Dona

11 Cumplicidade


Notas iniciais
Oi, oi, oi! Tudo bem que estou em falta com vocês, mas vocês também estão comigo, hein?! Algumas leitoras nunca mais comentaram... O que eu fiz? :( Não aceito só elogios, hein? Se precisar de crítica, eu quero.

— Ah, ainda bem que você sabe... Afinal, o que seria de você sem mim, hein

— Nada. Eu sei que nada. – a mulher sorri e acaricia seu rosto. – Vamos pro Brasil, Marta. Por favor. – ela se distancia do marido.

— Para, Zé, que coisa!

— Tudo bem, desculpa. Vamos dormir que ta tarde.
O casal vai dormir. Amanhece, e, quando José Alfredo acorda, os netos já não estão mais lá. Ele tenta se virar para abraçar a mulher, mas é impedido por uma forte dor no braço esquerdo. Reclama, acordando, assim, a Imperatriz.

— Zé, o que aconteceu? – ela olha preocupada para o marido.

— Nada, só um desconforto no meu braço. Devo ter dormido de mal jeito. Bom dia, senhora.

— Hum... Cadê os meninos? – ela se levantava.

— Quando eu acordei, não estavam mais aqui.

— Então vamos logo. Vou me arrumar. – deu um selinho no marido e seguiu para o banheiro. O marido vai, escova seus dentes, lava o rosto e diz que vai esperar ela na sala de jantar.

— Não vai tomar banho, seu bode velho?

— Eu não. Até tu acabar aí... Depois eu tomo. – e sai do banheiro, rindo da mulher, que fica esbasbacada.

— Mas é um porco mesmo! – ri de si mesma – Onde fui achar que um jagunço desse deveria ser meu marido? Tão diferentes... Como o matutino e o noturno, o liso e o enrolado, e, no final das contas, tão parecidos.
Passa-se uma semana.

— Não acredito que vocês já vão. Vou sentir tanta saudade, meu Deus do céu! – Maria Marta chegou na sala, com um semblante triste, carregando a neta no colo.

— Que isso aí, coroa? A menina já ta com a cara pintada de novo? – consegue tirar um sorriso da mãe.

— Ah, meu filho... Pra chegar bonita no Brasil, não é, Martinha!? – a criança já está no chão, e afirma para a avó com a cabeça – E é só um batom... Ela pediu, eu não resisti.

— Ta linda, né, filha? Fala pra esse seu pai cabeça-dura que daqui pra frente, só piora. – Eduarda também entrou na conversa. Estava no sofá dando vitamina para o filho.

— Cadê a Clara? – a matriarca percebeu a ausência da filha na sala.

— Ela ficou se arrumando no quarto. – disse a enteada, que já sentia como se conhecesse sua família desde quando nasceu.

— Vou atrás dela. – seguiu para o quarto e não achou, foi para seu quarto, entrou no closet e achou a filha provando algumas peças do seu guarda-roupa.

— Clara!!! Posso saber o que está fazendo? – a filha estava virada para o espelho e se assustou com a mãe.

— Ai! Oi, mãe. Eu tava escolhendo umas roupas suas para levar... – ela volta o olhar para o espelho.

— Ah, não, Clara! E eu que pensei que tinha me livrado disso...

— Ih, imperatriz, se enganou! Já escolhi. Ta aqui. Vou levar, viu? Beijos. – ela beija a bochecha da mãe e segue, sem dar espaço para resposta. Cruza com o pai na porta. Eles se atrapalham e são observados por Marta, que ri.

— Nem acredito que já vou ter que ficar naquele trambelho por horas de novo. – ele se joga na cama.

— Isso porque só viaja na primeira classe, hein!?

— Pouco me importa esse luxinhos, Imperatriz.

— Porque você nunca voou sem esses luxinhos, jumento. – deitou em seu peito, recebendo um carinho nos cabelos.

Silêncio. Um curtindo a companhia do outro.

— Vou sentir sua falta, sabia!? – ele fala, do nada.

— Mentira... Me exilou em Petrópolis e não sentiu nada.

— Quem disse? – a aristocrata levanta a cabeça, olha para o marido e recebe um selinho. – Claro que senti, mas nunca iria admitir, né, Marta!? Você era uma diaba!

