Dois Bicudos
12 Julie Sparks e seus mistérios
Notas iniciais
Eu quero pedir imensas desculpas para vocês! Eu sou uma autora desnaturada, podem me bater, xingar, estrangular, esfaquiar... Sei lá. Façam o que vocês quiserem.
Eu estava totalmente desanimada e sem criatividade, mas então eu recebo uma luz :O Uma luz iluminante e iluminadora chamada Alison Divando que recomendou a fic *0* Eu fiquei louca, morri e depois ressucitei lendo a primeira recomendação da fic e a mais fofa de todas ( é a primeira então é a mais fofa ahsuahsuahs .-.)
Seja bem-vinda Otaku Girl 5, muito obrigada por ter favoritado a fic =D
Espero que não me abandonem por que eu nunca vou abandoná-las :*
Vamos ler?
Cheguei em casa rapidamente, cortei caminho por entre a loja de animais e o supermercado — Um atalho que descobri a pouco tempo — E não houve nenhum "imprevisto" que poderia me atrasar. É, hoje resolvi voltar só para casa, acho que não me sentiria à vontade no mesmo carro com Steve depois de ontem. Nem ao menos toquei no assunto de uma possível carona com Julie, e ela também não sugeriu.
Parei na calçada e peguei meu skate, andei até os fundos de minha casa e entrei pela porta da cozinha. Fui direto ao fogão para saber se o almoço já estaria pronto, minhas preces foram atendidas e minha mãe resolveu fazer o almoço na hora em que o almoço deve ser feito — Na minha casa costumamos almoçar às 15:00 horas da tarde, por ai. Imagine a minha situação — Passei pela sala e avistei minha mãe e Cameron sentados no sofá contemplando a TV.
– Como vai família ?
– Babi, que bom que já está em casa! — Disse minha mãe olhando para mim rapidamente e logo virando seus olhos para a TV novamente.
– Vou subir e tomar banho, ok?
Não obtive resposta, nem mesmo um murmúrio em corcondância.
– Vou aproveitar para me auto-mutilar enquanto estiver na banheira e depois me afogar...
– Claro filha, faça o que tiver que fazer — Respondeu minha mãe, balançando a mão no ar em sinal para que eu saísse dali, sem ao menos prestar a atenção no que eu falei.
Rolei os olhos e subi as escadas, cheguei em meu quarto e ao entrar tranquei a porta atrás de mim. Joguei a mochila na cama e fui para o banheiro, fiz o cabelo em um coque, me despi, liguei o chuveiro na água gelada — Eu detesto, mas é preciso — e entrei temerosamente embaixo da água fria.
Não queria lavar o cabelo e a água estava quase me congelando, então o banho foi rápido. Peguei uma toalha, coloquei em volta do corpo e fui até o guarda-roupas em busca de algo descente para usar em casa. Me vesti, soltei o cabelo e dei um jeito nele deixando-o solto.
Desci os degraus da escada de dois em dois para chegar logo ao térreo, era possível ouvir os roncos de minha barriga. Fui até a cozinha e preparei meu prato, sentei-me à mesa e comecei a devorar meu almoço.
POV Adam:
Saí do vestiário após ter tomado uma ducha, o treino havia sido bem cansativo e o técnico tem cobrado muito do time. Me despedi do pessoal e fui até o estacionamento. Apontei a chave para o carro e pressionei o botão que destrava o alarme, abri a porta e entrei. Liguei o motor e sai do estacionamento.
O trânsito estava bom, o que era estranho. Sempre que eu saía do treino era a hora do rush e haviam engarrafamentos até a avenida principal mais próxima de minha casa.
Passaram-se 10 minutos e eu havia colocado o carro na garagem e já estava assistindo uma série qualquer em um canal qualquer enquanto minha mãe preparava o almoço. Minhas pálpebras começaram à pesar, meu corpo acomodado ao sofá me fazia sentir uma sensação de conforto. Meus olhos se fecharam e eu os reabri rapidamente, então tudo escureceu.
***
Acordei num pulo, havia levado um susto com a campainha que indicava que recebi um SMS no celular. Era de Rick, e nela perguntava o seguinte:
Está tudo pronto para a noite? Ainda tem a identidade falsa ou precisa de outra?
