Dois Bicudos

17 Mental Breakdown


Notas iniciais
Hellooooooooooooooooo pessoas! Eu voltei ~ morre com um tiro na cabeça~ A fic ficou em hiatus por quase um ano né? Caramba djjdkskkkk Eu peço perdão, de verdade. Bom, espero que vocês ainda estejam aí, aqueles que ainda lêem. E se estiverem me digam nos reviews, é sério, amo quando vocês falam comigo. Agradeço muito à Dal, ao Hankoro ❤ e a Nóh Viana que comentaram no último capítulo. Então chega de enrolação e vamos ler, por que esse capitulo ta super legal!! Ah, e leiam as notas finais c:

Busquei forças por toda a minha mente e formei em meu rosto uma aparência calma. O que aconteceu foi um erro e eu estava disposta a fazer com que nunca mais se repetisse.

– Eu apenas acabei dando de cara com a diretora em um dos corredores — Falei com a voz firme — Ela me deu uma bronca por não estar na detenção e me mandou para lá, mas consegui escapar quando o inspetor resolveu pegar os celulares de uns garotos que sentam no fundo.

Menti como nunca achei que conseguiria. Menti para as minhas duas melhores amigas. Senti-me mal por isso, mas foi necessário.

Alice pareceu pensativa por um momento,as depois sorriu, Julie também aparentava ter acreditado e eu segurei um longo suspiro de alívio.

– Steve começou a preparar o almoço antes de você chegar — Disse Julie — Talvez já esteja pronto.

– Tomara! — Alice e Julie saíram do quarto e ouvi seus passos na escada.

Continuei deitada e pensei em Steve e em seus olhos cinzentos. Em como ele sempre esteve comigo e eu me sentia segura ao seu lado. Em como ele sempre tomou todo o cuidado para não dizer ou fazer algo que me magoasse, pensei no modo em que seus olhos de neblina passam segurança e em como são lindos. Sorri um pouco ao perceber que não podia deixar de pensar em como ele cozinha bem.

É ele quem deve tomar meus pensamentos e devaneios, não o idiota do Adam, que com toda a certeza só merece ódio e desprezo.

Levantei e desci as escadas, mas parei ao ver Steve na sala de jantar, pondo a mesa. Encostei-me no umbral da porta e não consegui conter a risada ao notar que ele usava o avental florido da minha mãe.

– Sabe que não precisava ter feito isso — Me referi à comida — E você fica muito melhor que a mamãe usando esse avental.

Steve virou-se em minha direção ao ouvir a minha voz.

– Eu fico muito sexy usando isto, admita.

Ele se aproximou e fez menção em beijar meus lábios, mas hesitou e beijou-me a testa. Ele se afastou e olhou em meus olhos. Eu pus a mão direita em sua nuca e, sorrindo, fiz pequenos círculos imaginários com o polegar ali.

Steve voltou a pôr a mesa e, sem olhar para mim, falou:

– Eu... Andei pensando sobre o que está rolando conosco.

Permaneci em silêncio e sentei-me em um lugar à mesa perto de onde ele estava. Steve me olhou de relance e eu fiz um gesto para que ele continuasse.

– Você está bastante confusa, eu sei, até por quê, eu também estou. Não quero forçar a barra nem nada disso, ok? — Pegou em meu queixo e prendeu o meu olhar no seu — Mas eu não vou sair daqui, quando você quiser eu...

– Tudo bem... Obrigada — Sorri e dei-lhe um beijo no canto da boca.

Steve sorriu e se levantou.

– O que temos para o almoço? — Emmy (ou vaca sueca) entrou na sala de jantar com o nariz empinado e com seu sotaque irritante — Por sua causa — Apontou para mim — Estou com muita fome!

– Fico feliz por eu ser a causa do seu sofrimento.

Eu e Steve rimos, então Alice, Julie e Cameron juntaram-se a nós. Steve terminou de pôr a mesa e todos nos servimos da grande travessa de macarrão com queijo. Foi um almoço agitado e divertido, até mesmo com as provocações de Emmy, e percebi que vai ser muito difícil aturar essa garota por seis meses. Depois de algum tempo o ônibus escolar chegou e Cameron fez como sempre fazia: pegou a sua mochila e correu porta afora.

