Dogma

16 Enjoy The Silence


Notas iniciais
Não vou me prolongar muito, até porque (infelizmente) não é a primeira vez que atraso Dogma, mas realmente peço desculpas pela demora. Dedicando esse capitulo para aquelas que dão uma de Sakura e não desistem de mim, mesmo depois de tanto tempo aHAHAHAHA Mirys e Panzoca ♥ Este é o penúltimo capitulo de Dogma :o Conversamos depois, ~boa leitura ♥

Dois dias atrás.

Encarava a parede do banheiro, procurando imperfeições entre os azulejos pretos e brancos que ela mesmo havia escolhido. Depois partiu para as mãos, as unhas pintadas de um verde claro que a agradava, foi ela quem escolheu a cor também.

Mas aquilo… Foi treinada para ter tudo sob seu controle e nada mais estava sob o controle dela naquele momento. Podia ouvir o som que vinha do seu quarto, o player continuava em sua playlist programada, as batidas de Lullaby do The Cure chegavam a ser ironicamente calmantes.

O que ela faria?

Ino a aguardava no andar de baixo, já estavam há mais de mês realizando os preparativos para o abate da Akatsuki e agora tudo estava prestes a ir por água abaixo. O estômago embrulhava-se novamente, aquele misto de sensações. Sequer sabia dizer o que sentia.

O cheiro do produto de limpeza a deixava um pouco tonta, quem comprou aquilo? As unhas impecáveis agora estavam destruídas, roídas e lascas de esmalte faltando. Deidara a chamava por mensagem quando desistiu de ligar… Estava sentindo-se sufocada.

Quando achou que poderia ver o final dos seus problemas e tudo finalmente estando sob controle, não poderia ser agora… Lá estava ela sentindo novamente o frio daquele banheiro onde passou tantas noites em claro.

Por Kami, queria chorar, quando foi a última vez que esteve tão assustada?

oOo

Tsunade parou o conversível em frente a antiga casa. O carro destoava daquela localização, era uma parte mais simples do bairro Taito. Fez uma careta ao encarar o casarão velho, detestava aquele lugar e havia prometido a si mesma que não voltaria mais ali. Os bons tempos foram enterrados com o amigo.

O sapato batia contra a calçada de pedra que levava até a entrada principal da propriedade. Olhou em volta certificando-se que nenhum curioso fosse se meter naquilo e girou o trinco, duas vezes para esquerda, três para a direita, ouvindo a tranca ser destravada e permitindo sua entrada.

O cheiro de mofo era predominante, os lençóis — que uma vez já foram brancos — cobriam os móveis impedindo o pó caísse sob esses. Rumou para as escadas, passando os dedos pelo corrimão até alcançar o terceiro e último andar e caminhou pelo corredor iluminado pelas lâmpadas amareladas chegando em frente a porta de madeira maciça e escura.

— Devo dizer que fiquei surpreso em receber sua ligação.

Tsunade estalou a língua, sentando-se no sofá de couro branco, ao contrário de toda a casa aquela sala estava totalmente limpa. Móveis impecáveis e podia ver o avançado aparelhato eletrônico que ficava na segunda ala.

A silhueta sentava-se atrás da mesa iluminada pela luminária em formato de serpente. Podia ver o cabelo negro e comprido moldando-se ao rosto pálido e o terno branco, os olhos a encaravam curiosos, uma excitação corria por eles assim como anos atrás. Estava mais velho, mas o brilho naqueles olhos era o mesmo, ameaçador como pronto para dar o bote ao menor deslize do inimigo.

Orochimaru, era o mais novo dos três. Porém era o que mais continha fúria em si, não tinha receio de matar nas missões — algo que os participantes do círculo evitavam. Mas contrariando ao que muitos achavam, era extremamente leal aos seus objetivos e parceiros. A prova era a cicatriz no olho esquerdo. Ele escondia com o cabelo, mas ela sabia que estava cego.

