Dogma

17 Final Game


Notas iniciais
Boatos que eu estava na pior... Um abraço pra quem tem bloqueio logo no último capitulo. Peço desculpas pela demora, vamos deixar a conversa para o epilogo? ~boa leitura.

15 de Julho — Quinta-feira:

Sakura e Ino cruzaram a porta de vidro do laboratório, a loira virou-se atenta a qualquer sinal de conhecidos que poderiam reconhecê-las ali. Não deveriam estar dando as caras por Tokyo, mas era necessário e não permitiria que Sakura negligencia-se mais a sua situação.

Sorriu para a atendente do laboratório que buscava pela pasta, enquanto Sakura assinava o formulário de retirada do exame de sangue. Olhou novamente para a atendente, que dessa vez abria o imenso gaveteiro de metal, dedilhando entre pastas enquanto direcionava seu olhar para Sakura.

— Algum problema?

A atendente deu um pulo, a voz de Sakura mostrava toda a impaciência que a Haruno sentia naquele local. Ino mordeu o lábio, evitando rir, há muito tempo havia se tornado expert em expressões corporais e micro expressões humanas. Oh ela podia ver que a mulher estava quase tendo um ataque de pânico.

— Oh não, não! — balançou as mãos e sorriu. — Já irei entregar o seu exame.

Que mentirosa.

Encarou Sakura, que arqueou uma sobrancelha. A atenção foi para o próprio celular que estampava o número privado de Tsunade.

— Tsuna, sua linda. — Encarou a amiga, que estranhou. — Já estamos chegando, tia

— Já estou com o que vocês querem, venham já pra casa.

Ino ouviu a ligação cair, Sakura ao seu lado bufou irritada, por mais que os olhos verdes fossem de puro pavor agora.

— Vamos!

Virou-se para ir embora às pressas, já estavam na porta quando a mulher chamou por elas.

— Não está aí, querida, você sabe disso. — Ino sorriu antes de cruzarem a porta.

oOo

Oh, ela poderia ter aquela mesma imagem guardada em sua memória por diversos anos. Desde as meninas pequeninas com as canelas cheias de curativos e arranhões até as adolescentes com os uniformes do colegial. No entanto, agora estava a frente de duas mulheres, muitos dos traços permaneciam os mesmos.

Seu olhar pousou sobre Sakura, mais especificamente sob seu ventre. O exame estava aberto sob a mesa, o resultado positivo parecia gritar. Uma de suas meninas estava grávida… Grávida e pondo a vida dela e da criança em risco!

Bateu com o punho na mesa, chamando a atenção das duas que se mantinham em silêncio.

— Ele já sabe?

— Tsunade…

— Ele já sabe, Sakura? — reforçou a pergunta, vendo a Haruno respirar fundo.

— Não, eu não contei ainda.

— Porque? E se me responder, o que eu sei que vai… — Tsunade passou a mão pelos cabelos, em sinal de nervosismo. — Garota, você não pode ter tamanha falta de responsabilidade.. Você, eu não sei nem por onde começar.

— Tsunade.

— Egoísta. — Apontou o dedo indicador, os olhos da Senju não escondiam a irritação. — Você é uma egoísta Haruno.

— Tia…

— Calada, Ino. — Não direcionou o olhar para a loira, os olhos castanhos encaravam enfurecidos os verdes de Sakura. — Não precisa me olhar com essa mágoa. Você é uma egoísta com todos a sua volta. Eu não sei nem o que te dizer… Onde você estava com a cabeça? Quando você vai entender que não está sozinha? Existem pessoas que levariam um tiro por você.

“Sabe o quanto eu quis ver sua vida ser reconstruída? Por quantas noites eu pensei quando veria um brilho nos teus olhos de novo? Faz cinco meses que posso deitar a minha cabeça no travesseiro tranquila, porque eu sei que você está feliz novamente, minha filha. Não importa que não foi do meu útero que você saiu, mas vocês duas são MINHAS filhas… Já parou para pensar, como o Sasuke vai reagir? Aquele garoto… O que ele fez por você… Você pode achar que ele não está pronto, que vocês não estão prontos, mas isso vai ser o melhor momento da vida de vocês. Não deixe ele descobrir no momento que você parar numa maca de hospital.”

O silêncio era total na sala. Ino jurava ter visto lágrimas acumuladas nos olhos da tia que ainda encarava Sakura. Esta mantinha o olhar no exame de laboratório que estava aberto sob a mesa. As palavras de Tsunade pesavam sobre seus ombros, a sensação de estar fazendo tudo errado já a acompanhava há dias, mas agora tomava sua mente. Por Deus, o que ela estava fazendo?

Pensou em Sasuke, sentiu-se mal por não ter contado a ele. Lembrou-se de todas as vezes que o acusou de ter agido como se a relação deles fosse um grande nada, da falta de confiança que tanto acusou a ele quando retornou. Mas o que ela estava fazendo de diferente agora?

Colocou a mão sob o ventre ainda sem sinais de gestação. Se não fosse os ocasionais enjoos e as tonturas dos últimos dias jamais desconfiaria de algo. Sempre pensou que aquilo fosse apenas uma conversa ridícula de revistas, mas — assustadoramente — sabia que havia algo ali.

Havia um filho, um pedaço de Sasuke consigo.

Aquele pensamento a aqueceu, sorriu amargurada… Queria tanto que ele soubesse.

Encarou Tsunade, não tinha raiva pelo o que ela dissera. Como poderia? Só estava viva porque aquela mulher viu algo nela. Se não fosse por Tsunade não saberia nada até hoje. Não teria nada que tinha conquistado e isso estava incluído desde Ino até Sasuke. E, agora, seu filho ou filha.

— Me desculpe.

— Suma daqui e faça o que tem que fazer. — Tsunade sorriu. — Vou te mandar a conta da minha esteticista, vou precisar fazer outra sessão por estas malditas rugas, garota. Não espere que eu seja mais querida da próxima vez.

— Amo vocês também.

Ino encarou a tia. A loira encarava a porta do escritório aberta por onde Sakura havia passado minutos atrás. Suspirou satisfeita. Não era a primeira vez que acompanhava uma briga entre a amiga e Tsunade. Durante os anos aprendera que não adiantava colocar nada na cabeça delas, as duas sempre se entendiam mais cedo ou mais tarde e esqueciam suas diferenças quando era ela quem deveria levar o sermão. Eram uma família de três desajustadas no final das contas.

— Já está tudo pronto?

Despertou com a voz da Tsunade que agora a encarava.

— Sim, inclusive algumas coisas já foram entregues assim como documentos. — levantou-se, ajeitando a roupa e pegando a própria bolsa.

— Ótimo. — Tsunade suspirou. — Quero você segura amanhã.

— Tsuna…Eu sou mão da Sakura, porque eu escolhi, não quer dizer que não seja tão boa quanto ela. Aliás minha mira é melhor.

— Confio em você tanto quanto nela. Não há diferença para mim. — Se pôs de pé. — Não estou lhe dizendo isso porque não confio em você ou nas suas habilidades, estou dizendo isso porque você é minha criança também. Cuide da sua irmã.

— Hey, vai dar tudo certo. — Ino colocou uma mão sob o ombro da mais velha. — Quem sabe eu deixo você conhecer algum namorado meu.

— Desde quando eu precisei dar alguma permissão? — arqueou a sobrancelha. — Pare de ser tão terrível com Gaara.

— Não entendi o que quer dizer, Tsuna. — Ino abriu a boca em choque. — Vá descansar. Preciso providenciar alguns detalhes. Amo você.