***

Eram 15:00 e eu já estava sozinha — Emmy estava roncando feito uma porca na cama improvisada que minha mãe preparou para ela em meu quarto, então não conta. Steve não quis ficar e nem as meninas, o que foi um alívio, por quê sou péssima quando o assunto é mentira e acabaria contado tudo, no momento em que me sentisse pressionada ou culpada.

Dei falta do meu celular e fui procurá-lo na mochila. Não estava lá. Olhei em todos os cantos do meu quarto e então todos os lugares da casa em que eu estive depois de ter chegado. Nada.

Peguei o telefone da minha casa e disquei o número do meu celular. Quase morri ao perceber que quem havia atendido era um homem.

– Alô? — Disse o cara.

– Oi, eu sou a dona desse ce-

– E aí, tampinha?

Ou melhor, quem o havia atendido era um idiota.

– Adam!? O que você está fazendo com o meu celular?

– Achei no meu carro. Espera um minuto?

Antes que eu pudesse responder ouvi o celular sendo deixado em algum lugar, então o som do chuveiro sendo ligado e um som familiar. Ouço este mesmo som quando estou enchendo a minha banheira.

– Você não vai tomar banho agora, vai? — Falei alto, esperando que ele ouvisse.

Escutei sua risada sexy ao fundo e repreendi-me internamente por ficar arrepiada. Espera! Sexy!? Mas o quê...? Eu acho que estou tendo um colapso mental, não é possível.

Ouvi o som de algo leve cair no chão e imaginei que fosse a sua camisa. Um tipo de metal tilintou e logo depois algo mais pesado caiu no chão. Lembrei do jeans que ele usava mais cedo... Okay, eu definitivamente estava tendo um colapso mental naquele momento, é a única coisa que pode explicar o motivo de eu ter me perdido nas lembranças da nossa loucura recente. Então o ouvi entrando na água e o chuveiro sendo desligado.

– Ainda está aí? — Perguntou.

– Claro, quero dizer, sim. Estou!

Eu gaguejei. Merda!

– Nervosa? — Provocou.

– Não. Mas é claro que não. Por quê estaria?

– Por eu estar com o seu celular... Ou talvez por eu saber que você está me imaginando nu, no banho.

Fiquei sem saber o que dizer por alguns segundos. Segundos demais. Que inferno de poder maldito esse garoto tem sobre mim?

"Ele te excita, Babi?" — Manifestou-se a minha consciência.

– Cala a boca! — Falei, alto demais.

– Não precisa ficar envergonhada, Babi. Já te vi semi-nua e tal.

Que Zeus me atire raios, mas eu não sei por quê acabei rindo daquela idiotice.

– Eu quero o meu celular — Voltei ao foco.

– Pode vir até a minha casa buscar.

– Está muito enganado se acha que eu vou entrar na sua casa.

– Nossa — Riu — Você fala como se eu tivesse te agarrado e não o contrário.

Revirei os olhos e repeti:

– Eu. Quero. O. Meu. Celular!

– Certo. Te vejo em uma hora no Pit's.

– Não vou sair com você. Não pode trazer aqui?

– Tenho cara de quem faz entrega a domicílio? Ah, e "está muito enganado se acha que vou entrar na sua casa" — Me imitou com a voz fina.

Bufei.

– Eu não falo assim.

– É assim que os Woompa-Loompas falam.

– Não é, não, seu idiota! Eles têm a voz grossa.

– Ah, foda-se. Para mim eles falam desse jeito. Digo, vocês.

– Babaca.

– Te vejo em uma hora no Pit's — Repetiu.

Eu não tinha escolha.

– Esteja com o meu celular.

– Até logo, Woomps.

Desliguei o telefone sem entender muito bem a última palavra que Adam dissera.

Tomei um banho quente e demorado, não estava com pressa para encontrá-lo. Vesti um short jeans de cós alto, uma camisa cinza customizada com o símbolo da reciclagem, um par de vans cor-de-rosa e deixei o cabelo solto, meio bagunçado. Quando me dei conta já estava atrasada, então peguei o skate e me dirigi ao Pit's o mais rapido que pude, antes que Adam desistisse de me esperar e fosse embora.

Assim que cheguei avistei Adam sentado em um banco em frente ao balcão dos milkshakes. Ele estava de costas, mas eu reconheceria o cabelo loiro e seus ombros largos em qualquer lugar. Me aproximei e sentei no banco ao seu lado.

