Dois Mundos
3 Murakami Masayo - Uma energia diferente
Masayo acordou e tomou um duche morno. Escovou os dentes e foi até à cozinha tomar o pequeno-almoço. Comeu uma fatia de torrada com uma chávena de chá e quando terminou foi-se vestir. Antes de sair de casa, abriu a janela para arejar um pouco o seu pequeno apartamento. Era uma fresca manhã de outono e o sol reluzia entre as folhas secas das árvores.
Dirigiu-se à estação e apanhou o metro para ir para a universidade. À entrada da universidade encontrou a sua melhor amiga que estava à sua espera.
–Bom dia, Masayo!
–Bom dia, Yukino!
Oota Yukino era sua melhor amiga desde o quinto ano. Fizeram sempre tudo juntas e agora tinham ido ambas para a mesma universidade e trabalhavam part-time no mesmo local. Yukino era bastante extrovertida, o que contrastava com Masayo, que era introvertida, no entanto, completavam-se lindamente. Dependiam completamente uma da outra.
–Como sempre estás aqui às oito horas e sete minutos, Masayo. Nem mais, nem menos.
–Tem que ser, senão não era eu. Já acabas-te o projecto?
–Uhm... Nem por isso, mas já está quase. E não me repreendas. Era um projecto demasiado grande para acabar numa noite.
–Sim tens razão, mas eu acabei.
–Mas isso, porque vives sozinha. Eu ainda vivo em casa dos meus pais, porque fica perto da universidade e para além de trabalhar e estudar ainda tenho que fazer as tarefas de casa e cuidar dos meus irmãos. Ah... quem me dera viver sozinha como tu.
–Viver sozinha não é assim tão fácil e tu sabes que se tivesse escolha estaria neste momento a viver em casa dos meus pais, se eles ainda estivessem juntos. Aqueles dois não podiam aturar-se durante mais algum tempo, tinham mesmo que se divorciar agora...
–Vá, vá. Não vamos lembrar-nos de coisas indesejáveis e tristes. A propósito como está o pequeno Daiki?
–Eh. Vai bem.
–Foste visitá-lo este verão?
–Não. Só vou no Natal. E tenho que pensar que prenda lhe dar. Afinal o que posso oferecer ao meu irmão mais novo?
–Bem, ainda vais ter imenso tempo até lá para pensar, agora vamos mas é para as aulas.
***
Ao almoço, Masayo e Yukino dirigiram-se à máquina de vendas da universidade e compraram uma sandes e um sumo para comerem.
–Bem, não admira que estejamos tão magras.
–Mas tu ainda tens seios avantajados,Yukino, eu, por outro lado, tenho zero.
–Lá estás tu outra vez com essa conversa, Masayo, mas acredita que há homens que gostam de raparigas com peito pequeno.
–Está bem, mas mudando de assunto, logo à noite eu vou ficar à tua espera para irmos juntas para o trabalho, ok?
–Sim.
***
Depois de outro cansativo dia de aulas, Masayo foi para casa e aproveitou o pouco tempo que tinha até começar o seu turno no trabalho. Daqui a nada tenho de ir trabalhar e depois tenho que vir para casa e começar o novo projecto de hoje. Ugh. Que cansativo! Mais uma noite sem dormir! Ah... Mas por agora vou aproveitar para ver o novo episódio que saiu ontem.
Às oito horas e quinze minutos, Masayo vestiu-se e saiu de casa. Quando Yukino chegou entraram para o local de trabalho e dirigiram-se para os vestiários femininos. Vestiram os justos e curtos uniformes e começaram a trabalhar.
Passado pouco tempo entraram os primeiros clientes.
–Boa noite! Com o que vos posso ajudar? — cumprimentou Masayo. Este homem vem aqui imensas vezes.
–Ah...Boa noite. — Hmm. Lá estão elas. As raparigas menores com os uniformes incrivelmente curtos e justos. Não lhes fica mal, mas de qualquer modo continuam menores. -Uma mesa para dois, por favor.
Masayo serviu os dois homens e voltou para junto de Yukino.
–É ele, Masayo! É ele.
–Qual dele?
–O de cabelo preto e olhos azuis. Ele é tão bonito! Tem um ar tão maduro e atraente!
–Yukino, tu nem o conheces! Além disso ele é mais velho que nós!
–Eu sei, mas o que queres? Acho que estou apaixonada.
–Deixa-te de sonhar acordada!
***
Às onze horas da noite o turno de Masayo e Yukino acabou.
–Adeus, Yukino! Até amanhã!
–Chau, Masayo! Tem cuidado e chega a casa, não fiques no caminho!
Masayo e Yukino separaram-se, indo cada uma para sua casa. Durante o seu caminho para casa, Masayo sentiu-se seguida, mas quando olhou para trás não viu nada. Continuou a andar. Voltou a olhar para trás e viu um vulto. Sentindo-se assustada entrou num beco e deparou-se com uma porta. Uma porta extremamente vulgar e em mau estado, mas não tinha outra escolha. Atravessou a porta e entrou num compartimento pequeno. Decidiu ficar durante algum tempo lá dentro.
Dentro daquele quarto pequeno sentia-se claustrofóbica, como se o ar fosse mais pesado lá dentro do que no exterior. O ar comprimia-lhe os pulmões, quase não conseguia respirar. Neste quarto parece fluir uma energia diferente do mundo normal.
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