Dona De Mim
8 Capítulo 8
*Cerca de 02 anos depois*
Ah, como minha vida mudou.
Eu mudei. Hoje me sinto mais forte. Mais mulher. Mais dona da minha vida. A empresa, Panther Instalações, vai de vento em popa. Conseguimos angariar a maioria das empresas de telecomunicações de São Paulo como clientes e minha experiência fez com que a excelência em nosso trabalho fosse um diferencial.
Estou começando o terceiro ano de faculdade de administração e hoje sou Gerente Comercial da empresa. Após alguns meses, descobri um dom em lidar com pessoas e Henrique arriscou colocando-me um tempo como Consultora Comercial. Eu fui um arraso! Logo, estava comandando as equipes da área comercial e feliz da vida.
Até minha aparência mudou. Passei a fazer aulas de dança, o que torneou e acertou meu corpo e hoje sou feliz com ele. Passei a cuidar-me mais, já que a aparência é algo importante em minha nova fase profissional. Fiz luzes nas madeixas cacheadas, estou loira e com cachos grandes, bonitos e ajeitados – algo que achei que não fosse possível. Meu guarda roupa transformou-se e agora tem ternos, saias, camisas e roupas muito mais elegantes. Maquiagem tornou-se indispensável e eu sou feliz com o que vejo no espelho.
É... Eu mudei! Minha deusinha interior agora é uma deusa-leoa, superautoconfiante e com vontade de gritar igual ao Eduardo Sterblitch no filme Os Penetras: Eu mudeeeeeeeeei!
(risos)
Amo minha vida nova!
– Bia, precisamos almoçar juntos. Preciso falar contigo. — Disse Henrique passando pela porta de meu escritório.
– Ok Henrique. Vejo você em 1h.
Agora somos muito próximos. Amigos. Ele não é tão mais velho que eu, tem por volta de 35 anos. Alto. Cabelos um pouco grisalhos. Magro. Uma boa companhia.
Cerca de 1h depois cheguei ao restaurante. Sempre fazemos nossas reuniões na hora do almoço. É mais um bate-papo e suaviza as decisões.
– Bia, nós vamos abrir nossa primeira filial. Precisarei que você fique por lá para colocar tudo em ordem.
– Ual! Que maravilha! E onde será?
– É. Isso pode ser um problema.
– Não vá dizer que será em Americana! — Um nós instalou-se em meu estômago.
– Bingo!
– Eu não vou. Ponto final.
– Mas a nossa antiga empresa não é cliente nosso. Vai ficar tudo bem!
– Mas será nossa principal meta! Se não a tivermos como cliente, pra que teríamos uma filial lá?
– É, você está certa. Vamos conversando, ok.
– Ok. — Disse derrotada.
Ah, estava tudo indo tão bem em minha vida. Irritada, resolvi ir para a academia de dança relaxar. Agora são por volta de 15h e este horário é bem vazio.
Entrei em um estúdio que estava vazio. Estava de calça de um moletom leve, cinza, justa no quadril e larga nas pernas. Um top branco e tênis. Coloquei Christina Aguilera pra cantar e dancei até não aguentar mais. Cara, isso me faz tão bem! Quando parei e desliguei o som, ouvi palmas solitárias na porta do estúdio. Olhei e o vi pela primeira vez. Alto, corpo esculpido e forte, mas na medida certa (isso lembrou alguém?), todo marcado pela camiseta regata colada e calça igual a minha. Cabelos loiro-escuro, quase marrons e olhos azuis. Ual. Minha pequena leoa interior agora estava toda se rebolando como uma gatinha assanhada.
– Olá, mocinha. — Uma voz lenta e sensual.
– O... Oi... faz quanto tempo que está aí? — Imediatamente morri de vergonha.
– Bastante. Não tive como ir embora com uma performance dessas. Você estava linda. – Ele semicerrou os olhos imensos e azuis e andou em minha direção.
– Qual seu nome princesa?
Urgh... Princesa? Péssima cantada...
– É Bianca, e não sou sua princesa. – Dei alguns passos para trás.
– Desculpe. Não quis ofender. Eu sou Vitor e também faço aulas de dança aqui. Dança de Salão e hip-hop. Pelo que vi, você gosta de mesclar os ritmos também. Deve fazer aulas com Rodrigo.
– Isso mesmo, e preciso ir.
– Não. Antes você vai dançar uma música comigo. – Com um sorriso torto lindo de viver, ele foi até o som e colocou um cd que estava em seu bolso. Logo, o som de um ritmo quente começou a tocar. Uma salsa.
Sem pensar ele tomou-me em seu braços e começou a dançar. Eu deixei-me levar pela música. Estava de corpo colado no dele, de costas. Ele soltou meu cabelo que estava preso e joguei minha cabeça para trás, em seu ombro. Era uma dança muito sensual. Enquanto nossos quadris movimentavam-se juntos, joguei os braços em volta de seu pescoço. Suas mãos contornavam meu corpo. Então, ele virou-me e começamos passos de salsa. Ele tem um olhar forte e prendeu o meu. Giros, passos, trocas de pernas. Tudo muito sexy. E a cada vez que ele me puxava de volta para seu corpo, eu esqueço de respirar. Quando a música acabou, ele me puxou para o seu corpo mais uma vez e cheirou meu cabelo.
– Aceita jantar comigo? – Disse ao meu ouvido.
– Você acabou de me conhecer... – Eu estava com arrepios pelo corpo. Meu peito sobia e descia pela respiração forte.
– Eu quero conhecer muito mais. Vamos? – Ele afastou-se só para olhar em meus olhos. Ergueu meu queixo e beijou-me. Diferente. Romântico e sexy. Eu me senti tão bem. E então a imagem “dele” invadiu meus pensamentos, com seus beijos fortes e quentes. Ai que raiva!
Eu sai do beijo e chacoalhei a cabeça para tirar a imagem.
– Tudo bem. Vejo você as 21h naquele restaurante japonês há alguns quarteirões daqui. — E fui saindo do seu abraço em direção à minha bolsa.
– Nossa, você é decidida. Tudo bem. Até mais tarde gatinha.
Oh Meu Deus! Eu tenho um encontro! Depois de tanto tempo. Preciso de roupa nova...
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