Tsunade balançou a cabeça em negação. Suas duas meninas já haviam virado grandes mulheres num piscar de olhos.

oOo

Observou o elevador alcançar o 23º andar. Seu apartamento era no 15º, mas já era terceira vez que deixava a caixa de metal passear por todos os andares. O elevador panorâmico a entretia com a vista da cidade à noite enquanto girava o celular na mão. Sasuke não havia ligado o dia todo, talvez por saber que ela estava estranha, porém a mensagem no aplicativo já mostrava que o Uchiha estava estranhando o silêncio.

— Paciência não faz parte mesmo dele. — brincou apertando o botão correspondente ao seu andar.

Montava um diálogo mental, enquanto buscava as chaves na bolsa e administrava sua respiração. Precisava se acalmar! Puxou a chave pronta para destrancar a porta quando a mesma fora aberta pelo lado de dentro. Sasuke a puxou para dentro do apartamento pelo braço e fechou a porta com o pé.

— Où étiez-vous? — Perguntou ao pé do ouvido, enquanto os braços a circulavam pela cintura. Beijou o pescoço, sorrindo contra a pele quando ela o abraçou de volta, dando-lhe espaço para continuar a trilha de beijos. — Vou te prender no pé da cama se continuar sumindo assim, chère.

— Oh, podemos começar com você me levando até lá. — Sakura respondeu mordendo seu queixo e dando uma piscadinha. — Desculpe. Acabei me prendendo o dia todo com Ino.

— Eu também. Naruto não calou a boca o dia todo. Mas não quer dizer que eu não pensava nesse belo par de pernas.

Sakura gargalhou quando as costas chocaram-se contra o estofado do sofá da sala, as mãos de Sasuke invadiam por baixo do seu suéter e a sala tornava-se mais quente agora. Pegou-se cuidando os traços dele, beijava sua barriga — um gesto que a fez engasgar — com os olhos fechados… Deus, ele era maravilhoso. Sasuke sempre fora um homem lindo, mas agora prestes a chegar aos trinta anos, os traços maduros e a barba rala. Mostrando que saira com pressa pela manhã, estava frio, mas ele utilizava apenas uma camisa de gola V que mostrava seus músculos… Era um pecado ambulante, era ela quem deveria prendê-lo ao pé da cama. Puxou seu rosto para si, colando seus lábios e deixando que ele comandasse o ritmo do beijo.

— Comprei vinho. — Ele disse com os lábios colados nos dela. — Está tudo certo, estamos prontos e os filhos da puta da Akatsuki nem verão o que os atingiu. Quero que relaxe hoje, oui? Quero sua mente só neste apartamento, só em nós e sua boca gemendo enquanto dou prazer pra você.

— J'aime tes chers promesses.

Sasuke sorriu de canto mordendo seu lábio inferior enquanto os olhos ônix não saiam do par de olhos verdes.

— Você me deixa louco quando fala em francês, querida.

Sakura sorriu, afagando o rosto dele e muito tentada a continuar com as carícias já sabendo como tudo terminaria, mas não conseguiria adiar mais aquilo. Não estava sendo justa com nenhum dos dois. Selou os lábios mais uma vez, sentando-se no colo do noivo, acariciando os cabelos negros.

— Precisamos conversar. — Sakura sussurrou, os rostos colados. — Eu sei que está preocupado comigo e é por isso que não posso mais esperar.

— Fale para mim, chère. — acariciou o rosto delicado dela. — Estamos juntos agora.

Estendeu o braço até a mesinha atrás de si, pegando a taça de vinho tinto, dando um breve gole, assumiu mentalmente que estava apenas enrolando com aquele ato. Encarou Sasuke novamente e respirou fundo.

Kami, ela não poderia colocar as mãos dele na barriga e esperar que ele entendesse! Além do mais… Aquilo era coisa daqueles dramas da televisão.

Poderia entregar o exame para ele? Mas ela havia esquecido na casa de Tsunade.

— Sakura? O que está acontecendo?

— Oh droga! Só me dê um tempo para pensar! — murmurou frustrada.

— Hey. — Sasuke levantou seu rosto para encarar o dele. — Estou aqui.

Ela iria apenas vomitar aquilo nele?

— Eu estou grávida.

Céus, foi péssimo.

O encarava preocupada, o Uchiha mantinha-se em silêncio durante todo o momento e Sakura teve dúvida se ele realmente a encarava ou estava tendo alguma espécie de ataque nervoso com a notícia. Certamente deveria ter preparado Sasuke para a notícia, mas caramba ela foi treinada para ter um excelente mira e não para isso!

Levou a taça que ainda tinha em mãos até a boca, Sasuke sequer se mexia abaixo de si.

— Mon dieu, não pode beber isso. — Sasuke tirou a taça de sua mão. O Uchiha encarava a mulher a sua frente sentindo uma leve tontura que sabia que não era provocada pelo vinho.

— Enceinte? Mon enfant?

Sasuke murmurava consigo mesmo sequer percebendo que falava em francês. Sentia o peito acelerar enquanto procurava as palavras que faltavam quando abria a boca e nada passava pelos lábios… Ela estava grávida? Uma criança, um filho dos dois? A própria mente brincou consigo mesmo, o levando para imagens de Sakura com o ventre já avantajado e depois um menino, tão parecido com ele mas com os olhos da mãe.

Sakura, preocupada com o estado do Uchiha, o chamou mais uma vez, tendo como resposta o calor das mãos dele que curiosas arrastaram-se até sua barriga, inspecionando cada centímetro ali, como se estivesse em busca de algo que ainda não pudesse ver. Ela o observava, emocionada e curiosa, os olhos dele brilhavam tanto! Sorriu quando ele a encarou ainda em choque.

— É verdade? Você? Petit, você está grávida?

— É o que os três exames disseram. — anunciou um pouco mais calma. — E-eu comecei a estranhar há alguns dias… Estava enjoada e Deidara insistiu em que eu fizesse um teste de farmacia. Mas fui até um laboratório e-

Fechou os olhos, acomodando-se no peito dele entregando-se ao abraço apertado que Sasuke lhe dava. Sentia a respiração dele, tão acelerada quanto a sua, mas o que a surpreendeu foi o som não só do sorriso, e sim, da risada de Sasuke que encheu a sala. Em todos esses anos, poderia contar quantas vezes viu algo parecido com aquilo, a risada irritada, a orgulhosa e a irônica. Mas ali era algo completamente diferente, algo que a fizera querer chorar.

— Obrigado.

Encarou Sasuke que sorria, de canto como tipicamente, mas confirmou o que havia pensado. Era algo totalmente diferente agora.

— Estou com medo. — Sakura assumiu. — Eu deveria ter te contato assim que descobri, mas… Me desculpe.

— Está tudo bem, chère. Eu… Nós vamos ter um filho? — Sasuke segurou o rosto dela entre as mãos. — Você é incrível. — Sakura o beijou e o abraçou novamente sentindo o carinho dele em seu ventre.

— Talvez eu devesse estar agindo de outra forma, porém acredito que se eu levantar vou voltar para o sofá. — Ele confessou baixinho.

— Eu te amo. — Segregou contra a pele do pescoço dele.

— Você me fez o homem mais feliz do mundo esta noite, chère.

oOo

Ainda sentia-se um pouco zonzo, já haviam se passado várias horas e Sakura já dormia sob seu peito, mas lá estava ele encarando o teto de gesso e os pensamentos a mil por hora. Não conseguia sequer organizar sua cabeça e pensava seriamente em ligar para Shikamaru logo que amanhecesse, pediria alguma ajuda ao Nara, queria colocar Sakura no primeiro avião para a França, mas sinceramente sabia que era um luta perdida.

