Dogma
11 21 Guns
Notas iniciais
2 anos e três meses atrás.
Naruto tinha os olhos azuis arregalados enquanto encarava Sasuke sentado do outro lado da mesa. Quem não conhecesse o Uchiha diria que nada passava na mente de Sasuke naquele momento, mas o Uzumaki podia ver as mãos fechadas com força, as veias marcando a pele alva do amigo, a mandibula fechada com força enquanto a respiração era devagar demais.
— Sasuke… — Naruto passou a mão pelo rosto pensando no que dizer — O que vamos fazer? -
Observou Sasuke soltar uma risada irônica ao ouvir sua pergunta.
— Acerte tudo com Tobirama — Sasuke disse seco — Consiga três meses até a viagem -
— Você ta o que? Teme! Não pode estar falando sério! — Naruto se levantou deixando a cadeira cair atrás de si — Ele… Ele ta te ameaçando! -
Sasuke fechou os olhos e apertou as têmporas com as pontas dos dedos, sua vontade era de embarcar naquele momento para Osaka e terminar com aquilo.
— Vou ligar para o Orochimaru — Naruto disse pegando o aparelho ao lado de Sasuke mas sua mão foi segurada pelo Uchiha.
— Não — Sasuke disse.
— Você não vai começar com aquela merda de ‘eu resolvo sozinho’! A Sakura-chan vai chutar a sua bunda daqui até a França se fizer isso — Naruto esbravejou — Você não pode fazer isso… -
— Ele não me ameaçou Naruto, ele ameaçou a minha família, meus amigos… Ele ameaçou a minha mulher — Sasuke pela primeira vez o encarou — Eu vou fazer esse cara viver o inferno.
— E o que pretende fazer? Quando a Sakura souber o que esse cara disse ela vai pular no pescoço dele! Ela faz isso comigo por muito menos! — O Uzumaki levantou os braços.
— Ela não vai saber — Sasuke jogou-se na cadeira — Preciso falar com a Hinata… -
— Teme… Vocês se acertaram não faz um ano! Puta merda Sasuke, vocês compraram o apartamento de vocês, sabe o quão furiosa ela vai ficar quando souber que você não acha que ela é capaz de se proteger?
— Cala a boca, Naruto — Sasuke levantou a voz fazendo o loiro que tagarelava finalmente se calar — Não ouviu nada do que eu disse?! -
Naruto suspirou e sentou-se novamente.
— Isso só vai fazer vocês dois sofrerem — Naruto disse por fim.
— Se eu tiver que ir ao inferno para que ela fique bem, eu vou, Naruto — Sasuke murmurou — Em hipótese alguma você vai abrir sua boca para a Sakura, ouviu?
oOo
Sakura ouvia tudo em silêncio, as mãos tremiam. Puxou a manga da camisa que usava para limpar o rosto que estava vermelho.
— Eu sei que jamais pensaríamos algo assim, mas... Sakura, ele foi embora pra te proteger.
Sakura trincou a mandíbula contendo o grito que estava na garganta, o choro molhava o tecido azul da camisa de algodão enquanto se encolhia no banco do carro como uma menina abraçando as pernas.
Sentia o corpo pedir por uma dose de álcool, devido ao hábito que adquirira com Tsunade quando estava nervosa, os dedos seguravam firmes as pistolas como se aquilo transmitisse a segurança que ela tanto sentia falta ali, sozinha.
— Sakura...
— Oi – Passou o rosto na manga da camiseta e pôde perceber que tremia – Estou aqui.
Ino, do outro lado da linha, mordeu o lábio inferior sabendo do estado que ela se encontrava. Desejava com todas suas forças ter descoberto tudo aquilo mais cedo, ou pelo menos, quando Sakura estivesse ao seu lado.
Sakura puxou o ar e deixou-o sair lentamente de seus pulmões enquanto encarava o teto forrado do jeep, o perfume dele parecia estar mais forte agora. Era como se a presença dele fizesse mais sentido no automóvel e somente agora ela permitia-se sentir aquilo.
