Dois Bicudos
14 You make me lose my mind
Notas iniciais
Voltei com mais uma cap *_* Sentiram minha falta? Ultimamente eu tenho estudado muito e tenho um simulado para fazer na sexta-feira. Dia 27 de maio foi meu aniversário de 14 anos e eu estou muito feliz pois, ganhei meu celular =3 Troquei a capa o que acharam? Fui eu mesma que fiz e amei *_*
Enfim, estou com este capítulo pronto desde o dia 08/05 mas só tive tempo para postar agora. Espero que gostem e agradeço a todos que ainda leem, acompanham e comentam. Isso me deixa realmente muito feliz.
Vamos ler?
O fim de semana demorou tanto a passar que parecia estar se arrastando, apenas para me torturar. Finalmente era segunda-feira — Nunca imaginei que um dia um absurdo desses sairia da minha boca — Normalmente eu odeio o primeiro dia de aula da semana, mas eu não via a hora de ter motivos para sair de casa, já que meus pais não me deixaram sair desde sexta-feira.
Minha noite de sábado havia sido horrível. Cameron não me deixou em paz nem um segundo sequer, e na manhã de domingo me acordou carinhosamente... Abrindo ovos em minha cabeça. Adorável, não? Corri atrás do pestinha pela casa inteira, até o momento em que ele pega sua pistola de água e começa a correr atrás de mim.
Enfim, passei o dia tirando restos de ovo do cabelo, tentando convencer meus pais a pôr meu irmão de castigo e não obtendo sucesso algum.
Já estava pronta, então apenas desci as escadas, peguei uma maçã na cozinha, despedi-me de minha família, peguei eu skate e me pus no caminho para a escola.
O dia estava calmo e pacato, as aulas normalmente entediantes, até que a coordenadora do ensino médio, Connie Weather, veio até a sala de filosofia dar um aviso.
- Bom dia, classe — Disse a coordenadora e todos responderam — Como sabem, todo ano o Sistema Mackenzie realiza um projeto diferente, e desta vez temos uma grande surpresa. Particularmente, acho que agradará a maioria.
Connie entregou uma quantidade de folhetos aos alunos que sentavam nas primeiras carteiras e eles foram passando-os para trás. Quando um dos folhetos chegou até a minha mesa, arregalei os olhos.
- Este ano teremos o Irmão de Intercâmbio, se seus pais concordarem poderão "adotar" um adolescente que virá de outro país. Não é incrível?
Fiquei pasma com aquilo, minha mãe com certeza aprovaria e não ligaria nem um pouco para o fato de que eu, definitivamente, abomino a ideia. Estava a ponto de amassar o folheto quando Connie continuou:
- Tragam este informativo, assinado, amanhã. Se a proposta for aceita por seus pais ou responsáveis, entraremos em contato e combinaremos a chegada do Irmão de intercâmbio, que, aliás, será na próxima quinta-feira.
Vários alunos disseram que estava próximo demais e que seus pais não permitiriam, então outros começaram a falar e de repente todas as vozes formaram um conjunto de conversas paralelas completamente ensurdecedoras.
- Silêncio! — Esbravejou o professor e a classe obedeceu.
- Obrigada professor Henry — Disse Connie — Sabemos que está bem perto mas, também sabemos que seus pais contribuirão para o nosso projeto, como sempre contribuíram. Bom, meu recado foi dado e a representante da turma está encarregada de recolher os informativos assinados.
Dizendo isto, ela se retirou da classe e eu me controlava para não formar uma bola com aquele pedaço de papel e fazer um cesta na lixeira.
***
Alice, Julie e eu estávamos no portão esperando Steve, como de costume, as três indignadas com toda essa estória de intercâmbio.
- Minha mãe não pode aceitar isso! — Disse Alice — E se for um terrorista quem colocaremos embaixo de nosso teto?
- Pense no lado positivo. Pode ser um inglês sexy, perfeito para o cargo de little decoy — Falou Julie.
