Notas iniciais
Desculpem-me por não ter postado ontem, o computador de casa estava sendo usado e eu estava simplesmente viciada em ler O Menino do Pijama Listrado e Um Amor para Recordar.

ELSA

– Eu tenho que usar isto? – a caçadora perguntou, erguendo uma sobrancelha e o amontoado de roupas que Sandy depositara em seus braços. Sandy riu e revirou os olhos.

– A não ser que queira morrer de frio – Sandy riu. – Não imaginava que uma caçadora “que já enfrentou de tudo” seria tão fresca.

– Ei! – Elsa não pôde evitar um sorriso. Empurrou a porta do banheiro e a fechou atrás de si. Despiu-se, vestindo o maço de roupas que lhe fora oferecido. Tratava-se de uma calça espessa e escura e uma camiseta de frio da mesma cor, além de um suéter marrom e um sobretudo. Enfiou as mãos em luvas e um gorro na cabeça. Esticou os dedos. As luvas poderiam evitar futuros acidentes, por isso foram as partes do uniforme que mais lhe agradaram. Deixou o banheiro apertado. Do lado de fora, Sal e Sandy colocavam suas mochilas sobre as costas. Elsa fez o mesmo, evitando olhar para a vampira. Não gostara dela de cara. Noel e Paco aproximaram-se, tão agasalhados quanto as três.

– E obviamente – Sandy riu – Frost é o último a chegar.

Mal dissera isso, o vampiro juntou-se a eles. Elsa evitou olhar em seus olhos. Sal esfregou as mãos.

– Muito bem. Prontos para a Sibéria?

O avião era pequeno. Com espaço apenas suficiente para eles e duas caixas, cujo conteúdo misterioso exalava um cheiro nada agradável. Elsa acomodou-se entre Sandy e Noel, e observou enquanto Frost e Sal comunicavam-se por sussurros. Despertou de seu devaneio com a risada da ilusionista.

– Está com ciúmes? – Sandy riu, sussurrando. Noel também exibiu um sorriso.

– Como é que é? – Elsa imaginou a si mesma corando. E de fato, estava. – Eu não estou com ciúmes de ninguém. Não sejam idiotas.

– A única idiota é você. Devia admitir. Mas já se apaixonou? Ou vocês já tinham se encontrado? – Sandy sorriu.

– Não – Elsa respondeu, rapidamente. Assim como Frost, estava determinada a deixar os acontecimentos passados ocultos. Sandy deu de ombros.

– Muito bem – Sal tomou a palavra. – Estamos indo para a base militar – ou ex-base militar – de X3-4, na Sibéria. Lá fica o maior arsenal de ogivas nucleares do extremo norte da Rússia, o que significa que agora Breus tem acesso a essas armas. Obviamente temos que tira-las dele. Na X3-4 também ficava um computador com informações confidenciais sobre localizações de bases secretas russas em pontos estratégicos do globo e planos futuros do presidente. Segundo os meus dados, a invasão foi feita ontem. O local já está cheio de agentes de Breus. Jack – ela voltou-se para ele – Você, obviamente, não poderá aparecer...

– Por quê? – Elsa interrompeu, sentindo-se secretamente satisfeita ao ver a raiva estampada no rosto de Sal por ter sido interrompida.

– Porque – a vampira continuou, olhando fixamente para Elsa – Ele é um inimigo antigo de Breus, e seria muito facilmente identificado. Há dois agentes de confiança de Breus ali. Além da nossa equipe, vamos ter o auxílio do agente Eugene Stark, que esteve atuando no QG russo há um ano. Vamos nos infiltrar ali, desabilitar o sistema de segurança e iluminação e causar pânico com gás lacrimogênio e fumaça. Equipados, vamos nos valer da confusão e entrar na sala de controle geral, roubar os dados e desabilitar as armas nucleares. Dúvidas?

Todos se entreolharam em silêncio. Elsa levantou a mão e a vampira revirou os olhos.

– Sim?

– Eles não podem simplesmente habilitar as armas novamente depois? Quer dizer, eu sei que vai ser bem complicado já que provavelmente vamos hackear o sistema e fazer com que seja praticamente inacessível, mas Breus deve contar com nossas destrezas. Digo, ele deve ter algum gênio de engenharia ou computação para o caso de algo assim acontecer.

Sal cruzou os braços.

– O que sugere? – perguntou, fria, erguendo uma sobrancelha.

– Eu sugiro — Elsa rebateu com a mesma frieza – Que tomemos atitudes mais drásticas.

– Como o quê? Pretende colocar as armas nucleares na sua mochila e ir embora feliz para sempre, eu suponho – ironizou Sal.

– Você se esqueceu que eu fui tão treinada quanto você, ou acha que qualquer um é qualificado para caçar vampiros como você? Vocês não são burros, por isso nós também não podemos ser. – Elsa rosnou. Olhou para os outros e evitou sorrir, satisfeita com a irritação da vampira. – As armas nucleares daquela base militar são de grande porte eu suponho, sendo aquela a principal base no norte da Rússia. O que torna difícil o seu transporte. Destrui-las também não é uma opção, sendo que o estrago se espalharia num raio de quilômetros.

– Que outra opção há? – perguntou Noel, erguendo uma sobrancelha. – Além de desabilita-las?

Elsa esfregou as mãos e umedeceu os lábios. Tocou as têmporas com os dedos indicadores e fechou os olhos para pensar, sentindo-se observada. “Você poderia envolver tudo numa camada de gelo, de modo que eles levassem anos para derreter. Até lá já teriam conseguido transporte.” Sugeriu uma voz em sua mente. Ela sabia que era a melhor opção. Mas não sabia se estava pronta para revelar a verdade. Um dispositivo! Podia fingir que tinha um dispositivo congelante! Abriu os olhos.

– Gelo. – disse, por fim. Jack a encarou, surpreso.

– Gelo? – Sandy perguntou. Elsa assentiu.

– Eu ganhei... Da Associação de Caça aos Vampiros... Um dispositivo que pode criar gelo em massa. Eu poderia envolver o arsenal com uma camada de gelo tão espessa que eles levariam muito tempo para derreter, e até eles conseguirem nós acharíamos um meio de transportar aquilo tudo.

Um sorriso de deboche discreto surgiu nos lábios de Frost, e ele revirou os olhos de modo que apenas Elsa viu.

– Mas é muito perigoso que você entre e vá até o arsenal – Paco apontou – Todos lá sabem quem você é e o que pode fazer. Podia dar o dispositivo para Sal e ela faz isso.

– É. Podia me dar o dispositivo. – Sal disse.

– Não – Elsa disse, rapidamente. – Quer dizer, não vai dar. É um dispositivo muito complicado e não dá para aprender como usar em tão pouco tempo. Tem que ser eu.

Sal a encarou desconfiada, mas a ideia foi acolhida pelos outros membros da equipe.

– Chegamos.

Notas finais
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