Dogma
10 Goodbye Days
Notas iniciais
3 anos e 6 meses atrás.
Deitou-se sobre o peito dele sentindo sua cintura ser contornada pelo braço que a prendia contra a pele quente e suada pelo esforço das últimas horas. Desceu seu olhar para baixo onde o fino lençol negro tapava a nudez de Sasuke.
— Se continuar olhando dessa maneira, não vamos dormir tão cedo – a voz rouca disse no seu ouvido e ela não pode deixar se sorrir.
Não seria uma má ideia.
Sakura passou os dedos pelo abdômen dele contemplando o bom físico que a profissão tinha dado a Sasuke com o passar dos anos.
— O que foi?- ele perguntou pegando a mão dela para entrelaçar a sua.
— Prometemos que não íamos mais deixar isso acontecer – Sakura respondeu.
— Sim... Há mais de um ano- Sasuke ajeitou-se para poder encará-la –Mas depois eu percebi que estou pouco me fodendo pros outros-
— Mas está me fodendo- Sakura disse divertida.
— Exatamente – Sasuke mordeu a orelha dela – E vou atirar em quem ousar tirar isso de mim-
Sakura o encarou não vendo uma gota de dúvida no rosto de Sasuke sobre o que ele dizia. Passou a mão pelo rosto dele que fechou os olhos ao toque dela e sorriu ao perceber que faria o mesmo. Que o círculo explodisse e se alguém quisesse tentar algo contra algum dos dois, eles enfrentariam.
— Que bom que eu atiro melhor que você então- Sakura alfinetou vendo ele abrir os olhos e fitá-la sério.
—Ninguém encosta no que é de um Uchiha... – Sasuke disse firme.
— Uh- Sakura mordeu o lábio antes de ser beijada pelo moreno – Tsunade... Disse que eles não... tem intenção de... Ah... De fazer algo contra... nós – disse com a respiração pesada enquanto os beijos dele desciam pelo pescoço.
— Queria ver tentarem- murmurou antes de beijar o seio que já estava descoberto.
Sakura fechou os olhos ao toque da língua quente em si, ele beijava enquanto o outro era massageado eroticamente. Sasuke lambia, mordia, chupava seu mamilo a incendiando novamente para ele, não se cansava dessa sensação.
Sasuke desceu a boca deliciando-se na pele que já tinha seu perfume, fazendo seu ego inflar por isso. Plantou um beijo acima do umbigo dela, mostrando todo o sentimento, amor, excitação que ela fazia-o sentir.
— Vamos morar juntos – ele disse não dando espaço para que ela negasse – Vou te ter na minha cama todos os dias... Farei de você uma Uchiha e minha mulher-
Sakura quis dizer alguma coisa, mas ao sentir a língua de Sasuke toca-la no seu centro tudo nublou-se e ela apenas entregou-se de corpo e alma ao Uchiha.
oOo
Jogou a mochila em cima da cama de casal bem arrumada e suspirou olhando para o cômodo. Já estava lá a algumas horas e se recusava aceitar que não tinha achado nada ainda, nenhum documento ou arquivo sequer.
Havia revirado todo o escritório do Uchiha e reorganizado o cômodo sabendo que o mínimo detalhe fora do lugar chamaria atenção do homem quando retornasse. Com certa dificuldade entrara no computador do mesmo trazendo uma certa diversão para a Yamanaka que sentia-se com o ego alto por mais uma infiltração nos sistemas criados por Naruto.
Sentou-se no chão passando a mão pelo rosto, fazia tempo que Shikamaru não se manifestava, mas sabia que o Nara estava atento e fazendo o próprio trabalho.
— Eu sou Sasuke Uchiha e além de extremamente misterioso tive um relacionamento de anos com minha até então principal rival e sumi por dois anos deixando ela na fossa, onde eu o senhor babaca guardaria coisas suspeitas dos últimos anos?- Ino dialogava sozinha.
Levantou-se mais um vez pronta para continuar a procura, abriu as gavetas dos criados mudos, as cômodas que apenas continham peças de roupas.
— Impossível ele não ter um case de armas sequer aqui!- Ino disse irritada abrindo o roupeiro de portas de correr e arregalou os olhos –Oh... Kami-sama-
Estendeu as mãos até as peças de roupas, algumas conhecidas outras ainda com etiquetas, mas todas organizadas de uma forma única, as roupas de Sakura. Peças de roupas separadas para o apartamento novo comprado meses antes de Sasuke ir embora.
Franziu a testa, lembrava-se quando a amiga a chamara para conversar e até mesmo nervosa lhe contou sobre a vontade que ela e Sasuke tinham de morar juntos ainda naquele ano. Nunca chegou a se mudar definitivamente, como ambos tinham ainda receio de alguma represália do círculo faziam tudo discretamente. Sabiam que alguns “companheiros de profissão” poderiam considerar uma ameaça dois dos maiores estarem juntos afinal era perigoso para eles e também para Sasuke e Sakura, qualquer um poderia usar o par para atingir o outro.
