Doki Doki
3 Capítulo 3
Shiemi agora virou nossa colega de classe, e logo que ela entrou, Rin e ela viraram amigos. Com isso, nosso tempo juntos foi diminuindo cada vez mais.
Em classe, Shiemi sempre sentava ao lado de Rin, e isso me deixava com ciúmes, pois eu nunca sentei ao seu lado antes. Ela era um menina bonita, sempre feliz quando Rin estava perto, e também muito atrapalhada, já ele, sempre sorria quando a via.
Eu sentia o coração apertar toda vez que via eles juntos. Isso dói. Minha cabeça dói. Meu corpo dói. Só de pensar nos dois juntos dói. Porém nada demonstrei.
Um dia nublado, quando dispensados, Shima, Koneko e eu, fomos para a praça central, onde, por acaso, Rin e Shiemi estavam sentados na borda do chafariz conversando. Ele passava mais tempo com ela do que comigo, isso me deixava triste e irritado, era um incomodo. Shima falou ao meu lado que eles combinavam muito como casal, e ouvir isso me deixou frustado, por isso, deixei o Shima e Koneko voltarem ao dormitório antes e fui falar com Rin e Shiemi.
Quado cheguei mais perto deles, Rin me avistou e a medida que me encarava, começava a corar. Shiemi não entendeu porque Rin começou a corar do nada, então virou a cabeça pousando seus olhos verdes em mim.
– Ossu! — falei, fuzilando-a com os olhos. Olhei para Rin e perguntei. — Ela é sua nova "amiga"? — perguntei mais com medo de sua resposta do que com raiva deles estarem sentados um ao lado do outro. Ele corou mais e quase gritando respondeu:
– N-não Bon! Nós não somos "amigos"! — podia ver, por sua cara, que ele se perguntava como eu pude pensar nessa possibilidade. Já a expressão de Shiemi era diferente, ela arregalou os olhos e deixou a cara cair. Parecia que ia chorar, porém não dei bola a ela. Rin não notou a Shiemi pois sua atenção estava completamente em mim.
– Humpf! Certo, — falei eu, de um jeito que parecia que eu estava duvidando dele, o que era mentira, porque eu sempre acreditei nele, já que ele nunca mentiu pra mim, nem escondeu algo de mim, o que me deixava confiante que o nosso relacionamento não era a base de mentiras. — vou indo então e não atrapalhar a conversa de vocês. — eu estava tentando chamar sua atenção tão desesperadamente quanto uma criança chama atenção dos pais quebrando objetos.
E consegui, porque assim que andei alguns passos para longe deles, ouvi Rin dizendo a Shiemi que voltava logo, e depois seus passos corridos vindo atrás de mim. Quando me alcançou, ele agarrou meu braço e me puxou para um canto escondido, longe de tudo e de todos.
– O que fo- -fui parado por um beijo. Meu coração deixou escapar uma batida fora de ordem, mais rápida e forte. Fechei os olhos e agarrei suas costas com ânsia. Queria mais. Muitos dias desperdiçados sem sequer nos beijarmos, tudo graças a Shiemi. Assim que desci minha mão até sua cintura para apertar sua bunda, ele me parou.
– Eu só faço esse tipo de coisa com a pessoa que eu a-amo... — falou ele, enrijecendo o cenho, fazendo biquinho com os lábios e virando a cara rapidamente para que eu não notasse que estava ficando todo vermelho... o que não adiantou. Eu ri.
– Ba~ka! — dei um peteleco de leve em sua cabeça. — Eu sei que você falava a verdade quando me disse aquilo, eu só estava brincando. — sorri — E além do mais, você nunca mentiu, nem escondeu algo de mim, por isso que eu confio tanto em ti. — Com carinho, beijei-o na testa.
De novo, aquele olhar doloroso em seu rosto, porém, desta vez, conseguia ver lágrimas se acumulando nos cantos de seus olhos; esses, arregalados, como se tivesse visto um fantasma. Ele tremia, nunca tinha visto ele tremer tanto, e sua pele mais pálida e fria que neve. Não entendia nada, será que falei algo errado? O céu começava a se acumular mais de nuvens carregadas de chuva. Enquanto eu olhava para o céu distraidamente, Rin fugiu em direção do chafariz.
