Voltamos para a casa dos meus pais e fui direto deitar. Vini deitou comigo e me abraçou. Infelizmente, me senti no lugar errado... No aconchego errado...

– Bia, você deveria me explicar quem era aquele cara. – Sua voz era suave. Como ele consegue?

– Amor, eu gostaria de dormir. Prometo que amanhã conversaremos. – Acho que minha cara de Gato de Botas entrou em ação, pois ele logo me abraçou e começou a acariciar meus cabelos.

Eu fechei os olhos, mas não conseguia dormir. Meu cérebro parecia um filme passando no modo “avançar”. Tantos pensamentos. Tantos momentos. Eu estava desesperadamente tentando entender tudo o que havia acontecido anos atrás. O dia em que conheci meu sol. Nossa noite juntos. As flores em toda minha casa. A decepção das fotos. O aeroporto. A minha partida. Cara, eu sei que sou toda complicada, mas esse homem é uma montanha russa de emoções! Em cada momento eu via um Cadú diferente. Mas em qualquer que fosse o momento, eu entendi uma coisa: eu sentia falta dele. Sentia falta de ouvir sua voz, sentia falta dos olhos cor de mel, sentia falta do seu calor.
Acho que já havia passado mais de uma hora pois virei para olhar Vini e ele havia adormecido. Senti uma dor no peito e uma imensa culpa. Uma forte verdade veio até mim como um punhal cravado no peito: eu estava enganando e usando este homem. Eu não o amo. Nunca amei. Estive, sim, apaixonada e encantada, mas nunca consegui amá-lo. Isso é tão egoísta. Lágrimas rolaram pelo meu rosto. Tomei uma decisão: eu preciso libertá-lo.

Eu realmente não consegui dormir, e assim que o dia começou a amanhecer eu levantei-me e fui fazer um café. Quando sentei à mesa da cozinha com um pingado de café com leite, Vini sentou ao meu lado.

– Precisamos conversar minha garota. — Seu tom estava triste.

– Sim. Precisamos. Na verdade, eu preciso fazer algo que eu não quero. – Olhei para ele já com os olhos marejados.

Ele baixou a cabeça e vi uma lágrima solitária passar pelo seu rosto.

– Eu já entendi, garota. – Ele alcançou meu rosto com a mão, me olhando como se fosse a última vez. – Uma última dança?

Eu fui de bom grado para seus braços e dançamos, sem música, uma despedida bonita e carinhosa. Toda a angústia saiu de nossos rostos e nos divertimos. Após uma das voltas, eu parei de frente para ele, segurei seu rosto com as mãos e dei um beijo demorado. Ele apoiou sua testa na minha.

– Promete que será feliz minha garota?

– Eu vou tentar.

– Se não conseguir, sabe onde me encontrar.

Deu-me um beijo no topo da cabeça e saiu para arrumar suas coisas.

Meus pais surgiram e me abraçaram. Acho que eles estavam espiando o tempo todo, bandidos!

Meu pai levou Vini até o aeroporto de Campinas. A despedida foi tranquila. Mas fiquei surpresa com a dor que senti em meu peito ao vê-lo ir. Ele havia se tornado parte da minha vida. Era estranho não tê-lo por perto.

O domingo passou sem maiores problemas. Eu ainda não estava no modo “Feliz”, mas estava melhor. Meu irmão percebeu e resolveu que deveríamos dar uma volta de carro pelos velhos tempos. Foi divertido. Gastar gasolina à toa, tomando cerveja e ouvindo música. Bem coisa de cidade interiorana. Eu me senti em casa.

Quando fui me deitar, um imenso medo me invadiu. No dia seguinte eu sabia que o veria. Estava marcada uma reunião na empresa dele para firmar a parceria com nossa e eu sou a responsável. Tenho certeza de que ele está sabendo de tudo e seu novo gerente pode deixá-lo participar. Eu confio muito no meu lado profissional, mas depois de ontem, eu não sei como reagirei. E se esse novo gerente, que está no lugar do Henrique, for uma azia?

Oh Minha Nossa Senhora das Garotas que Amam os Homens Errados, me ajude amanhã!

Notas finais
Yeah! Mais um capítulo. Curtinho, mas de deixar água na boca. :D