Quando cheguei em casa, vi meus pais e meu irmão sentados na sala e tive a sensação que me esperavam, pois logo que abri a porta, me encararam.

– Ei, o que... – Fiquei sem palavras ao olhar para nossa sala de jantar. Haviam gérberas de todas as cores, formas e tamanhos espalhadas em vários buques e vasos.

– O que? Quem? De quem são? — Perguntei estupefata.

– Acho que do seu pilantra, minha querida irmã. Acho que ele gostou do abuso, coitado. — Disse meu irmão, irônico e balançando a cabeça.

– Filha, acho que merecemos uma explicação. Quem é que você tá pegando? E pegando bem por sinal para te mandar tudo isso. — Ai, Deus, minha mãe sabia como piorar as coisas.

– Ei! Não fala assim na minha frente, Flora! Mas eu realmente quero uma explicação, Bianca. — Meu pai tentava ser sério, mas não dava muito sério.

Eu não sabia o que fazer... Eram tão lindas. Tudo aquilo era inacreditável. Parecia que eu havia acabado de sair de um livro romântico. O que ele estava querendo? Ele estva realmente me assustando.

– Gente, seguinte: primeiro, vamos jogar tudo fora! E segundo, é alguém que peguei, verbo no passado, e não vou pegar mais. Certo?

Todos começaram a me ajudar a jogar tudo fora, mas acabei guardando um vaso de flores num tom de fogo que achei lindas demais.

Agradeci pela ajuda e fui para o quarto pensar.

– Filha, to entrando e quero detalhes sórdidos.

– Nossa, você deveria ser mãe da Juliana. Duas irritantes.

– Eu só estou brincando. Mas eu quero saber o que está acontecendo. Você nunca foi tão mimada assim, e como sua mãe isso me agrada e me assusta. Quem é ele?

– Mãe, quantas vezes eu já xinguei o Cadú aqui em casa, quando cheguei do trabalho?

– Nãooooooooooooooooooo! Mentira! Ele filha?

– É. Eu o conheci. Ele é um deus de tão perfeito. Mas mãe, ele é meu chefe! Já fiz a cagada de transar uma vez com ele, chega. E outra, não faço o tipo dele. Tenho medo de ele estar querendo humilhar-me.

– Bom querida, você sempre livrou-se fácil dos rapazes. Muito mais fácil do que eu gostaria, na verdade. Acho que cabe a você julgar se deve deixar o medo de lado e tentar, ou passar a rasteira em mais um. O que você decidir, to junto!

– Ah mãe. Estou confusa. Mas isso vai passar.

Quando fui me deitar, senti um frio que nunca havia sentido antes. Como se todo meu calor tivesse sido tirado de mim.