doente não é o certo, a Sam precisa...

— Eu não sou doente, mãe! Que droga! Estou doente, não nasci com a merda do Câncer, nasci? Surgiu quando eu tinha 1 ano, não é mesmo? Sou normal como qualquer rapaz da minha idade, pelo menos eu acho! Se a senhora não tivesse me privado tanto, eu... — Percebi que ela chorava e me calei. — Desculpa, mãe. Eu não quis ser tão rude, eu só...

— Você têm razão, querido. Vá encontrar sua amiga, se divirta. — Levantou passando as mãos no rosto.

Me senti péssimo por ter falado daquela forma com ela. Minha mãe só queria o meu bem.

[...]

— Como tá indo no colégio? — Perguntei após mais um passeio em L.A.

Sam me mostrou vários lugares bacanas, tiramos muitas selfies. Era sábado. O dia estava lindo.

— Tô me arrastando, preciso tirar boas notas em Biologia e Matemática, se eu reprovar, a minha mãe é capaz de arrancar meu couro. — Achou graça.

— Posso te ajudar. Podemos começar amanhã mesmo, sou ótimo em ambas as matérias. — Acabei me gabando.

— Não tenho dinheiro para te pagar, mané. Ninguém ajuda ninguém de graça. — Estava enganada.

— Somos amigos, amigos são pra isso, pelo menos eu acho... — Comentei.

— Beleza, então... Você devia ser professor. É um rapaz prodígio. Um verdadeiro nerd. — Bateu o ombro no meu.

Eu ri, Sam era muito engraçada. Vivia tirando sarro e fazendo piadas.

— É por aqui. Vem! — Me puxou para dentro da lojinha.

Passamos um tempão ali, compramos um monte de HQ's. Sam se amarrava em gibis também. Depois das aulas, ela ia me fazer companhia e a gente jogava vídeo-game.

Horas depois...

— Relaxa o corpo, bobão. Você precisa ter foco. Mantenha o equilíbrio. Olha, presta atenção... — Subiu no skate.

Parecia ser tão simples.

Ela impulsionou o corpo para frente e empurrou o pé que apoiava no chão, saiu andando no skate e se exibiu fazendo umas manobras.

Depois de várias tentativas frustradas, gargalhadas e quase quedas, consegui me equilibrar sobre aquela prancha com rodinhas.

Não foi nada fácil.

Sam se empenhou bastante em me ensinar. E no final da tarde, eu consegui percorrer cerca de 5 metros do perímetro sem cair e quebrar a cara.

Comemoramos comprando sorvete. Sam fazia combinações mais loucas que as minhas.

Ela gostava de sorvete triplo. O seu favorito era pistache com calda de menta. E também amava de menta com chocolate.

Sam não tinha papas na língua, era desbocada e tagarela. Em poucos dias, fiquei sabendo de muitas coisas sobre ela.

Ela era divertida, encrenqueira e não levava desaforo pra casa.

[...]

Dias depois...

— Pausa pra um lanchinho? Por favor... — Era preguiçosa, não gostava de estudar.

— Tudo bem. — Concordei.

Deixamos os livros e seu caderno de lado.

— Faz um daqueles sandubas para mim. Com tudo que eu tenha direito. Em casa só têm mortadela, é só o que aquele mão-de-vaca compra. Mortadela e ovo. — Resmungou.

— Em quê sua mãe trabalha mesmo? — Abri a geladeira.

— Não me pergunte o que eu não sei... Minha mãe já fez de tudo nessa vida. Ela já foi até arrumadeira em motéis. Acho que ela tá trabalhando num Sex Shop agora, não tenho certeza. E quêm se importa? Pelo menos ela tá pagando as contas e pondo comida na mesa. — Disse indiferente.

Separei os ingredientes do nosso lanche sobre o balcão.

— Você têm o tempo livre durante à tarde. Não pensa em arrumar um emprego? — Indaguei.

— Oh, acho que tenho alergia à isso. — Me fez rir.

— Tô pensando em sair pra procurar algo. É legal passear com o Panks e a Dolly, mas não compensa. — Falei.

— Freddie, você não tem contato com seus amigos de Seattle? — Perguntou de repente.

— Não tenho amigos lá. Prontinho, toma. — Entreguei o prato com seu sanduíche caprichado. — Pega a jarra de suco. — Eu quis mudar de assunto.