- Vocês têm sorte pois, sabem que seus pais não aceitarão e eu tenho certeza de que os meus farão o contrário.
- Estou com preguiça de repetir mas, siga o que eu disse para a esfomeada aqui — Apontou para Alice — E pense positivo.
O Camaro vermelho adentrou o estacionamento e eu prendi a respiração. Steve saiu do carro e eu precisei confessar que aquela jaqueta de couro preta, combinando com o seu cabelo, o deixava irresistívelmente lindo.
Steve chegou onde estávamos e puxou-me para um abraço. Meu coração palpitou tão forte que considerei a possibilidade de que o som das batidas chegassem aos seus ouvidos.
Alice limpou a garganta e Steve me soltou.
- Bem... Vamos? — Perguntei, indo em direção ao carro.
Logo estávamos deixando Alice em casa, então Steve pegou o caminho contrário à minha casa, o que me fez fanzir o cenho.
- Onde está indo, Steve? Precisamos deixar Babi em casa — Falou Julie.
- É que hoje, Babi e eu, iremos passar um tempo juntos.
- Vamos? — Indaguei.
- Ah... Entendi — Julie sorria maléficamente.
Steve parou o carro em frente à uma casa amarela com portas e janelas brancas. Julie saiu do carro e deu um "tchauzinho" com uma das sobrancelhas arqueadas. Steve pediu para que eu passasse para o banco da frente e eu o fiz.
- Eu... Eu não posso sair, Steve. Tenho que dar almoço a Cameron e arrumá-lo para a escola.
- Não vamos sair. Vou ficar com você, na sua casa.
Minhas mãos estavam suando e meu coração batia aceleradamente. Resolvi ligar o rádio para deixar o clima um pouco mais leve. No rádio tocava a música Tonight I'm getting over you da Carly Rae Jepsen.
A música tocava e eu percebia como ela conseguia descrever a minha relação com Steve, uma das frases me fez arrepiar.
"We're not lovers
But, more than friends"
"Não somos amantes
Mas, somos mais que amigos"
Olhei para Steve e ele também olhou para mim, apenas de relance, voltando o seu olhar para o trânsito. Pouco tempo depois chegamos a minha casa e Steve estacionou seu carro um pouco antes da entrada de carros.
Entramos e não havia ninguém na sala.
- Cameron, já estou em casa! — Gritei enquanto subia as escadas correndo.
Abri a porta do meu quarto e Steve entrou.
- Fique aqui — Sussurrei, entregando minha mochila a ele — Eu não demoro.
Desci as escadas e Cameron me esperava já com o uniforme escolar.
- Estou com fome! — Falou.
- É bom que espere, se quiser comer, é claro.
- Quero bife e purê de batata.
- Tem lasanha congelada, e é isso o que você vai comer. A não ser que prefira "ovos à la Cameron".
Meu irmão desdenhou e foi para a sala assistir tevê. Coloquei a lasanha congelada no microondas e esperei até que o queijo derretesse. Pus em um prato e o chamei para a sala de jantar.
- Quero refrigerante — Pediu.
- Só depois que comer tudo.
Cameron bufou e voltou a comer. Após terminar, entreguei a ele um copo com refrigerante, tomou todo o líquido e escutou a buzina do ônibus escolar. Colocou o copo na pia, pegou sua mochila no sofá e correu em direção à porta. Olhei pela janela e o vi subindo no ônibus.
Só depois de ter certeza que Cameron havia ido para a escola, voltei para o meu quarto e encontrei Steve folheando meu diário de músicas.
- Não! — Falei, tirando-o de suas mãos.
- Deixe-me terminar — Pediu, tentando pegá-lo novamente.
- Steve, não! — Disse seriamente e ele entendeu.
Guardei o caderno na gaveta e me sentei na cadeira que havia em frente à escrivaninha, ficando de frente para Steve, que estava sentado na beirada da cama.
- Meus pais podem chegar a qualquer momento.