Tenho tudo — Respondi — E você e Greg? Tem tudo o que precisamos?
Sim, está tudo sobre controle aqui.
Ótimo.
Me levantei do sofá e verifiquei a hora no grande relógio retrô que havia em uma das paredes da sala. Já passavam de 15:00 da tarde e eu ainda não havia almoçado, achei estranho minha mãe não ter-me acordado, mas tudo bem...
Fui até a cozinha, preparei meu prato, sentei-me à mesa e comecei a devorar meu almoço.
POV Babi:
Depois de uma hora assistindo dois episódios de 2 Broke Girls, senti o celular vibrar no bolso do shorts. O visor indicava que uma mensagem havia chego. Era de Greg, deveriam ser os tais "detalhes" que ele havia mencionado.
Encontre-me no camarote do Pub às 00:00, seu nome e de suas amigas estarão na lista. A entrada custa $20,00 dólares, mas com o nome na lista são apenas $10,00 dólares. Presumo que ainda seja menor de idade, se não tiver uma identidade falsa vá neste endereço:
505 North State Street. Ao lado do Hotel Palomar, você verá uma pequena loja de penhores. Entre e diga que precisa visitar o Goyle, provavelmente um moreno alto bombado lhe acompanhará por um corredor estreito nos fundos da loja e lhe aprensentará à Goyle.
Não tenha medo, é bem simples e rápido. Custa $80,00 dólares, mas se disser que eu lhe recomendei, receberá desconto.
Ah, ótimo. Havia esquecido completamente da identidade falsa. Agora eu teria que passear por um corredor estreito com um cara bombado que, provavelmente, trabalha para algum mafioso.
Nossa, como você é pessimista Babi.
Deus! Como faço para calar esta consciência que está dando impressão que tem vida própria?
Deixei minha consciência em segundo plano e respondi o SMS de Greg:
Obrigada pela dica, terei mesmo que ir fazer a identificação falsa.
Até mais tarde. :*
Imediatamente lembrei-me de Julie e Alice. Elas provavelmente também precisariam de identidades falsas. Disquei os números de Julie, depois de algum tempo ela atende.
– Fala, Babi.
– Oi Julie. Bem, Greg me indicou um lugar para fazer as identificações falsificadas. Você vai comigo?
– É... Sobre isso... Logo que cheguei em casa, vasculhei em algumas coisas em meu quarto e achei uma identidade falsa que fiz à alguns meses quando precisei ir à um... Festival para adultos.
– Ah sim. Vou ligar para Alice então. Até mais tarde.
– Até.
Cancelei a chamada e disquei os números do celular de Alice. Quando a chamada estava a ponto de ir para a caixa de mensagens ela atende.
– Me deixe adivinhar... Você estava dormindo. — Falei como se fosse a coisa mais normal do mundo. Para Alice era.
– Acertou. Se sabia, por que ligou? São 15:00 da tarde!
– Oh, desculpe por ter atrapalhado seu sono de beleza — Ironizei — Só acho que ele não está funcionando.
– Vai te catar, Babi!
Ri.
– O que você quer afinal? — Perguntou.
– Já sei aonde conseguir as identidades falsas.
– Onde?
– 505 North State Street, em uma loja de penhores.
– No centro?! Nem vem, passa aqui em casa e eu te dou o que vai ser preciso para fazer a minha.
– Hã ?! E eu vou ter que passar por um corredor estreito com um mafioso bombado sozinha?
– O quê?
– Aff, esquece. Eu chamo a Nelly. Ao menos ela tem carro.
– Ok, vou pegar as coisas e te esperar.
– Tudo bem. Até.
– Tchau.
Cancelei a chamada e enviei um SMS para Nelly, pedindo para que ela viesse até minha casa. Após meia-hora de espera ouço a campainha tocar. Praticamente arrastei-me até a porta, abri a mesma e dei de cara com uma Nelly completamente diferente de como a vi ontem. Seus olhos e o nariz estavam vermelhos, a boca ressecada e a pele morena estava pálida.
Ela se aproximou e me abraçou, seus abraços costumavam ser fortes e esmagadores, este fora apenas um pedido de ajuda. A envolvi em meus braços e apertei sou corpo contra o meu.