Na menor menção de mandá-la para fora do país, quase perderam o clima de paz que havia entre eles e optou por manter o assunto de fora por enquanto. Porém, só de lembrar que em pouco mais de 24 horas todo o perigo estaria a sua volta, o despertava um medo maior do que já tinha.

Passaram horas conversando, Sakura lhe contou cada detalhe sobre os últimos dias — por insistência dele — e mesmo assim ele ainda não conseguia acreditar que havia uma pequena parte dele tornando-se vida dentro de Sakura. Passou a mão pelos cabelos, sorrindo e sentindo-se um mole, mas simplesmente não conseguia agir de outra forma! Estava prestes a chegar aos trinta anos e seria pai!

Pai de uma criança com Sakura.

Um pedaço de gente, um pequeno corredor de corredores e sujador de meias que gritaria atrás de si, o chamando de pai. Era muito cedo para fantasiar com tudo aquilo? Era cedo demais para se preocupar com o sustento de sua família? Sabia que não teriam dificuldades. Ele de fato concluiu a universidade e Sakura tinha uma bela mão para administração de negócios.

De repente, as poucas lembranças que tinha do pai — muito antes de ir para a França — sentado a mesa do escritório, contabilizando e dividindo as despesas veio a sua mente. Naquela época, ainda não havia todo o império construído por Fugaku, e lembrava-se de como o pai tinha as economias certas para a escola de Itachi, enquanto ele ainda ficava em casa com a mãe. Aquilo era paternidade, certo? Colocar aquele pequeno pedaço seu à frente de qualquer necessidade sua.

— Sasuke?

Acordou de seus devaneios com o suspiro pesado de Sakura, percebendo que ela estava em uma posição desconfortável, ajeitou-se no travesseiro com cuidado.

— Durma, chère, estou aqui.

Com a ponta dos dedos acariciou o rosto dela, até que novamente ela repousou, o abraçando por cima do peito voltando a descansar fazendo, no processo, um pedaço da camisa que usava levantar mostrando toda a barriga ainda lisa.

Sasuke se deparou já louco para ver seu bebê entre eles.


oOo

17 de Julho — Sexta-feira, 15h00

Andava pelo apartamento, todo o local estava em completo silêncio, parecia que as paredes entendiam o que se passava. Não conseguia negar que encarava o imóvel de forma nostálgica. Mesmo nos piores momentos não havia se desfeito do apartamento, não conseguia e agora era obrigada a abandonar aquele lugar onde se permitia ser ela mesma.

Podia ouvir Sasuke fechar algumas malas no quarto, já havia despachado seus pertences há muito tempo, com cuidado pois ainda não podia deixar claro que ela fugiria. Parou em frente ao espelho na parede da sala, as vestes eram todas negras e a bota sem salto mantinha-se na mesma cor.

Para desconhecidos não passava de uma roupa que lembrava a de alguns seguranças, mas era a prova de balas, assim como dentro do cano das botas já estava armada com duas facas de caça. Alongou-se analisando se a roupa poderia restringir os movimentos, mas sorriu com satisfação pela qualidade do equipamento que Gaara os providenciara, era uma pena pois gostaria de utilizar ele mais algumas vezes.

Definitivamente ficava mais baixa sem os saltos altos, principalmente quando os 1,89 de Sasuke se colocaram atrás de si, bufou vendo o sorriso presunçoso do Uchiha que colocou seu peito atrás de si. Encarava-o pelo reflexo do espelho, muitas coisas não precisavam ser ditas para eles se entenderem, já haviam discutido pela manhã, ela já esperava que Sasuke tentasse convencê-la a não participar.

Surpreendeu-se quando Sasuke aceitou sua decisão, contrariado é claro, mas sabia que não adiantaria nada e nenhum dos dois gostaria de esgotar-se em uma briga, não agora.

Até porque ele não permitiria que nenhum daqueles lixos colocassem os dedos nela.

Sasuke usava uma roupa semelhante a sua, destacava-se apenas pelo sobretudo negro que cobria quase até seus pés, escondendo as armas que já estavam presas às suas costas. Sorriu para ele, Sasuke estava tão imerso em seus pensamentos quanto ela, os olhos negros corriam por ela como se certificasse que estava tudo como deveria, se seu equipamento estava colocado da forma correta.

— Sempre achei que minha última missão seria quando eu te matasse. — descontraiu.

— Sempre soube que a minha última missão seria por alguma encrenca que você havia se metido. — Sasuke devolveu, abraçando-a. — Estamos ficando velhos.

— Já faz tanto tempo… — suspirou.

Sasuke acenou em resposta, mas não se mexeu. Suas mãos foram até sua barriga, espalmando seus dedos naquela região.

— Eu sei que você não concorda… Talvez me ache egoísta, mas não posso deixar vocês com todo o peso. — Virou-se para ele. — Tente me entender, não vai acontecer nada conosco.

Sasuke sorriu e a beijou na testa, abraçando Sakura contra si, envolvendo-a em seu sobretudo.

— Minha mulher não é uma pessoa fraca. — Respondeu. — Ela parece uma gata, mas quando está ameaçada, ela te dilacera com as garras de uma leoa, é uma das mais habilidosas do círculo e conquistou a sua posição sozinha. A minha mulher não é qualquer uma e foi por isso que você me chamou a atenção desde sempre de alguma forma. Por isso eu sei que vocês dois vão ficar bem.

— Sasuke…

— Estarei lá com você, chère. — Sasuke puxou seu rosto para encará-la. — Acabe com eles e volte para mim em segurança.

— Temos um filho para criar, Uchiha, não ouse fugir enquanto estivermos trabalhando.

Roubou uma risada espontânea dele sentindo o peito aliviar-se um pouco. Tinha medo de passar mal durante a invasão, mas evitou comentar para preocupar o noivo. Fez um carinho no rosto de Sasuke, sentindo a barba rala contra sua pele e a ponta dos seus dedos serem beijadas, antes dele juntar suas bocas em um beijo calmo.

— Está na hora.

oOo


O galpão onde foi montada toda a base das duas equipes estava a todo vapor, Neji e Gaara corriam de um lado para o outro, transportando caixas com munições e organizando a saída de veículos. Ino e Naruto conferiam o ponto eletrônico de Karin e Suigetsu, todos utilizavam roupas semelhantes às suas. Os monitores estavam com todas as imagens voltadas para o prédio espelhado tanto fora, e pelas ruas que o circulavam, quanto com imagens internas interceptadas pelas câmeras de segurança que Naruto hackeou.

Desceram do carro de Sasuke com o Uchiha já se juntando aos amigos da França em uma conversa. Viu Tsunade mais afastada, falava ao telefone e realizava algumas anotações em uma mapa a sua frente, largou a bolsa que carregava em seus ombros e caminhou até a mentora. Sorriu vendo a mesma com a roupa negra como os outros, mas apesar dos quase cinquenta anos, Tsunade esbanjava boa forma e arriscara que havia perdido até mais peso nas últimas semanas.

Haviam se reunido na noite passada, repassaram os últimos detalhes de toda a ação e qualquer detalhe que ainda não estava pronto.Também contaram a todos sobre a gravidez de Sakura, preferia esperar tudo aquilo se encerrar, mas não podia colocar ainda mais sua segurança em risco. Não poderia esconder a informação, principalmente do resto da sua equipe e amigos. Além dos abraços de parabéns e advertências, foram realizadas novas rotas para qualquer emergência.

