Dona De Mim

18 Capítulo 18 - Flashback


Notas iniciais
Aqui eu trouxe a história de Bia na adolescência. O motivo de seus medos, suas inseguranças.Você estraram mais nos sentimentos dela e passarão a entender as atitudes que ela tomar nos próximos capítulos.Big beijo!!!

– Pare Natan! – Eu gritava com ele enquanto tentava dirigir seu carro. Eu havia acabado de tirar carta e ficar brincando com meu volante era realmente perigoso. Ele gargalhava no banco do passageiro.

– Bibi, não seja tão chata! Vamos!

Era uma terça-feira e ele havia me buscado após meu cursinho noturno para darmos uma volta. Já fazia quatro anos que estávamos juntos e era uma relação muito intensa. Muito mais do que eu realmente queria, pois éramos muito novos para tanta obsessão. Mas era assim que era: todos os minutos em que podíamos, estávamos juntos. Fazíamos planos, tínhamos nomes para nossos filhos, tínhamos sonhos. Tudo juntos. Isso me assustava. Eu não havia vivido nada ainda da vida. Mas não sei bem porque, mas eu não conseguia me afastar. Eu o amava, mas era um amor diferente, um amor de cuidado. Depois que nos conhecemos ele começou a estudar e trabalhar mudou sua vida e seu jeito de ser. Eu não o via como o homem da minha vida, mas o via como parte extremamente importante dela. Não sei explicar.

Chegamos à frente da minha casa rindo muito. Ele tinha 23 anos e não passávamos de duas crianças divertindo-se.

– Vem aqui Bibi. – Ele me puxou e me beijou. – Você tem ideia de quanto eu te amo?

– Sim, Nate, eu tenho... Você vai para a casa?

– Não, vou ver o Edu antes, acho que vamos lá com os meninos na avenida, vai ter racha.

– Cuidado, Nate, você vai acabar preso!

Ele deu risada e nos despedimos. Foi um dia divertido e leve o que era raro.

Entrei em casa e fui direto dormir, já eram 23h e estava cansada. Na cama, lembrei-me de todos os pedidos de casamento que ele fez ao longo desses anos e ri. Eu nunca aceitei, achava cedo demais.

Por volta das 04h da madrugada o telefone de casa tocou. Ouvi alguém atender, mas não entendi o que dizia. Logo meus pais estavam no meu quarto. Minha mãe chorava e meu pai tentava disfarçar o olhar.

– Filha... Eu não sei como dizer isso... – Minha mãe estava péssima.

– Mãe... – algo dentro de mim sabia o que era.

– O Natan sofreu um acidente de carro em um racha. O carro capotou e... – Ela começou a chorar.

Foi um choque. Eu estava com ele horas atrás e ele morre? Eu não tive reação. Foi como se todas as minhas forças se esvaíssem do meu corpo. Meus pais me trocaram e quase me arrastaram pelo braço. Eu estava perdida... Minha cabeça não pensava em nada. Era como se meu cérebro tivesse dado um tiotê. Fomos para a casa da família dele e sua tia me entregou sua aliança de compromisso. Eu a segurei e fiquei olhando. Por horas.

Tempo mais tarde chegamos ao velório. Caminhei até o caixão e vi aquele garoto lindo, moreno, que tinha meu nome tatuado em seu peito ali, morto. O garoto que havia tirado minha virgindade e me amava. Que queria se casar comigo. Ali.
Como se meu corpo despertasse, eu senti uma dor imensa. Caí de joelhos e gritei com todo o ar que eu tinha nos pulmões. Meu pai e meu primo correram até mim quando caí no chão.

Foram horas tentando entender, olhando para ele e lembrando de tudo o que vivemos. Cada minuto, cada toque.

Quando fecharam o caixão parecia que um pedaço de mim havia ido junto. Quatro anos da minha vida estavam ali. Meus sonhos, projetos, eram todos com ele.

–Pai! Não! Pai! Não deixe que o levem! – Eu estava agarrada a ele e vendo fecharem o caixão. Aos prantos.