Lesbianismo modo On.
Cala a boca, cérebro! Não está vendo que ela está com problemas? Sério, tenho que começar a ignorar minha própria mente.
Você não consegue!
Respirei fundo duas vezes e voltei para a realidade. Afastei Nelly de mim e sequei suas lágrimas com o polegar. Eu não sabia o que estava acontecendo e nem o por quê de ela estar assim.
– O que aconteceu? — Perguntei.
– Brody... — Mal falou os soluços retornaram.
Nunca gostei de Brody. Nelly nunca me ouviu.
Acompanhei Nelly até o sofá e fui buscar um copo de água com açúcar na cozinha. Voltei e Nelly estava sentada no sofá com o olhar fixo no nada. Provavelmente perdida em seus pensamentos e mágoas, despertei-a e ela piscou fazendo com que algumas lágrimas que estavam prestes a cair, caíssem de uma vez. Entreguei o copo em suas mãos trêmulas e ela o levou até os lábios.
– Me conte o que aconteceu... Por favor. — Pedi.
Ela se recompôs e olhou em meus olhos.
– Brody... Ele disse que — Os soluços retornaram — Ele não me ama. Ele quer que sejamos apenas amigos...
– Nunca gostei desse cara.
– Eu sei. Você... Me avisou.
Nelly odiava admitir, mas sim, eu havia avisado a ela. Eu já conhecia Brody à muito tempo atrás, e conhecia todas as suas técnicas de "pegação". Ele se fingia de bonzinho para as garotas mas só queria seduzi-las e depois dar um pé na bunda delas. Eu tentei avisar Nelly, mas como sempre, ela não me ouviu.
– Olha... Vamos secar estas lágrimas e... — Tentei pensar em algo — Hoje vamos ao Pub Bodi.
– Não, eu não posso. Olhe para mim — Apontou para sua face inchada de tanto chorar.
– Eu não perguntei se você queria ir.
Um sorriso desajeitado brotou em seus lábios e eu sorri de orelha à orelha.
– Tem identidade falsa?
– N-não...
– Ótimo, por que você vai comigo fazer uma agora.
– Ok.
Me levantei e fui até a porta.
– Espera Babi. Você vai assim? — Disse, apontando para minhas roupas.
– Me espera aqui. Eu já volto. — Corri até o segundo andar e entrei em meu quarto. Peguei uma jaqueta, um par de coturnos e uma bolsa. Desci e dei uma volta a fim de que Nelly me desse sua opinião — Como ficou?
– Estranho.
– Perfeito!
Saímos da minha casa e fomos em direção ao carro de Nelly, um New Beetle azul conversível. A cara da Nelly.
***
Após 15 minutos estávamos paradas no sinal vermelho esperando no cruzamento da 505 North State Street. Já haviamos passado na casa de Alice e pego sua identidade, uma foto 3x4 e os $80,00 dólares.O sinal ficou verde e Nelly pôs o pé no acelerador, sendo que o nosso destino deveria estar há apenas 500m de distância, ela parou bruscamente em frente à loja de penhores. Se não estivesse usando o cinto de segurança, eu voaria para fora do carro.
Nelly estacionou na calçada em frente à tal loja. Descemos do carro, ela acionou o alarme e fomos até a porta da loja. Nela lia-se o seguinte:
"Loja de penhores dos Irmãos Goyle e Craig"
Coloquei a mão sobre a maçaneta, respirei fundo e abri a porta rapidamente. Ao fazê-lo o sino que havia em cima da porta tocou e o senhor que estava no balcão abriu um sorriso amigável para nós. Entramos e fomos até o balcão.
– Boa tarde senhoritas. Sou Craig. — Disse o simpático senhor.
– Boa tarde — Respondi — Eu sou Babi e ela é a Nelly.
– Bom, em que posso ajudá-las?
– Nós... Viemos falar com o Goyle — Respondi hesitante.
Craig levantou as sombrancelhas e abriu um sorriso sombrio. Ele pegou um telefone antigo e girou a pequena roleta para que chegassem aos números que ele escolhia.
– Goyle? Visitas para você. Duas adolescentes — Ficou em silêncio por um momento e depois dirigiu-se à nós — Vieram a mando de alguém?