— Eu preciso... – Sakura balançou a cabeça tentando se recompor, as armas em sua mão voltaram a fazer significado a lembrando do perigo – Eu já te ligo. Obrigada por tudo, Ino – encerrou a ligação.
Como se esperasse por aquilo o telefone em suas mãos tocou e não hesitou em atender Gaara.
— Sai daí – Gaara disse quase em um grito – Saia! Merda! -
— O que? –Sakura ajeitou-se no banco tirando o carro do ponto morto – Gaara? – chamou pelo amigo quando a ligação falhou não a deixando ouvi-lo completamente.
— Fuja – a voz de Gaara disse junto ao chiado na linha – Aka... tuski –
Sentiu o fio na espinha preparou-se para arrancar com o carro quando os olhos verdes e inchados ergueram-se ao retrovisor vendo o par de faróis vindo pela estrada escura em alta velocidade em sua direção.
— Merda – Sibilou ouvido o motor que se aproximava ecoar pela área devido à falta de movimento.
Acelerou firme ouvindo o jeep reclamar pelo mau jeito da partida, perdendo por milésimos a estabilidade das rodas traseiras antes de começar a correr pela estrada violentamente tomando distância do que se aproximava tão veloz quanto ela.
O olhar irritado vendo o range rover atrás de si dando sinal de luz e buzinando, sabia que era uma tentativa de intimidá-la e isso a fez morder o lábio com raiva por não conseguir ignorar aquilo.
Quis fechar seus olhos por um momento procurando a concentração e foco que Tsunade tanto cobrava de si, mas como poderia? Não tinha sequer certeza que sua mente estava compreendendo tudo o que acontecera nas últimas duas horas.
Ouviu uma buzina e arregalou os olhos quando voltou sua atenção à estrada e os faróis estavam colados em si logo em seguida sentindo o choque na traseira do carro, desestabilizando o veículo.
Segurou o volante com força não permitindo que o jeep caísse para fora da estrada que era costeada por plantações.
Sakura engoliu a seco não sabendo até onde aquilo iria, eles não estavam ali para apenas assusta-la. A Akatsuki já havia colocado uma mira nela há muito tempo e agirem daquela forma dava apenas a certeza que eles decidiriam apaga-la de vez.
Abriu o vidro pronta para colocar-se posicionada na janela para atirar contra o carro cinza, mas desistiu ao ver eles avançarem mais uma vez e baterem conta si.
Sentiu o telefone vibrar em seu colo, encarou o retrovisor vendo a range afastar-se, na tela do aparelho o numero desconhecido continuava ali e pressentindo o que seria atendeu sem dizer nada.
— Acabou Haruno – A voz era fria e cansada – Não se meta nos nossos negócios na próxima vida.
Ao fundo pode ouvir a gargalhada do segundo ocupante do carro.
Jogou o telefone no banco, não confundiria a voz de Akasuna Sasori com nenhuma outra e a gargalhada debochada de Hidan estava em sua mente desde que encontrara Gaara internado no hospital.
Desceu o olhar para o telefone e o puxou para si sentindo o peito apertar-se.
Talvez ela conseguisse escapar.
Pensou e levou para o fundo da mente a vontade de ligar para ele.
O celular caiu da sua mão e mais uma vez sentiu a batida atrás de si fazendo-a perder totalmente o controle do carro e antes que pudesse fazer qualquer coisa sentiu o jeep virar-se bruscamente a fazendo fechar os olhos.
Dentro do carro de cor grafite o homem ruivo sorriu vendo o jeep preto capotar duas vezes, as fagulhas que o metal fazia em contato com o asfalto e o som do ferro e vidro chocando-se com força devido a velocidade.
— Ouch – Hidan sorria sádico vendo a lataria arrastar-se de cabeça para baixo metros a frente.
— Vamos — Sasori disse descendo do carro.
oOo
O som era ensurdecedor, em algum momento bateu a cabeça a fazendo perder a noção de sua real situação enquanto ouvia o ferro e vidro se chocarem.