Passou a mão pela manga do casaco cor de vinho, lembrava-se de Sakura o usando algumas vezes e torceu a boca, se esquecendo do quanto havia se envolvido naquilo. Riu lembrando do susto quando Sasuke apareceu no apartamento pela primeira vez como um civil e a loira pelos poucos minutos que ele ficara na sua sala esperando Sakura esteve pronta para contra atacar qualquer coisa que o Uchiha ousasse fazer. Mas no fundo não podia deixar de se compadecer com tudo que Sakura passou depois que Sasuke sumiu... Ver ali uma realidade que ambas negavam ter acontecido era um tapa na cara da Yamanaka e isso a fez lembrar do porquê estava ali.
Ia resolver tudo aquilo e talvez conseguisse fazer Sakura sentir um pouco de paz consigo mesma e as feridas do coração da amiga começassem a cicatrizar.
Em um ato automático, passou alguns cabides para o lado vendo o que havia de Sakura ali, soltou o tecido da mão pronta para voltar ao trabalho quando os olhos azuis fitaram o fundo do armário, ao invés da madeira branca como todo o revestimento interno dele, atrás das roupas de Sakura era uma parede negra. Rapidamente recuou todos os cabides abrindo o espaço a sua frente e sorriu ao tocar a madeira, os dedos finos percorreram toda a superfície até sua borda e para a felicidade de Ino elas acabaram antes do que deveriam mostrando que não faziam parte do móvel.
Com cuidado pressionou a tampa de madeira e um estralo soou antes da mesma cair para frente, Ino segurou a tampa, mas sua atenção toda estava para o cofre que era escondido ali.
— Shikamaru – A loira chamou baixinho como se ao menor dos barulhos tudo ali fosse desabar.
"Hn" o outro resmungou no comunicador.
— Acho que eu encontrei – A Yamanaka disse.
oOo
Suigetsu entregou uma folha para cada um assim que Sasuke e Sakura sentaram-se a mesa a sua frente.
— Sério, vocês dois não merecem a fama que tem – Suigetsu disse entediado – Foram passados para trás por uma ganguezinha chinela-
Sakura levantou uma sobrancelha irritada com o jeito debochado do homem.
— O grupo é composto por seis pessoas – Karin ajeitou o óculos com um dedo antes de cruzar os braços ignorando a careta que Suigetsu fez por ela ter assumido – O raciocínio de vocês não estava errado por completo. Como Sasuke me disse ontem, realmente eles estão tendo apoio da família Sarutobi. O garoto realmente está metido nessa sujeira, mas não são os cabeças – a ruiva abriu uma imagem no notebook e virou para os outros – Quem invadiu sua casa Sasuke, foram três adolescentes de quinze anos, Kohonamaru Sarutobi e os irmãos Udon e Moegi Ebisu –
Sasuke observava tudo quieto, mas era visível o desgosto que sentia ouvindo tudo aquilo.
— Continue – apenas disse.
— Bem... Os três são conhecidos por pequenos crimes, furtos, invasões à domicílio, brigas entre grupos colegiais. O tio do garoto é delegado e acaba limpando a barra dos moleques- Karin deu de ombros – Há um ano um homem de cabelos grisalhos acompanhado por uma mulher apareceu até a casa do senhor Sarutobi dizendo que tinham conhecimentos dos atos de Konohamaru e seus amigos e ameaçaram o senhor de idade entregar os três para o conselho juvenil japonês, algo grande demais para Asuma segurar – apertou na seta que trocou da imagem dos três adolescentes para três adultos – Kakashi Hatake e Nohara Rin-
— A mulher dos documentos do galpão – Sakura recebeu um aceno positivo de Karin.
— Vocês vão conhecer o que vem a seguir. Falaram para o senhor Sarutobi que eles podiam ajudar os três, que conheciam pessoas com o mesmo talento que os garotos e que podiam trazer muito lucro para ambos – Karin suspirou – O círculo –
— Obviamente para bons entendedores como nós, sabemos que não é bem assim que alguém entra no círculo. Isso é mais parecido com alguém sendo chamado para participar do x-men – Suigetsu sentou na mesa – Mas para leigos, isso certamente pareceu um bom negócio, principalmente depois da maleta que Sarutobi recebeu. O casal obviamente não faz parte do circulo, um casal de golpistas -
— Eles deram todo o suporte que os garotos precisavam – Sasuke deduziu e Suigetsu acenou positivamente – São fantoches –
— Exatamente! Os garotos roubavam, o trio tirava lucro – Suigetsu respondeu.
— Quem é o terceiro? – Sasuke o interrompeu encarando a imagem na tela.
— É ai que fica muito mais interessante – Suigetsu sorriu para Sakura que estava seria – Se anime, princesa! –
— Continue – Sakura suspirou.
— Sasuke, essas joias que estão na sua família a anos são conhecidas, porém não todas e muito menos o valor exato. Já que todas foram feitas a pedidos de Uchihas e assim seguiram toda essa tradição babaca de família rica – Suigetsu rolou os olhos – Me desculpe, é verdade – deu de ombros – Logo, o conteúdo exato daquele cofre poucos sabiam –
— Alguém de dentro da casa dos meus pais? – Sasuke disse.
