Dona De Mim
14 Capítulo 14
Notas iniciais
“Tudo estava com um uma luminosidade baixa. O ambiente era diferente. Um quarto decorado em tons de vinho. Olhei para cima e vi que estava fixada a uma cruz de madeira por algemas de couro, com os braços abertos. Olhei para baixo e me vi completamente nua, o cabelo jogado de lado, as pernas também algemadas e abertas. Senti um frio de medo na barriga. Em minha frente, uma cama grande, redonda, com lençóis de seda em tons de vermelho e vinho, cercada por barras de ferro. A sua frente, um pequeno palco com um grande cano. Minha respiração foi ficando mais forte. Era tudo tão erótico e assustador. Havia um tapete imenso, branco. Do outro lado, um banco vinho, aveludado, com chicote esparramado por cima. Comecei a sentir um desespero arrebatador. Olhava meu corpo nu e sentia uma vergonha que não cabia em mim. Comecei a chorar e tentar tirar as algemas. Meus punhos já estavam vermelhos de tanto forçar, quando a porta se abriu. Vi um homem entrando. Forte. Vestindo somente cuecas boxer. Quando chegou perto, vi que era Cadú.
– Pelo amor de Deus, me tira daqui. – Minha fala estava chorosa. Ele riu sarcasticamente.
– E você acha que eu vou fazer isso? Quem é você? Hãn?! – Seu tom era assustador. Ele balançou a cabeça e me deu um imenso tapa na cara. Eu fechei os olhos e absorvi a dor. Eu estava com ódio, vergonha, medo. Tudo misturado. Ele pegou meu queixo e ergueu meu rosto.
– Você está aqui para apanhar tudo o que merece e seu pai nunca fez. Ah, eu vou apreciar cada açoitada.
Ele caminhou até um dos criados mudos e tirou um açoite de dentro. Eu comecei a tremer. Ele caminhou até mim devagar e com olhar forte, dominador. Puxou meu cabelo de lado e aplicou o primeiro golpe em minha coxa. Ardeu muito e não gostei nada. Eu fechei os olhos e me concentrei para o segundo golpe que veio logo, mais forte, em cima do primeiro. Eu não olhava seu rosto, mas sentia sua excitação pela respiração. Ele puxou meu queixo de frente pra ele.
– Eu quero que você olhe pra mim enquanto eu te bato, vadia! – E com isso veio o terceiro golpe, mas dessa vez ele aplicou em outro lugar, mais próximo à virilha. Foi ardido, mas ao mesmo tempo mandou um choque direto ao meu ponto G. Eu assustei e soltei um leve grito.
– Ah, como eu posso perder o controle assim com você menina? Você merece um castigo hoje e não prazer. – Ele estava com o rosto enfiado em meu pescoço e a mão livre em meu quadril. Ele se afastou e olhando em meus olhos aplicou o último golpe. Duro, forte, deixando um imenso vergão. Não sei com que forças, mas eu não desviei o olhar e sem fazer quaisquer barulhos minhas lágrimas rolavam pelo meu rosto. Ele veio até mim e soltou minhas mãos e pés. Eu cai de joelhos. Ele veio tentar me ajudar a lenvantar, mas usei toda a minha força e o empurrei. Puxei um dos lençóis da cama e me envolvi.
– Bia, me desculpe, eu perdi o controle. – Colocando as mãos no rosto.
Eu não pude olhar aquele homem. Eu simplesmente saí do quarto.”
– Bia, princesa, acorde! O que foi? Fala comigo?
Fui abrindo os olhos e pude sentir que meu rosto estava molhado, minhas mãos agarravam meus braços num abraço tão forte que me feri com minhas próprias unhas. Eu estava encolhida, como um feto na barriga da mãe. Vi grandes olhos cor de mel olhando pra mim e senti perder o ar. Medo. Olhei em volta e vi uma combinação de cores diferentes.
– Meu amor, por favor, o que foi? Você estava sonhando. Deixe-me lhe ajudar.
Comecei a me soltar e ele afagava as feridas em meus braços. Sentei na cama e vi que tudo havia sido um sonho. Mas meu medo ainda era imenso. Olhei nos olhos daquele homem e vi o dominador dos meus sonhos em algum lugar de sua alma. Será que eu estou louca?
– Cadú, eu, me perdoe. Foi um sonho muito perturbador.