– Rin! — Corri atrás dele, porém ele sempre foi mais rápido se comparado comigo. Nem ele, nem Shiemi estavam sentados ali, fui à borda onde estavam sentados antes e percebi marcas de gotas onde Shiemi estava sentada, ela realmente chorou enquanto estávamos fora.
Agora essas marcas começaram a se misturar com as gotas de chuva que iam caindo, cada vez mais fortes. Fiquei um tempo sentado na chuva, esperando algo aparecer, ou melhor, Rin aparecer e me contar o que eram aquelas lágrimas em seus olhos.
De repente, vindo da floresta a minha frente, vi chamas azuis subindo ao céu e cortando as árvores. Isso me assustou e dei um pulo ficando de pé. Logo em seguida, vi Yukio entrando na floresta, e decidi segui-lo para ver o que chamas azuis estariam fazendo dentro da academia. A raiva por essas chamas começou a transbordar de meu peito.
Entramos no meio da floresta, e eu tentava sempre manter uma distância de Yukio para que ele não me percebesse. Chegamos mais perto da fonte das chamas azuis de satã, e então Yukio parou abruptamente.
– Quer mesmo continuar? Bon? — perguntou para mim. Pasmo, me levantei de onde estava. Era óbvio que ele sabia que eu estava aqui o tempo todo, afinal ele é realmente um exorcista. Ele suspirou. — Eu não aconselho, mas se você acha que ficaria melhor sabendo, continue. — Assim, continuou andando para a chama azul, cada vez mais forte.
Exitei. O que ele quis dizer com aquilo? Olhei para as chamas, a raiva voltou mais forte que antes, então decidi que iria atrás de Yukio. Ele agora falava com algo ou alguém, a fonte das chamas azuis.
– ... me escute, você tem que parar com isso, mantenha a calma.
– COMO, YUKIO? EU NÃO AGUENTO MAIS GUARDAR ISSO EM MIM! - falou ele. Parecia triste, magoado com algo, e ao mesmo tempo zangado. Eu reconhecia aquela voz de algum lugar, mas ela estava muito distorcida para eu saber de quem era. As chamas começaram a diminuir aos poucos. — Eu só queria... — fala entre lágrimas — Eu só queria, poder falar para ele... ele confia em mim.
– Então por que não conta para ele? — falou Yukio, querendo que a coisa se acalmasse. Olhando melhor para Yukio, podia ver que não carregava uma arma com ele, o que era estranho, pois ele sempre carregava sua arma para todos os lugares. Talvez a criatura à nossa frente não fosse má. Apaguei essa ideia de minha cabeça e me lembrei de que tudo que tem ligação com as chamas é desprezível, assim como falei para Rin aquela vez.
– NÃO! – uma explosão de chamas azuis aconteceu e quase me acertou se eu não tivesse desviado no exato momento. As chamas eram quentes, mesmo não encostando nelas eu conseguia sentir seu calor. Diminuíram de novo. — Ele me disse que... que, odeia tudo ligado a Satã! Tenho medo de encará-lo se um dia ele descobrisse isso. Yukio, e se ele nunca mais olhar para mim de novo? E se ele nunca mais me amar? — A criatura começou a chorar de novo. Ele sussurrava algumas palavras para sí. Não conseguia ver o resto de seu rosto, só seus lábios (também via seu rabo) se movendo rapidamente e repetindo a mesma palavra várias vezes, suponho que seja uma palavra curta, um nome, suponho, pois seus lábios se mexiam com agilidade e facilidade. — Mesmo assim, eu não aguento! Yukio! Por favor! Me ajude!– estava implorando para um humano...? Coisa que eu nunca tinha visto uma criatura fazer.
– Rin...! — Quando Yukio falou isso, ele tinha se esquecido que eu estava logo atrás, ouvindo a conversa, e assim que se lembrou, virou sua cara com os olhos arregalados e ficou me encarando. A única coisa que fiz foi levantar e acabei chamando a atenção da criatura, ou melhor, de Rin. Logo em seguida, dei meia volta e corri. Corri o mais rápido que pude, tentando fugir da verdade, não me importando com a chuva batendo em meus olhos arregalados sem entender o que acabei de ver.
Quando já estava razoavelmente longe, consegui ouvir um grito de dor vindo junto com uma outra explosão de chamas azuis. Mas neste momento isso não importava, eu ainda não acreditava no que tinha visto.
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