— Quero ter essa bunda quando tiver sua idade. — Brincou sentado-se na mesa, mordendo a maçã que estava na mão da Senju, recebendo um olhar repreendedor dela. O clima da discussão já havia se dissipado, para alívio das duas. Sakura quase podia ver Tsunade aparecendo com roupinhas de bebê a qualquer momento.

— Certo, certifique que o espaço aéreo estará livre. Não sabemos o horário, mas a partir das onze horas nada poderá passar ou interceptar você. Precisará ficar próximo… — riscou com um “x” algumas quadras. — Utilize o edifício da Nanko, eles utilizam de helicópteros também. Certo, fique em contato e tenha cuidado, sua cobra cega.

— Como você está?

— Estou bem, tomei os remédios que você indicou. — Sakura juntou-se a ela, analisando o mapa de Tokyo. — Estava falando com quem?

— Não te interessa. — Respondeu rindo da reação da rosada. — Um sócio.

— Sasuke sabe que anda de conversa com Orochimaru?

— Desde quando preciso de autorização de um moleque? — Tsunade cruzou os braços. — Não precisa se focar nisso, preciso sua atenção aqui. — apontou para o mapa.

— Qual a novidade?

— Eu irei entrar com você. — Tsunade revelou. — Calada e me ouça! Nada foi alterado, você se infiltrará sozinha, apenas farei o que Sasuke iria e manterei os andares superiores controlados… Quero que o Uchiha fique plantado na cobertura, quem for importante estará lá com Yahiko e precisamos controlar o círculo. Estamos esperando que eles apareçam em torno de dez minutos depois de você, mas não duvido que estejam no prédio em seis.

— Desde quando você está planejando isso, shishou?!

— Não vou deixá-la contra a Akatsuki e o círculo sozinha. Estou preocupada com sua condição e não com sua habilidade garota. — Tsunade explicou. — Não é uma opção, você ainda responde minhas ordens. Entenda que usar o círculo como um exército particular contra aqueles terroristas é uma ideia ótima, mas quando te detectarem lá… Você sabe a regra, quem quebra a identidade do círculo é apagado. Você vai expor sua própria identidade para o Japão e eles vão tirar qualquer informação do ar em segundos, mas ainda serão você e eles. Não vamos querer testar a sorte agora.

Sakura respirou fundo, sabia que ela tinha razão, estava se propondo a ser um alvo para as duas organizações e não seria fácil despistar o círculo quando tudo acabasse. Já tinha ouvido sobre ladrões que forjaram a própria morte para sair, mas Tsunade nunca lhe deixou informações demais sobre isso. Bom, ela iria aprender na prática agora.

Ouviram as conversas se calarem e todos se reunirem no centro do galpão esperando por elas. Havia chegado a hora e era necessário se focar no que deveria ser feito. Juntaram-se aos outros, Shikamaru tirava o cigarro da boca somente para trocar por outro, Temari e Shikadai já estavam fora do país há semanas e a Nara estava cuidando das instalações na nova base fora do país. Assim como Hinata que por pedido de Naruto fora para Londres. Parou ao lado de Sasuke, que devolveu o olhar com uma piscadela para ela, respirou fundo e colocou-se ao centro de todos.

— Eu só queria, antes de qualquer coisa, mostrar minha gratidão a todos vocês. Nunca obriguei ninguém a estar aqui, mas sei que seria impossível realizar isso sozinha, então a equipe de Sasuke, agradeço por colocar suas desavenças comigo e minha equipe de lado e fazer tudo isso funcionar. — Encarava a todos, sentindo o nervosismos sob a pele.

— Sei que não estou facilitando para vocês e concordo quando alguns me disseram que eu não deveria estar aqui hoje, mas eu não estou doente e sim pagando por um erro que cometi quando não sai do caminho de Yahiko e os outros. Peço que confiem em mim, não irei colocar-me em nenhum risco que eu não saiba lidar… Quero todos vocês bem quando nos encontrarmos naquele avião e peço, por favor, não coloquem a vida de vocês mais em risco do que já está. Suigetsu e Karin, sei que começamos errado, mas estou em débito com vocês pelo resto da vida, por mais que entendo que estão fazendo isto a pedido de Sasuke isso não diminui minha gratidão.

— Oh princesa, nós gostamos de uma boa festa e você está proporcionando um grande evento. — Suigetsu responde galanteador recebendo uma ombrada de Karin. — E com isto ela quer dizer que está se divertindo também, não é amour?

— Tsc.

— Voltem seguros… Vocês serão os primeiros a chegarem no local de extração e serão responsáveis por manter o local em segurança. — Sakura reforçou. — Ino, Naruto e Shikamaru estarão juntos na van a quatro quadras do prédio e serão a central do sinal dos comunicadores. Assim que Sasuke avisar que o explosivo está ativo, saiam de lá e encontrem Suigetsu e Karin, estarei logo atrás com Tsunade e ele. Precisamos ficar até o limite, no menor sinal que sairmos e eles perceberem a informação pode ser repassada para outros. Neji estará na casa dos Uchihas inteirando Itachi da situação, …. Gaara.

— Oh por favor, não fique sentimental. — O ruivo sorriu. — Tenho horas de voo o suficiente, estou seguro e os frança vão nos manter em segurança no hangar, se preocupe em acertar aquele puto do Yahiko no meio da testa por mim. O viado me deve um pescoço novo.

— Certo, são quase dezoito horas, Suigetsu e Karin agora é a hora de vocês. — Ino avisou controlando o relógio. — Coloquem esse pen drive no computador, ele dará a acesso para vazar as informações do banco de dados da Akatsuki e o envolvimento dela com assassinatos de membros do círculo e os planos de atentados. Isso durará um minuto no máximo, após isso podem sair do prédio e irem encontrar Gaara no hangar. — entregou a peça vermelha nas mãos da ruiva. — Boa sorte e mantenham contato com a gente.

— Eles nem vão ver de onde saímos. — Karin acenou, colocando as pistolas em seu coldre. — Vamos.

Naruto e Sasuke despediram-se em um meio abraço enquanto o loiro dizia algo sobre aprender a trocar fraldas

Naruto, Ino e Shikamaru se colocavam dentro do furgão onde no interior do carro estava uma rede de comunicação móvel. Sakura e a Yamanaka se abraçaram antes da porta traseira se fechar e partir minutos após de Suigetsu e Karin.

— Se cuide, seu panaca. — Apontou para Gaara que acenou partindo para seu destino.

Sasuke mantinha contato com Naruto pelo comunicador enquanto terminava de se equipar. O negro fosco das armas de Sasuke novamente traziam a sensação de nostalgia, até gostava de certa forma quando ele apontava elas para ela. Sasuke fazia uma cara sexy quando bravo, não era culpa dela.

— Aqui, chère, para dar sorte.

Olhou para as mãos do Uchiha que lhe estendiam uma das suas armas negras, era uma apreciadora de armas desde muito cedo e não negaria que a coleção particular de Sasuke fazia os olhos brilharem.

— Oh querido, agora sim é um pedido de casamento. — brincou enquanto analisava a calibre 38 antes de prendê-la a coxa esquerda. Beijou-o nos lábios sentindo o carinho feito mais uma vez no ventre.