— Fiquei surpresa ao me dizer onde estava lambendo suas feridas.

— Sou nostálgico Tsunade. Não deveria achar tão estranho. — Orochimaru levantou-se, encostando o quadril na mesa. — Por aqui consigo ter acesso a toda informação que preciso e mexer meu tabuleiro.

— Suas peças, você diz. — Tsunade cruzou os braços. Sabia que o ex-parceiro tinha dezenas de “afilhados” pelo mundo além de Sasuke, claro que totalmente alheio aos olhos do círculo. — Sabe o porquê estou aqui, engraçado que seja sobre uma delas.

— Ouch. Sasuke não vai gostar que pense isso dele. — Sorriu, não se importando com a ironia da loira. — Você sabe que o garoto nunca foi uma das minhas peças. Ele é genial demais para isso.

— Por isso você o deixou com autonomia total.

— Não sou como você, não vou ficar babando minha cria. Ensinei a ele tudo o que podia e me orgulho em dizer que fui extremamente superado por ele… Ele conquistou o que tem com as próprias mãos. — Orochimaru não escondia o orgulho ao falar sobre o primeiro aprendiz. — Inclusive sua menina Sakura.

— Respeito.

— Acredite, eu tenho. — Levantou os braços em rendição. — É engraçado ver a história se repetir em uma nova geração. — piscou para Tsunade.

— Foco.

— Certo… — Suspirou, dando de ombros. — Sasuke entrou em contato comigo logo após aquele incidente em Nara, então autorizei Suigetsu e Karin manterem residência no Japão por enquanto. Devo dizer que quando ele me procurou uma segunda vez, tive a compreensão do quão sério era a situação, então fui obrigado a entrar mais do que queria nisso…

— No final todos acabamos babando em nossas crias.

— Touché. Siga-me.

Levantou-se seguindo Orochimaru até a segunda ala da sala, não surpreendeu-se ao se deparar com diversas telas com imagens em tempo real do imenso prédio espelhado, o grande foco de todos nas últimas semanas. Orochimaru continuava tendo olhos em todo os lugares.

— Achei que iria precisar te atualizar, mas dependendo você tem mais informações que nós. — debochou roubando uma risada do homem.

— Sinto-me contente de ainda poder enfiar algumas balas em cabeças, mesmo que minha mira não seja mais tão excelente… Mas o trabalho deve continuar.

Tsunade o encarou, permitindo chegar mais próximo de Orochimaru que não repeliu o contato quando ela levantou a franja, mostrando o olho esquerdo, branco e sem vida junto a cicatriz a muito já curada.

— Ele sabe que você tentou.

— Aa. — Colocou a franja novamente sob o rosto, virando sua atenção aos monitores. — Sei que veio me pedir ajuda e que achou que estava indiferente a situação. Mas isso é grande demais para que eu ignore. E não vou deixar que Sasuke entre em um prédio para morrer.

— Isso é grande da sua parte….

— Isso se chama payback — Deu de ombros. — Esses moleques mataram Jiraya. Não vou deixar que levem o meu sucessor e se ele se meteu nisso pela Haruno. Vou ajudá-lo também, não me importo com o círculo.

— Então ele já te contou.

— Sim. — Orochimaru virou-se para ela sorrindo. — Vai ser um show e tanto.

oOo

— Vadia, você não pode sumir assim! — Deidara apontava o dedo de forma acusatória, Sakura rolou os olhos enquanto bebia o café. — Eu to falando sério, Sakura… Isso é sério.

— Eu me recuso a tomar uma bronca de você.

— Eu sou sua deusa nesse momento, querida. A prova disso que Ino ou Hinata não estão aqui. — Deidara sorriu. — Estou tentando descontrair a situação.

— Você deveria estar fazendo eu esquecer ela.

— Seu boy está vindo te buscar, estou nervosa e sabe que fico falante.