– Tudo bem, fique calma, eu fico aqui com você. Venha deitar comigo. – Ele me puxou de volta para baixo das cobertas, me abraçando de frente e acariciando meu cabelo.
– O senhor pode ser muito gentil quando quer Carlos Eduardo. – Não tem como não me derreter com tanto carinho.
– Nem eu mesmo sabia que podia ser assim, princesa. O que acha de levantarmos e tomarmos café da manhã?
– Hum, eu até quero algo para o café da manhã, mas eu não preciso sair daqui pra buscar. – Peguei sua ereção matinal com uma das mãos.
– Oh meu Deus, eu tenho uma namorada pervertida.
NAMORADA? NAMORADA... NAMORADA! Minha leoa estava tão confusa quando eu. Juro que meus olhos devem estar imensos de tão arregalados.
– Ei, Bia, isso tá doendo... Devagar... – Ele pôs a mãos sobre a minha que segurava seu pau. Eu me toquei de que havia o apertado e tirei a mão e coloquei sobre a boca aberta.
– O que foi? O que eu fiz agora?
– É... hum... eu... Cadú, você prestou atenção no que acabou de dizer?
– O que?
– Bom, nada... é... vou tomar um banho e vamos tomar café.
Eu estava totalmente atordoada, mas era óbvio que ele havia falado sem querer e não seria eu quem o lembraria. Virei com o lençol enrolado no corpo e fui em direção ao banheiro da suíte.
– Ei! E quanto ao nosso café da manhã aqui na cama NA MO RA DA? – Ele foi falando a última palavra bem devagar e separando as sílabas. Olhei pra cama e ele estava pelado, deitado de lado, com a cabeça apoiada na mão e um sorriso malandro lindo.
– Hum... Eu acho que o senhor deve estar confundindo-me com alguma outra pessoa. – Olhei com o dedo indicador na boca e cara de quem estava pensando.
– Ah é, pois eu acho que não.
– Mas eu não ouvi nenhum pedido, então acho que não é comigo que está falando. – Virei, entrei no banheiro e fechei a porta. Poxa vida! Não é assim que se pede alguém em namoro. Tudo bem que não temos mais vinte anos, mas poxa... Fiquei realmente irritada. Não sou tão gostosa quanto a última bolacha do pacote, mas ele já judiou muito de mim e dele eu mereço mais.
Tomei meu banho com um bico maior que a muralha da China. Quando saí do banheiro o quarto estava vazio. Provavelmente ele se tocou de que estava sendo louco e desistiu. Afinal, esse é nosso segundo encontro, e o primeiro foi desastroso. Meu humor havia acabado de ficar um lixo e não tive paciência pra me arrumar, então roubei um short largo dele e uma camiseta. Arrumei o cabelo num coque mal feito e fui para a cozinha.
Quando cheguei, vi a mesa mais linda de café da manhã que já vi na vida. Havia todo o tipo de comida, flores, frutas, sucos, chá, café, tudo, tudo, tudo. Ele estava só com calça de pijamas azul marinho absurdamente sexy e cara de preocupado.
– Antes que você fale alguma coisa, venha aqui. – Ele abriu os braços e eu, apaixonada e imbecil, fui de bom grado. – Uma vez conversando com o Armando, ele disse que estava preparando um café da manhã pra você de aniversário pois era algo que você amava. Eu quis fazer tudo isso pra você em nossa primeira manhã juntos pra que você nunca mais fuja de mim.
– Meu menino, isso é lindo! Nem sei o que dizer... – Dei um beijo em seu peito e o abracei.
– Hum, um apelidinho carinhoso... é a primeira vez que fala assim comigo, minha linda. Mas só vou aceitá-lo depois que você me aceitar.
Ele me tirou do seu abraço e me puxou para a mesa de café. Ele pegou uma caixinha de veludo azul e meu estômago torceu. Não era um anel, pois a caixa era muito grande pra isso.
– Não faça essa cara antes de eu falar, peste! – Ele falou bravo. Olhei pra ele e ri. Eu sempre sou tão chata com ele, coitado.
– Tá, desculpa...
– Quando eu soube que você viria para cá eu já sabia que iria te procurar. Eu queria que nós déssemos certo e resolvi mandar fazer isso aqui. Se não gostar, podemos mudar o modelo, e ...