— Amo você. — segregou em seu ouvido.

oOo

Naruto observava as cenas que eram enviadas pela câmera acoplada no ombro de Suigetsu. Estavam infiltrados em um dos andares da Akatsuki, tiveram que derrubar alguns guardas e teve que admitir o que a ruiva dissera, eles sequer viram o que os atingiu. Podia ver a cabeleira ruiva de Karin a frente trabalhando no computador enquanto o Hozuki mantinha-se de guarda.

Os três mantinham-se em silêncio dentro do furgão, atentos e nervosos. As respirações eram baixas enquanto acompanhavam Karin colocar o pen drive no aparelho, puderam ouvir o riso baixo de Suigetsu indicando sucesso.

— Menos de cinquenta segundos. — Avisou Ino acompanhando o tráfego dos arquivos para a rede online. — Trinta… Saiam! Conseguimos, conseguimos! — comemorou. Em poucos minutos canais de comunicação estariam vendo todos os arquivos da Akatsuki.

Estamos saindo. Tudo certo?

— Sim, está autorizado. Parabéns! Tirem a bunda de vocês desse prédio, as coisas vão ficar complicadas. — Naruto aviso, já mais aliviado. — A parte complicada começa agora, certo? — perguntou recebendo um aceno de Shikamaru em resposta.

— Tsunade, fiquem atentos. A qualquer momento agora. — Shikamaru encarou o relógio de pulso que já marcava as dez da noite. — Ino, fique nos fóruns de notícias independentes, adolescentes piram com esse tipo de coisa.

Em minutos a internet parara pelas informações sigilosas de uma grande empresa japonesa que estava ligada diretamente com atentados terroristas por todo o país, além de transações bancárias e documentos onde grande quantidade de compra de armas e munições tinha Tokyo como destino.

Além de documentos vazados da empresa, também foram descobertos ligações e negociações com crimes realizados de quatro anos atrás até os dias atuais, alguns roubos realizados inclusive em museus internacionais de objetos que nunca vieram ao conhecimento da grande mídia — fóruns independentes já discutiam teorias da conspiração, sobre quantas obras teriam sido substituídas ilegalmente — a própria Monalisa teria sido roubada a cerca de três anos e tudo teria sido feito por uma organização criminosa japonesa, na qual as empresas Akatsuki planejava a queda e a substituição por seus próprios serviços.

Diferente da Akatsuki, onde muitos nomes eram citados, inclusive dois homens que faleceram semanas atrás em um acidente de carro no interior. Mas, entre todos os arquivos vazados pelos próprios computadores da empresa, existia um nome que ligava ao grande esquema de roubos no Japão: Tsunade Senju.

Shikamaru, Ino.

— Na escuta.

Mantenha isso longe de Sakura. Sabem do que estou falando.

Shikamaru e a Yamanaka trocaram olhares com a ordem da mais velha. Ino ignorou o sentimento de mudar o canal do rádio para o de Sakura e alertá-la sobre seja lá o que a Senju tinha feito.Aquilo não estava nos planos.

— Ela resolve ficar de segredos logo agora? Hoje?! — Naruto exclamou para os dois.

— Ouviu a ordem, Uzumaki. — Ino respondeu. — Vamos seguir com o plano…

oOo

Sakura, é agora! Sasuke, pode se posicionar. — Escutou a voz de Ino pelo comunicador. — Tsunade, em quinze minutos é você. Boa sorte a todos.

Sakura esgueirou-se entre o grande fluxo de pessoas que andavam de um lado para o outro no saguão do prédio, seguranças corriam de um lado para o outro e as pessoas ali não escondiam mais as armas em mãos visto que em minutos todos se colocaram em alerta para possíveis ataques e civis não mais eram permitidos no prédio.

Entrara pela porta da frente, utilizando uma peruca de cabelos negros para evitar ser reconhecida. Haviam cogitado que entrasse longe de olhares, assim como Tsunade e Sasuke fariam, mas ela ainda tinha um grande ego e não seria daquela vez que o iria dispensá-lo. Andava apressada, mesclando-se ao nervosismo das pessoas ali, no comunicador era o maior e total silêncio, todas as frequências estavam conectadas, todos acompanhavam o andar da missão.

Chère.

— Aa. — Confirmou indo até o ponto cego das câmeras. — Ino…

— Um minuto, estou quase.

Podia ouvir o som das teclas do computador de Ino que pareciam como de abelhas com a velocidade que os dedos da loira trabalharam. Era necessário hackear um andar por vez, pois além de roubar as imagens, teriam que deixar a segurança sem controle das mesmas não permitindo que eles recebessem sinal dos aparelhos de segurança.

— Ino…

— Pronto! Diga olá para as câmeras querida.

Sakura sorriu com a brincadeira da amiga, esquecendo-se que todos ouviam e se divertiam, no possível, com o diálogo das duas. Colocou a mão por dentro do casaco, retirando o cilindro de metal e posicionou-se atrás de uma parede de vidro, deixando que o objeto rolasse pelo saguão.

Até que tudo tornou-se uma imensa neblina.

O caos tomou conta do local, Sakura abaixou-se ficando abaixo do nível da fumaça e disparou em direção ao amontoado de gente. A resposta fora o tiroteio que se iniciou, podia ouvir o som dos corpos caindo e os seguranças pedindo por ordem e a Haruno ocupou-se de sumir de lá pelas escadas de emergência. Trancou a porta de metal atrás de si, jogando a peruca longe e verificando a pistola em mãos. Nos comunicadores as informações eram passadas rapidamente, Tsunade estava nos andares superiores enquanto Sasuke estava como sniper no prédio ao lado.

— Sakura, o sinal de internet caiu estamos via rádio… O círculo está agindo, eles vão destruir qualquer informação na rede. — Naruto alertou.

— Devem estar a caminho então.

Sakura respirou fundo e rumou-se a subir pela escada de emergência do prédio, pelas suas contas não fazia uma hora que Karin e Suigetsu haviam saído do prédio. Podia ouvir os passos vindos dos andares superiores, era a rota mais fácil para chegar até o saguão do prédio. A Akatsuki estava esperando o círculo a qualquer momento e os gritos dos homens que vinham apressados em sua direção eram a prova viva disso.

Carregava uma arma em cada mão, ambas já estavam destravadas e aguardou. Quando o primeiro brutamontes apareceu em sua visão começou os disparos. Os primeiros perdiam o equilíbrio e rolavam escadaria abaixo, surpresos com o ataque naquela área. A troca de tiros era complicada naquele local, Sakura tinha uma ótima visão por estar em andares acima deles e a fornecia boa defesa.

Com um movimento rápido, trocou o cartucho de balas das armas e voltava aos alvos. Podia ouvir tiros ecoando por todo o local — Tsunade que se infiltrou nos andares — enquanto ela ganhava tempo eliminando os amontoados de seguranças que vinham até ela.

O primeiro que conseguiu alcançá-la tentou acertá-la pelo flanco, movimento que ela bloqueou o acertando na nuca com uma coronhada e caindo aos seus pés.

O tremor veio e logo após o barulho de explosão pode ser ouvido, julgava que estava no décimo andar, mas podia ouvir a confusão e gritos por todo o lado. Outra explosão e tudo ficou em silêncio e a tensão. O círculo havia chegado e para expor daquela forma, eles não pretendiam deixar pedra sobre pedra.

— Começou a festa, queridos!

— Você parece uma psicopata quando fala assim. — Naruto murmurou. — Você está dois andares abaixo da Tsunade.

