Dona
3 Como um remédio
Notas iniciais
— Marta, nós precisamos conversar.
— Tudo bem. Senta logo aí. – a aristocrata não sabia do que se tratava, mas também estava com muitas saudades e sabia que um dia precisariam ter uma conversa definitiva.
— Marta, depois que você invadiu meu quarto aquela noite, eu fiquei totalmente confuso. Naquele dia, depois de tanto tempo sem te ver, sentir tua presença, teu perfume, teu toque... Ai, Marta, foi como um remédio para mim. Eu andava com um astral baixo e não sabia por quê. Mas depois que te vi, Marta, tudo voltou como era antes. Eu descobri que tudo que você falava era verdade: eu não sei viver sem você.
— Zé... Você tem certeza do que ta falando? – a Imperatriz falou, visivelmente emocionada.
— Deixa eu falar. Marta, me perdoa... Por tudo.
— Para, José Alfredo. Isso só pode ser mais uma das suas brincadeirinhas.
— Marta.
— Zé, eu te amo. Entre os milhares de diamantes que você já teve, você me deu os melhores deles: os nossos filhos. Mas eu não posso... Zé, nós não podemos continuar. Sempre foi assim. Você tem a sua amante. Daqui, eu tenho certeza, você vai pra lá rir da minha cara com ela. Eu não quero mais isso. Estou cansada. A minha vida toda foi sempre assim: te esperando. Nossos filhos já estão grandes. Nós não temos mais desculpas. Eu já entendi e tento aceitar todos os dias: você ama a franguinha, não eu. Não quero mais te atrapalhar. – ela estava usando mais a razão do que a emoção. O que acontecera com ela?
— Eu te amo, Maria Marta.
— E a Isis, José Alfredo? Não caio mais na sua. – a morena se levantou, incomodada.
— Eu não to mais com a Isis desde o dia que você foi no meu quarto, Marta. WHAT THE HELL?! Não entende que eu te quero só pra mim, e a partir de agora, quero ser só seu?
— As coisas não são tão simples assim, José Alfredo. Você sabe.
— Sim, Maria Marta. E sei também que podemos superar juntos, como sempre fizemos.
— Zé, ta tarde. Vai pro teu quarto. Trouxe roupa para Petrópolis?
— Sim.
— Ótimo. Boa noite. – a Imperatriz deu um selinho no marido, o deixando surpreso, e o levou até a porta. – Meu Deus do céu, por que eu fiz isso? Mas que saudade que eu estava de poder senti-lo – pensou.
No dia seguinte...
O dia amanhecera lindo. Chegava até ser engraçado: toda vez que a família Imperial ia para a mansão, a cidade "sorria". Maria Marta acordou cedo. Em Petrópolis sempre foi assim: ela gostava de ser uma "dona de casa".
— Bom dia, Silviano. O café já está pronto?
— Já sim, milady. Só falta arrumar a mesa.
— Vem, eu te ajudo.
Quando a família acordou, Marta estava sentada no sofá folheando uma revista.
— Bom dia, Imperatriz!
— Bom dia. Só estou esperando vocês para o café.
Na mesa, a família se assusta quando ouve o Comendador desejando bom dia.
— Pai??? – falaram João Lucas e Clara, como se tivessem combinado.
— Vô!!! – os gêmeos, em seguida.
— É, o pai de vocês chegou ontem a noite pra me assombrar.
— Ah, Marta... Fala sério: você adorou minha presença inesperada. – falou, sentando-se em uma cadeira do outro lado da mesa. Havia uma cadeira vazia do lado da de Marta.
— Vô, por que você nunca senta do lado da minha avó? O meu pai sempre fica do lado da minha mãe, e o tio Pedro também, ele sempre fica do lado da tia Amanda. – analisou Martinha, deixando o clima um pouco tenso. Os netos não sabiam que os avós eram "separados".
— Oh, meu amor, deixa esse chato pra lá mesmo. Senta aqui do meu lado. – respondeu Marta, se surpreendendo com José Alfredo, que levantou de sua cadeira e foi sentar ao lado da mulher.
— Huuummm... – Du resmungou, puxando risadas do marido e da cunhada.
Maria Marta ficou de fazer o almoço. A família adorava ir para Petrópolis por inúmeros motivos, e, um deles, era que Marta sempre cozinhava. A comida dela era incrivelmente maravilhosa. Em Petrópolis, a Imperatriz era outra pessoa.
— Vó, ta muito gostoso!
— Ta mesmo, Marta. Parabéns! Não lembrava que você cozinhava tão bem. – elogiou o marido.
— Se você lembrasse de tudo de bom que faço, não estávamos como estamos hoje.
— Mas eu lembro. De cada detalhe.
Todos ficaram calados esperando a resposta da mulher, que foi até a cozinha pegar a bebida.
Os homens passaram a tarde jogando bola, enquanto as mulheres ficaram assistindo filme.
Já era tarde quando se deram conta de que precisavam voltar para o Rio.
— Eu acho melhor não irmos mais hoje. Vocês sabem que não é muito bom pegar essa a noite. – o Comendador falou, olhando para a morena.
— Tudo bem. Descemos amanhã cedo, hein?
— Ta. Agora vai fazer nossa janta.
— [gargalhadas debochadas] Mas nem morta, Comendador.
— Então eu vou fazer.
— NÃO! Se for pra fazer aquela gororoba na minha cozinha... Definitivamente não! – falou a Imperatriz, fazendo cara de nojo e puxando gargalhadas dos outros presentes.
— Ah, mãe... Então faz uma comidinha lá pra gente, vai? – pediu a filha, convencendo a mãe.
Depois do jantar, todos se recolheram.
No quarto de José Alfredo...
— Marta? Você aqui?
— Sim. Precisamos continuar nossa conversa, Comendador. – a vontade da mulher era agarrá-lo e tê-lo só pra ela.
— Por que você me trata tão mal na frente da nossa família?
— Eu te trato mal, José Alfredo? Olha, eu acho que você ta perdendo a noção do que fala. – falou a morena se sentando em um sofá – Eu realmente acho que tem algo errado com você. Eu passei a vida toda me humilhando para você e você sempre me deixando por último. Dediquei a minha vida pela nossa família e nossa empresa e você nunca reconheceu. Eu só to aqui hoje, José Alfredo, porque nós fomos muito felizes. Demais da conta. Teve dias, as vezes, que nós explodimos de tanta felicidade, Zé. E não adianta dizer, ou fingir, que não foi assim.
— Eu sei que foi. Pode ter certeza que eu sei muito bem disso. – disse o homem, lhe arrancando um beijo de tirar o fôlego. – É, Maria Marta Medeiros de Mendonça e Albuquerque, não vai ser dessa vez que você vai conseguir fugir de mim. – pensou.
Fale com o autor