– Ah, cala a boca e dá isso aqui! – Tomei a caixa da mão dele e abri. Dentro havia duas correntes. Uma mais larga, prateada, comprida, com um pingente com a letra B e outro com a metade de cima de um copo de dose de bebida. A outra, mais fina e curtinha, dourada, com uma letrinha C com brilhantes e a metade debaixo do copo de dose. Eu logo entendi: nossas bebidas fortes – tequila, vodka, uísque. Meus olhos encheram de lágrimas. Peguei a corrente dele, deixei a caixa na mesa e dei a volta em seu corpo. Coloquei-a em seu pescoço e sussurrei em seu ouvido – Sim, namorado, são lindas. E sim, eu sou sua namorada e esse foi o pedido perfeito. – Ele virou rápido e me girou rindo como um menino. Eu não pude resistir e ri como uma criança também. Ele me colocou do chão e me beijou profundamente. Meu sol invadindo todos os meus poros.
Ele pegou minha corrente, colocou em meu pescoço. – Linda... Tão linda quanto você. E agora eu quero te comer de todas as formas, com você usando só essa corrente que será um pedaço de mim com você.
Olhado em seus olhos, dei alguns passos para trás e deslizei o short. – Eu espero que a imaginação do namorado esteja muito fértil hoje. – Deslizei a camiseta e fiquei nua, só com a corrente. Sentei em cima do balcão e abri as pernas. Ele até mim e agarrou meu cabelo e minha cintura junto dele – Você é minha. Só minha. E hoje nós vamos brincar. – Ele jogou minhas pernas pela sua cintura e me levou até o quarto. Colocou-me na cama e foi até seu criado-mudo. Tirou de lá um par de algemas. Meu coração congelou.
– Fique calma namorada. Eu só quero te satisfazer, eu prometo.
Ele pegou também uma venda e um vibrador. Veio até mim e algemou-me na cabeceira. Colocou a venda e eu fiquei apavorada. Meu sonho... Eu não quero nada daquilo.
Ele percebeu meu estado e veio até meu ouvido:
– Bia, acalme-se. Vai ser tudo muito bom. Se você não estiver gostando de algo é só falar “Tequila” bem claro e eu pararei, certo?
– Tequila, certo. – Eu estava ofegante e minha garganta trancava de medo.
Ele colocou uma música de fundo, Adele – Set Fire To The Rain.
– Agora você vai gozar até não aguentar mais, namorada. – Então eu senti um arrepio imenso: ele estava com um gelo na boca e começou a passar pelo meu pescoço. Quando foi que ele buscou isso? Foi descendo e fazendo círculos até chegar em um dos mamilos. Ah, que delícia. Ao mesmo tempo, ele desceu a mão até minha abertura que estava encharcada.
– Sempre tão pronta pra mim.
Começou a fazer movimentos circulares no meu clitóris. Eu estava bêbada de prazer. A venda deixava tudo mais intenso e a música dava ritmo aos movimentos. Tudo junto, de uma vez, era demais. Ele tirou o gelo de um mamilo e começou a passar no outro com a outra mão, enquanto abocanhava o que estava sensível. Soltei um grito e arqueei, empurrando mais para a boca dele. Ao mesmo tempo, meu quadril procurava o dele e a dor dentro de mim se tornava quase insuportável. O gelo acabou e ele abocanhou o segundo mamilo. Delicioso.
De repente ele parou. – Ei! – Me senti roubada quando não o senti mais em mim. Ouvi sua risada se afastando. Alguns segundos, depois senti seu cheiro de volta. Ele agarrou meus tornozelos e abriu bem minhas pernas. – Fique assim, gatinha. – Tomei um choque quando sua boca com outro gelo atingiu meu clitóris. Tentei arquear, mas mãos e braços fortes me seguraram no lugar. Ele me masturbava com o gelo e a mistura de dor da queimação e prazer era inebriante. Comecei a tremer e ele aumentou a força. O primeiro orgasmo veio. Ele comeu o gelo e num impulso me virou de bruços na cama. Tirou a calça do pijama e deitou em cima de mim. – Estique as pernas juntas, namorada. – Cada vez que ele me chamava assim era como um choque no meu ventre excitado. Fiz o que ele mandou e ele deitou por cima de mim, com as pernas esticadas de ambos os lados. Apoiou os braços na cama, entrelaçando nossas mãos e penetrou por trás. O ângulo era tão perfeito que atingiu direto meu ponto da dor, e as pernas fechadas deixaram minha boceta mais apertadinha para ele. Assim que aprofundou ele grunhiu. Ao mesmo tempo em que bombava, ele mordia, chupava, gemia e grunhia no meu pescoço, orelha, clavícula. Era tudo tão intenso que logo cheguei ao meu segundo orgasmo e enquanto me apertava em volta do seu pau, senti ele vir também, quente, dentro de mim. Ficamos alguns minutos assim, com ele deitado sobre mim, até que ele retirou as algemas e a venda e me puxou pra ele.