Sakura seguiu para a porta de ferro em que dava acesso ao décimo andar, teve que utilizar um corpo caído como escudo para si mesma. Tsunade dava algum trabalho para os homens da Akatsuki e sorriu quando finalmente juntaram-se, podendo ver o temor nos olhos dos inimigos que começaram a vacilar e abandonar o local.

oOo

Sasuke sorriu quando mais um cadáver caiu, recarregou o rifle e voltou a mirar com firmeza. Sentia o frio bater sob seu corpo, deitado no topo de um prédio próximo de onde Sakura e Tsunade causavam um inferno. Claro que o círculo estava realmente fazendo um bom trabalho, reconheceu alguns “colegas” a serviço ali, mas não lamentou quando teve que derrubar alguns dos seus. Tinha que evitar que chegassem muito próximos de Sakura que conseguia chegar aos andares onde Yahiko se escondia.

Seu comunicador estava uma bagunça, as trocas de tiros e informações praticamente explodiam em seus ouvidos e o irritavam, principalmente quando era necessário uma imensa concentração para mirar daquela distância e sua mulher estava sob a mira de um monte de filhos da puta.

Pela lente podia ver os cabelos rosados dela voarem entre as pessoas, não podia negar um certo orgulho ao ver Sakura, depois de tanto tempo, em uma situação com tanta habilidade exigindo dela, sentia-se aliviado por Tsunade estar lhe dando uma bela cobertura. Ajustou o telescópio novamente, uma mulher esgueirava-se por detrás de mesas já destruídas, tentando chegar próximo da Haruno. Respirou fundo, deixou o dedo relaxado e atirou.

Sakura virou-se para trás quando o vidro estourou e a mulher caiu aos seus pés, sorriu quando ela olhou em sua direção, podendo ver a piscada que ela lhe dera, sabendo que ele a veria.

Lá de cima, podia ver o teatro que o círculo havia formado. Policiais haviam evacuado toda a área e Naruto e os outros foram obrigados a se distanciar — logo eles precisariam sumir e ir até o hangar de Gaara — nos noticiários tudo passava como um atentado terrorista contra o governo do Japão, que havia supostamente testado armamento bélico nas fronteiras do Oriente Médio. O primeiro ministro não negaria, já que estava com uma arma na sua nuca a horas.

Uma palhaçada.

Mas ele devia dar os créditos já que estava funcionando impressionantemente bem.

— Sasuke, se prepare para irmos para a fase final! Estão chegando mais agentes e elas vão precisar ser extraídas de lá a qualquer momento! — Ino gritou em seu ouvido. — Lançaram a ordem de tiro contra a Tsunade! Precisamos agir!

Sabia que a Yamanaka estava apavorada e já não conseguia manter a calma necessária. Começava a entender o que a velha Senju havia aprontado, mas talvez se sentia um pouco como Ino e não queria chegar ao final daquele raciocínio.

Derrubou mais sete e novamente trocou a munição.

O barulho do helicóptero o fez ficar em alerta, tirou o rifle da base e girou o corpo para a aeronave com pintura de camuflagem. Não foi difícil reconhecer Orochimaru que estava sentado com os pés para fora e seu clássico terno branco. O seu tutor lhe saudou com um aceno, o mesmo segurava uma metralhadora em mãos e finalmente pôde ver que Juugo, um velho conhecido, estava no controle do helicóptero. Porém temeu quando viu Suigetsu e Karin a bordo com a velha cobra.

Sua mente voltou a atenção para seu alvo principal quando o som de mais uma explosão ecoou. Engoliu a seco, praticamente metade de uma das faces do prédio estava sem sua estrutura, vidros caiam até o chão e faziam vítimas enquanto via as pessoas lá dentro segurar-se em qualquer coisa para proteger-se do vento que facilmente levaria qualquer um pelos ares.

E o pior de tudo, havia perdido Sakura de vista.

oOo

A escuridão e calmaria da madrugada era rompida pelo som de tiros e explosões em pleno centro de Tokyo, onde o arranha céu de 40 andares tornara-se uma pira no meio da cidade. O fogo emergia dos andares, explodindo as janelas de vidro que chocavam-se ao solo em um perigo mortal. Quem via a distância enxergava as chamas saindo pelos espaços, agora vazios, da estrutura espelhada e, como uma amostra da tragédia, silhuetas de corpos eram vistos caindo. Homens já sem vida e outros buscando a fuga das chamas que consumiam e queimavam tudo no seu caminho.

No último andar, os sobreviventes lutavam, corpos baleados ou decapitados caiam pelo chão do andar ainda livre do fogo. O som de armas de diversos calibres era ensurdecedor para qualquer um, que não era habituado a violência dos ladrões e da máfia. Sakura observava tudo sair de seu controle, desde que o círculo e seus agentes invadiram a sede da Akatsuki, uma mão estava sob o ventre enquanto a outra empunhava a AK-47 semi automática, utilizando a coluna de concreto como proteção.

O som do helicóptero emergiu por cima de qualquer outro, como um titã, e a Haruno jogou-se ao chão quando a bazuca foi disparada contra o prédio na direção onde os membros remanescentes da Akatsuki se abrigavam. Pela altitude que se encontravam, teve se segurar pela violência do vento que varria o andar, mais tiros de submetralhadoras era disparados contra eles e ela pode ver quando Konan, a vadia que havia lhe acertado a perna, caiu já sem vida e com uma bala na cabeça.

Do meio da fumaça saiu Sasuke, a capa preta envolvia seu corpo e ela sabia que por baixo dela estava incontáveis armas e balas. O Uchiha foi recepcionado pelo círculo, que inutilmente tentaram o derrubar, mas foram recebidos com um chute no peito e socos antes da bala de Magnum os finalizarem. Correu para ela, queria ter sorrido de alívio, mas precisava derrubar qualquer um que tentasse pega-lo pelas costas. Tão logo que ele a alcançou, os braços do Uchiha a circularam e a levantaram, dando o apoio que ela não tinha para andar por si própria.

— Preciso te tirar daqui.

Sakura o abraçou, ambos andando abaixados pelo local, evitando a troca de tiros. Encarou o helicóptero, ainda distante, mas com a figura distinta que os aguardava. Os cabelos longos e negros, como se lembrava, o terno branco assim como os sapatos. Orochimaru tinha fúria no olhar enquanto disparava contra Akatsuki e o círculo, gritando como amaldiçoava a todos. Vê-lo ali a lembrou da outra pessoa que estava naquele andar, Tsunade.

A procurou, encarando o caos do local, Tsunade dançava pelo local. Os cabelos loiros amarrados em um rabo de cavalo, lembrando-a de Ino, e a roupa de couro colada no corpo que não mostrava a sua realidade. Eram muitos, Sasuke foi obrigado a parar seu trajeto e ela o ajudou a eliminar grande parte dos homens e mulheres que não estavam dispostos a deixarem-os ir. Jogou a AK-47 já sem munição para longe e Sasuke a lançou uma pistola, apoiou os braços sobre o mureta que fazia parte da destruída cafeteria privativa de Yahiko.

Pôde ver o chefe e líder da Akatsuki sair de onde se escondia, gritou para Sasuke e ignorando a dor na perna, pulou por cima do muro e saiu à caça do ruivo que desviava enquanto tentava acertá-la. Respirou fundo antes de mais uma vez apertar o gatilho, sentiu o ar sair por seus lábios enquanto observava a cabeça de Yahiko ir para trás pelo impacto e seu corpo dar alguns passos e recuar, pronta para atirar mais uma vez, quando som de outro disparo próximo a si a vez olhar para outra direção.

