Dont Forgive Me

1 Just dont forgive me


Notas iniciais
1. Baseada em fatos reais.
2. Feita numa crise de insônia e de humor.

Me encolhi um pouco mais no sofá, o colo de Ruki e uma almofada fazendo as vezes de meu travesseiro. Sentia seus dedos mexendo nos meus cabelos, tentando me acalmar, por mais que eu soubesse que ele estava preocupado comigo. Eu o ouvi suspirar; sabia que estava curioso também. Estava ali há uns bons minutos e não havia dito nada.

— Pode me dizer o que te deixou assim?

Fiquei quieto por alguns segundos.

— Eu... me abalei por algo que eu não deveria. Na verdade, por uma suspeita de algo.

— Especificamente o quê?

— Acho... que o Reita tá com outra pessoa.

Ele ficou quieto, pensativo.

— Já fazem uns bons meses que vocês terminaram, não é? E se eu bem me lembro, a culpa foi sua.

— Eu sei que foi minha. Nós tínhamos brigado... porque ele estava com ciúmes de um amigo meu. E eu acabei me vingando.

Me virei para olhá-lo, vendo-o erguer uma sobrancelha.

— Eu sei, eu sei... – continuei. – Infantil da minha parte. Nem eu achei que pudesse ser capaz de algo do tipo. Tanto que eu contei pra ele no dia seguinte.

— Contou?

— Claro que sim. – me virei de lado, encarando a televisão desligada. – Lealdade, Ruki. Lealdade. Não importava o que acontecesse comigo, ele era sempre a primeira pessoa a saber. Até hoje, ainda é. Eu disse pra ele escolher o que queria fazer, afinal, eu não estava em posição de exigir e pedir alguma coisa.

Ouvi o seu suspiro.

— E ele acabou decidindo por terminar.

— É. Sei lá... talvez ali, naquele momento, tenha sido a melhor decisão. Não sei se eu mesmo gostaria que ele tivesse me perdoado.

— Como assim? – ele pareceu indignado.

— Seria... falta de amor próprio, Ruki. Eu não gostaria que ele fizesse isso. Sabe que ele sempre foi meio inseguro, por causa de uma outra namorada que ele teve, que acabou traindo ele com um outro aí, não me lembro direito. Sem contar o ciúmes... sempre disse pra ele que não gostava de ciúmes.

Ele riu baixo.

— Você é mesmo do contra, ne? A maioria das pessoas acha que ciúmes é prova de amor.

— Eu acho que é falta de confiança, tanto da pessoa que sente quanto pra quem é direcionado. Detesto isso.

— Esse é seu jeito de ser, no fim das contas. Quanto mais tentar te prender, mais você escapa.

Sorri fraco, fechando os olhos.

— Isso é uma verdade...

— Eu ainda não te entendo, mesmo assim. Você o traiu, por mera vingança?

Assenti, antes de dizer qualquer coisa.

— Eu estava irritado... Não, não é bem essa a palavra. Acho que \"desapontado\" se encaixa melhor. E nem era por ele ter ciúmes de mim... mas por não ter vindo falar comigo diretamente.

— Continua sendo infantilidade, Uru.

— Eu sei, não estou tentando diminuir o meu erro, só... colocando o meu ponto de vista.

Ficamos um minuto em silêncio, os dois pensativos.

— Quando... eu conversei com ele... ele me perguntou se eu o amava.

— E o que você respondeu?

— Que eu não sabia. Eu estava confuso, e não iria mentir pra ele.

Ouvi o som de Ruki batendo com a mão na própria testa.

— Você realmente tem problemas, Uruha.

— Eu fui sincero. Eu estava confuso, irritado, desapontado... e de ressaca. Tanto que eu não fiquei mais bêbado desde então.

— Nossa... agora que você falou que eu reparei. Não te vi mais bêbado depois de vocês terem terminado.

— É.

— E agora, Uruha? Se ele te perguntasse isso agora, o que você responderia?

Sentia seus olhos analisadores sobre mim.

— Não faz diferença, Ruki.

— Ah, mas eu quero saber.

— Eu diria... que apesar de ter errado, de ter me confundido, eu sempre amei ele. Amo tanto, que jamais diria isso pessoalmente pra ele de novo.

— E por que não?

— Jamais faria isso, Ruki. Não agora, que ele encontrou outra pessoa. Ele está feliz e eu não quero estragar isso. Não... eu jamais faria isso.

— E por que diabos você não foi falar com ele antes?

— Porque eu não me senti no direito, Ruki. Qual é, eu erro dessa magnitude com ele e depois simplesmente peço pra voltar, como se ele fosse um animal de estimação? Não faria isso com ele.

Voltei a ficar quieto, e acho que Ruki esperou uma continuação.

— Temos que pagar pelos erros que cometemos, Ruki.

— Então é por isso que você está chateado.

Acabei por rir baixo, fechando os olhos.

— O mais engraçado é que nem é por isso. Mas é por ele não ter me contado. Afinal... continuamos amigos. Isso me deixou um pouco chateado.

Ruki pegou a minha mão direita, olhando para o anel prateado que outrora estivera na minha mão esquerda.

- Você ainda usa a aliança, apesar de ser na outra mão.

Sorri de canto.

- Ele foi o primeiro a me dar uma aliança. Ela... é como um lembrete, de tudo o que eu joguei fora.

Ele voltou a mexer nos meus cabelos.

— E o que você vai fazer agora?

— Nada. Absolutamente nada. Aliás, vou fazer uma coisa sim.

— O quê?

— Torcer pra que ele seja muito feliz.

~ F i m ~