– Não olhe, Bia. Não olhe. – Ele enterrou meu rosto em seu peito. Ele também chorava. Natan havia se tornado o quinto membro de nossa família. Meu irmão o tinha como um irmão mais velho. Eu também era muito ligada aos seus pais, que eram muito agradecidos por toda mudança que fiz na vida dele.

O dia estava cinza, assim como minha alma. Eu não entendia porque as pessoas morrem cedo.

Os próximos dois meses eu não sei bem como passei. Na verdade, eu fiquei enclausurada em casa. Não saía, não comia e mal falava. Meus pais estavam muito preocupados.

Eu estava em meu quarto e não sabia que dia era... Nem mesmo que horas eram, mas o sol estava presente. Ouvi a campainha tocar. Alguns minutos depois, uma voz masculina surgiu em minha porta.

– Nossa, Bia, você está horrível!

Olhei e era Rodolfo, parado na porta, encostado no batente. Fazia tanto tempo que não o via... Cerca de dois anos, devido ao ciúme de Natan que teimava que tínhamos alguma coisa. Na verdade, Rô sempre foi meu melhor amigo. Tínhamos uma conexão muito forte e eu sentia falta dele todos os dias. Vê-lo ali na minha porta, iluminou meu rosto e sorri, mesmo que um sorriso fraco.

– É loirão, eu devo estar um lixo mesmo. – Ele era loiro, com cabelos bem baixinhos e grandes olhos verdes. Alto, forte, mas não malhado e uma boca gigante e carnuda que, em minha opinião, era o que tinha de mais bonito.

Ele se jogou em cima de mim na cama e começou a me fazer cócegas.

– Vamos menina! Tome um banho e vamos dar uma volta.

– Hum... Eu não sei Rô. – Sentei de índio na cama e encarei minhas mãos no colo.

– Ah... Achei que você ia querer ver minha Hornet nova. Ela é amarela, sua cor preferida e tal... 600cc...

– Você tá apelando!!!!! – Desgraçado, ele sabe que adoro motos. – To indo tomar banho.

Era junho, mas o dia estava lindo, com um céu azul imenso que só vemos no inverno. Coloquei um shortinho jeans desfiadinho na barra, uma camisetinha branca e tênis all star vermelho que amo. Prendi os cachos numa imensa trança de lado e desci.

Quando ele olhou pra mim seus olhos se iluminaram.

– Essa sim é minha parceira selvagem! – Com um grande sorriso branco.

Eu sorri amplamente também. Ele realmente preenchia minha alma.

Meus pais se abraçaram e sorriram. Minha mãe tinha lágrimas nos olhos e ela correu dar um abraço de ursa em Rodolfo.

– Obrigada meu filho.

– Tia Flora, eu estava morrendo de saudade dessa casa. Vocês terão que me aguentar tudo de novo.

Nós rimos e eu saí com ele. Andamos de moto por mais de uma hora, devagar, curtindo o vento e conversando. Paramos em uma sorveteria. Ele sabia da minha paixão por sorvetes.

– Hum, você está mais feliz com essa bola gigante de Flocos.

– Ei! – Bati no seu braço. – Tá me chamando de Magali?

– Eu gosto do seu lado Magali. A maioria das meninas não comem por medo de engordar. É chato. – E deu de ombros.

Nos próximos dias ele me levava passear sempre que saía do trabalho. Ele tinha 23 anos e cursava engenharia, mas estava de férias já.

Com carinho e atenção, Rodolfo foi me trazendo de volta à vida. Nossa amizade se fortaleceu. Vivíamos grudados. Eu sempre fui meio moleque e logo fiz amizade com seus amigos e ficou fácil me distrair.

A maioria das pessoas pensava que tínhamos algo, mas nunca rolou nada e eu nem pensava sobre isso.

Um mês havia se passado e logo chegaria meu aniversário. Não pude resistir e uma tristeza estava tentando entrar novamente em meu coração.

Na semana no aniversário, eu recusei algumas saídas com Rodolfo, mas ele sempre estava em casa e os momentos juntos eram os melhores do meu dia. Quando o sábado chegou, eu não consegui fugir dele.

– Ei, seu aniversário foi ontem e eu respeitei seu luto bobo, mas hoje é sábado. Vamos sair.

Ele era muito insistente às vezes. Quando desci as escadas vi que não tinha ninguém em casa. Achei estranho, mas não pensei muito a respeito.