– Um colega meu me falou deste lugar e ele também me disse que vocês têm o que eu preciso — Respondi com uma confiança que eu não achava que tinha.
– E quem seria o seu colega?
– Greg Thomas.
Os olhos do senhor demonstravam um grande interesse em o que queríamos ali.
– Elas vieram por indicação de Greg Thomas — Voltou a dirigir-se para Goyle.
Ele pôs o telefone de volta no gancho e nos olhou de uma forma tão sombria quanto o sorriso que estava em seus lábios. Fiquei confusa, pois, depois do telefonema ele ficou nos fitando e não disse uma única palavra.
Um minuto depois ouço o ranger de uma porta, mas eu não via porta alguma. O relógio de pêndulo ,que ficava ao lado da bancada onde Craig estava, se abriu feito uma porta e de lá saiu um homem. Alto, moreno e bombado. Exatamente como Greg dissera.
– Scoot, leve-as até Goyle.
O homem apenas fez que sim com a cabeça e abriu passagem para nós. Entramos e o relógio\\porta secreta se fechou novamente. Estávamos em corredor estreito e sombrio, haviam algumas lâmpadas precáriamente penduradas no teto e a maioria não estava funcionando.
– Babi... Estou com medo — Sussurrou Nelly ao meu ouvido enquanto seguíamos Scoot.
– Fique calma — Sussurrei de volta.
O homem parou bruscamente em frente à uma porta de aço que ficava no fim do corredor. Ele bateu na porta algumas repetidas vezes, percebi que deveria ser algum tipo de código ou senha. A porta se abriu e avistamos uma grande e oval sala, que mais parecia com a do presidente dos Estados Unidos.
No centro dela encontrava-se uma mesa de mogno com vários papéis e atrás dela havia uma grande cadeira de couro. Nela estava sentado um homem com, aparentemente, trinta anos. Bonito para a idade — Muito bonito — e sustentava um olhar cínico para nós.
– Boa tarde senhoritas — Disse o homem em tom de interesse.
– Boa tarde... — Respondi tentando parecer firme.
– O que as trás aqui? — Perguntou levantando-se de sua cadeira, ele deu a volta na mesa, parou em frente à ela e sentou-se na mesma.
Scoot nos segurou pelos ombros e fez com que nos aproximassemos do homem.
– Nós queremos identificações falsas — Falou Nelly, finalmente saindo de tras de mim.
– Que tipo de identificação? Certidão de nascimento, certidão de casamento, identidade?
– Identidade — Falei.
– Sim, claro. São $60,00 dólares cada uma. Elas saem em meia hora — Falou o homem enquanto voltava para sua cadeira — Scoot. Chame o assistente.
– Sim, senhor Goyle — Respondeu indo em direção à uma porta que havia no canto esquerdo da sala.
Um silêncio pairou sobre nós. Evitei olhar para Goyle, que diferentemente de mim e de Nelly, nos encarava constantemente. Aquilo já estava me deixando completamente desconfortável.
– Oh — Disse o homem nos assustando — Como sou mal educado! Sou Goyle — Estendeu a mão para mim.
– Sou Babi — Estendi a mão e apertei a dele, então ele estendeu a mão para Nelly.
– Eu sou Nelly...
– Que droga! Este novo assistente é mesmo um imprestável. Quanta demora! — Reclamou Goyle.
Dito isto a porta pela qual Scoot havia entrado algum tempo atras foi aberta e um rapaz de estatura mediana e olhos azuis saiu de lá, acompanhado pelo moreno bombado. Espera...
– Dave?! — Indagamos eu e Nelly em coro. Estava tão confusa que nem procurei algo verde em que pudesse tocar.
– Nelly? Babi? — Perguntou Dave em resposta — O que estão fazendo aqui?
– A pergunta é: O que você está fazendo aqui? — Disse.
– Eu trabalho aqui!
– E quanto à lanchonete da sua tia? — Perguntou Nelly.
– Convenhamos... Lanchonete não combina nem um pouco comigo.
– Ei, ei. Que cena linda, os amiguinhos se encontrando no shopping — Ironizou Goyle, fazendo uma cara de tédio após fingir empolgação — Que tal tomarem um sorvete enquanto contam as novidades?