— Não – Suigetsu deu zoom na terceira pessoa – Alguém da sua família –
— Uchiha Obito – Karin respondeu a pergunta silenciosa de todos os presentes – Obito tinha poucas ações nos negócios da família, porém dez anos atrás perdeu tudo em um mal negócio, um prejuízo de milhões de ienes para seu pai e seu tio Madara. Obito clamou por uma segunda chance porém essa o foi negado e o seu primo de terceiro grau foi para lama e sem apoio algum da família –
—Ouch – Suigetsu exclamou – Já imagina o que aconteceu não é? Obviamente ele não espera que os filhos de Fugaku estejam muito bem informados sobre o mercado negro –
Sakura ao ouvir aquilo sentiu algo remexer em seu estômago, as mãos suavam frio enquanto pelo canto do olho viu Sasuke franzir a testa.
—Onde estão? – Sakura manifestou-se – As joias, onde estão? –
— Não sabemos – Karin deu de ombros –Mas sabemos onde os moleques estarão hoje à noite –
— Vamos pra festa, princesa – Suigetsu levantou os braços – Não me olhe assim, Sasuke! –
— Continuando – Karin suspirou –Os três estarão em uma casa noturna no centro de Nagoya, os pegamos, pegamos Obito e o grupo e as joias –
— Perfeito – Sakura levantou-se e andou até o quarto, pegando sua mala para preparar-se. Não precisou olhar para trás para saber que estava sob os olhos do Uchiha.
oOo
Ino estava sentada no chão de carpete cor de areia, em sua volta documentos e algumas pastas além de um notebook a sua frente. Tirou o pendrive para por outro e mais uma vez olhar arquivo por arquivo enquanto lia ao mesmo tempo os papéis em suas mãos.
Uma mão foi a frente da boca depois de um suspiro pesado sair de sua boca, mas não diminuindo a sensação terrível que sentia ao ler tudo aquilo a sua frente, registros de e-mails, depósitos bancários e imagens de pessoas que jamais vira.
Sua mente dividia-se em ler tudo àquilo com atenção, registrar cada coisa importante ali e digerir aquilo tudo.
Como contaria aquilo para Sakura?
— Ino? – Shikamaru a chamou, fazia quase duas horas que a loira havia se calado.
— Oi – Ino disse rouca.
— Quer que eu vá ai? – Shikamaru perguntou com tom preocupado, Ino já havia lido algumas partes em voz alta para que ele escutasse e desde então a mente do Nara não parava de funcionar.
— Oh não – Ino passou a mão pelo rosto – Eu... Puta merda, não sei o que fazer –
— Esperar Sakura chegar? – Shikamaru disse e no fundo realmente esperava que a amiga fizesse isso.
— Com certeza não! Sakura precisa saber disso! Ela está sofrendo o tempo todo e tem direito! – Ino esbravejou – Eu quero dar um soco naquele nariz bonito do Uchiha! –
— Pegue o que precisa e vamos ver isso juntos, Gaara está parado na frente do prédio ainda – Shikamaru correu os olhos pelas telas vendo o carro do ruivo ainda lá — Já temos o que viemos buscar
— Ainda não – Ino resmungou vendo os históricos de emails – Filho da puta!-
oOo
Sakura amarrou o cadarços da bota sem salto que vestira. Não era sua preferida, realmente gostava de usar saltos pela sua altura, mas quando saía a trabalho não podia dar-se ao luxo.
Levantou-se da cama e passou a mão pelas roupas tirando o amassado. O quarto estava silencioso, mas sua mente parecia milhões de vozes falando com ela ao mesmo tempo.
Apoiou a cabeça em uma das mãos deixando-se levar enquanto observava uma parte sem graça do teto de gesso.
— Ah chère- ele sussurrou arrastado— Jamais haverá outra –
— Quando tudo acabar nós vamos conversar Sakura –
— E então eu farei você gemer como eu tanto desejo e irei satisfazê-la como nenhum outro jamais conseguiu –
Balançou a cabeça jogando para longe a noite passada. Não podia deixar aquilo a afetar, logo iria para casa.
— Chère? – o ouviu chamá-la.
Sakura virou o rosto para encará-lo, estava parado na divisa entre o quarto e a sala do apartamento, usava uma camisa social negra com o par de jeans e tênis.
— Estou pronta – avisou colocando a pistola escondida na calça.
— Hm – Sasuke resmungou a observando ir em direção à porta atrás de si –Sakura- a chamou quando passou ao seu lado.
— Fala – Sakura parou ao lado do Uchiha.
Ficaram em silêncio sem encarar um ao outro. Sakura não pôde ver, mas Sasuke tinha as mãos fechadas em punhos ao lado do corpo antes de virar-se para ela que sentia o ar pesado os envolver.
Sakura o observou se aproximar com os olhos sem desviar dos seus quis reagir, mas sentia-se presa ali como se seu corpo não atendesse suas vontades e sim as de Sasuke.
— O que foi, Uchiha? – Sakura conseguiu dizer antes do toque dos dedos dele percorrer seus braço até a clavícula – Sasuke... O que você quer?-
Sasuke sorriu de canto, uma risada nasalada de certa forma angustiada.
