Dois Lados
22 Capítulo 21
Notas iniciais
- Victoria! – a voz de Emma era distante, mas percebi que ela estava gritando.
Eu me sentia tonta. Estava jogada no chão, no mesmo local, onde aquelas três pessoas nos atacaram. Eu não havia entendido o que eles tinham feito. Mas, não conseguia me levantar.
- Ai meu deus! Victoria! – Walt estava atrás dela tentando levantar Kate, que ainda parecia desacordada.
- O que... aconteceu? – gaguejei.
- Eu não sei — Emma me pôs de pé – Eu ouvi um estrondo vindo daqui e então, eu corri. O que vocês estão fazendo aqui? Já não combinamos de não entrar nessa cav...
Ante que ela continuasse, ela olhou ao redor, e percebeu onde estava. Pelo visto, ela conhecia muito bem.
- Emma – eu disse -, nós encontramos a pedra. A pedra do Poder. Ela estava ali em cima, e quando a pegamos, três pessoas apareceram e nos derrubaram! – olhei para os lados e percebi que a pedra não estava mais lá. – Ah, não.
Agora eu estava lúcida o suficiente para correr. Rapidamente cheguei a porta da caverna, onde a luz do sol, quase me cegou. Mas, não parei. Corri até a clareira procurando sinais de pessoas, ou da pedra. Qualquer um que tivesse tocado naquela pedra teria se machucado. Eu sei disso por experiência própria.
- Não... – eu me apoiei nos joelhos.
- Victoria! – Emma, Walt, Kate e Josh, vinham correndo ao meu encontro. – Você... Perdeu a pedra?
- Eu... eu não sei exatamente. Ela estava conosco, mas quando desmaiamos... Ela sumiu!
- Ah não. Não pode ser. – Emma parecia mais preocupada do que eu, como se soubesse alguma coisa a mais.
- Emma? No que está pensando? – perguntei.
- Se eles forem... feiticeiros... Estamos mortos!
- Como assim? – perguntou Josh limpando a jaqueta.
- Se algum descendente colocar a pedra na cripta da Igreja Velha, ganham os poderes dos feiticeiros, em dobro. O que pode salvar os espíritos do eterno purgatório, e destruir a linhagem de feiticeiros, além de poder salvar mortais com a eternidade.
- Sim, nós sabemos. – eu disse.
- Mas, se um feiticeiro, usar a pedra – sua voz tornou-se pesada -, ele ganhará os Poderes. E ele poderá não só dominar o mundo dos mortos, como os dos vivos. Por isso, eles não querem que você peguem o Poder. Quer dizer... Mais um motivo.
A manhã se tornou densa, como se o céu pesasse em nossas costas. O silencio era depressivo e parecia me cortar com um milhão de facas.
Se eu não voltasse pra cidade, minha mãe morreria sem ao menos me ver, e sem que eu soubesse. Além disso, ela iria para aquele lugar horrível, onde os feiticeiros controlam. Onde Mary está. Se eu não ficasse, os feiticeiros poderiam me encontrar, e me matar com um estalar de dedos, e todos morreriam, por minha causa.
Eu sou a única e última descendente.
Voltamos à cabana, já era final da tarde. Havíamos ficado parados ali por um bom tempo. O caminho da clareira para a cabana não é tão longe, mas parece eterno quando se pensa em tudo o que eu tenho vivido.
- Eu preciso descansar. – eu disse. Ninguém falou nada. Walt pegou mais algumas lenhas atrás da cabana e acendeu a lareira, enquanto Emma preparava café para todos.
- Está tudo bem? – Kate sussurrou, como se quisesse que eu contasse um segredo que ninguém mais pudesse ouvir. Ela olhou para os lados e certificou-se que Josh estava no quarto, e todos estavam ocupados.
- Bem... – comecei.
- Não, não quero dizer em relação à pedra e tudo mais. Quero dizer, em relação a você. Sei que não é fácil viver tudo isso. Já está sendo bem difícil para todos nós, nem imagino para você. – ela pegou na minha mão. – O que eu quero é que tudo fique bem pra você. E que sempre estarei aqui por você. – ela forçou um sorriso, que por mais que tenha sido automático, me fez me sentir melhor.