Sentia o peito doer pela força exercida pelo cinto de segurança que a impedia de voar pelo carro e provalmente fora dele. Os cacos de vidro caiam por cima de si e o choque fazia alguns cravarem em sua pele trazendo a ardência.
Quando tudo parou e silenciou não precisou abrir os olhos para saber que estava de cabeça para baixo, por um pedaço de vidro trincado pôde ver o corte que tingia os cabelos rosados de vermelho puro, tateou com as suas mãos até achar a trava do cinto soltando-se desajeitadamente dentro do jeep destruído.
Arfou quando as costas bateram contra o teto abaixo de si, abriu a boca em busca de ar enquanto os olhos percorriam tudo a sua volta e mesmo sentindo-se zonza tentava checar seu real estado ali.
Grunhiu pela dor que se espalhava pelo corpo e evitando movimentar-se mais que o necessário, conseguiu ver a arma de Sasuke ao seu lado e a agarrou procurando uma saída daquele amontoado de sucata. Tentou inspirar fundo e aliviou-se ao não sentir cheiro algum de gasolina não piorando a situação.
Escutou portas de carro bater e virou a cabeça em direção a traseira do carro podendo ver os dois pares de pernas caminharem até o jeep capotado. Respirou fundo e evitando qualquer barulho começou a arrastar-se para fora do carro pela janela atrás de si evitando dar de cara com os Akatsuki.
Passou metade do corpo pela janela temerosa, não se sentia nenhum pouco contente com o pensamento de procurar uma rota de fuga, era amargo ter a incerteza de sair viva dali depois de tantos trabalhos arriscados que realizara.
— Yo Sasori! Olha quem estava tentando fugir!- Ouviu antes de ter seu corpo puxado para fora pelos cabelos.
Hidan habilmente pegou a arma da mão de Sakura e ainda a segurando pelos cabelos a levou cambaleante até outro lado podendo finalmente encarar o ruivo que mantinha o rosto impassível.
Sakura mesmo sentindo a dor por todo seu ser levantou o rosto ao encarar o Akasuna, jamais abaixaria a cabeça para quem quer que fosse, era discípula de Tsunade e construirá seu nome nos negócios por ela mesma, mostrando que não precisava de proteção alguma da tutora.
Sasori deu dois passos até estar próximo suficiente da Haruno, levantou sua mão segurando firme o rosto arranhado e sujo por sangue que aumentavam a aura de ferocidade que vinha da mulher.
Sakura esperou pelas palavras que não vieram, Sasori a encarou por longos segundos até que a soltasse e virasse de costas para si, mas antes que pudesse pensar em qualquer coisa o ruivo virou-se novamente a acertando com um soco no rosto e caiu no chão quando Hidan a jogou.
— Vagabunda – Sasori agachou-se a sua frente puxando sua cabeça e mais uma vez acertando um soco deixando Sakura tonta.
Sakura grunhiu segurando toda a dor em sua garganta e apoiou-se nas duas mãos para levantar-se mas voltou para o chão quando o pé em suas costas a forçou para baixo novamente.
— Ela nem parece tão perigosa assim, Sasori!- Hidan disse pisando mais uma vez em Sakura – Eu poderia ter dado um trato nela sabe?-
A Haruno sentiu-se queimar por dentro com as palavras de Hidan, ele esfregava a sola do sapato em suas costas, fechou as mãos com força tentado pensar no que fazer.
— A senhorita Haruno tem um gosto mais refinado – Sasori tirou o cigarro do bolso – Uchihas não é mesmo? Um sobrenome forte para uma mulher forte.
Sakura levantou o rosto para encarar o ruivo que tragava tranquilamente, observando a fumaça de nicotina dispersar-se no ar com uma das mãos no bolso.