— Você precisa transar, gay. — Sakura riu.

— Sinto falta das nossas festas, mas fico feliz que você esteja se acertando no final de contas. — o loiro segurou sua mão com um sorriso sincero. — Mas a puta da Ino quase foge de mim quando ligo para combinarmos algo.

— Ela está cheia de trabalho. Logo vai passar… — Sakura sorriu.

— Aham…. Trabalho… O ruivo lindão não tem nada a ver? — desdenhou — Aquele seu personal, pelo amor de kami.

— Falando em trabalho… — Sakura ajeitou-se na cadeira mordendo o lábio. — Eu preciso te contar mais uma coisinha. Provavelmente, quer dizer, certamente eu vou me mudar de Tokyo… Sasuke está abrindo um novo escritório na Holanda eu-

— Nem precisa terminar de falar! — Deidara levantou uma mão. — Se você deixasse esse homem de deus voar por aí mais um vez, viada, eu ia te enfiar naquele avião a chutes.

— Você é impossível.

— Vamos fazer algo antes de você ir, preciso comprar um presente pra você. — piscou. — Querida, se aquele esportivo preto estacionado ali fora não for o Uchiha, vai me dar licença porque vou cair atirando.

Sasuke batucava os dedos no volante do carro enquanto observava Sakura e o tal Deidara levantarem-se e virem até o lado de fora da cafeteria, aguardou que os dois se despedissem, sabia que Sakura queria um dia “normal” com seu único amigo fora do círculo e entendia que era necessário para ela aquela despedida.

Se abraçaram e Sakura riu antes do rosto dela ficar sério novamente, após alguma coisa que o amigo dissera. Abraçaram-se e logo ela estava indo em sua direção, se deu ao luxo de observá-la enquanto vinha para si.

Por um momento, lembrou-se de si na adolescência, que dor nas bolas que ele seria na sua consciência naquele momento. Lá estava ele com seus quase trinta, assumindo para si o quão era apaixonado por aquela mulher… Sentia que havia dois Sasukes, antes e pós Sakura. E não tinha peso algum na consciência por isso, aquelas noites em claro tantos anos atrás, quando tentava entender o que era aquilo que sentia pela Haruno, sua rival até então, porque aquela fedelha não saia da sua cabeça?

Acordou com o som da porta sendo aberta, seguia seus movimentos pelo canto do olho jogando a bolsa no banco de trás e esticando-se para si selando os lábios, a segurou quando tentou se afastar, recebendo o olhar confuso da rosada antes de morder seu lábio inferior tomando sua boca, sentindo o sabor de café e menta dela enquanto sua língua pedia por mais e mais de sua chère.

— Agora sim.

Sorriu contra a pele dela que se arrepiou com as palavras ao pé do ouvido, plantou um beijo ali antes de se afastar, os olhos verdes pareciam mais escuros, seduzidos. Que se explodisse o que pensava no passado, ela estar ali era o que importava.

— Agora eu quero ir pra casa. — Ela respondeu com a voz baixa, sorrindo pecaminosamente. — Por culpa sua.

Observou com um sorriso a mão de Sakura correr por sua perna até o volume no meio das pernas, sentindo os dedos apertarem sua ereção. Segurou a mão dela, tentado demais a continuar.

— Precisamos ir, chère, não me faça ignorar todos e levar você pra nossa cama.

Já estavam a quase meia hora no carro em completo silêncio, desde que saíram da cafeteria. Sakura apoiava a cabeça no vidro olhando a chuva que batia contra o carro. Gostava de dias assim, gostava de dirigir até a costa e deitar-se sob a chuva enquanto os fones de ouvido a embalasse com suas músicas e a água batia sobre si. Perdera as contas de quantas vezes fizera aquilo desde que aprendeu a dirigir.