Rolei os olhos. Realmente infantilidade não tem idade.
– Desculpe, Sr. Goyle — Disse Dave — Aqui estão os documentos — Colocou os papéis na mesa e se afastou.
– Bom... Vamos aos negócios — Falou Goyle.
***
Era hora de agir. Combinei com Nelly de enrolar a minha mãe e ir dormir na casa dela. Dona Luce nunca iria deixar a filha ir em um Pub para maiores. Nem adiantaria falar para ela que é uma matinê para adolescentes, meus pais frequentam a maior parte dos Pub's de Chicago, — Os Pub's requintados, claro — Ninguém merece. E eu não posso, quem entende?
Minha mãe tem trinta e dois anos, já meu pai tem quarenta. Sim, eles foram pais bem cedo, mas nada disso vem ao caso. Agora eu preciso falar com a minha mãe.
Respira, Babi. Relaxa.
Fui até a cozinha e minha mãe estava na bancada batendo massa de bolo de chocolate, mas ao mesmo tempo estava no Facebook pelo celular. Ela é mais viciada que eu.
– Mãe? — Chamei.
– Hmm... — Murmurou em resposta.
– Eu... Posso dormir na casa da Nelly hoje?
Nenhuma resposta.
– Mãe?
Cri, cri.
– Mãe! — Gritei.
– O que foi Babi? — Respondeu irritada, finalmente largando o celular.
– Será que eu posso dormir na casa da Nelly hoje?
– Por quê você quer ir dormir na casa da Nelly?
– Ué... — Pensa Babi — Ela...
Ela é sua amiga e você não dorme na casa dela já faz tempo, que mal há?
Consciência! Finalmente você serviu para algo.
Fala logo para a sua mãe!
Ah, é...
– Ela é minha amiga, oras. E já faz algum tempo que eu não vou na casa dela.
Minha mãe ficou em silêncio por alguns segundos e então se virou para mim e respondeu:
– Pode-
– Obrigada mãe! — A interrompi e já ia saindo da cozinha quando...
– Espere aí, mocinha!
Droga!
– Sim? — Respondi amávelmente para que ela não mudasse de ideia.
– Mas... — Dona Luce e seus "mas" — Cameron é seu o fim de semana inteiro.
– Mãe! É apenas uma noite, tenho que pagar com o fim de semana inteiro?
– Ok, ok. Amanhã a noite. Eu e seu pai iremos à uma reunião entre amigos.
– Conheço essas reuniões... — Murmurei.
– Como?
– Ah... O cheiro está bom, hein.
Saí o mais rápido que pude da cozinha e me joguei no sofá. Logo depois um duende loiro pulou em cima de mim. Não, era só a peste do Cameron mesmo.
– Sai, peste! — Gritei empurrando Cameron, que caiu no chão.
– Babi, não chame seu irmão assim — Gritou minha mãe da cozinha.
Agora ela ouve?
– Gorda! Babi é uma gorda! — Cantarolou Cameron.
– Cala essa boca — Joguei uma das almofadas em Cameron e começei a trocar os canais procurando algo para assistir.
– Coloca no desenho? — Pediu.
– A gorda aqui não conhece os canais de desenho.
– É o oitenta e nove — Falou mostrando os números com os dedos.
Eu não consigo resistir, ele é um fofo. Como essa peste consegue ser tão fofa? Quando percebi a musiquinha irritante do comercial do canal de desenhos estava tocando. Como sou fraca.
– Não vai agradecer não? — Perguntei.
– Vou... Não — Riu.
– Pirralho — Empurrei sua cabeça e ele caiu no sofá. Tentou jogar uma almofada em mim, mas eu já havia corrido escada acima.
Entrei em meu quarto fechei a porta e me certifiquei que a havia trancado. Fui até o banheiro e fechei a porta do mesmo, tirei meu celular do bolso de trás do shorts e disquei os números do celular de Nelly. Mal chamou e ela já havia atendido:
– Babi?
– Oi, Nelly.
– E aí? Como foi? Enrolou a sua mãe?
– Claro — Respondi convencida — Mas em troca terei que cuidar de Cameron amanhã à noite. Minha derrota...
