Dolovan Breus
5 Sal
Notas iniciais
SAL
Ódio. Era a palavra mais propícia para descrever o que Sal sentia. Estava tentando dormir há aproximadamente cinco horas. Seria um dia longo, na Sibéria. Mas ela simplesmente não conseguia descansar a mente. A culpa de quem? Obviamente, de Elsa. Primeiramente, quanto a confiança, Sal definitivamente não confiava na caçadora. Não só pelo fato de ela matar vampiros ou por Jack parecer se importar com ela. Mas também por algo no jeito como ela agira. Sal tinha cem por cento de certeza de que ela mentira ao dizer que era uma humana banal, e seria uma questão de tempo até que Elsa desse um escorregão e revelasse o que realmente ela. E a pior parte? Sal parecia ser a única a se sentir assim em relação a ela. Noel fora amistoso desde o começo, e Paco e Sandy não haviam demorado a ser. Frost. Ela não queria pensar nessa parte. Segundamente, Sal achava Elsa particularmente irritante. Cheia de si, parecia acreditar que era a líder; sendo que acabara de chegar. Frost. Não, ela não podia pensar nele. Doía demais. O jeito como ele defendera a participação de Elsa no grupo Pi – no Ômega também -, o jeito como ele a tratava com uma espécie de respeito e carinho, os olhares sorrateiros. Ela sabia que havia algo ali. E isso doía demais. Ele acabara de conhece-la. Quanto a Sal, estivera em sua vida desde sempre. Apoiando-o, ajudando-o. Amando-o. Comprimiu os lábios. Dali a uma hora, todos acordariam e ela não teria dormido absolutamente nada. Concluiu que quaisquer esforços seriam em vão, então optou por ocupar o seu tempo de forma mais útil. Levantou-se silenciosamente e deixou o cômodo. Puxou o computador de cima do armário de mogno e sentou-se no chão, abrindo-o. Digitou “Elsa – caçadora de vampiros” em um site qualquer de busca e mordeu o lábio inferior conforme as fotografias e referências iam tomando a tela. “Elsa é responsável por salvar outro vilarejo nórdico”. “Elsa doa metade dos ganhos com a missão em Cingapura para associação carente”. “’É o que eu devo fazer’, diz Elsa em coletiva de imprensa.”. Sal sentiu náuseas. Não conseguia ver nada além de falsidade naquele papel de boa garota. Por acaso alguém já relatara o lado dos vampiros? Não podia entender como Jack podia respeitar uma garota que matava a sua espécie. Era horrível demais para...
– Sal?
Ela fechou o computador rapidamente ao ouvir a voz levemente sonolenta do vampiro. Ergueu o olhar, tentando ocultar o que sentia. Como sempre fizera.
– Não conseguiu dormir?
– Nenhum minuto – ela admitiu. Jack se espreguiçou e sentou-se ao seu lado. – Acho que estou ansiosa... Para a Sibéria. Dois agentes importantes de Breus estarão lá...
– Você sabe que não precisa falar de trabalho o tempo todo, não é? Quer dizer, você sabe que pode simplesmente relaxar. – Frost interrompeu. Ela mordeu o lábio inferior.
– Eu não sei como, Jack. As coisas estão mal demais para que eu possa simplesmente... Relaxar.
Silêncio. Ela fixou o olhar no chão.
– Escuta. Eu sei que não gosta da Elsa.
– Eu não confio nela.
– Sim. Mas... Dê uma chance. Eu tenho certeza que ela pode ajudar.
– Ela não é apenas uma caçadora de vampiros? Poderia te matar enquanto você dormisse. O que garante que ela não está apenas planejando a sua morte? – Sal voltou-se para ele. Jack deu de ombros.
– Estou vivo até agora.
– Eu não estou brincando, Frost. – Sal disse, séria. Ele suspirou.
– Sal, sabe o que eu acho. Que você está sentindo-se substituída.
– Eu não... – ele a interrompeu, colocando o dedo indicador sobre os seus lábios.
– Mas você tem que se lembrar que você é minha amiga há muito mais tempo que ela, e é uma amiga muito especial para... Para todos nós.
Sal mordeu o lábio inferior e apoiou a cabeça na parede.
– O que você acha que vai acontecer? – ela perguntou, após um momento em silêncio. – Quer dizer, sobre tudo. Eu sei que parece que estou segura de que vamos vencer, bolando as missões e tudo mais. Mas a verdade é que eu tenho muito medo. E se não conseguirmos? O que vai acontecer com... O mundo?
– Será destruído. – Jack disse, com casualidade. Ela arregalou os olhos. – Estou brincando, Sal. Eu entendo que tenha medo. Mas vai dar tudo certo, tá legal? Sei do que estou falando.
– Espero que esteja certo.
– Eu estou.
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