—O que eu quero?- Ele repetiu baixo aproximando seu rosto do dela e o nariz percorrendo a lateral no rosto sentindo a pele quente de Sakura – Eu sempre quero você –
Sakura fechou os olhos com força sentindo a boca dele traçar sua mandíbula.
— Ei, Sasuke! – Karin abriu a porta do apartamento fazendo Sakura afastar-se bruscamente de Sasuke –Oh... — a ruiva ajeitou os óculos.
Sakura encarou a mulher que ainda segurava a maçaneta da porta, sabia que não escondia a raiva que sentia e não se importou se ela percebesse ou não, sentia sua mandíbula trincar-se de modo automático buscando a calma que não habitava em si no momento.
— Estamos prontos – Karin avisou desviando seu olhar para Sasuke.
— Estamos descendo – Sasuke respondeu frio – Sakura?- ele a chamou quando a rosada caminhou até Karin fazendo a ruiva dar um passo para o lado para que Sakura passasse.
— Vou na frente – a Haruno respondeu antes de sumir no corredor do hotel.
oOo
Sakura caminhava em passos firmes pelo corredor. O som abafado pelo imenso tapete vermelho que revestia o chão por onde passada.
— Puta francesa – Murmurou apertando o botão para chamar o elevador, uma, duas vezes até desistir e ir para as escadas.
Diferente dos corredores do hotel, a área das escadas era escuro e gelado, as paredes sem pintura deixando o cinza do concreto a mostra. Sakura descia deslizando os dedos pela superfície áspera do corrimão de ferro.
Internamente agradecia por aquilo, não gostava de ir para um serviço com a mente cheia, tinha o ritual de afastar-se e às vezes até mesmo meditar antes de sair para um roubo e as escadas vazias a ajudavam nessa tarefa.
Em poucos minutos as vozes do saguão do hotel se fizeram presente junto com a música que tocava no horário do jantar para descontrair o restaurante que lotava à noite.
As escadas tinham sua saída um pouco mais afastada do que onde ela sairia caso descesse de elevador, dando a imagem de todo o hall e o balcão de atendimento.
Sakura parou no último degrau observando o mesmo, os olhos verdes fixaram no balcão onde Chiyo apoiava-se em direção ao homem que conversava. Sakura instintivamente recuou alguns passos, a postura já não mais de uma pessoa comum, ali já voltara a ser quem era, pronta para agir no mínimo sinal de ameaça.
Encostou-se na parede, mas ainda podia ver os cabelos ruivos do homem que vestia-se casualmente se não fosse o sobretudo de couro negro. Ele era alto e parecia bem a vontade apoiado no balcão de Chiyo.
Sakura engoliu em seco e por reflexo pôs a mão no cós da calça onde a arma encontrava-se quando o homem desencostou-se e virou na direção dela com um sorriso vazio no rosto antes de virar-se e sair do hotel pela porta de vidro.
Eles estavam a cercando de pouco em pouco.
— Hey!- Sakura deu um pequeno pulo com o susto, por segundos um soco quase atingiu o rosto de Suigetsu – Calma!-
— Mas o que diabos... – Sakura resmungou – Arght, esquece – Sakura balançou a cabeça antes de sair com pressa em direção a saída o hotel.
— Ei! Sakura!-
Suigetsu a chamou indo atrás dela, mas Sakura não parou. Precisava ir atrás do homem ruivo.
— Sakura!- ouviu mais uma vez ser chamada antes de passar como um raio pela porta de vidro.
Já estava noite e os postes iluminavam bem a rua movimentada na frente do hotel, Sakura corria os olhos de rosto em rosto procurando o ruivo desviava de alguns que caminhavam apressados para seus compromissos. Andou alguns metros longe do local, mas não achou nenhum sinal dele.
Passou a mão pelos cabelos sentindo a adrenalina no corpo diminuir pouco a pouco.
— Caramba! O que aconteceu?! – Suigetsu parou a frente dela com o rosto mostrando a corrida que ele fizera.
— O que você esta fazendo aqui? – Sakura perguntou – Porque diabo me seguiu?!-
— Você saiu correndo hotel afora e sua mão estava pronta pra sacar a arma, realmente acha normal isso? – Suigetsu levantou os braços de forma exagerada.
— O que esta acontecendo? – Ouviram a voz rouca de Sasuke que parou em frente a eles com o cenho frisado.
Sakura o encarou, mas seus olhos desviaram rapidamente para Suigetsu, sabia que o Uchiha poderia perceber algo estranho e também precisava calar o boca grande de Suigetsu.
— Não aconteceu nada, eu só achei ter visto um conhecido sair do hotel – Sakura deu de ombros – Achei ter visto Kankuro, irmão de Gaara, mas me enganei – ela encarou Sasuke dando de ombros, metros atrás pôde ver Karin observar tudo de longe e fechou sua expressão – Podemos ir ou não quer mais recuperar suas joias? – disse antes de voltar para o hotel.
Entrou no hall do hotel e percebeu que Chiyo a encarava com um sorriso no rosto e sentiu-se arrepiar por isso, veja bem, Sakura não era alguém que se intimidava facilmente, mas a senhora tinha o mesmo sorriso que o ruivo.