– Que droga, hein. Mas esqueça de amanhã, hoje vamos à um Pub. Não... O Pub.
– Nossa. Seu humor já não é o mesmo de hoje cedo.
– Claro que não! Resolvi que não tenho que me remoer por... — Pareceu procurar por alguma palavra adequada — Nada.
– É assim que se fala!
Rimos.
– Então, à que horas você vem?
– Daqui a pouco estarei saindo de casa.
– Ok... Ah, já estava me esquecendo. Alice também virá.
– Tudo bem... Vou arrumar minhas coisas. Até logo.
– Até.
Voltei para meu quarto e tratei de arrumar minha mochila o mais rápido possível.
Temos um pequeno problema...
E qual seria?
Seu pai sabe que vai para a casa de Nelly?
Merda! Meu pai iria me esfolar viva se eu saísse de casa sem o consentimento dele.
Eu sei disso.
O que deu em você, cérebro? Está prestativo demais hoje.
Bom, se quer que eu volte ao normal...
Não, não. Está ótimo assim.
Peguei meu celular novamente e liguei para meu pai, que ainda está no trabalho. Bem, ele sempre está lá.
– Alô? — Atendeu.
– Pai? Sou eu, Babi.
– Tudo bem, filha?
– Sim... Pai?
– O quê?
– Pai...
– O quê?
– Papito...
– Não.
– Não, o quê?
– Não vou te dar nada.
– Ai pai, deixa de ser pão-duro, eu não quero que me dê nada.
– Então o que quer?
– Posso ir dormir na casa da Nelly hoje?
– Pode.
– Obrigada paizinho.
– Menos um para jantar. Sobra mais para mim — Riu.
– Ha-ha, sem-graça. Isso explica a sua pança — Ri.
– Acho que alguém quer ficar sem mesada este mês...
– Quem? Eu não conheço esta pessoa — Ironizei.
– Preciso voltar ao trabalho. Te amo, filha.
– Também te amo pai. Obrigada.
– Tchau.
– Tchauzinho.
Desliguei a chamada e voltei a arrumar as minhas coisas. Então percebi que estava encharcada de suor, peguei uma calça legging preta e uma camisa também preta da banda Paramore e deixei sobre a cama, separei meus Vans vermelhos e os deixei no chão próximo a cama. Fui até o banheiro e entrei no box.
Algum tempo depois eu já havia me despedido da família e estava na rua, fazendo o mesmo caminho que faço para o colégio. Apenas eu, meu skate e minha mochila.
E eu.
Ignorei meu cérebro e continuei prestando a atenção nas ruas. Já era noite, na verdade, já não era mais possível ver o sol mas o azul-claro do céu ainda era visto ao longe, as trevas vinham lentamente e os postes de luz das ruas iam acendendo suas lâmpadas, um a um na estrada principal. Às vezes o céu é capaz de nos hipnotizar, não o encarei por muito tempo, voltei meu olhar para a rua e na esquina já era possível ver o muro branco e azul do colégio.
Virei a esquina e passei rapidamente em frente ao colégio. A casa de Nelly ficava duas ruas depois do prédio de quatro andares que sou obrigada a frequentar o ano inteiro.
Esse prédio seria a escola não é?
Ai, cérebro! Por quê você tinha que voltar a ser lerdo? É obvio que é a escola.
Não consigo ser prestativo por mais de duas horas.
Por quê eu Senhor?
Quando percebi já estava quase passando da rua de Nelly. Fiz uma curva loucamente acrobática e consegui entrar a tempo na rua. Tudo isso sem cair do skate.
Ainda bem né. Senão teria caído, metido a cabeça no meio-fio e teria me danificado.
Impossível te danificar mais. Defeito de fábrica é foda...
Não é de fábrica. Isso é tudo culpa sua, ok?
Aff. Cala a boca consciência.
Parei em frente o prédio em que Nelly morava e apertei o interfone do apartamento dela.
– Sim? — Respondeu ao atender o interfone.
– Nelly, cheguei.
– Ok, Babi. Vou destravar a porta.
– Ok.