– Cadê sua moto?

– Vamos de carro, encrenca. Vamos ao shopping.

Ãhn???? Ahhhhhhhhhhh não!

– Pode tirando essa cara feia. Eu quero comer o Mc Donald´s e você vai comigo.

Eu não estava muito afim de ter várias pessoas por perto, shopping, compras e etc., mas se ele queria, eu faria.

Chegamos, almoçamos e meu humor logo mudou. Com ele eu podia ser eu mesma, rir, brincar.

– Venha, agora nós vamos comprar seu presente atrasado.

– Não! Não quero presentes, eu te disse.

– E desde quando eu faço tudo o que você manda dona encrenca?

Ele me abraçou pela cintura e um arrepio subiu pela minha espinha. Ele nunca chegava tão perto.

Fomos a uma loja linda que gostei de cara. Tinha todo um estilo vintage, rosa e floral, com muitas roupas, sapatos e etc. Uma vendedora muito animada veio nos atender.

– Ual, vocês formam um belo casal! Como posso ajudá-los?

Eu fiquei envergonhada, mas Rodolfo pareceu não se importar o que achei estranho. Sempre fazíamos questão de falar que éramos apenas amigos.

– Moça, essa garotinha aqui fez aniversário ontem e hoje eu quero levá-la passear. Então eu quero um vestido lindo e sapatos também. – Ele olhou pra mim e eu cheguei a abrir a boca para contestar. Mas o sorriso em seu rosto me calou e eu também sorri.

Nós brincávamos o tempo todo e experimentei vários vestidos. Até que vi um muito diferente. Ele era azul celeste, com um recorte perfeito na frente, plissado, que modelava os seios, subia para o pescoço e descia cruzando nas costas. Abaixo do busto, uma pequena faixa de cetim e abaixo desciam camadas de organza que paravam curtas na frente e mais compridas atrás, como uma cauda. O Rô havia saído da loja para fazer uma ligação e fui para o provador. Pedi um par de sapatos na cor gelo, de cetim para a vendedora e coloquei o look. Ficou perfeito. Meus seios fartos encaixaram-se no decote, a faixinha do busto demarcou minha costela. As ondas de organza cairam lindamente sobre meu quadril. Meu bumbum grande deu um movimento lindo à parte mais comprida atrás. Eu estava linda. Sentia-me linda. Soltei meus imensos cachos caramelo que quase chegavam à cintura e eles modelaram o decote. Perfeito.

– Ei, menina! Saia desse provador pra eu te ver! Você foi provar sem eu escolher, sua chata! — Gritou Rô assim que voltou.

– Na verdade, seu feio, eu já escolhi o vestido e os sapatos, mas você não vai ver.

Comecei a tirar tudo correndo e escondi sob minhas roupas no cantinho. Não deu um minuto para ele abrir a cortina.

– Ops! Meninas de calcinha! – Ele riu ao me ver.

– Saia daqui! Você não quer me levar passear? Então não vai ver minha roupa até lá. – Falei isso com as mãos na cintura e só de lingerie. Era incrível como não sentia vergonha dele.

Nós voltamos para minha casa e ele ficou de me buscar 19h.

Minha mãe me ajudou a me arrumar e ela era muito boa nisso. Ela fez um topete baixo na frente e prendeu metade do meu cabelo, fazendo cair em cascatas de cachos pelas minhas costas. Uma maquiagem leve e jovem, com batom rosado.

– Ah minha menina, você está linda!

– Mãe, você e papai também estão arrumados... Vão sair?

– Vamos comemorar um pouco a vida, filha. Você está bem melhor e nós também. Precisamos seguir em frente meu amor.

Eu fiquei feliz, pois a morte de Natan abalou toda a minha família.

Abracei minha mãe e pela primeira vez em meses não tive vontade de chorar. A campainha tocou e logo ouvi a voz grave do meu melhor amigo.

Desci as escadas. Ele estava ao final dela e seu rosto se iluminou quando me viu. Seus grandes olhos verdes brilhavam e senti mil borboletas em meu estômago. Eu não sabia o porquê, mas havia um sorriso de gato de Alice na minha cara também. Ele estava lindo, com uma calça jeans que ajustava ao seu corpo e sua bunda imensa (adoro), uma camisa branca e um blazer azul marinho por cima. Divino.