Steve pôs um dos dedos em minha boca e disse:
- Não se preocupe.
Ele puxou a cadeira e como havia rodinhas nos pés, se locomoveu rapidamente. Steve pôs a cadeira, de modo que ficasse entre suas pernas e beijou a palma da minha mão direita, fazendo-me arrepiar. Puxou-me para si e selou nossos lábios. Novamente, começou calmo e paciente, tomando todo cuidado possível, como se estivesse lidando com a mais fina porcelana. Passou as mãos por minhas costas suavemente e acariciou minha bochecha, provavelmente, corada.
Continuei imóvel, apenas seguindo o ritmo do beijo, retribuindo-o. Steve parou o beijo com um delicado selinho. Prendeu seu olhar no meu. Seu semblante radiante, realizado, deixando-me ainda mais confusa.
Empurrei a cadeira na direção contrária à Steve, levantando-me e fui até a janela. Steve me seguiu e parou ao meu lado, segurando minha mão.
- Você precisa ir — Dirigi-me até a porta e parei com a mão na maçaneta.
- Não faça isso, Babi.
- Como Steve? — Indaguei histérica — Como aconteceu toda essa mudança de comportamento? Antes tudo era mais fácil, éramos amigos, apenas. Agora...
Sentei-me na cama feito uma criança mimada, com a cara emburrada e braços cruzados.
- Agora, nem ao menos sei que há entre nós — Continuei — Estou mais confusa que nunca. Tudo por conta de seus caprichos.
Steve sentou-se ao meu lado, nunca tirando de seus lábios o sorriso mais encantador de todos.
- Pequena, não há explicação. Até o ano passado, éramos apenas amigos, nunca nos imaginamos sendo algo mais. Mas... Quando pus os olhos em você na festa da Hillary, algo importante mudou... E eu não pude controlar. Não consigo.
Com certeza meus olhos refletiam a imensidão de dúvidas que continuava rondando a minha mente, feito uma gigantesca constelação de perguntas. Steve penas sorriu, segurou meu queixo e pôs seus lábios nos meus novamente. Era impossível não ceder ao dono daqueles lindos e sinceros olhos cinzentos.
Meu estômago fez contato, lembrando-me de que eu ainda não havia almoçado. Perguntei à Steve se estava com fome, ele assentiu e nós fomos para a cozinha. Steve se dispôs a cozinhar, já que sou um desastre em frente à um fogão.
Logo estávamos comendo um delicioso rosbife e na sobremesa brownies, deixados na gelaideira por minha mãe. Passamos o resto da tarde assistindo o que quiséssemos na tevê e comendo salgadinhos.
Por volta das 16:10 ouvi o som de motores de carros parando na entrada de carros. Corri até a janela, já prevendo a quem pertenciam aqueles carros. Vi minha mãe guardando seu carro na garagem e meus pai dirigindo-se à porta.
- Ah não! — Falei.
- O que aconteceu?
- Você tem que ir. Agora!
- Por quê?
- Meus pais chegaram!
Ao fim da minha frase a porta foi aberta e meu pai entrou. Não percebendo Steve ali, veio até mim e deu um beijo em minha testa.
- Querida, de quem é aquele carro na entra-
- Boa tarde, Steve — Ouvimos minha mãe dizer e então a porta se fechando.
- Steve? -Disse meu pai, voltando-se para minha mãe e avistando meu "convidado".
- Boa tarde Sr. e Sra. Horn — Respondeu Steve, com toda a naturalidade possível.
- É... Boa — Disse meu pai.
- Coincidência vocês chegarem agora — Falei — No exato momento em que o Steve se despedia para ir embora — Peguei na mão dele e fomos para o quintal da frente.
- Quer mesmo que eu vá?
- Sim, Steve, tchau.
- Não antes de receber uma despedida descente.
- Você diz "tchau", eu respondo, nos abraçamos — Ele sorriu — Amigavelmente — Resaltei — Você entra no seu carro, da a partida e vai embora.