— Eu já sabia. Doeu em você ao me expulsar de casa o tanto que doeu em mim em ter que sair.

— Oh, coroas... Cadê ocês? Não to afim de perder o voo, não. Agiliza isso aí. – ouviram o grito e sorriram.

— Vamos. – ela se levanta, puxando o marido.

— Marta, vem cá! – ele a puxa.

— Que foi, Zé? – ela o olha, espantada.

— Pra você não se esquecer de mim. – recebe um sorriso da mulher enquanto pega uma caixinha em seu bolso.

— Zé... É... lindo! Eu to... Sem palavras. Eu nunca vou esquecer de você, meu amor. Nunca. – eles se beijam. – Obrigada! Por todas as vezes que eu não lhe agradeci por te ter em minha vida, muito obrigada, comendador da buchada de bode! – ela ainda olhava para o anel de esmeraldas.

— Buchada essa que você ainda não provou, né?! – desvia o olhar para o marido.

— Ah não, Zé... Me revira o estômago só a ideia. – eles sorriem. – Obrigada mesmo. Eu te amo muito. Mas buchada não!

— Eu também te amo, Maria Marta Medeiros de Mendonça e Albuquerque. Eu que tenho que te agradecer o resto da minha vida. – ele, então, põe o anel em um dos lindos dedos de sua mulher. As mãos dele cheias de calos nas mãos brancas e macias da madame, que mais pareciam pétalas de rosa, era só mais uma prova do quanto eles eram diferentes, e do quanto se completavam. Ela lhe sorriu e beijou a mão do marido.

— Vamos? – o sorriso dela era hipnotizante. Seguiram, de mãos dadas, ao encontro do resto da família.

— Finalmente, coroas. Podemos ir agora?

— Podemos! Mas antes, olhem o que ganhei do digníssimo pai de vocês. – ela estende a mão.

— Que isso??? Não acredito que o pai comprou uma joia que não é da minha autoria pra dar pra você.

— Ah, Clara... Mas essa é linda também!

— É linda mesmo, tia. – Amanda se aproximou.

Depois das mulheres babarem na joia, seguiram para o aeroporto. Apesar de Marta viver sozinha, tinha um carro de sete lugares, então José Alfredo, Lucas e a família e Cristina foram com ela, enquanto José Pedro, Amanda e Clara, de táxi.

Aeroporto...

As mulheres estavam com as crianças aguardando os homens, enquanto eles faziam o check-in de todos.

José Alfredo despachou as malas das filhas e a sua, então seguiu ao encontro das mesmas.

— Pronto. – abraçou Marta por trás e apoiou o queixo em seu ombro – Já fiz minha parte.

— Vovô, aquela loja tem um monte de brinquedo. Compra um pra mim? – Alfredinho pediu, apontando pra tal loja.

— Pra mim também! – Martinha, que estava no colo da mãe, se espertou.

— Um pra cada. Combinado? – ele piscou para os netos, que balançaram a cabeça com entusiasmo. – Vamos. – as crianças saíram correndo em direção a loja, e Marta e Zé os seguiram.

— Se o senhor conseguir comprar só um pra cada, sogrão, a partir de hoje, só o senhor vai comprar brinquedo pra eles, beleza?! – todos sorriram com o que Eduarda falou.

José Pedro e João Lucas chegaram e todos decidiram esperar os pais em uma delicatessen que tinha ali perto.

Na loja de brinquedos...

— Marta, se vire com a menina aí! – José Alfredo foi puxado pelo neto.
Os irmãos escolheram vários brinquedos, e os avós se sentiram obrigados a acatar.
Maria Marta carregava várias sacolas e José Alfredo segurava a mão das crianças. Quando chegaram na mesa onde estava a família, todos riram.

— Eu não falei?! Esses meninos só faltam nos deixar loucos! – Du confirmou a teoria.

— Esses lekinhos vão ser mais consumistas que a coroa. – o caçula recebeu uma careta da mãe como resposta.

— Foi a sua mãe que ficou falando que não fazia problema mais um, mais um, mais um... Isso porque não é ela que vai ter que levar no avião esse monte de bagulho.