Sentiu a força das pernas esvair-se, podia ver um homem mais ao fundo sorrir para si enquanto a fumaça saia do cano de sua 12mm. Sua reação foi quase robótica, quando atirou, não mirou, mas soube que a bala atravessou seu crânio. A pistola caiu e o grito rompeu sua garganta em desespero antes de seu corpo ser envolto por braços.

Reconheceu Suigetsu, Karin — que não deveriam estar ali — e um outro homem entre os novos rostos que entraram ao local que em poucos minutos desabaria. Mas os olhos não saiam do corpo no chão, sentia as lágrimas… Mas ao mesmo tempo não sentia mais nada.

Não.

Olhou para trás, era Orochimaru que praticamente a carregava agora. A ardência a fez gritar, havia sido atingida no ombro, sentia a bala alojada na sua carne.

Não.

O som do helicóptero tornou-se ensurdecedor quando foi colocada lá dentro e o som das explosões e o fogo finalmente chegando ao último andar fora a última coisa que ouviu antes de desmaiar, enquanto seu inconsciente ainda gritava.

Como quando era criança negligenciada pelos pais, abandonada e passava tardes sozinha chorando na pracinha onde Tsunade a conheceu.

Não.

Do lado de fora, as mesmas pessoas que viam em desespero o prédio minutos atrás em chamas, agora viam o mesmo prédio ser engolido por explosões até tudo virar uma nuvem impenetrável de fumaça e tudo vir ao chão.

oOo

Seu corpo balançava de um lado para o outro, mas sentia presa seja lá no que estivesse presa. O barulho de motor era incômodo entretanto as vozes eram piores e faziam sua cabeça doer mais do que a garganta que implorava por água.

O teto era de metal e escuro — talvez sujeira — o balançar de algumas cordas presas a fizeram enjoar, a luz era baixa e amarelada. O cheiro de gasolina deram o toque final aquele cenário que vira no máximo duas vezes.

O avião de Gaara.

Aquela constatação a deixou totalmente alerta tentando se levantar, mas percebeu que realmente estava atada a uma cama. Não estava com a roupa negra e a mancha de sangue sob a regata branca a deixou em pânico.

— Hey, hey! Está tudo bem!

Em um milésimo de segundos, Sasuke apareceu na sua frente. Talvez estivesse ali o tempo todo, mas não havia percebido. Encarou o Uchiha que a encarava preocupado, o rosto dele estava totalmente sujo com algo que certamente parecia cinzas, assim como o cabelo cheio de pó de concreto.

— Ino, ela acordou! — Sasuke chamou pela loira, sem tirar o olhar dela. — Está tudo bem, chère. Estamos no avião, estamos indo para casa agora, oui? Ino!

Encarou novamente a mancha de sangue em seu busto e o olhou em uma pergunta silenciosa.

— Está tudo bem com vocês dois! Foi só uma bala de raspão no seu ombro. — Sasuke aproximou-se dela, limpando as lágrimas que caiam sem que ela percebe-se. — Shii… Você foi perfeita e agora acabou. Se acalme, petit, por favor… Nosso filho está bem, preciso que acredite em mi. Só precisa se preocupar em descansar agora.

Não viu por onde Ino viera, mas quando a amiga se aproximou percebeu que tinha um soro ligado a intravenosa. A Yamanaka tinha os olhos vermelhos e inchados e mantinha-se concentrada em checar seus curativos e se a agulha estava como deveria.

— Pare de me olhar assim, sua idiota… Não me assuste assim de novo! — Ino a encarou chorosa. — O susto que levei quando chegou desmaiada! Vocês dois estão bem, você e a minha afilhada ok? Seu corpo apenas não aguentou todo o stress e isso é algo normal em uma gestação.

Agradeceu quando Sasuke lhe deu uma garrafa de água e soltaram as faixas imobilizadoras que a prendiam na maca improvisada. Olhou ao redor, literalmente estavam todos ali… Inclusive Orochimaru que conversava com Naruto em um canto distante do avião. Correu o olhar mais uma vez, a procura da cabeleira loira enquanto seu coração pulsava tão forte em seu peito que doía em apreensão.

Lembrou-se de quando Sasuke a tirou do prédio logo depois de atirar em Yahiko.

— Onde está Tsunade? — Perguntou baixo e a resposta foi um soluço alto vindo de Ino que se desmanchava em lágrimas. — Ela…

Encarou Ino e depois Sasuke, até mesmo o Uchiha não conseguia esconder suas feições pesarosas. A mão vacilou deixando o copo de plástico com água cair no chão, ninguém a encarava além de Sasuke e o choro de Ino ecoava em sua mente até que o seu próprio choro juntasse ao da amiga.

— Ela não… Ela não veio até nós, querida. — Sasuke respondeu devagar. — Acredite em mim. Nós tentamos de todas as formas, mas ela correu na direção contrária do helicóptero. Se tivéssemos continuado ali por mais um minuto a explosão teria nos pegado… Chère, me desculpe, mas ela não saiu de lá.

Sakura abriu a boca sentindo o ar abandonar seus pulmões, a imagem do prédio desabando enquanto o helicóptero se afastava veio clara em sua mente. O grito de Sakura ecoou por todo o avião, sentia os braços de Sasuke a circularem enquanto apertava-se contra o Uchiha que a pedia calma.

Céus aquilo doía tanto.

Virou-se para Ino que segurava sua mão procurando conforto para as duas.

— Me desculpe, por favor… Me desculpe

Ino a encarou, juntando-a em um abraço desajeitado. As duas meninas de Tsunade dividiam as lágrimas enquanto a dor do luto alastrava-se entre elas. Sasuke deixou-as ter seu momento, mesmo não se afastando de Sakura que murmurava pedidos de desculpa para Ino que negava qualquer culpa que ela poderia sentir.

— Você não tem culpa de nada, meu Deus! — Ino a abraçou forte. — Não diga isso! Prometa que não vai fazer isso com você, estamos juntas ok? Vamos continuar juntas.

Shikamaru aproximou-se, entregando para Sasuke as duas pílulas coloridas que deveriam ser dadas a Haruno que recebeu um beijo na testa do amigo antes dele se afastar de volta para a cabine do avião.

— Eu quero que me escute, sim? — Sasuke a virou para si. — Você não tem culpa nenhuma e ninguém pensou nisso. Preciso que se acalme amor, preciso que pense no nosso filho e deixe que eu cuide de você agora… Ela se sacrificou para que você e Ino vivam seguras e ela detestaria ver você assim agora.

Sakura o encarou atenta, mas o peito de Sasuke doía ao ver sua mulher tão destruída.

— Tome isso, vai te fazer dormir até chegarmos em casa. Você precisa de descanso e somente isso agora. — Entregou as cápsulas na mão dela. — Durma agora, ma petit.

oOo

Encarava a neve cair pelo extenso gramado. Ele já não era mais tão verde. Devido ao inverno começava a tornar-se algo amarelado como trigo, mas não perdia a beleza da vista.

Nas mãos o chá quente a ajudava a esquentar-se, pois as cobertas em volta do corpo as vezes não eram o bastante. Descobriu que a gravidez deixava-a muito mais sensível ao frio do que era, isto a fez detestar um pouco sua estação preferida, mas poderia superar já que a menina parecia bem animada para sair ao mundo ainda naquela estação cheia de neve por todos os lados.