— E os amigos de San Diego? — Droga, como eu poderia explicar?

— Não sou de fazer amizades. — Simplifiquei.

— Sou exceção por acaso? — Sorriu.

— Sim. — Confirmei.

Agradeci aos céus por ela ter mudado de assunto falando mal das meninas que ela não gostava, as que estudavam com ela.

[...]

Sam disse que ia ao banheiro, ela estava demorando. Comecei a me preocupar. Resolvi ir atrás dela, a encontrei saindo do meu quarto com uma expressão um tanto culpada e preocupada.

— O que estava fazendo no meu...

— Para que serve todos aqueles remédios? — Merda, ela não devia ter visto.

Eu organizava todos os meus 8 tipos de medicamentos em frascos rotulados. Nunca gostei de guardá-los nas caixinhas.

— Gripe. Febre. Dor de cabeça, alguns são para dor de barriga, coriza, e...

— Não minta para mim, Freddie. — Pediu.

— São apenas remédios, Sam. Minha mãe é enfermeira, ela é paranóica, você sabe... E também...

— Você tem baixa resistência? É por isso que nunca pode pegar chuva? Agora entendo, você fica doentinho, o bebê da mamãe pega gripe com facilidade. — Riu.

— Isso mesmo. — Menti.

Se ela soubesse que eu tinha CMD iria ficar morrendo de pena. Talvez até se afastaria para não carregar o fardo de ter um amigo doente...

— Levei um sustinho quando vi todos aqueles frascos. — Contou.

— Vamos desempatar logo aquele jogo? — Mudei de assunto.

[...]

2 semanas depois...

— Eu não aguento mais Freddie, vou embora daquela casa... Aquele porco encheu a minha mãe de porrada. Ela nunca denuncia. Do que adianta eu ligar pra polícia se ela não presta queixa? Sei que ela têm medo de fazer um B.O contra ele. — Sam desabafava comigo.

Ela nunca chorava. Talvez por vergonha. Para sustentar a pose de durona.

— Pra onde você vai? — Perguntei aflito.

— Não sei. Qualquer lugar é melhor que viver naquele inferno. Não dá pra ficar na casa da Carly, o avô doente já está morando lá, não têm espaço pra mim. — Contou.

— Vamos fazer o seguinte, vou na sua casa com você, você arruma suas coisas e vem pra minha casa. Têm o quarto desocupado. Minha mãe não vai se importar. — Falei.

Eu me ofereci pra ir com ela porque sabia que ela tinha medo do padrasto. Sam nunca ia admitir, mas eu sabia. Via no olhar dela.

— Você é um anjo. — Me abraçou com força.

Minutos depois...

— Pra onde pensar que vai, garota? — O homem nos abordou.

Ele era nojento, vivia imundo, bêbado e era um cara grande e gorducho.

— Não é da sua conta, Clayton. Saia da nossa frente! — Ela tentou abrir caminho.

— É sim, benzinho. Você mora sob meu teto, come da minha comida e eu te banco faz 5 anos. Não é tua mãe que paga suas coisas, sou eu! — Esbravejou.

— Paga porque quer! Nunca te pedi nada! Vai bancar o tio bonzão agora na frente do meu amigo? — Respondeu com atrevimento.

— Essa menina sentava no meu colo. Me chamava de tio Clay. Cresceu e olha só! Isso é falta de surra! — Começou a desafivelar o cinto.

— Ei, cara, violência não! A gente só quer ir embora! — Puxei a Sam para o meu lado.

— Ele não é doido de tocar em mim, não é meu pai e nem porra nenhuma! — Sam disse já nervosa.

Ela estava até tremendo.

— Eu devia ter feito o que os meus amigos diziam, devia ter te criado em rédea curta, podia ter te transformado na minha putinha, tua mãe é gostosa, mas você é uma baita de uma...

— ME RESPEITA, SEU GORDO SEBOSO! — Ela avançou nele o empurrando.

Clayton caiu e Sam começou a chutá-lo. Ela disparava palavrões, o xingava e ele urrava no chão.

Sua mãe chegou e a puxou.

— FICOU LOUCA, GAROTA? — A Sra. Puckett deu um tapão no rosto da filha.

Sam ficou chocada, olhando para a loira alta e vulgar. Tocou a face avermelhada.

— Me ajude a levantar, Pam. Essa menina é doida, me agrediu sem motivos e...

