Dois Lados

23 Capítulo 22


Notas iniciais
Faz muitos meses que não escrevo, porque sinceramente estava sem inspirações, mas finalmente voltei com mais um capítulo especial, e mais um suspense! Prometo postar mais capítulos apartir de agora! :3 Obrigada a todos que leem

Levantei subitamente e olhei em volta. Já era de manhã. O sol havia nascido há pouco tempo. Ainda tremia de medo.

Olhei em volta e me dei conta de que Emma não estava na cabana. Peguei meu casaco, calcei minhas botas e sai.

A manhã estava ensolarada, como no dia anterior, e o vento frio ainda soprava contra meu rosto. Emma estava na frente da cabana, sentada no chão.

Ela tinha uns três livros ao seu redor, e muitos papéis. Parecia estressada ou indignada com alguma coisa.

– Emma? – perguntei me aproximando.

– Ah, bom dia, Victoria. Eu só estou... – ela pegou um dos papéis e colocou contra a luz do sol. – Não... – murmurou pra si mesma, e então pegou mais outros dois papéis e tentou encaixá-los.

– O que você está fazendo? O que são esses papéis em branco? – peguei um e o fitei.

– Não estão em branco, se esforce um pouco e você verá. – respondeu Emma ainda observando os papéis com atenção.

No começo eu achei estranho, como eu não estava vendo nada, e de repente poderia haver algo ali? Estreitei os olhos e virei a folha várias vezes tentando encontrar alguma coisa. Então, quando estava prestes a desistir de tentar, alguns desenhos apareceram.

Eram símbolos esquisitos, alguns se encaixavam, formando uma espécie de mapa, outros eram apenas desenhos rabiscados.

– O que são essas... coisas? – perguntei.

– É um mapa. Tudo isso. – disse Emma juntando três folhas.

– Um mapa? De que?

– Da Cidade Subterrânea. – ela olhou pra mim com a esperança de que eu tivesse entendido. Havia lido algo sobre isso, mas não me lembrava muito bem. Então balancei a cabeça. Emma suspirou e se levantou, tirando as folhas secas que estavam presas em sua calça. – Bem, a Cidade Subterrânea, é uma espécie de... hm, cidade, em baixo da terra, onde apenas os feiticeiros tem acesso. De lá, é mais fácil achar a Igreja.

– A Igreja...

– Sim, onde há a cripta certa para a obtenção dos Poderes. – Emma pegou os últimos papeis e os colocou dentro dos livros. – Vamos, fiz o café.

Quando acordei não havia percebido, ou sentido cheiro de café, mas aparentemente Emma havia deixado uma garrafa térmica pequena para cada um com café novo e quente.

– Como você consegue fazer isso? – perguntou Kate se deliciando com seu café. — É a quantidade de creme perfeita! – ela fechou os olhos.

– Bem, é só algo que eu treino no tempo livre. Eu nunca sei quando vou precisar de comida extra, então aprendi a conjurar comidas especiais. – todos a olharam. – Não me olhem assim, se não fosse isso vocês estariam passando fome no meio do nada. – todos riram. Emma era do tipo que fazia piadas, mas não percebia, e geralmente não ria. Mas, no geral, ela era bem legal.

– E então, o que vamos fazer? – perguntou Walt olhando para Emma. Desde o dia da “caminhada na floresta”, eu percebi que eles dois estavam agindo estranho. Mas não comentei nada.

– Bem, eu trouxe uns livros de feitiço avançado. Neles há explicando como montar o mapa da Cidade Subterrânea... E antes que perguntem, é um lugar em baixo da terra, onde só os feiticeiros tem acesso.

Walt assentiu com a cabeça como se realmente quisesse perguntar.

– E esta cidade, é o meio mais rápido de chegar a Igreja.

– Mas, só podemos achar a Igreja, se tivermos a pedra. – observou Josh.

– Sim, mas se os feiticeiros a pegaram, provavelmente já estão a levando para a cripta. Acredite, os feiticeiros não perdem tempo quando se trata de roubo. – ela revirou os olhos como se lembrasse de sua família.

– Ah, nesse caso... vamos ter que enfrentá-los de qualquer forma. – concluiu Josh.