Logo os outros estavam junto a ela, Sasuke em suas costas, ela sentia o olhar dele a queimar, mas preferiu ignorar enquanto caminhavam para o estacionamento para finalmente irem à casa noturna.
Sentou-se no banco do jeep preto ao lado de Sasuke que iria dirigir, não queria discutir por isso optou por facilitar entrando logo no carro do Uchiha, virou rosto para o vidro vendo Suigetsu que estava no carro ao lado encará-la confuso.
Seguiram o caminho em silêncio. Sakura não ousou encarar Sasuke mesmo agindo normalmente, sabia que ela a analisava a todo instante dentro daquele carro, sentiu o celular vibrar e tirou o aparelho do bolso interno da jaqueta que usava.
“Eai já transaram?
Beijinhos.
D.”
Sakura encarou o texto na tela do celular e riu de uma forma que somente Deidara conseguia fazer, parecia que o amigo sentia quando ela estava nervosa.
Pelo canto do olho pôde ver Sasuke a encarar por segundos antes de voltar-se para a rua.
“É serio, preciso saber! To morrendo aqui.
Responda-me, querida”
“Cuida da tua vida, querido.
Acho que amanhã estou de volta já.
S.”
“Você não me respondeu, logo rolou climão.
Me contento com isso por enquanto.
Boa noite, amor”
Sakura balançou a cabeça. Deidara era realmente uma pessoa única, trazia uma dose imensa de alegria para sua vida mesmo com a mania de querer sempre estar bem informado sobre sua vida particular ainda mais quando o Uchiha estava envolvido.
O loiro era um ótimo amigo, sabia que ele sentia uma preocupação grande com ela. Era difícil manter-se baixo astral quando Deidara aparecia e mesmo quando nem isso bastava ele respeitava e ficava ali junto com ela comendo e vendo filmes.
Inevitável não lembrar quando ele a levou até o aeroporto… Com isso virou-se para Sasuke que permanecia em silêncio, lembrava-se de Deidara dirigindo mais rápido do que o permitido quando Sakura havia finalmente tomado uma decisão e ir atrás de Sasuke no aeroporto e como ele a compreendeu e não a julgou quando ela desistiu no momento que pôs os pés na porta do local.
oOo
Já estavam dentro da boate há quase uma hora e Sakura observava toda a movimentação de um mezanino que dava uma posição vantajosa para a ladra que com olhos astutos procurava os três adolescentes. Fazia alguns minutos que não encontrara mais Sasuke ou a dupla francesa, Sakura entrou primeiro no local para reconhecimento enquanto Suigetsu, Sasuke e Karin interceptavam as saídas caso tentassem uma fuga.
Encostou-se no parapeito, a música fazia aquela gente pular feito animais e Sakura sorriu ao imaginar facilmente Ino e Deidara lá em baixo
— O que aconteceu antes?
A voz de Sasuke era séria, estava incomodado desde que saíram do hotel, não havia engolido a explicação que ela dera e a postura que Sakura tomou depois que saiu do quarto o tirava do sério.
— Já disse que não aconteceu nada, você poderia ter continuado se divertindo com Karin no quarto – Sakura respondeu azeda.
— Sakura... – Sasuke encostou-se no parapeito a fitando de frente – Você sabe que-
— Eu não sei de nada ,Sasuke, esse é o problema! Na verdade eu sei o suficiente já – Sakura respondeu o encarando – Chega – disse pronta para sair dali.
Sentiu um aperto forte no seu braço e virou-se para Sasuke que a fitava irritado.
—Estamos no meio de um trabalho.
Avisou séria para que ele a soltasse, ambos sabiam que precisariam focar em seus objetivos agora. Encaram-se sérios, Sakura podia ser tão amedrontadora quanto ele quando queria.
— Me solta – Sakura grunhiu quando Sasuke não fez menção de se mexer – Mas que porra! Qual é o seu problema?! –
— Qual é o meu problema? Eu estou tentando ter uma conversa decente com você desde que chegamos aqui, mas você não perde essa merda de mania de fingir que tem uma parede na sua volta e prefere ignorar a mim, ignorar qualquer porra que acontece! Que inferno Sakura!
Sakura abriu a boca enquanto ouvia Sasuke falar irritado, os olhos ônix densos e as linhas do rosto duras mostrando a irritação dele.
— Inferno? Isso é o inferno pra você? Ser ignorado? Você é um babaca, Uchiha! – Sakura sentia o sangue borbulhar – Inferno é o que você me faz passar desde o dia que eu te conheci! O que você achou? Que me ia me dizer que estava indo embora sem saber quando voltava, sem saber se ia voltar e que tudo ia ficar bem?! QUE EU IA FICAR BEM? Inferno foi o que eu passei nos últimos dois anos dessa maldita vida, Sasuke!
— Enquanto você estava comendo metade da França, porque a única coisa que eu consegui descobrir foi que você tinha voltado pra lá, eu estava aqui, na merda! Sei lá quantos dias eu fui dormir achando que no outro dia você estaria aqui! Tive que suportar todo mundo me olhando com pena, me perguntarem todo dia como eu estava... Achar alguma lembrança sua toda vez que abria uma gaveta ou ia em algum lugar. Inferno, Sasuke, foi tentar matar qualquer coisa que eu sentia por ti quando fez um ano que você foi embora e nunca sequer enviou uma mensagem... Inferno foi quando você me fez de idiota e me abandonou quando eu quase estava abandonando a minha vida pra podermos ficar juntos, seu filho da puta!
