Dona
4 Plena felicidade
Notas iniciais
— Eu sei que foi. Pode ter certeza que eu sei muito bem disso. – disse o homem, lhe arrancando um beijo de tirar o fôlego. – É, Maria Marta, não vai ser dessa vez que você vai conseguir fugir de mim. – falou para si.
Ele queria ser só dela, mas queria tê-la para si também. Depois de vários beijos e muitas tentativas sem sucesso de Marta de conseguir se desvencilhar do marido, os dois se olharam, ofegantes.
— Isso não deveria, nem poderia, ter acontecido.
— Shit, Marta! Por que não? Somos maiores de idade, casados e nos amamos. O que pode nos impedir de nos beijarmos?
— Agora nós somos casados, José Alfredo, e NOS amamos? Então, espera, porque eu não estava sabendo dessa parte.
— Quanta implicância!
— Quanta implicância nada! Você sempre fez questão de deixar bem claro que só éramos casados no PAPEL e que isso não fazia diferença nenhuma para você.
O marido não aguentou ficar perdendo tempo ouvindo a mulher enquanto poderia estar a beijando. E, por isso, se aproximou dela.
— Tudo bem, Marta. Tudo bem. Você não está mentindo. Mas eu não sabia que ainda te amava. Agora eu tenho certeza. Por favor, Marta. – a mulher ficou calada – Nem que quiséssemos, seria possível nos separarmos: temos nossos filhos, nossos netos, nossa empresa e tantas outras coisas pequenas juntos. – já estavam tão próximos que um podia sentir a respiração do outro – Eu juro que te amo.
A mulher o beijou. Um beijo sagaz. Um beijo de amor. Um beijo de fúria. Um beijo feroz. Beijaram-se como dois adolescentes apaixonados. Sentiram-se como se não estivessem em um quarto, e sim, no céu. A língua de José Alfredo acariciou os lábios de Marta quando o homem se deu conta de que deslizava uma lágrima pelo rosto dela.
— Desculpa por te fazer sofrer. Se causei alguma dor, me perdoa, nunca foi minha intenção te machucar. Sei que prometi te fazer feliz, então, a partir de hoje, Maria Marta, se prepare para a mais plena felicidade. – os dois estavam com as testas coladas.
— Eu fui feliz, Zé. Eu sou feliz. Mas as coisas não são tão simples assim. Eu tenho receio de tudo que envolve você.
— Como se eu fosse um trauma em sua vida.
— Sim.
— Tudo bem, eu vou respeitar.
— Preciso ir. Amanhã temos que voltar cedo, as crianças têm aula. Boa noite.
— Boa noite. – deu um selinho na mulher e a levou até a porta.
Já fora do quarto, Marta virou de frente para o marido, fechou os olhos, deu um leve sorriso, e balançou a cabeça, como se estivesse confirmando algo. E foi embora.
No outro dia...
Marta foi acordar os netos, e depois de muitas brincadeiras e brigas porque os gêmeos não queriam tomar banho, desceram para o café da manhã.
— Bom dia! – a mulher estava com um sorriso no rosto que transmitia segurança.
Seguiram viagem para o Rio de Janeiro. Quando chegaram em casa, as crianças foram se arrumar para ir a escola. José Alfredo precisava ir para a Império, e, por isso, ficou de levá-los.
— Vó, você nunca mais levou a gente pra escola! – disse a menina.
— Verdade. Leva a gente hoje, vó.
— Mas o Zé já vai levar vocês... Venham cá me dar um beijo.
— Vão os dois, mãe. – falou o filho mais novo, João Lucas. Ele sempre teve uma pontinha de esperança no casamento dos pais.
— Dá pra vocês se decidirem? Estou com pressa! – falou o homem de preto, impaciente.
— Vô, a vó vai levar a gente também!
— Então vamos, cuidem...
Chegando na escola, Marta desceu do carro com as crianças e beijou a cabeça de casa um.
— Boa aula!
Quando voltou, o carro permaneceu em silêncio por algum tempo até que José Alfredo xingou alguém no trânsito.
— Quanta estupidez! Buzina, Zé! – falou a mulher, já apertando a buzina do carro do marido.
— Calma, Marta. Eu sei buzinar.
— Ta, desculpa. Não consegui me segurar.
— Pra onde você vai agora?
— Pra onde você for.
— Hã?
— Tu não vai pra empresa, ô, jumento? Então... De lá eu peço pra alguém me levar até em casa senão tu vai se atrasar pro teu compromisso.
— Não, Marta. Eu te levo até em casa.
— Com certeza não vai para a Império. Te peguei. Então me leva pra casa mesmo.
— Vou sim! Pra onde mais eu iria?
— Pra casa da Isis, talvez?
— Ah, eu tinha certeza que tu não tinha acreditado que terminei com ela.
— Não acreditei mesmo.
— Pois deveria porque nós não temos mais nada mesm...
— JOSÉ ALFREDO, OLHA O HOMEM ATRAVESSANDO!
— Calma. Eu vi.
— Não sabe nem dirigir um homem desse, meu Deus.
— Não tenho prática. Espero que acabe logo as férias do Josué.
— Voltando à Isis, me prova que vocês não estão mais juntos.
— O que eu ganharia com isso?
— Eu.
— Ta, Marta, vai... Pode ler as nossas últimas mensagens no meu celular.
— Poxa, sempre imaginei que leria as mensagens do meu marido com a amante escondida. Assim não tem graça. – a mulher disse, sorrindo, enquanto pegava o celular do Comendador.
— Então não ler! Me dá!
— Não! Presta atenção no trânsito que quero chegar em casa viva.
Maria Marta foi interrompida quando chegou na frente do seu prédio.
— Vai, Marta! Agora me devolve isso.
— Tchau, Comendador. – a mulher abriu a porta, sorrindo.
Anoiteceu e os filhos chegaram em casa junto com o pai.
— Zé?
— É, mãe... Não sei o que aconteceu pra ele ter vindo pra casa com a gente.
Jantaram, e, como sempre, foram para a sala de estar e ficaram conversando até tarde. A família se recolheu e permaneceram na sala apenas José Alfredo e Maria Marta.
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