– Ual! Acho que nunca dei um presente de aniversário tão perfeito para alguém. – Sua voz saiu meio rouca e eu corei. Cheguei ao pé da escada e ele me pegou pela cintura e me rodou. Gargalhamos.

– Falae ae tio! Ela não tá linda? – Ele ofereceu o braço e fui de bom grado.

– Ela está divina meu filho, parece uma fada.

Saímos e entramos no carro.

– Aonde vamos?

– Hum, dar uma voltinha... Hehe. – Ele me olhou com um olhar travesso. Eu sabia que estava aprontando.

Andamos de carro por cerca de meia hora como sempre fazíamos. Rimos e conversamos.

– Rô, eu estou com fome. Podemos parar pra comer?

– Tudo bem, minha encrenca mais linda. Aliás, você está um encanto hoje Bia. – Olhei em seus olhos e recebi um olhar diferente. Meu coração se apertou e senti certo medo.

Paramos em frente ao clube de Sumaré. Havia vários carros por lá e imaginei que devia estar tendo alguma festa no salão. Lá era um lugar que sempre íamos e eu amava o lanche do bar.

– Hum, vamos comer lanche?

– Mais ou menos. Vem!

Ele me levou pelo braço e entramos. Ao invés de ir para o bar ele me levou para o salão.

– Mas o bar é lá! – Eu disse apontando e com bico.

– Fica quietinha tá. – Ele estava com cara de quem ia aprontar.

Assim que entramos no salão muitas palmas, gritos e assovios preencheram o lugar.

Toda minha família, amigos, pessoas amadas ali. Olhei para ele um pouco assustada. Ele sorria como que pedindo desculpas. Ele pegou meu rosto entre as mãos e sussurrou para mim: — Parabéns minha encrenca linda! – E deu um beijo em minha testa.
Logo começou o coro de parabéns e meu irmão veio até mim, me pegando pelas coxas e me girando no ar.

Meus pais me abraçaram e terminaram os parabéns ao meu lado. Rodolfo juntou-se às pessoas, ficando de frente para mim, mas longe. Eu não conseguia tirar os olhos dele. Meu coração pulava no peito.

A festa toda foi uma delícia e aproveitei ao máximo.

Quando tudo acabou, eu fui em direção ao carro dos meus pais.

– Bia, deixe eu te levar embora. – Era Rodolfo. Eu senti que algo estava diferente, mas aceitei.

– Tio, tia, eu quero levá-la para ver o nascer do sol posso?

– Vá, querido. – Disse minha mãe. – Hoje ela merece tudo.

Entramos no carro e fomos em direção a um descampado. Ambos havíamos bebido um pouco e ele roubou uma garrafa de vinho da festa para trazer. Ele também tinha dois grandes cobertores no carro e percebi que havia programado tudo isso. Não falamos nada no caminho. Ao chegarmos, ele esticou o cobertor na grama e me puxou para sentar com ele, envolvendo o outro cobertor em nós.

Sentei no meio de suas pernas e apoiei em seu peito. Ele cheirou meu cabelo e respirou profundamente.

– Bia... – Ele me virou, me deitando em seus braços de modo que eu visse seu rosto. Ele passou a mão em minha bochecha. Eu fechei e inspirei aproveitando o momento. Eu me sentei e passei os braços por seu pescoço. Um segundo depois estávamos num beijo calmo, envolvente, molhado.

Quando o beijo terminou, ele me olhou preocupado. Eu sabia o que estava pensando. Só fazia três meses que tudo havia acontecido. Mas eu nunca senti isso com Natan. Ele nunca me fez tremer ou me deixou nervosa.

– Bia... – Eu coloquei os dedos em seus lábios.

– Não, Rô. Não... Eu... Nunca senti isso antes. Nunca ninguém me fez arrepiar. Não estrague isso, Rô. Por favor.