Sabia que já estava gritando, sentia sua garganta fechar-se e reprimia o nó que vinha junto com as lágrimas que em algum momento inundariam seus olhos que queimavam.
— Nada, eu nunca recebi nada... Hinata não me contou nada e eu sei que foi porque você pediu. Naruto fugiu de mim sempre que pode apenas pra não me encarar! Enquanto você estava fazendo caralhos o que, eu estava procurando entender o que estava acontecendo. Se eu te ignoro é porque estou tentando fazer com que você não arruíne mais com a minha vida, Sasuke... – Sakura batia sem força no peito do Uchiha que escutava tudo em silêncio.
Já não havia força no aperto do braço, ele apenas a mantinha ali enquanto ouvia tudo o que já sabia. Hinata sempre o contava como ela estava, ele sempre perguntava por ela e quando a saudade parecia o destruir ele lembrava do porquê ter partido. Ele havia destruído consigo mesmo quando destruiu com Sakura e a culpa não doía mais do que vê-la jogar tudo aquilo na sua cara.
Algumas pessoas olhavam o casal, mas para eles não se passava de mais uma discussão normal entre namorados e por isso seguiam com sua festa sem dar mais atenção ao que acontecia ali.
— Chère— Sasuke sentia a culpa apossar de cada célula, puxou-a contra si, necessitava dela em seus braços como mostrasse que estava ali agora, que agora poderia protegê-la novamente – Você... Nós... Eu só preciso que me escute uma última vez quando sairmos daqui e eu juro que se isso não for o suficiente eu não vou mais aparecer na sua vida... Mas entrar naquele avião nunca foi tão difícil, eu deixei o que mais importava pra mim chorando sozinha em Tokyo-
“Onde vocês estão?!”
Escutaram a voz de Suigetsu no comunicador rompendo a bolha que estava em volta dos dois que sequer escutavam a música alta do lugar.
Sakura o empurrou sem forças saindo do abraço protetor dele passando a mão pelo rosto se odiando por ter chorado na frente dele.
— No mezanino – Sasuke respondeu sem vontade sem tirar os olhos da Haruno que agora tinha o celular em mãos.
“O que diabos vocês estão fazendo?! Eles estão no bar atrás de vocês!”
As mãos de Sakura tremiam segurando o telefone, uma pedra de gelo descia por sua garganta e uma tontura a fez procurar a grade para segurar-se enquanto a respiração não parecia ser mais suficiente.
— Chère? – ouviu Sasuke a chamar, mas tudo o que via na sua frente era a foto enviada para ela.
Shikadai saindo da escola e uma nuvem vermelha colocada posteriormente por cima da imagem original.
Deu um passo para trás quando ele tentou tocá-la.
Não pensou, não ligou para mais nada. Quando deu por si já corria em direção a saída se aglomerando e empurrando as pessoas que dançavam e bebiam. Passou por Karin quando empurrou a porta de saída de emergência a levando para a rua deserta onde os carros estavam estacionados. Sabia que Sasuke corria atrás de si, mas a aglomeração de pessoas dificultava para o Uchiha a alcançar.
Correu pela rua antes que fosse tarde demais, precisava voltar. Não deixaria que pegassem seu afilhado por um erro que ela cometeu.
Quando alcançou o jeep negro de Sasuke agiu rapidamente, roubo de carros não era algo que alguém do nível dela precisaria se preocupar. Antes mesmo que Sasuke passasse pela porta ela já estava dentro do veiculo fazendo a ligação direta.
— Sakura! – Sasuke gritou correndo até o carro.
Sakura escutou o estrondo quando Sasuke bateu no vidro com força, o encarou não escondendo mais as lágrimas que corriam pelo rosto em desespero fazendo com que Sasuke forçasse a porta para ser aberta o que fora em vão, pois Sakura arrancou com o carro no segundo seguinte deixando Sasuke sozinho no meio da rua consternado.
oOo
Sakura ignorava todos os sinais de trânsito dentro e fora da cidade onde aumentou a velocidade do carro quando alcançou os limites da via urbana e rodovia que levava a Tokyo.
Os dedos trêmulos estavam com dificuldade para ligar o computador de bordo do jeep renegade, mas tão logo que o aparelho acendeu a tela touch ela já estava traçando o telefone de Gaara que não atendeu nenhuma das suas tentativas de contato.
Bateu com força no volante, o carro cortava o asfalto a quase 200km por hora não se importando que isso chamasse a atenção de algum agente rodoviário.
— Bosta!- Sakura grunhiu.
Não se perdoaria se algo acontecesse a criança. Se havia alguém que Sakura daria sua vida era para aquele pequeno ser humano que trazia um pouco de paz a sua vida turbulenta. Não era segredo de ninguém o amor que a Haruno sentia pelo afilhado.