Kate percebeu que eu não estava nada confortável com a situação.

– Vic, você está bem? — perguntou ela com um olhar preocupado. Kate era fútil e popular do tipo que você olha e não quer nem chegar perto. Mas, era só uma capa que ela usava para não ser ignorada pelos outros. Ela era realmente solidária, e sempre se preocupava com os outros. Mesmo que isso demorasse um pouco. Talvez só eu conhecesse a verdadeira Kate. Mas, ainda tínhamos muito tempo juntos. Com certeza todos iriam amar ela, pelo seu jeito.

– Sim, é só que... – segurei minha garrafa com força, respirei fundo, e falei: — eu não estou nem um pouco confortável com isto. Quero dizer, estamos entrando em um lugar onde, bem na verdade não sei se vamos entrar, já que Emma disse que só feiticeiros podem entrar, vamos achar a tal Igreja, lutar com um bando de feiticeiros loucos e sádicos, — olhei para Emma — sem ofensas, mas é algo que, impossível. E se conseguirmos, eu terei que fazer todo aquele ritual idiota, pegar aquele Poder para salvar a vocês, a minha mãe, e espíritos que provavelmente não conheci. E eu nem sei se eu quero realmente isso, é algo tão perigoso... e eu não quero perder minha memória, depois de tudo o que aconteceu. – minha voz falhava, e o silêncio me matava.

– Vai ficar tudo bem, Vic. Nós vamos te proteger e... Afinal, se Emma pode criar comida do nada, deve existir alguma forma de você não perder sua memória. – ela olhou para os outros. E eles assentiram com solidariedade.

De repente algo quebrou o silêncio. Algo como um tiro disparado por uma arma com silenciador, só que o barulho era bem maior.

– O que foi isso? – disse Walt parando seu gole pela metade.

– Fiquem aqui. – disse Emma. Todas as vezes que ela se preparava pra atacar ou se defender com seus poderes ela sua expressão ficava mais sombria e rígida.

Ela se levantou e foi até a janela abaixada, e então espiou o lado de fora.

– Ah não... – ela continuou abaixada, e então algo apareceu na sua mão. Como uma adaga. Sua lâmina era prateada e o cabo era dourado com desenhos rústicos. Aos poucos ela tirou mais quatro adagas como aquelas, do nada. – Tomem. Vocês vão precisar. Sinto muito não poder conjurar armas mais... bem, poderosas.

– Quem são? — perguntou Kate de olhos arregalados.

– Os feiticeiros. – respondeu Emma, fria.

Neste momento eu senti meu corpo todo quente por dentro e frio por fora, comecei a suar e a tremer ao mesmo tempo. Nunca me sentira tão nervosa. A morte estava ali, tão perto, pronta pra me atacar. Mas eu tinha que ser forte.

Assim que terminamos de pegar as adagas, a porta se abriu subitamente. Todos nós pulamos de susto.

– Olá! – disse uma voz masculina soando animado. – Ah, qual é? Saiam crianças! – ele deu uma gargalhada forçada.

Emma fez sinal para que todos nós continuássemos abaixados e em silêncio, mas Kate não se conteve e entrou em pânico. Ela gritou “é ele!” e se trancou no quarto.

Emma, foi a primeira a sair, em seguida Walt, e então eu e Josh saímos, não consegui soltar seu braço, minha mão tremia ao segurar a adaga apontada para o homem.

– Ora, se não é minha querida filha! – disse o homem abrindo os braços.

– Deixe ela em paz! Deixe de ser tão egoísta e deixe-a viver! Você não já tem poder suficiente? – disse Emma.

– Mas não vim aqui por causa disso... quer dizer, não só por causa disso. – ele sorriu. – Ah, espere! – ele levantou o indicador. – parece que a nossa família está completa de novo! Não é lindo, Emma?

No início ela pareceu confusa, mas depois viu sua mãe sair de trás da cabana, e um garoto que surgia de trás de uma árvore.

– Scott? – fiquei surpresa ao vê-lo. Ele era... irmão de Emma?

– O que você está fazendo aqui? Pensei que tinha ido “mudar de vida” – ela fez as aspas no ar. – em Nova York. – disse Emma dirigindo-se ao seu irmão.