— A senhora devia dar parte deste homem. Ele te bate e te humilha. Todos os vizinhos sabem. Viemos pegar as coisas dela, ele se meteu na nossa frente. Ofendeu sua filha e ia agredí-la com o cinto. Ele é nojento, se eu não tivesse aqui, ele teria abusado dela. — Aquilo era uma possibilidade. — Vamos, Sam? — Estendi a mão.

— A culpa é toda sua, mãe. Toda sua! — Sam cuspiu as palavras.

Peguei a caixa com seus ítens pessoais. Sam havia socado as roupas numa mochila surrada.

Dois dias depois, Clayton foi preso por violência doméstica. Ele também havia molestado duas menores de idade num supermercado. O caso passou até nos jornais.

[...]

Aquele estava sendo o melhor verão da minha vida, Sam estava feliz e sossegada. Havia entrado de férias. Depois que Clayton foi preso, ela voltou para a casa dela, se entendeu com a mãe e quando as férias chegaram, conseguiu um emprego. Nós dois conseguimos.

2 meses tinham se passado, eu nunca havia me sentido tão bem. Eu tinha uma grande amiga e colegas de trabalho, conheci Gibby e Brad na loja de assistência.

Gibby era o atendente. Brad consertava celulares. Eu lidava com os computadores.

Sam conseguiu emprego numa lanchonete ali perto.

— A sobremesa é por conta da casa. — Piscou para mim.

Ela sempre me dava Sundaes e fatias de bolos. Não me cobrava.

Nossa amizade apenas se fortalecia.

— Quêm é aquele? — Reparei que um rapaz não tirava os olhos dela.

Minha amiga estava em expediente.

— É o Logan. Ele sempre lancha aqui, trabalha naquela loja onde vende equipamentos para Surfe. — Sorriu e foi atendê-lo toda animada.

Naquele momento senti algo estranho que nem consegui entender.

Saí dali sem terminar minha sobremesa, deixei o pagamento do lanche e sua gorjeta sobre a mesa.

[...]

— Como foi seu primeiro beijo? — Se jogou na minha cama.

Já era de casa, se sentia à vontade. Até chamava minha mãe de tia.

Quando o verão chegou, parei de ir nas minhas consultas de rotina. Eu costumava ir quando Sam estava no colégio, assim ela nunca ficava sabendo.

Passei por uma bateria de exames até meu médico me liberar para eu curtir o verão como qualquer jovem da minha idade.

Nenhuma melhora, nenhuma piora. Eu estava bem. Bem na medida do possível. Apesar de não haver cura e eu estar com Grau 3, eu não corria riscos de morrer nos meses seguintes.

Não tinha um prazo estabelecido. Cada caso é um caso, depende do paciente.

Ouvi falar no hospital que uma moça com a mesma doença morreu aos 22 anos. Portadores de CMD não passavam dos 25 anos.

Eu ia ficar bem enquanto me cuidasse. Minha mãe era enfermeira e sempre pegaria no meu pé de qualquer jeito...

O Câncer avançado assusta, quando é terminal você só têm uma certeza... Um dia sua vida termina. Simples. Todo o sofrimento acaba.

Minhas expectativas de vida não eram excelentes, recaídas me derrubavam. Quando completei 13 anos, tiveram que raspar todo o meu cabelo. Minha mãe cortou o dela que era longo, o deixou na altura da nuca.

Ela fez aquilo por mim. Tudo que ela têm feito até agora é por mim... Sou tão grato. Minha mãe é uma guerreira.

— Responde! — Sam me derrubou na cama.

— Hãn? O quê? — A olhei confuso.

— Você anda muito pensativo. Tá apaixonado, é? — Deitou de lado, fiz o mesmo ficando de frente para ela.

— Não. Quê isso? — Comecei a rir.

— Como foi seu primeiro beijo? — Refez a pergunta.

— Nunca beijei. — Curto e sincero.

— Tá de sacanagem? — Ela sentou de supetão.

— Não. — Respondi.

— Oh, caramba! Puta merda! — Por fim deu um gritinho.

— Ei, deixa de ser bobona! — Joguei um travesseiro nela.

Ela revidou e ficamos ali brincando feito duas criancinhas.

Notas finais
E aí??? O que estão achando dessa linda amizade??? As coisas já estão fluindo... Tô amando escrever essa Fanfic. Até o próximo capítulo. Bjs