O casal se sentou a mesa também e Marta pediu um cappuccino com chantilly, enquanto Alfredo, um café preto sem açúcar.

— Eu acho tão bonito nossa família assim, unida, exatamente do jeito que você me disse que queria quando decidimos viver juntos. – a imperatriz pegou no rosto do marido.

— Eu sabia que ia conseguir. Foi o que eu sempre sonhei. E ôh família velha bonita essa que construímos, hein?

— Claro que por causa do meu sangue, né, Zé?! Se fossem puxar só para você...

— É óbvio que é por causa do meu sangue, Marta, faça-me o favor. A maior prova disso é Cristina aí, que é linda e nem é sua filha, quatrocentona metida.

— Ei, vocês dois! Já estão chamando nosso voo. – Clara chamou a atenção dos pais.

— Ai, graças à Deus vocês já vão embora!

— Até parece... Vai morrer de saudade do comendadorzão aqui! – ele bate no peito, fazendo com que todos sorriam.

— Ih, de todos, é o que eu mais quero me livrar logo! – e dá um selinho no marido.

José Alfredo paga a conta e todos vão em direção à sala de embarque.

— Poxa, já vou ficar sozinha de novo. Que falta que vou sentir dos meninos correndo pela casa, do Lucas quebrando minhas louças, da Clara atazanando minha vida... – todos marejam os olhos.

— E de mim? – José Alfredo finge ser um cachorrinho abandonado.

— Disso só você pode saber. – ela responde com um sorriso malicioso.

— Huuuummm, coroas... Tem crianças aqui! – João Lucas chamou atenção dos pais e todos sorriram, emocionados.

— Tia, nós já vamos entrar porque o Zé Pedro ainda quer ver um perfume lá dentro... Beijos. A gente te espera no Brasil, hein?

— Oh, minha querida! Obrigada por terem vindo, daqui a pouco eu apareço por lá também. – ela abraça a sobrinha. – E você, meu filho, desculpem não ter espaço pra abrigar vocês em minha casa. Mas, da próxima vez que vierem, pode deixar que eu já vou estar em um espaço maior.

— Que isso, mãe! A gente adorou vir pra cá. Vamos voltar mesmo! – eles dão um longo abraço, e, em seguida, adentram a sala.

Depois de se despedir de todos com muitos sorrisos e lágrimas, chegou a vez de José Alfredo. Eles ficam um longo tempo abraçados, não queriam se separar mais uma vez.

— Eu te amo muito, Zé.

— Eu também, meu amor. Não queria ter que ficar longe de você de novo.

— Ah, mas agora você já sabe o caminho... Pode vir sempre que sentir falta.

— E você também, viu? Vou estar te esperando no Brasil cheio de amor pra dar. – e eles se abraçam mais uma vez.

— Você precisa ir. – ela se desvencilha do homem. – Tem um avião te esperando, e no Brasil, uma empresa.

— Jura que não demora pra ir me visitar?

— Juro. Cuida bem dos meus filhos, ta?

— Pode deixar. – eles conversavam com cumplicidade, José Alfredo jamais imaginou que um dia estaria sofrendo por ter que voltar para o seu país. – Marta... Como você pode? – ele se mostra espantado, a assustando também.

— O que foi que eu fiz dessa vez, Zé?

— Você chorou... Sua maquiagem está toda borrada! – ela sorri e ele limpa seu rosto.

— Não tem problema. Por você, não.

— Tomara que sejamos muito felizes nesse novo ano, Maria Marta.

— Nós vamos ser. Toda a nossa família. Vai ser o ano dos Medeiros de Mendonça e Albuquerque, anote aí.

— Se a Imperatriz Medeiros de Mendonça e Albuquerque ta falando... Quem sou eu pra discordar, né?

— Attention, les passagers à bord du vol 1821, à destination de Rio de Janeiro, expédition immédiate. – e é feita a ultima chamada paro o voo de José Alfredo.
Ela olha pra ele, retorna a chorar e o abraça, não querendo o deixar ir embora.

— Por favor, Marta. Tenho que ir. – eles se beijam, e ele some dentro da enorme sala.