– Agora, madame, você é minha! Minha namorada, entendeu bem?
– Se eu disser que não, você vai me explicar tudo isso de novo como acabou de fazer?
– Sem vergonha! – Ele riu e beijou o topo da minha cabeça. – Relaxe, minha linda, vou buscar nosso café.
– Não! A mesa está linda! Eu quero comer lá!
– Então vem.
Foi o café da manhã mais lindo e romântico da minha vida. Eu parecia estar sonhando. Não poderia ser mais feliz.
Passamos o domingo juntos, em seu apartamento. Cozinhando, bebendo, fazendo amor.
– Preciso ir embora namorado. Amanhã tenho que trabalhar, tenho uma parceria para fechar. – Olhei pra ele tentando manter o olhar sério.
– Hum, eu to adorando essa tal parceria. Tem uma moça linda cuidando de tudo pra mim.
– Seu abusado! É sério! Já são 18h e eu preciso ir pra casa.
– É verdade, você ainda tem que apresentar seu namorado para seus pais hoje.
– HOJE?!
– Sim senhora, quero poder dormir com você sempre que eu quiser. Vamos!
Ai minha Nossa Senhora das Meninas Perdidas, Confusas e Imbecilmente apaixonadas, me ajuda a me achar e entender tudo isso!
Como eu vou namorar o cara se eu moro em São Paulo e ele em Americana? Como eu vou apresentá-lo ao meu pai assim, do nada? Será que meu irmão vai socar a cara dele? Por que eu to com tanto medo?
Af, como mulher é complicada e chata.
Fomos tomar um banho juntos, que é óbvio demorou muito mais que o necessário e partimos em direção à minha casa.
Entrei em casa e ele entrou comigo.
– Que fofo filha, ele veio te trazer aqui de volta! – Minha mãe deu uma piscadinha pra ele. Socorro!
– É mãe, ele veio.
– Eu vim senhora e eu gostaria de falar com vocês um minuto.
Meu pai desligou a tevê e sentou na mesa de jantar.
– Sente-se aqui comigo rapaz. Aceita uma cerveja? Pela sua cara, acho que você vai precisar.
Eu não sei que cor eu estou nesse momento: roxo, vermelho, amarelo, azul. Minha mãe chega até a mesa com a cerveja e senta. Cadú puxa uma cadeira pra mim e senta ao meu lado. Meu irmão que escutou tudo lá do quarto aparece para a festa.
– Rá, essa eu não perco por nada!
– Bom, acho que está bem claro que eu vim até aqui pedir sua filha em namoro Senhor Carlos. – Ele estava tão calmo. Como conseguia?
– Você não precisava fazer isso, tenho 27 anos Cadú. Pelo amor de Deus!
– É uma questão de respeito Bianca. – Ele apertou a mão na minha.
– Ah, eu achei lindo! – Disse minha mãe toda alegre. – Por mim, tá concedido!
Meu pai começou a rir e serviu os copos.
– Meu rapaz, confesso que estou muito lisonjeado com tudo isso. Hoje em dia ninguém mais faz isso! E vocês já são bem grandinhos. Mas digo que concedo. Minha filha sabe se cuidar.
– Muito obrigado a vocês dois. Um brinde? – E ergueu o copo.
Meu irmão pegou o dele e olhou bem nos olhos de Cadú: — Cara, você preste bem atenção no que vai fazer. Pra eu te pegar e te matar é muito fácil. – Levou o copo e brindou com todo mundo.
Minha mãe resolveu transformar em um jantar de comemoração e assim foi.
– Vejo você amanhã namorada. Não fuja de mim.
– Eu não vou. Só se você der motivos.
Despedimo-nos com um beijo e fui para minha cama. Era tão fria sem meu sol. Um pedaço de mim ainda acha que nada disso vai dar certo. Normalmente eu estou certa. E meu sonho ainda me atormenta. Como diria minha mãe: vamos viver e ver onde vai dar.
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