– Conseguiu me tirar de casa — comecei, fazendo com que ele me olhasse — Já pode me devolver o celular.

– Quanto mal-humor — Retrucou — Já está com abstinência de mim?

Rolei os olhos e ele sorriu.

– Qual é, Babi. Toma um milkshake comigo?

Aquilo estava muito estranho.

– Okay, Adam, quanto você ganhou?

– Hã? — Indagou confuso.

– Não finja que não sabe do que estou falando — Ri e dei um soquinho no ombro dele — A aposta, sabe, aquela em que te ofereceram dinheiro para me pegar. Bom, você já a cumpriu, não precisa mais dar em cima de mim ou gastar o seu dinheiro comigo.

– Não teve aposta nenhuma — Ele disse, com uma expressão séria em seu rosto.

– Então você espera mesmo que eu acredite que, de uma hora para outra, depois de anos de pegadinhas e idiotices, você se deu conta que só fazia isso por que é perdidamente apaixonado por mim? Clichê demais, Adam.

– Não — Ele caiu na gargalhada — Você não é muito boa tirando conclusões, não é mesmo?

– Sério. O que está acontecendo afinal de contas?

– Talvez eu quisesse ficar contigo pelo simples fato de ser a única garota na escola que não sentia uma queda por mim-

– Corrigindo — O interrompi — Não sente.

Adam sorriu torto e continuou:

– Ou nós dois — Ele disse com ênfase — Descobrimos que toda essa nossa "rixa" é motivada por uma intensa, porém reprimida, atração que sentimos um pelo outro.

– De que livro de auto-ajuda você tirou isso? — Perguntei em meio a gargalhadas — Agora, por favor, me devolva o celular.

Adam me ignorou e chamou a garçonete.

– Um milkshake de morango, por favor — Pediu.

A mulher anotou e disse:

– E para a garota?

– Nad-

– Um ovomaltine — Ele me interrompeu e... Pediu o meu favorito.

A garçonete saiu e eu o encarei totalmente confusa. Adam voltou-se para mim e, sorrindo, perguntou:

– O que foi?

– Como você sabia que eu gosto de ovomaltine?

– Pelo menos um de nós tem que ser bom com palpites.

Respirei fundo, me levantei e disse:

– Olha só, Adam, obrigada e tal, mas eu não vou tomar esse milkshake. Primeiro: por que eu não trouxe dinheiro; e segundo: por que só vim buscar o meu celular — Estendi a mão e ele pôs o celular lá.

– Ok, Babi. Você é quem sabe, mas... O ovomaltine daqui vem com chantilly.

Aquilo me fez rir e pensar (eu amo chantilly, amo amo amo amo amo amo amo, parei). Pela primeira vez, Adam estava sendo legal comigo e eu sabia que não tinha nenhuma pegadinha por trás disso. Não por que ele me disse, eu simplesmente sabia. Me sentei novamente e não consegui evitar um sorriso.

– Você é um completo babaca.

– Você tem uma bela queda por babacas, tipo Steve e eu.

– Não tenho uma queda por você, Adam.

– Cara, você realmente não sabe mentir — Disse rindo.

Os milkshakes chegaram na hora certa. Beber e não falar, uma ótima aaleatórias para evitar besteiras aleatórias saindo da minha boca.

– Acho que isso é um recorde — Adam disse após um tempo.

– Como? — Perguntei.

– Nós dois, apenas conversando sem botar fogo no lugar, por mais de dez minutos.

"E sem estarem se agarrando numa sala de zelador, também!" — Disse a minha consciência e eu a ignorei.

– Definitivamente, um recorde.

Mais um momento de silêncio e então Adam o quebra.

– Tem uma coisa que não sai da minha cabeça há muito tempo...

– E o que é? — Perguntei.

– Por quê deu um soco na Kate? No corredor, quando fui expulso da sala de aula. Lembra?

– A-ah, sim. Eu não sei porque fiz aquilo. Como também não sei por que te beijei hoje e também não sei por que te ajudei na noite da festa da Hillary. A coisa é que com você... Eu não penso.

Me arrependo no momento em que as palavras deixaram a minha boca.

– Ér... Tchau, Adam.

Peguei meu celular e meu skate e saí da lanchonete. o sol estava se pondo e o céu estava lindo em tons de rosa e laranja, mas a minha cabeça estava em plena escuridão. Resolvi pegar um atalho para chegar mais rápido em casa. Quando estava prestes a entrar no beco que ligava a pista principal à área residencial de Chicago, Adam me alcançou.