Já havia chegado ao nono mês da gestação, e devido as estrapolias no inicio da gravidez, era obrigada a manter-se em total repouso nas últimas semanas até que a hora do parto chegasse. Sentia-se exausta, mas não podia negar a ansiedade. Julgava Sasuke mas no fundo ela estava mais nervosa que o próprio Uchiha.

Poderia ser a qualquer momento.

Desde que chegaram à França, haviam se hospedado em uma casa de campo que pertencia a Orochimaru no interior do país e onde Sasuke havia passado todo seu período de exílio ali. A casa era aconchegante — algo que não esperava, devido aos gostos peculiares de Orochimaru- mas talvez tivesse começado a compreender melhor o mentor de Sasuke e amigo de Tsunade.

Tsunade… Ainda doía, a corroia por dentro a cada dia. Dias após que chegaram em Lyon, e talvez uma das primeiras noites em que Sasuke conseguira dormir, saiu para tomar água quando encontrou Orochimaru sentado a frente da lareira silenciosamente a convidando para juntar-se a ele.

Naquela noite descobriu três coisas:

Tsunade, anos atrás, havia alterado milhares de documentos em que o nome de Sakura era citado colocando o próprio nome, assim como todos os registros da Haruno que era de menção ao círculo. Era como se ela nunca tivesse sido parte, transações, roubos em seu registro… Tudo constava como se fosse Senju Tsunade.

Sua tutora e Orochimaru tiveram um relacionamento no passado quando ainda trabalhavam juntos com Jiraya. Por isso ambos não conseguiram proibir que Sasuke e ela ficassem juntos desde o início, pois o casal havia decidido se separar em busca de respeitar as regras do círculo.

Em nenhum momento Tsunade havia a seguido até o laboratório, onde foi com Ino realizar o teste de gravidez. Tsunade havia descoberto há poucas semanas um nódulo na mama e no dia que foi pegar os resultados dos seus exames, viu as duas pupilas irem ao mesmo consultório… Ela tinha sido diagnosticada com câncer, mas apenas Orochimaru sabia disto. Tsunade havia, secretamente, planejado um desfecho completamente diferente que haviam criado para a extinção da Akatsuki. Sabia desde o início o que iria fazer e por isso foi pessoalmente atrás de Orochimaru, não somente por ajuda. Mas também como uma despedida.

Queria dizer que sentiu apenas raiva e um sentimento de traição, mas não foi possível manter isso por muito tempo. Porém durante todos aqueles meses o que mais pôde fazer fora refletir… Não se sentia mais a mesma. Aquela grande quantidade de raiva e culpa já havia se desfeito há muito tempo, o coração apertava com saudade, mas além de tudo isso, também sentia uma enorme gratidão.

Tsunade dera sua vida para que ela tivesse uma nova chance e não aceitar isso era a pior falta que poderia fazer com sua mestra.

— Chère?

Virou-se para a porta do quarto, onde Sasuke adentrava, retirando o grosso casaco e a touca. O Uchiha mantinha contato com a família. Para os Uchihas a mãe de Sakura havia sido uma das vítimas do atentado naquela noite e a mulher deixou o país devido ao trauma. Apenas contou sobre a gravidez de Sakura quando se certificaram que nenhum remanescente da Akatsuki sobrevivera e que Itachi estava bem ciente do que havia se envolvido. Neji fez a revelação para o irmão mais velho de Sasuke naquela mesma noite, quando Fugaku e Mikoto já haviam se retirado para dormir.

— Como está se sentindo? — Sentou-se à frente dela segurando as mãos da mulher entre as suas.

— Grande e pesada. — Suspirou, roubando um sorriso dele. Sasuke realmente estava bobo com a realidade de ter uma menina não era incomum o mesmo chegar com algum bichinho de pelúcia novo para colocar no quarto da filha.

— Você está ótima, amor. — Sasuke alisou sua barriga. — Estava pensando… Sarada seria um bom nome.

— Sarada?

Oh sim, já havia semanas que ambos não conseguiam se decidir quanto ao nome. Sakura já tinha recorrido a livros com nomes de crianças e Ino fazia um ótimo trabalho em trazer novos exemplares toda a semana. Durante a noite, Sasuke passava horas a aconchegando em seus braços, as mãos grandes do Uchiha em sua barriga enquanto ele sussurrava vários nomes para a barriga sempre esperando alguma reação da pequena ainda no ventre de Sakura.

Haviam chegado apenas a uma conclusão, o nome seria com “S” mantendo as iniciais dos dois. Talvez como uma brincadeira particular do casal, não precisavam dar satisfações para ninguém além deles de toda forma. Porém, como uma bela cria dos dois, a menina estava sendo bem temperamental quanto às escolhas do pai.

— Aa. — Sasuke anuiu. — Uchiha Sarada hn? Não me parece mal.

Sakura riu da animação dele, o brilho nos olhos como uma criança que escolhia seu presente de natal no final do ano. Sentiu Sarada remexer-se dentro de si, o que a fez encarar a barriga surpresa, já era natural ela mexer-se com a voz do pai, mas a menina estava incontrolável! Pobre das suas costelas, como podia doer tanto?

— Acho que temos um nome então. — Sakura o avisou. — Kami, ela está dançando aqui dentro? Céus... Ai!

— Ma poupée está alegre hoje, sim? Nossa Sarada está-

— Nascendo! Sasuke... A bolsa estourou. — Sakura sentia o líquido escorrer por suas pernas. — Sarada está nascendo!

Tão rápido quanto o grito de Sakura encheu a casa, a rosada já estava nos braços de Sasuke que corria em direção ao carro com Ino entrando no veículo vestindo apenas um baby-doll e pantufas (E um Gaara sozinho na cama).

oOo

Sasuke sequer lembrava como chegou ao hospital ou quando o vestiram com aquela roupa verde ridícula, a única coisa que tinha a atenção do moreno era a sua mulher deitada na maca e a mão dela que segurava a sua com uma força monstruosa. Sempre achara que Sakura era a mulher mais forte que conhecera, mas vê-la ali dando toda sua energia para trazer ao mundo a filha deles… Era a maior demonstração de como sua mulher era forte.

O choro de Sakura foi substituído por outro, mais urgente, mais fino, mais furioso… Sarada nascera gritando ao mundo sua chegada, a pele avermelhada e os cabelos ralos e negros, já denunciando provavelmente a quem a menina puxou. O bebê foi colocado nos braços de Sakura, que por mais que o cansaço fosse eminente em seu rosto, ajeitou-se para receber a pequena com o sorriso mais lindo que Sasuke já viu em seu rosto.

— Ela é tão linda…

— É perfeita, chère. — Sasuke beijou seus lábios e juntou-se a ela para admirar seu maior tesouro. — Obrigado.

Foi apenas um sussurro, mas que ela pode ouvir e deixar-se levar por toda aquela sensação de que estava completa. Ainda tinha feridas profundas para curar e uma nova vida para se adaptar, mas agora — mais do que nunca — sabia que estava completa.

Sarada vinha como uma prova viva de como algo poderia mudar a sua vida, seu tempo, seu pensamento, alguém para dar todo o seu coração. Sarada era a prova mais real do sentimento entre ela e Sasuke. Um sentimento que sobreviveu independente das situações e problemas que puderam viver. Um amor onde nada abala e que resiste a qualquer dificuldade e qualquer distância imposta.



Notas finais
Où étiez-vous - Onde você estava? J'aime tes chers promesses. - Eu gosto das suas promessas, querido. Enceinte? Mon enfant? - Grávida? Um filho? Ma poupée - minha boneca. Vejo vocês na terça-feira! ♥