A porta fez um chiado ao ser destravada e eu entrei no prédio de cinco andares com precários apartamentos, mas ótimos para Open house. Nelly deu uma dessas festas quando se mudou para cá, foi completamente incrível. Agora ela tem 18 anos, seus pais e irmãos foram para o Brasil quando ela tinha 16, foi uma luta para convencê-los à emancipá-la e deixar que ela vivesse aqui. Sozinha. Acho que isso foi o que ela sempre quis, ela nunca gostou de ter que obedecer seus pais e aguentar seus irmãos. Mas nada disso quer dizer que ela não recebe uma boa quantia em dinheiro de seus pais todo mês, que sempre quando é possível, fazem um esforço para vir visitá-la.
Subi as escadas até o terceiro andar e segui até a metade do corredor. Aparatamento 39B, era o de Nelly. Bati na porta, que abriu ao meu toque. Lembrei-me que Nelly sempre a deixava aberta quando alguém estivesse subindo para não ter que para o que estava fazendo para ter que fazê-lo. Uma bobagem, mas Nelly é assim.
Entrei e vi Nelly jogada no sofá com o notbook no colo. Ela sentiu minha presença e virou o olhar para mim.
– Ainda bem que chegou. Temos muito o que fazer.
– Pois é...- Joguei-me no sofá, juntando-me a ela.
Pulamos ao ouvir uma buzina de carro na rua. Levantamos ao mesmo tempo e fomos até a janela ver de que se tratava. Um ponto vermelho em uma Mercedes preta conversível... Alguém adivinha o que é? Eu quase tive uma parada cardíaca ao ver que era Alice dirigindo aquele carro.
– Prontas para a festa? — Gritou ainda no carro.
– Sobe aí, louca! — Respondeu Nelly, indo destravar a porta para Alice.
Momentos depois Alice adentrava o apartamento ofegante.
– Quanta escada! — Reclamou jogando-se no tapete felpudo da sala.
– Sedentária — Disse.
– Sou mesmo.
– De. Quem. É. Aquele. Carro? — Perguntou Nelly animada.
– Mackena — Alice respondeu.
– Como assim? Ela te emprestou o carro?
– Babi... Como você é ingênua.
– Pelo que eu sei, Mackena também foi convidada para o Pub...
– Sim.
– E você acha que ela não vai dar falta do carro?
– Não.
– Ela vai te matar.
– Não se eu matá-la antes.
– Ok, meninas. Alice já pegou o carro da Mackena, já era. Agora temos que nos arrumar!
– Antes vou ligar para Julie.
– Ok — Responderam.
Peguei o celular na mochila e disquei o número de Julie.
– Julie?
– Oi Babi.
– Como vai ser? Vai nos encontrar em frente ao Pub?
– Depende... Tem algum carro envolvido na história.
– Sim, na verdade, dois carros.
Ouve silêncio. Apenas vozes eram ouvidas ao fundo mas não consegui ouvir nada da conversa. Algum tempo depois sem nenhuma resposta de Julie resolvi chamá-la:
– Julie?
– Desculpe Babi. Eu estava falando com Steve.
– Ah sim... Então, nós te buscamos ou você vai sozinha?
– Já arranjei transporte...
– Hãn?
– Encontro vocês lá...
– Você vai com quem Ju-
O som da chamada sendo finalizada fez com que eu deixasse o fim da frase ao vento. Julie desligou na minha cara! Como assim?!
– E aí, o que vocês resolveram? — Perguntou Alice.
– Pelo o que eu entendi, Julie arranjou carona.
– Com quem? — Perguntou Nelly.
– Ela desligou antes que eu pudesse perguntar.
– Ui... Julie Sparks e seus mistérios — Disse Alice.
– Mas ela estava falando com Steve então... — Murmurei.
– O que disse Babi? — Perguntou Alice.
– Nada...
– Ok, meninas! São 22:00 em ponto, todo mundo ao trabalho.
Ajudei Alice a se levantar do chão e fomos para o quarto de Nelly nos aprontar. É incrível como maquiagem pode transformar três zumbis em seres humanos. Seres humanos feios. Mas é maquiagem e não magia.
Notas finais
O nome ficou uma bosta por que eu estava sem ideia '-'
Me matem, me xinguem e orem para eu passar na prova de aprovação da escola nova!
Obrigada amores *-*
Beaj's,
MiniCoisa :*
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