– Esqueceu isso — Disse me estendendo o ovomaltine.

O peguei de sua mão e com o dedo indicador tirei um pouco do chantilly e levei à boca.

– Acho melhor não me provocar aqui — Adam falou olhando em volta.

Provocar? Não foi a minha intenção. Olhei em volta e vi um beco vazio e escuro. Estar ali com Adam não me parecia boa ideia.

– Por quê veio atrás de mim? — Perguntei.

Saímos do beco e nossos skates andavam lado a lado na rua mal iluminada.

– Também quero entender por que te segui até em casa e briguei com Steve, por que disse que era a minha namorada para afastar aquele cara no Pub e por que sempre acabo gastando o meu dinheiro com você.

Adam deu uma risada, eu tive um ataque de risos, que só passou após Adam me fazer descer do skate, me pôr sentada nos degraus da entrada de um prédio e me ajudar a beber o ovomaltine. Ele me encarava sentado ao meu lado.

– Nós somos estranhos — Falei.

E Adam me beijou, assim, do nada. Eu não o afastei, o que provou que somos muito mais estranhos do que eu imaginava. Não foi nada urgente como antes, na escola. Dessa vez nós só queríamos sentir um ao outro, cada movimento, cada sabor. Suas mãos em minha nuca e em minha cintura. As minhas em seus cabelos e acariciando a sua nuca. Só era possível ouvir as nossas respirações sincronizadas e o som dos carros que eventualmente passavam por ali. Pareceu que o beijo durou uma eternidade, mas assim que Adam o parou com alguns selinhos, olhei para o céu e ele estava do mesmo jeito.

Me forcei a olhar em seus olhos, talvez para buscar respostas ou apenas para me perder no lindo oceano azul que também me olhava.

– Nós somos muito estranhos — Ele disse me fazendo rir.

– Estamos perdendo a cabeça — Sussurrei.

– Pode confessar, esse foi o melhor encontro da sua vida.

Quase me engasguei com a minha — ou seria a nossa? — própria saliva.

– Encontro!? Nós não estamos saindo.

– Não é o que estamos fazendo neste exato momento?

– Se me forçar a te encontrar é o que você chama de convidar para sair, precisa rever os seus conceitos.

– Eu fui um perfeito cavalheiro, e já pode parar de ficar na defensiva, se não estivesse gostando teria me impedido de te beijar.

– Mas que porra ta acontecendo com a gente!? — Indaguei.

O silêncio reinou e Adam voltou a quebrá-lo.

– A coisa é que com você... Eu não penso.

Sim, isso se chama colapso mental. Nós dois compartilhamos da mesma doença e ao mesmo tempo. Vou procurar um psiquiatra.

"Terapia de casal?" — Vai à merda consciência!

– Preciso ir para casa — Falei me levantando.

– Voltaremos a nos odiar na escola?

– Isso aí — Respondi confusa.

Me virei para ir embora, mas meus olhos me traíram e voltaram a encontrar os de Adam. Meus pés fizeram a distância entre nós ficar cada vez menor e então a minha boca fez o caminho até a dele. Um beijo rápido, mas que deixou claro o quanto nós dois estávamos confusos. Nos separamos e nos encaramos. Adam sorriu e eu não pude acreditar que também o fiz. Subi no meu skate e fui em direção a minha casa quando ouvi a voz de Adam ao longe dizendo:

– Quando será o nosso segundo encontro?

E, sorrindo, respondi:

– Nunca!

Notas finais
E aí? O que vocês acharam? Me digam, por favor!!! Então deu pra perceber que ta todo mundo meio confuso aí né sjnskskakakdj Dêem sugestões, opiniões, críticas (construtivas, é claro) qualquer coisa, mas comentem! Ah, e leiam a segunda fic que eu escrevi, é uma one-shot, bem diferente de DB e me dêem as suas opiniões sobre ela também, o link é esse aqui: http://m.fanfiction.com.br/historia/461139/Let_me_go/ Eu não revisei o capitulo por motivos de ter tentado postar três vezes e estar muito cansada, qualquer erro me perdoem, eu to postando pelo celular pois estou sem computador. Bjos & Qjos, MiniCoisa.