Sasuke já havia percebido que ela estava mais quieta e evitando o assunto Akatsuki, sabia que algo a incomodava, a noite sentia que ela levantava e passava algum tempo na sacada da sala, para então voltar a deitar ao seu lado algum tempo depois.

Sentia os olhares de Sasuke, discretos, mas ainda quentes. A mão livre dele foi até sua coxa e entrelaçou seus dedos, perdida na própria mente e planos. Já se passara mais de mês desde que tudo começou a ser organizado e agora apenas três dias antes… Sentia-se tão insegura.

Só queria desligar, era essa sensação. Pelo menos até compreender como deveria se sentir.

Sakura Haruno queria sua paz.

— O que você tem?

Oh, ela conhecia aquele tom de voz. Sasuke Uchiha estava com todos os sensores ligados.

— Cansada…

— Você está quieta, pettit, há dias que está agindo diferente. Não sou qualquer um, te conheço, querida. — Sasuke falava com os olhos na estrada. — Sabe que pode desabafar…

Oh Sasuke.

— Estou bem. — respondeu com um pequeno sorriso sabendo que não o convenceu. — Estão no porta malas?

— Aa.

Em seguida, o carro parou em frente a uma grande garagem que começou a subir suas portas após Sasuke buzinar. Instintivamente, Sakura cuidava a sua volta, atenta a qualquer aproximação ou olheiros enquanto Sasuke adentrava com o carro no local.

Uma mini base havia sido montada ali, um antigo armazém que era usado por Tsunade anos atrás. A estrutura simples, porém impossível de entrar sem ser identificado pelo sistema de segurança criado pela própria Senju. No segundo piso, Ino e Shikamaru havia montado uma estação online, monitores e mais monitores, códigos que liberavam câmeras por toda Tokyo.

Todo o grupo juntou-se em volta do carro de Sasuke, que abria o porta malas. Naruto correu empolgado até o amigo, sorrindo e esfregando as mãos uma na outra enquanto observava a carga trazida pelo Uchiha.

Gaara, que estava mais distante com Tsunade, juntou-se aos homens, pegando em mãos a pistola virando-a e analisando a arma, terminando com um aceno positivo, satisfeito. Logo todos estavam transportando as armas de diversos calibres para os baús que ficavam em um pedaço de fundo falso do lugar.

— Turcos? — Perguntou Ino analisando a pistola em mãos.

— Chineses.

Naruto respondeu, engatilhando e apontando para o chão. Sorriu quando disparou, satisfeito com a potência e calibre.

— Alguém tire o brinquedo da criança.

— Sasuke! Só estou exercendo meu direito de consumidor. — Naruto deu de ombros, colocando a arma junto com as demais. — Preciso saber se minha mercadoria foi enviada sem defeitos.

— Certo, todos para mesa! — Shikamaru aumentou o tom de voz, chamando a atenção de todos. — Estamos a cinquenta horas, se mexam!

Sakura sentou-se a ponta da mesa, cruzando as pernas em cima do móvel enquanto os outros tomavam seus lugares ali. Shikamaru, Ino e Naruto estavam na outra ponta os monitores mudando as imagens, formando um imenso mapa com o prédio da Akatsuki no centro.

— Certo… Esta será nossa última reunião antes da missão, visto que alguns de nós estarão fora de Tokyo a partir de amanhã. Tudo será repassado na ordem que deve ocorrer para que fechemos com sucesso. — Ino cruzou os braços, mordendo os lábios em sinal de nervosismo. — Seguindo a ideia suicida da Sakura, precisamos que o círculo veja a Akatsuki como alvo e ameaça, só assim vamos conseguir fazer eles sumirem do mapa sem nenhuma vinculação na grande mídia. Sabemos que o círculo comanda todo o país e manipular a imprensa não é nada difícil.

— Suigetsu e Karin. — Shikamaru chamou pelo casal. — Por serem desconhecidos e certamente Orochimaru não deixou nenhum documento de vocês solto por aí, vocês serão responsáveis pelos vazamentos e confronto inicial.