- Eu irei ficar bem. – eu a abracei e senti lágrimas escorrendo pelo meu rosto.
- Aqui está. – Emma entregou a todos nós canecas de café, e depois de muito tempo em silêncio, dormimos.
Eu sonhei que estava em um lugar calmo. Parecia um jardim verde, com flores de varias cores e espécies. O único barulho era o da água de um riacho ali perto. Mas, havia alguém cuidando de uma rosa vermelha. Ela tinha cabelos compridos e loiros, e sua pele era tão branca que reluzia à luz do sol.
- Mary?
Ela levantou a cabeça e instantaneamente eu senti como se o chão estivesse caindo e eu estivesse flutuando no meio do nada.
Mary sorriu e se levantou. Seu vestido branco esvoaçava na brisa quente, e ela continuava a sorrir como se tudo estivesse bem.
De repente, eu percebi que eu realmente não estava no chão. Era apenas uma fumaça negra que envolvia meus pés, como se eu flutuasse em meio àquela névoa. O céu já não estava tão limpo. Nuvens cinza e pesadas começaram a se agregar acima de nós, formando uma imensa massa escura e densa. As flores bem cultivadas, agora estavam murchando e se transformando em terra morta.
Agora, eu estava no cemitério de Garwood, onde meu pai e Mary foram enterrados. Onde todas as lembranças ruins estavam.
Mary ainda sorria e sua forma ainda estava do mesmo jeito – ainda bem, porque eu não queria me assustar com uma daquelas formas estranhas que ela já assumira pra mim. Seu sorriso convidativo, me fez andar contra a minha própria vontade.
Ela me levou para a parte antiga do cemitério, onde havia túmulos do século XIX, de famílias que ainda queriam reservar a memória de seus entes – a maioria deles havia feito algo pela cidade.
Eu queria perguntar para onde ela estava me levando, mas minha voz parecia estar presa dentro de mim, e por mais que eu fizesse força ela não saía.
O lugar tinha um cheiro estranho, como se todos os mortos estivessem fora do túmulo. Mas, não era um cheiro de pessoas mortas, um cheiro que me fazia tremer de medo.
- Mary... – consegui dizer. De repente tudo a minha volta de tornou envolta a uma neblina fria e assustadora. Eu via coisas se levantando, se mexendo, figuras estranhas e encurvadas, mas não conseguia distinguir o que era exatamente.
Então, do meio da névoa, Mary veio com alguém do seu lado. Aos poucos consegui distinguir. Era um garoto, de uns 17 ou 18 anos, com um cabelo preto, de pele branca e seus olhos eram de um azul profundo. Usava um uniforme militar da época da Guerra Civil. Mas, não parecia ter acabado de sair de uma guerra, parecia estar indo para uma. Seu cabelo estava penteado e bem arrumado, e ele segurava a mão de Mary. Parecia estar olhando para o nada.
Mary não sorria mais. Sua expressão era fria. Eles me fitavam sérios, o que me fez ter mais medo ainda. Sussurros e suspiros a minha volta me faziam tremer. Eu nunca sentira tanto medo na vida.
- Pegue de volta. Não deixe que um pedaço de vida, destrua sua oportunidade. Conheça o inimigo antes de enfrentá-lo. Salve quem for preciso. Mas, se não conseguir, não se prenda. Não confie em todos que dizem ser seus amigos. – a voz vinha da boca de Mary, mas a voz definitivamente não era dela.
Notas finais
Mas, ultimamente não vejo ninguém comentando ou sei lá, e isso me faz querer "desistir" da história. De verdade, tenho ideias pra novas histórias, e quero escrevê-las assim que terminar essa. Mas, só se as pessoas aprovarem, ou pelo menos que deem suas críticas. Porque nem isso tenho recebido! Mesmo que estejam lendo, agradeceria muito que vocês comentassem! De verdade, isso me faz querer escrever mais e mais. Mesmo assim obrigada. :)
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