Pensou em ligar para Temari e sabia que o certo era entrar em contato com Shikamaru, mas como dizer para um pai e uma mãe que o filho estava sendo ameaçado por uma facção criminosa?
Mais uma vez discou para Gaara e deixou o ar sair pela boca quando ouviu a voz do ruivo do outro lado da linha.
—Sakura?
—Sasori Akasuna estava em Nagoya, no mesmo hotel que eu.
— Continue
— Gaara... Eu... Eu
—Sakura, está chorando? O que houve?
— Estou voltando... Eles... Ameaçaram Shikadai, pelo amor de Deus, eu to apavorada!
— Como assim... Onde você está?
— Na estrada, puta merda eu roubei o carro do Sasuke! Você precisa achar a sua irmã! Pegar o Shika e sair dai!
— Sakura! Se recomponha!
— Eles ameaçaram o teu sobrinho, Gaara!
— Temari e Shikadai estão seguros! Para essa merda de carro agora! É uma armadilha, porra!
— O que?
— Eles estão com Kankuro! Quando me falou sobre o carro que estava te seguindo eu conversei com Temari e Shikamaru e contei pra eles! Shikadai está totalmente seguro com meu irmão!
Sakura freou o carro bruscamente marcando o asfalto e o cheiro de borracha dos pneus era forte devido o atrito.
— Eles me enviaram uma foto...
— Sakura – Gaara mantia a voz controlada, o olhar atento na portaria do prédio para qualquer sinal de Ino —Onde você está?-
— Na estrada... Acho que a uns cem quilômetros de Nagoya- Sakura passou a mão pelo rosto, nervosa.
— O Uchiha estava com você? Está sozinha?
— Sim... Foi tudo tão rápido, peguei o carro e sai – A Haruno disse em um sopro.
— Eles queriam te tirar de perto dele, te querem sozinha! Armação pra te pegarem!
Instintivamente Sakura olhou para fora, a escuridão por todos os lados, tinha visão apenas onde os faróis do carro alcançavam a sensação de estar sendo observada a todo instante, um alvo fácil.
— Liga a localização do carro, vou te achar – Gaara abriu o porta coisas do carro tirando o tablet — Se aquele filho da puta estava em Nagoya, Hidan deve estar por perto também, merda!
Sakura deixou a arma destravada no seu colo enquanto procurava qualquer coisa que seria de ajuda caso houvesse algum confronto, passou a mão embaixo do banco do motorista e deixou o ar escapar quando puxou a Glock carregada, doze balas e ela poderia descarregá-las em qualquer maldito que aparecesse.
Conseguia ouvir a respiração pesada de Gaara do outro lado da linha, sabia o ódio que o ruivo tinha do grupo, principalmente de Sasori e Hidan, os culpados pela aposentadoria prematura de Gaara que quase causaram a morte do Sabaku que teve seu pescoço quebrado pelos contrabandistas e assassinos de aluguel.
— Não pode ficar parada, continue dirigindo, talvez pegue um acesso para Nakatsugawa para despistá-los- Gaara consultava no mapa algumas rotas alternativas para Sakura que já voltava a dirigir agora mais com mais atenção — Precisamos avisar o Uchiha.
—O que? Nem fodendo!- Sakura olhou para o painel do carro como se Gaara pudesse vê-la.
— Ele é o mais perto, não pode ficar sozinha.
— Essa hora ele já conseguiu o que queria, certamente vai sumir de novo- Sakura disse sentindo um aperto no peito.
— Cristo- Gaara resmungou, pensando se contava ou não onde estava e o motivo — Achei você, no painel apareceu um ícone para compartilhamento de informações, aceite e terei como rastrear sua localização exata.
Fez o que o seu treinador disse, os olhos a todo instante nos espelhos retrovisores.
— Vou avisar, Shikamaru, fique atenta – Gaara avisou antes de desligar deixando Sakura no silêncio.
Respirou fundo, estremeceu ao sentir o perfume dele chegar aos seus sentidos, mordeu o lábio inferior recordando-se de tudo o que disse para o Uchiha antes de partir de Nagoya e como seu coração apertou-se com o pedido dele.
Ela negaria escutar o que ele tinha para lhe dizer?
Apertou o volante com força, não sabia a resposta e o medo de realmente acontecer o que ela previa era imenso. E se ele fosse embora mais uma vez?
— Merda... – Assustou-se quando o computador de bordo, onde havia conectado seu celular tocou mostrando a imagem de Ino na tela – Ino?-
—Puta merda, graças a deus você atendeu!
— O que houve? – Sakura tentou controlar sua voz, Ino saberia que tinha algo errado no instante que conversassem.
— Eu consegui.
Sakura estremeceu ao ouvir aquilo, por milésimos de segundos fechou os olhos, sabia do que Ino estava falando.
— Como? – surpreendeu-se como a voz sairá firme.
— Invadi o apartamento do Uchiha... Amiga, acho que estou há umas sete horas aqui! Tem um cofre no armário, atrás de umas roupas... Suas – o tom de voz de Ino diminuiu, repreendeu-se por falar tanto, não sabia nem se Sakura podia falar naquele momento — Desculpa, eu preciso te contar, Sakura!