— Achou mesmo que não iriamos fazer nada a respeito disso, senhorita Haruno? Que deixaríamos você ir atrás de nossas informações? Você é mais inteligente e habilidosa do que isso, vamos ser sinceros... E assumo que por muito tempo não entendi o que diabos você queria, mas seu erro foi começar a demonstrar interesse muito peculiar pelo Uchiha. Convenhamos que qualquer pessoa bem informada nos nossos “meios” saberia do seu relacionamento com o irmão de Itachi.
— Menos o próprio – Hidan riu, mas calou-se ao olhar de repúdio de Sasori.
— Devo dizer que seus esforços foram merecedores de ser chamada para nossa... Organização, mas a senhorita provou não estar interessada em negociar conosco e porra, isso me tirou sono por muitas noites – Sasori mais uma vez jogou a fumaça para cima – Até que tudo fez muito sentido e devo dizer você foi genial... Em partes – o ruivo pela primeira vez sorriu.
Sakura fez uma careta enquanto o ouvia, pôde ver dentro do jeep a luz do celular, provavelmente alguém ligando atrás dela. Ino naquele momento deveria estar sabendo do que havia acontecido, mas jamais esperava que ela ou Tsunade conseguissem fazer alguma coisa naquele momento.
Sasuke deveria estar recuperando as joias nesse horário, totalmente alheio a tudo aquilo.
Quis sorrir ao pensar que possivelmente sua ultima façanha com o Uchiha fora roubar o carro dele e destruí-lo completamente.
— Mas nós a avisamos não é mesmo? Por favor, não me diga que achou que estávamos brincando – Sasori passou a mão pelos cabelos – Porém você, como a maldita que é, resolveu ignorar todos nossos avisos e continuou querendo por seus pés imundos cada vez mais próximos das empresas dos Uchihas, mas que merda, Haruno! Tem noção de como meus superiores ficaram putos com isso?
Sakura sentiu a bile subir quando seu estomago foi acertado pelo chute diferido por Sasori.
Uma, duas, três vezes.
Abraçou o próprio corpo enquanto tossia devido aos golpes que recebera. Hidan não a prendia mais possibilitando-a respirar um pouco melhor encarando com dificuldade o céu, seu olho esquerdo doía provavelmente já inchado pelos golpes.
Bufou ao ouvir mais uma gargalhada de Hidan, tossiu antes de apoiar-se nos braços e colocar-se de pé encarando o homem de cabelos brancos e penteados para trás, ele colocara a arma de Sasuke na cintura e a encarava se divertindo com seu estado ali.
— Cristo, você só ri? – Sakura disse rouca.
— Cale a boca, sua vaca – Hidan fechou o rosto indo até ela a puxando por um braço – Sasori! Vamos terminar isso logo!
Sakura encarou o ruivo e engoliu a seco ao vê-lo voltando do jeep com seu celular em mãos. O sorriso sádico estampava seu rosto quando a encarou.
— Ora, ora – Sasori disse segurando o aparelho perto do rosto – Não vai querer ouvir, confie em mim — Akasuna jogou o aparelho no asfalto e pisou no mesmo estraçalhando o telefone.
Pelo canto do olho Sakura via Hidan com sua atenção no pequeno teatro de Sasori. Abaixou seu olhar até arma na cintura do homem e, aproveitando a distração do grisalho, agiu.
Usando seu braço que ele prendia, Sakura girou o corpo para as costas de Hidan o imobilizando e dando a abertura para poder puxar a arma da cintura do homem a colocando apontada para o ponto principal da coluna vertebral o usando como escudo.
— Sua
— Cala a boca – Sakura não o encarava, seus olhos verdes não desgrudavam de Sasori que apontava com duas armas na sua direção – Eu não vou te matar quando atirar. Vou te deixar preso numa porra de cadeira de rodas pra você se lembrar de como foi legal pisar em mim e quando foi a ultima vez que pensou em foder com alguém.
— Esplêndido, senhorita Haruno, apenas quinze minutos para ter uma vitima sob sua mira, mas... Por favor, me ajude a compreender o que deseja fazer agora – Sasori levantou uma sobrancelha – Hidan deixará de ser útil quando morrer.