— Quais dados serão vazados? — Karin perguntou.

— Os meus.

Sakura respondeu chamando a atenção de todos, Sasuke cruzou os braços deixando claro que não concordava com a ideia.

— O círculo sabe o que houve por trás em Nara, Tsunade os alertou e como esperávamos eles lavaram as mãos. Sou o álibi perfeito para ser atacada novamente, porém expor qualquer um que esteja no meio… Vai pegar diretamente no calcanhar deles.

— Sasuke, Sakura e eu estaremos saindo de Tokyo amanhã cedo. — Ino completou. — Neji realizou um contrato falso para um roubo, então será quando o apartamento será invadido e os dados roubados. Naruto ficará como o principal por monitorar os contatos que o círculo fará e Gaara vai ajudar para que Karin e Suigetsu sumam do mapa. Se forem achados… Tudo acaba, estamos lidando com nossa própria gente.

— Vocês japoneses são muito estressados. — Suigetsu bocejou. — Eles nem verão o que passou por eles, petit.

— E depois? — Karin perguntou após dar um beliscão no parceiro. — Sakura será exposta e será uma caçada, principalmente contra ela…

— Ao mesmo tempo, três bombas serão acionadas em três pontos diferentes da cidade. O mesmo tipo de explosivo que a Akatsuki utiliza e deixaremos bem claro que foi algo assinado por eles. Lançaremos para a mídia alguns contratos, como o do primeiro ministro de oito anos atrás, será uma clara ameaça da “akatsuki”. — Shikamaru explicou. — Neste momento já estará realizado o alvoroço. Naruto hackeou um número de IP do escritório de Sasori, na semana passada houve um “acidente” em uma rodovia do outro lado do país, foi um roubo realizado por um dos nossos, e com as imagens de uma câmera de um posto de gasolina é possível vermos o agente entrar e sair do local levando a carga. Serão postado por esse IP, como um desses vídeos de teorias de conspiração, será suficiente para termos a atenção de todos.

— Cada pessoa dentro da Akatsuki estará com uma arma apontada pra cabeça. — Naruto sorriu. — Itachi estará fora do Japão, um contrato precisa ser assinado pessoalmente na Austrália, então somente os putos terão o que merecem.

— Sabemos que tudo será abafado em menos de duas horas e principalmente que trarão o maior número de agentes para fazer algo bem efetivo contra a Akatsuki. Pela nossas contas, já serão sete da noite quando começarem a agir. — Ino virou-se para os monitores. — Será quando Sasuke e Sakura infiltrarem no prédio, eu mesma emitirei um comunicado para os grandões que os dois estarão lá, o que faz sentido pois Sakura teria sido a vítima. Naruto e Neji vão estar à espera de vocês e um avião já pronto.

— Avião? — Suigetsu perguntou. — Achei que somente nós dois iríamos ter que sumir do Japão.

— Orochimaru cuidará pessoalmente da extração de vocês. — Tsunade levantou-se. Sasuke encarou a mentora de Sakura ao ouvir o nome do próprio mestre. — Estive em contato com ele. — Explicou-se mesmo não sentindo necessidade. — Enfim… No momento em que Sakura estiver no prédio não somente a Akatsuki vai querer sua cabeça, mas o círculo também.

— Dogmas.

A voz de Sasuke saiu baixa, mas todos puderam sentir a raiva na pequena palavra.

— Uma das principais doutrinas no círculo e a primeira coisa que você aprende quando entra. Qualquer um é dispensável, no momento em que você se coloca e coloca outros em perigo ou exposição…

— Queima de arquivo. — Shikamaru suspirou. — Você deixa de existir, se necessário pessoas que estão a sua volta também. Tudo para que não escape nada. E acreditem, funciona muito bem.