– Isso não é jeito de falar com seu irmão, Emma! – replicou sua mãe.

– Elizabeth, pare! – disse Emma pra sua mãe.

– Eu. Sou. Sua. Mãe. – disse a mulher. Sua expressão ficara rígida como a de Emma quando usava seus poderes. Mas de uma forma bem mais sombria e assustadora. E então as três janelas da cabana explodiram em mínimos pedaços de vidro.

– Pensei que já estivessem a caminho da Igreja. – falou Emma.

– Ah, sim nós temos a pedra. Mas, não é por isso. Claro que estamos nos planejando muito bem. Mas, há algo, hoje a noite... – o pai de Emma nos olhava devagar, como se escolhesse a quem matar primeiro. – Não se lembra, querida? Pensei que gostava de roubar os livros de feitiços pra ler. – falou de uma forma sarcástica.

Emma parou e tentou lembrar do que ele estava falando.

– Da maldição da Lua. – disse eu trêmula.

– Ah, parece que a pequena mortal andou estudando! – ele aplaudiu. – Que vergonha, Emma! – disse ele andando de um lado para o outro.

– Não... George... Você não pode... – disse Emma um pouco nervosa.

– Bem, Liz, precisamos realmente ensinar a nossa garota que nós somos os pais dela, e não... conhecidos. Por acaso os jovens de hoje em dia fazem isso? – ele virou-se para nós e demos um passo pra trás. – Ah, vocês estão com medo? Eles estão com medo, querida. – Ele voltou-se para Elizabeth de novo.

Ela parecia muito concentrada, em sei-lá-o-que ela estava fazendo. Elizabeth rodava a cabana devagar com as mãos estendidas. O que quer que ela estivesse fazendo, de jeito nenhum poderíamos entrar lá novamente.

– Bem, continuando. – ele voltou-se para Emma, e lentamente tocou seu rosto com uma cara de pena, como se dissesse “criei você tão bem e você sai de nosso caminho deste jeito, mas que decepção!”. – Precisamos de um sacrifício, como você bem sabe, não é Victoria? Um sacrifício mortal. Então não se preocupe, não vamos matar você... bem, não agora. – ele deu uma gargalhada.

– Vá embora! – gritou Emma jogando um feitiço que parecia com o que o homem misterioso usara em Kate no dia em que ela virou Missionária. Mas, George desviou e o feitiço atingiu Scott que bateu com as costas na árvore e caiu no chão desacordado.

– Primeiro, queremos o Poder, mas o sacrifício deverá ser feito hoje à noite, e nada melhor do que usar nosso segundo plano, que é acabar com a vida da queridinha ali, — ele apontou para mim. – para isto, não é? Então, pensamos bem. Sua mãe, é claro sempre a mais inteligente, teve a brilhante ideia.

– Nós queremos acabar com a vida dela, antes de matá-la. Então, nada melhor do que atingirmos seus pontos fracos. – Elizabeth havia terminado o feitiço que usava na cabana, e agora se voltara para nós. – Seus amigos. E assim, o sacrifício também será realizado! Duas tarefas completas de uma vez. – os olhos da mulher eram negros como os de Emma, mas havia algo a mais ali. Uma maldade indefinível. Nem George emitia tanta energia negativa quanto ela. Mesmo aparentando ser mais nova.

– Deixe-os em paz! Eles não têm culpa de nada! Vocês querem a mim. Então me matem!

– E qual seria a graça, minha querida? – disse Elizabeth sombria.

Um nó se formou na minha garganta, minhas palavras foram engolidas pelo meu medo. Não podia suportar a perda de mais ninguém. Meu pai. Mary. Quase minha mãe.

Neste momento eu comecei a pensar na minha família, antes de meu pai morrer, depois de me mudar pra Garwood, o primeiro dia de aula, minha mãe, minha irmã, minha vida, antes de tudo começar a dar errado. Minha irmã e minha mãe. Elas estavam tão vulneráveis em Garwood. Minha mãe doente, minha irmã com minha tia. Eles poderiam tê-las matado, e eu nunca iria saber.

– Não estão sentindo falta de ninguém? – Elizabeth deu um sorriso sádico.

Eu e Emma olhamos para os outros. Walt. Josh...