Sakura sentiu os músculos de Hidan se contraírem, habilmente, quando o grisalho tentou ataca-la, Sakura arrastou com seu pé direito a perna de Hidan e o joelho da Haruno acertou o membro de Hidan que parou qualquer movimento que pensava em realizar.
— Você não me ouviu? — Sakura grunhiu usando de sua força para mantê-lo de pé em sua frente.
— Eu vou enfiar duas balas na sua testa – Hidan resmungou com os olhos queimando de ódio.
— Cale-se Hidan – Sasori interviu – Se quiser sair vivo, é claro –
— Sasori! – O grisalho grunhiu – Seu bosta! Faça algo –
Sakura mantinha a respiração calma apesar de tudo, não tinha nada em mente, mas Hidan estar nervoso sob sua mira era algo que ela não esperava em seu favor. Estava disposta a usar o nervosismo do Akatsuki para sair viva.
— Sakura, sabe que não tem muitas opções – Sasori ignorou o colega e se aproximava de Sakura com as armas em punho – Eu mesmo posso atirar em Hidan e aí serei eu e você.
— Não tenho medo dos peixes pequenos, Akasuna. Já vi gente que se achava mais do que você – Sakura provocou.
— É tão orgulhosa, talvez fossemos irmãos em outras vidas – Sasori sorriu, mas o rosto em segundos ficou sério os olhos ferozes em direção a Sakura – Chega – levantou a arma em sua direção.
Sakura pensou rápido. Sasori estava a pouco mais de dois metros à sua frente e quando ouviu o gatilho pronto para ser disparado não hesitou.
Com o pé, Sakura impulsionou Hidan na direção de Sasori e o som dos disparos ecoou por todo o lugar.
Foram segundos, mas para os dois atiradores cada milésimo fazia a diferença.
Conseguiu abrigo no carro capotado enquanto ainda atirava na direção de Sasori que usou o corpo de Hidan como proteção para aproximar-se.
Quando tudo se silenciou ainda podiam ouvir os gemidos de dor do grisalho que ficara em meio ao tiroteio dos dois, balas de inimigo e aliado perfuraram seu corpo que agonizava no chão.
Sasori ignorando o companheiro atirou em Sakura que desviou fazendo a bala alojar-se no metal do jeep. O que não agradou o ruivo que correu em sua direção sendo recebido com um chute que ele bloqueou com um dos braços percebendo a arma que Sakura utilizava no chão provavelmente sem munição.
Sakura seguiu o olhar dele, mas não abaixou sua guarda podendo desviar da possível coronhada que Sasori tentou acerta-la. Sakura desviou dos socos que ele mirava em seu rosto, tentava imobiliza-lo para desacorda-lo com um golpe de gravata, mas Sasori estava tão atento aos seus movimentos quanto ela.
Bateu suas costas no carro e abaixou-se antes de ser acertada, sentia seu corpo protestar aos movimentos, Sasori a golpeou nas costas até que com uma rasteira derrubou o Akasuna no chão e o chutou.
— Se realmente tivesse pesquisado sobre mim, saberia que eu tenho um ótimo treinador – Sakura segurou Sasori pelos cabelos – Que quase morreu quando vocês quebraram o pescoço dele, lixos!- a Haruno chutou novamente Sasori na região das costelas.
Sakura sentou-se em cima de Sasori o imobilizando, o ruivo não tinha nenhuma expressão no rosto que já começava a realçar a cor roxa e vermelha das lesões que marcavam sua carne.
— Não ache que vamos esquecê-la tão facilmente – Sasori disse frio – Outros irão terminar o trabalho – deu de ombros.
— Não se metam nos meus negócios – Sakura o socou no rosto fazendo um filete de sangue escorrer da bochecha de Sasori.
— Foi você quem se meteu nos nossos negócios, senhorita Haruno – Sasori levantou uma sobrancelha.
Sakura grunhiu e o socou mais uma vez antes de se levantar na direção do carro usado pelos dois homens.