Então era isso, finalmente chegara o momento. Claro que preferia que não fosse no momento em que está fugindo de dois agentes da Akatsuki, mas Sakura prometeu a si mesma que estouraria a cabeça se algum dos filhos da puta tentassem impedir aquilo.
Parou o carro no acostamento, trancou as portas, as duas armas destravadas nas mãos e os olhos verdes mirando a escuridão da estrada.
— Estou ouvido.
Ino respirou fundo, estava cansada, mas não podia esperar mais um minuto, precisava contar para Sakura enquanto ela ainda estivesse perto de Sasuke.
— Há dois anos e cinco meses, um homem procurou Naruto para a contratação de Sasuke... Um serviço de pelo menos seis meses no interior da França, fronteira com a Bélgica. Durante seis meses carregamentos vindos da Alemanha precisariam cruzar a fronteira para chegar até a costa da França e embarcar em navios que enviariam essas mercadorias para todo o canto do mundo.
— Que mercadoria? – Sakura perguntou.
— Drogas. Metafetamina, cocaína, coisa pesada.
— Sasuke não trabalha com isso- Sakura fez uma careta, todo ladrão tinha uma espécie de código de conduta e sabia como Sasuke repudiava esse tipo de serviço, achava baixo e porco.
— Sim... Sasuke recusou o serviço e o contratante perdeu boa parte da carga no primeiro mês de operação o obrigando a cessar o transporte, prejuízo de valor incontável. Ele novamente entrou em contato com Naruto dois meses depois... Mais uma vez para contratar Sasuke que prontamente recusou, porém, três dias depois Uchiha Mikoto bateu o carro em um acidente, você deve lembrar disso. Foi um aviso do contratante, uma ameaça clara de que queria Sasuke no esquema e não estava nenhum pouco feliz com o Uchiha que declinou pela segunda vez, mas dessa vez avisou ao tal homem que se tenta-se mais uma vez qualquer tipo de contato e se pensasse em chegar perto de sua família, Sasuke embarcaria para França, sim ,mas seria para matá-lo. Não preciso dizer que o empresário não ficou nenhum pouco contente e bem... Ele continuava perdendo dinheiro pois seus negócios estavam trancados.
— Porque essa insistência?- Sakura perguntar apertando a arma.
— Porque Sasuke já havia roubado ele, infiltrando-se na sua empresa e praticamente falindo os negócios dele no Japão. Além de não oferecer uma quantia digna como pagamento para Sasuke ele via isso como se o Uchiha devesse para ele... Nesse período você e Sasuke estavam se acertando e bem, a noticia de uma possível aposentadoria sua do círculo estava correndo como vento pelo mercado. Semanas depois da ameaça de Sasuke, o cara voltou só que dessa vez pessoalmente e entregou um envelope para Sasuke... Com uma foto sua. Sasuke tinha doze horas para decidir o que fazer.
— Ele... Aceitou- Sakura sussurrou, os olhos verdes ardiam pelo acumulo de lágrimas.
— Hai – Ino fechou os olhos ao ouvir a amiga soluçar do outro lado da linha – O homem de chamava Tobirama Senju o dono da empresa que faliu depois daquele roubo do pendrive com as informações da Toho.
A boca de Sakura trincou ao lembrar-se da imagem do homem de cabelos grisalhos e terno negro.
— Sasuke embarcou para a França, somente Hinata, Naruto e Neji sabiam o que estava acontecendo e ele proibiu qualquer um deles de te contar qualquer coisa, não admitia que você soubesse por outros. Orochimaru só soube de tudo quando Sasuke já estava lá e o procurou pedindo por apoio... Ele estava completando o serviço, faltava algumas semanas e Sasuke queria o contato dos outros dois discípulos de Orochimaru que treinaram com Sasuke antes dele voltar pro Japão.
— Suigetsu e Karin.
— Exato... Quando tudo terminou, Sasuke e os dois caçaram cada envolvido nos negócios de Tobirama, destruindo o mercado dele de dentro para fora. Sasuke firmou uma parceria com um sheik árabe que tinha inimizade com Tobirama, se ele ajudasse Sasuke e sua equipe, o Uchiha daria para ele a pedra Amateratsu que em um ano estaria em exposição no Japão. Tobirama foi encurralado, quando percebeu que tudo estava ruindo fugiu para Paris, mas Sasuke o encontrou antes que ele apagasse seu rastro... O executou depois de espancá-lo por horas. Ele sempre esteve informado do que você estava fazendo, Naruto e Neji prometeram sua segurança para que ele pudesse se vingar de Tobirama... A Hina ela... Só dizia como você estava, tenho registros de milhares de e-mails, ele... Estava tão quebrado quanto você, amiga. Sasuke não quis te contar porque teve medo que você quisesse se envolver com esses caras e acaba-se se ferindo e conhecendo seu temperamento, sabemos que você voaria para matar esse cara...
Sakura ouvia tudo em silêncio, as mãos tremiam, puxou a manga da camisa que usava para limpar o rosto que estava vermelho.
— Eu sei que jamais pensaríamos algo assim, mas... Sakura, ele foi embora pra te proteger.
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