O silêncio misturava-se com a tesão que todos compartilhavam, cada um perdido em pensamentos e o peso de tudo aquilo sob os ombros. O som da cadeira de Sakura sendo arrastada ecoou por todo o local chamando a atenção de todos.

— Sempre achei que minha aposentadoria teria um climão, mas não precisam ficar com cara de enterro. — Sorriu fraco para todos, respirando fundo antes de sair. Precisava sair antes que fosse tarde demais.

Os saltos batiam contra o piso de metal conforme descia a escada prateada, segurava-se firme no corrimão, a visão turva deixava o final dos degraus mais distante a cada passo. Sasuke a chamou mas podia sentir que era Ino que vinha atrás de si.

Saiu pela porta dos fundos, apoiando-se na parede respirando o ar fundo antes de sentir seu estômago se contrair e seu almoço parar no chão de terra batida. Só deus sabe por quanto tempo ela segurava o vômito, fechou os olhos com força quando obrigou-se a se agachar pra não perder o equilíbrio, não havia muito mais em seu estômago mas ainda sim continuava ali.

— Puta merda.

Viu o par de sapatos vermelho parar ao seu lado e mãos segurarem seus ombros como apoio, Ino segurava seus cabelos enquanto esperava pela amiga ter forças para levantar-se,

— O que você tem? — Ino perguntou sentando Sakura em um banco próximo. Passou a mão pela testa não encontrando sinais que estava febril. — Você está mais pálida e eu não achei que isso fosse possível!

— Nervosismo.

— E desde quando você tem isso? — controlou-se para não gritar.

— A vida de todos vocês está na minha mão, realmente acha que eu consigo pregar os olhos de noite? — encarou Ino séria. — Um minuto errado e tudo acaba.

Ino olhava surpresa para Sakura que a surpreendendo novamente, deitou-se em seu colo, sentia-se tonta ainda e não negava a possibilidade de vomitar novamente. Suspirou com o carinho que a melhor amiga fazia em seus cabelos, sorrindo em silêncio por aquela cena já ter se repetido diversas vezes na vida das duas.

— Ino.

— Hn?

— Eu quero que você saia daqui assim que tudo começar. — Sakura suspirou. — Vamos abrir aquela floricultura que você queria.

— Eu não vou te abandonar, vamos embora juntas. — Ino respondeu observando o céu que já escurecia. — E eu preciso do seu dinheiro para abrir um negócio, você me paga pouco… — engoliu o choro em uma respiração profunda. — Não ouse me mandar embora pra você dar uma de suicida, sua puta.

— Ino…

— Eu to falando sério, eu não te aguentei me atormentando durante minha infância, minha adolescência e toda a droga da minha vida pra quando chegarmos no final de tudo isso, você querer enfrentar sozinha! — choramingou. — Você tem mim, tem a aquela Uchiha estúpido e então vê se para de falar besteira.

— Ino…

— Nós vamos abrir aquela floricultura, eu vou encontrar um cara gostosão e…

— Eu estou grávida.

— E vou ver o Uchiha trocar fraldas… — Ino parou o cafuné nos cabelos rosas. — Oh meu deus, o que você disse? Você…

— Grávida. — Sakura repetiu em um suspiro. — E eu não sei o que fazer.

Notas finais
Estava resolvendo alguns problemas - principalmente internos - e não havia condições de escrever. O capitulo não ficou como eu gostaria, mas me esforcei para não demorar mais tanto tempo do que já estava. :/ Bloqueio mental já é terrivel, no final de uma fic então é pra foder. Enfim, Sakura de Dogma é uma personagem que me identifico demais (pela personalidade e a forma de lidar com os problemas - não estou gravida e não tenho porte de armas ainda -) e acho que esse foi o capitulo que mais coloquei coisas sobre mim em alguns detalhes HAHAHAHA O último não demora pra sair, pois vou me focar nele antes de att as outras fics ;) Desculpe mais uma vez e até o próximo. Kisus.