Dois Rios
2 Dois
— Sam?! – o rapaz esbelto acenou para a menina
— Conheço você? – ela olhou com certo desdém
— Deixe me ver... – ele coçou a barba lisa – “Você é um bobão, sabia?! Agora minha cabeça está doendo e por sua culpa e pela sua bola idiota. Buáááá! Eu quero a minha mãe!” – o rapaz ria, ao representar Sam quando criança
— Miguel?! Não acredito! – ela ria perplexa
Miguel era um velho amigo, ou quase isso... Era o filho mais velho de Ana e Théo, estava no auge dos seus 18 anos, recém completos. Ele e Sam foram criados juntos até os seus 10 anos. Já a menina, tinha 7 anos. Desde então, nunca mais haviam se encontrado, por conta da falta de tempo de ambos os pais, escola, etc... Digamos que agora já não tinha mais dentes de leite, e muito menos, usava uma camisa do Aquamen. Era um calouro de Educação Física, havia acabado de tirar sua carta de motorista e bem... Estava bem mais pintoso...
— Eu é que não acredito! Como você cresceu! Está uma gata!
— Obrigada... – Sam respondeu sem jeito – Você também está ótimo!
— Bem... Todo mundo precisa evoluir, né? Assim como um Pokémon! – os dois riram
— Graças à Deus!
— Por que está aqui sozinha?! Não parece aquela garotinha de 5 anos, que enchia o meu saco pra por Britney Spears no meu DVD, e ficava imitando-a na frente da TV...
— As coisas mudam, né? – ela riu sem-graça – Minha mãe certamente deve estar dançando às tantas com Alex... Mas nesse quesito, não nos parecemos... Meu iPod está mais interessante...
— Ah, qual foi, Sam?! Isso soa até ofensivo! Não saio daqui enquanto você não se levantar e ir pra pista de dança comigo!
— Não, por favor... Não gosto!
— Aposto que quando você vai para as festas das suas amigas, você deve se acabar!
— More or less... Não me sinto confortável...
— Vamos, por favor?! Nem precisamos ficar no centro da pista! Por mim, vai?
(A menina pensou um pouco...)
— Ok, você venceu! Mas se as pessoas ficarem me olhando, eu vazo dali, hein?! – pôs o dedo em riste, cruzando os braços em seguida
— Seu desejo é uma ordem! – ele riu
A pista de dança não estava lotada, mas cheia o suficiente. Os primeiros acordes de Murder On The Dancefloor ecoavam... Era uma música bem antiga, dos tempos em que Sam e Miguel ainda brincavam juntos, mas ambos adoravam-a.
— Mentira?! Eu já não ouço essa música há uns 10 anos! – Sam gritava em meio aos risos
— Qualquer semelhança é mera coincidência, baby!
— Vem! A gente precisa dançar, like the old times! – disse puxando o menino pra pista
— Isso porque você não queria ficar no meio de todo mundo, hein?!
— C’mon! Depois eu volto a pensar na minha sanidade! – a menina respondeu, iniciando seus passos
Sam estava radiante. Todos em volta seguiam seus passos, assim como Miguel, que ao mesmo tempo, observava a amiga com ternura. Realmente, as coisas haviam mudado. Já não eram mais crianças, e agora, Sam era praticamente uma mulher, aliás, muito bonita, ele não podia negar. Dançaram por mais algum tempo, até que o cansaço começou a dar o ar de sua graça. Poderiam beber e maquiar tal, mas preferiram por sentar e conversar.
— Me pertubou tanto para dançar, e olha como está?! Parece uma criança após correr o dia inteiro! – Sam riu
— Como nos velhos tempos?
— Basicamente... Quer beber alguma coisa?
— Estou devagar hoje. Dirigindo... Sabe como é...
— Somos dois... Não estou dirigindo, mas o único drink que eu estou tomando é minha Coca Light. Aliás, amo seus pais por terem posto. Raramente as pessoas colocam nas festas...
— É verdade... Mas eles também colocaram por minha causa e pelo meu irmão... Só tomamos Coca Light há mais de 10 anos. Por sinal, foi você quem me ensinou a gostar disso, não lembra? – ele riu com ternura
— Uau! É mesmo! Já faz tanto tempo...
— Sim... Você tem planos pra quando sair daqui?
— Na verdade tenho. – ela fez uma pausa – Passar a noite assistindo Friends e M*A*S*H na TV. – ela riu
— Nossa... Isso parece animado... Mas tenho uma ideia melhor...
— Difícil algo ser melhor que assistir Friends e M*A*S*H na mesma noite...
— Sair comigo é tão ruim assim?
— Ah... Deixe me ver... Você está me convidando pra sair contigo, depois do casamento dos seus pais? – perguntou Sam, arqueando uma sobrancelha
— Tecnicamente sim... Mas só vai se tornar um convite se você aceitar...
— Bem... Eu ainda não respondo por mim. Pode não parecer, mas ainda sou uma adolescente... E mesmo que eu seja na paz, minha mãe me trata como uma criança...
— Isso significa que se sua mãe concordar, você aceita?
— Posso pensar no seu caso com muito carinho...
— Se o problema sou eu ou Alex, relaxa... – Lisa veio se intrometendo na conversa – Pode ir... Contanto que você não beba, não fume, não use drogas e não aceite doces de desconhecidos, está tranquilo. E você, Miguel... – a mãe virou-se para o rapaz – Olhos na minha garotinha!
— Não vejo motivo pra você recusar meu convite agora, Sam... Até sua mãe já deu passe livre... – ele riu
— Sam, não larga o osso, garota! – a mãe exclamou
— Menos, mãe! – a menina ficou sem jeito – Ok, ok... Eu aceito. E mãe... Não sou uma psicopata, drogada ou idiota...
— Fique tranquila, Lisa. Eu cuido da Sam... Ela voltará pra casa, sã e salva. – Miguel riu
— Deus te abençoe... Bem, vou indo. Divirtam-se! – disse a mãe se despedindo dos dois
— Obrigada! – disseram os dois em uníssono – Acho melhor irmos também, certo? – perguntou o rapaz
— Sim... Antes de nos despedirmos dos seus pais, vou buscar minha bolsa, okay?
— Tudo bem... Vou pegar uns doces pra nós ali na frente.
Não demoraram muito. Logo se despediram de Ana e Théo, e caminharam até o carro. Miguel, como sempre gentil, abriu a porta para que a amiga entrasse. Não que ela tivesse segundas intenções com o amigo, mas precisava confessar que estava confusa e que seu amigo havia balançando sua mente. Ele por sua vez, pensava o mesmo. Apesar de anos afastados, era como se tivessem convivido juntos durante todos os anos que se passaram, e estava gostando de Sam, de um jeito sem igual.
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