Abriu a porta do range rover quando o som de disparo a congelou onde estava antes de cair, os olhos verdes se arregalaram quando a dor fez um choque passar por todo seu corpo, virou-se para trás, Hidan usava o jeep como apoio e sorria para ela, a fumaça saindo do cano da pistola em sua mão.
Sakura desceu o olhar para si vendo o sangue manchar a calça jeans na altura da panturrilha.
— Diga-me senhorita Haruno, aonde irá agora? Não acredito que esteja em condições de dirigir no momento – Sasori ainda estava deitado no chão e falava alto o suficiente para ela o ouvir – Os outros estão vindo, querida.
— Merda –Sakura trincou a mandíbula quando tentou se mover, ao longe podia ver faróis vindo na direção deles e logo estaria ali.
Hidan gargalhou mais uma vez, cambaleava sem conseguir apoio em alguma coisa, tentava se aproximar de Sakura, a arma em sua mão tremia e os passos eram descoordenados pelo asfalto.
— Ei, Sasori! Eu disse que ela era minha – O grisalho segurou a pistola com os dois braços, tossiu fazendo o sangue sair pelos lábios.
Sakura arregalou os olhos vendo os faróis mais próximos agora, julgou que estivesse a quase 180km/h. Tentou estancar o sangramento, mas sabia que a bala estava alojada na perna.
— Ei Harun-
Sakura se assustou quando o corpo de Hidan foi lançado metros adentro da plantação pelo automóvel recém-chegado, a cena embrulhou seu estômago. Pressionava suas costas contra a lataria da range rover quando o carro negro freou violentamente ao lado de Sasori.
Quando a portas se abriram, foi como se um trovão saísse de dentro do carro. A capa negra impedia de ver todos seus movimentos naquela escuridão e os cabelos pareciam ouriçados como um animal selvagem. Nas mãos, a arma equipada com silenciador e o dedo no gatilho que não hesitou em apertar sem sequer encarar Sasori.
Pôde ver pelo canto do olho o corpo caído do ruivo se contrair quando o som, que apenas ouvidos mais apurados conseguiam distinguir, do tiro chegou a si.
Não tirou os olhos da sombra que se movia agora em sua direção o rosto que nem mesmo a escuridão da noite podia confundir sua mente. Todos os traços dele já eram memorizados por sua mente e mãos, os cabelos caiam parcialmente por cima dos olhos aumentando aquela imponência que ele exalava quando estava em serviço.
Seu corpo relaxou de forma instantânea, a adrenalina fugiu de seu organismo a deixando zonza quando o grande corpo negro agachou-se a sua frente com o cenho franzido. A raiva contrastando com a preocupação, teve vontade de rir por conseguir tirar do grande Uchiha a máscara de superior que ele tinha quando em missão.
Os braços dele saíram de dentro do tecido da capa que tapava todo seu corpo e foram até seu rosto, recuou quando sentiu o toque quente no seu olho esquerdo inchado, mas ele não se importou pois com cuidado encaixou sua mão no lado do rosto que não estava inchado. Os olhos astutos, procurando qualquer ferimento, desceram por todo seu corpo e pôde ver as sobrancelhas se fecharem quando chegou na perna esquerda.
Ela mesma se impressionou com a quantidade de sangue no local, sentiu os braços dele a circularem, mas ela o empurrou sem forças.
— Estou bem – Disse cansada.
— Tsc – Ele a ignorou a colocando em seu colo.
Sakura colocou um braço em volta do pescoço dele quando ele se pôs de pé com ela em seus braços. A capa a cobriu junto com ele e como se fosse feita para aquele lugar sua cabeça encaixou-se na curva de seu pescoço sentindo o perfume dele, pôde ver uma veia no pescoço dele como um relevo na pele, provalmente pelo stress, e esfregou seu nariz ali.
Não pôde deixar de olhar para Sasori quando passaram pelo corpo deitado, os olhos fechados como se estivesse num estado perfeito de sono se não fosse o sangue que escorria de sua testa e se fundia com a cor de seus cabelos.
— Vamos para casa, chère.
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