Eu me sentei de em seu colo de frente para ele, com as pernas ao seu lado e puxei para um beijo apaixonado e intenso. Ele retribuiu, me puxando mais para junto dele e eu pude sentir sua ereção crescer no meio de minhas pernas. O sol começava a nascer atrás de nós e nosso beijo esquentava. Eu tirei seu blazer e sua camisa. Ele enfiou as mãos por baixo do meu vestido e apertou minha bunda. Começou a beijar meu pescoço e joguei a cabeça para trás. Era tudo muito diferente do que havia feito até ali. Era quente, erótico. Ele rasgou minha calcinha e começou a masturbar meu clitóris com o dedão. Baixei meu olhar ao dele e ele me viu fervendo. Seus olhos verdes ficaram mais escuros e ele gemeu no fundo da garganta. Tirou-me do seu colo e correu até o carro. Voltou com uma camisinha na mão. Vi que ele pensou por um segundo, sentindo culpa.

– Não pense... Venha. – Minha voz também estava rouca. Eu o puxei pelo cós da calça e ele ajoelhou na minha frente. Abri sua calça e a abaixei para tirá-la. Sua ereção pulou e eu olhei faminta. Meus instintos falavam mais alto e era como se eu soubesse o que fazer. O peguei em minhas mãos e o massageei. Rodolfo se esticou e abriu o zíper do meu vestido, tirando-o. Eu estava ali, nua, em um descampado. Ele me deitou e me fitou.

– Você é linda demais, sabia? Não sabe o quanto é difícil ser seu amigo com todos os caras babando em você. — Eu ri e o puxei pra mim. Fizemos amor. Devagar. Ele me tocou de formas que eu nunca havia sido tocada antes e pela primeira vez, eu senti meu corpo começar a tremer. Era tão bom. Eu gozei agarrando seu cabelo e logo ele gozou também. Ficamos um tempo assim.

Os meses foram passando e nós estávamos juntos. Era tudo tão leve e gostoso com ele. Eu estava completamente apaixonada.

Cerda de um ano depois minha vida desmoronou pela segunda vez.

Estávamos em meu quarto, sentados na cama. Ele virou de frente para mim, buscando minha atenção.

– Dona encrenca, preciso falar contigo. – Apesar do apelido, seu rosto estava sério.

– Oi amor, pode falar. — Sentei de frente para ele e não gostei de seu jeito.

– Eu... Vou ser transferido para a Alemanha.

Eu não soube o que falar. Só levei as mãos ao rosto.

– Eu não sei o que dizer Bia. É minha oportunidade dos sonhos. Eu não posso deixar passar. — Ele estava desesperado. Eu podia sentir sua culpa.

Tentei respirar e acalmar meu coração.

– E... Quanto tempo você vai ficar?

– Eu não sei. No mínimo um ano.

– UM ANO RODOLFO! — Explodi. Porra, um ano?!?!?!

– Venha comigo... -Ele segurou minhas mãos, e olhou como se fosse a ideia mais genial do mundo.

– Eu não tenho dinheiro pra tirar um passaporte e um visto. E você também não. — Minha paciência havia acabado de esgotar. Meu bom humor também.

– Me desculpe... Desculpe-me... Eu te amo Bia. – Ele tentou se aproximar e eu me afastei. Toda aquela sensação de vazio de um ano atrás caiu em mim. Senti-me sozinha e sem alma de novo.

– Saia daqui Rodolfo. Agora. – Minha voz saiu baixa.

– Não faça isso! – Ele gritou.

– Saia. — Eu estava de cabeça baixa e olhos fechados. Não tinha força nem coragem para discutir com ele.

– Não, por favor, eu só vou daqui a três meses, por favor.

– Agora.

– Quando você se acalmar, por favor, me ligue. Eu te amo.

Ele foi embora e eu fiquei ali. Vazia. Eu não consegui chorar, ou gritar. Nada. Ele me ligou, foi até minha casa, falou com meus pais, mas eu não quis vê-lo.

Um mês depois eu levantei da cama e me olhei no espelho. Eu sabia que não poderia ficar assim. Eu não precisava de homem para ser feliz. Decidi que nunca mais me apaixonaria de novo, só os usaria para meu prazer.

Procurei um emprego e voltei a viver. Voltei a sair e conheci novas amigas que eu já gostava muito.

Voltei a viver, mas do meu jeito, sem me machucar.