- Nada disso — Steve disse, puxando-me pela cintura e prendendo meu olhar no seu — Só vou embora após você concordar em me deixar contente.
Soltei-me de suas mãos e me afastei.
- Tchau Steve.
Ele me puxou novamente e me abraçou. Aquilo foi totalmente tentador. Seu corpo quente contra o meu, sua jaqueta que, mesmo sendo grossa, permitia-me sentir seu abdômen definido.
Steve me soltou e depositei um beijo no topo da minha cabeça, beijei sua bochecha e o observei indo até seu carro.
Entrei em casa e deparei-me com meus pais sentados no sofá.
- Ok. Comecem — Falei.
- O que aquele rapaz fazia aqui, Babi Ramona Horn? — Indagou meu pai.
Ele te chamou por seu nome completo.
Eu sei.
Estamos ferradas.
Sim, estamos.
- Steve veio fazer uma visita. Que mal há? — Perguntei.
- Todos os males senhorita! Está de cas-
- Não vamos ser irracionais, Roger — Interrompeu minha mãe — Conhecemos o rapaz. Ele sempre estava junto com Babi, Alice, Nelly e Dave, não se precipite.
Obrigada mamãe!
Exato!
- Querida, pode subir para o seu quarto — Disse minha mãe.
- Tudo bem — Respondi, comemorando por dentro.
Entrei em meu quarto e me joguei na cama. Senti falta do meu celular e resolvi procurá-lo na mochila. Acabei por encontrar o maldito folheto do Irmão de Intercâmbio. Pensei em jogá-lo pela janela mas minha mãe surpreendeu-me entrando no quarto.
- Babi?
- Oi... Mãe.
- Querida — Sentou-se na cama ao meu lado — Procure evitar problemas, avise quando trouxer seus amigos, principalmente Steve.
- Na verdade... Ele me trouxe.
- Oh, sim... Então, Steve repetiu de ano?
- Não mamãe, ele está na universidade, passou entre os dez primeiros.
- Mas ele não havia trago você do colégio?
- Sim mãe — Esforcei-me para não rolar os olhos — Steve tem uma irmã mais nova, Julie, ela estuda comigo, apenas... Aproveitei a carona.
- E onde estava Julie?
- Isso é um interrogatório?
- Não filha... Só quero me aproximar de você.
- Não é o que parece! A senhora só quer saber se Steve e eu...
- Namoram?
Bufei. Minha mãe sempre consegue fazer com que eu fale.
- Ele é bonito, está na universidade, é um ótimo rapaz, tem um carro... As únicas coisas que me incomodam são as tatuagens e os alargadores.
- Mãe, nós não namoramos.
- Não pense que não vi o clima entre vocês enquanto se despediam.
- Mãe! — A repreendi.
- Tudo bem, Babi. Você sabe que não precisa esconder nada, não sabe?
- Sei — Respondi, brincando com um pedaço de papel que estava na minha mão.
- O que é isso?
- Isso o quê, mãe?
- Esse folheto na sua mão.
Folheto.
Meu coração quase parou quando percebi que o pedaço de papel era o folheto do projeto.
- Deixe-me ver.
Minha mãe pegou o folheto tão rapidamente que não consegui reagir.
- Um novo projeto? Que ideia maravilhosa. Você tem uma caneta, querida?
- Mãe, você não vai assinar isso.
- Por quê não assinaria?
- Porque eu não quero dividir o quarto com alguém que pode ser, secretamente, um serial killer.
- Não seja dramática... Agora me dê uma caneta.
- Mãe. Por favor!
Vou procurar uma caneta no escritório do seu pai — Disse saindo do quarto.
Fiquei parada olhando para a porta e tentando aceitar mais uma derrota. Luce Horn sempre vence.
Notas finais
Muito Obrigada :D Leitores fantasmas, apareçam, por favor!
Bjos & Qjos,
MiniCoisa :3
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