Doce verão com Ziguecool
4 Capítulo 4
Capítulo 4
A semana seguiu com a chegada do Sr. Daniel Stanley e da Sr.ª Helena Stanley, pais de Natali. Com os preparativos da festa de Rose, o apartamento estava uma loucura, pois os três primos de Natali também estavam lá. Essa semana a jovem quase não viu Ryan, porque ele resolveu ficar no apartamento do irmão dele alguns dias para dar lugar ao restante das pessoas. Pergunto-me como Natali conseguiu colocar tanta gente num apartamento com três quartos. No meu dormiam eu, Rose e Natali. No dela, estavam Daniel e Helena, e no quarto de hóspedes dormiam os três primos de Natali.
— Pérola, vem dançar com a gente! – Emily gritou, com Rafael, Helena e Rose.
— Obrigada, mas não. – Sorri me desculpando. Emily me olhou de cara feia com seu cabelo curto no rosto, mas logo voltou à dança. Helena dançava como uma criança feliz, apesar dos seus trinta e sete anos. Ela é muito charmosa com seu cabelo loiro comprido, o rosto quase sem rugas, tinha um corpo que causava inveja em muitas mulheres com essa idade. Rafael sorriu para mim enquanto dançava. Apesar de ter desesseis anos, ele era muito bonito, com seu cabelo preto todo bagunçado. Rafael cantava, mostrando o seu sorriso divino.
— Bruno, agora! – gritou Helena. Bruno agarrou as minhas pernas colocando-me no seu ombro.
— Bruno, me coloca no chão agora mesmo! – eu ordenei.
— Ele só vai te soltar se você resolver vir dançar com a gente, caso contrário ele vai dar um passeio com você lá na rua, dessa mesma forma que você está – respondeu Helena seriamente, não havia sinal em seu rosto que mostrava que estava mentindo.
— Você está brincando comigo – respondi.
— Bruno, pode ir c...
— Não, eu vou resolvi dançar, Bruno coloque-me no chão, por favor.
— Claro, senhorita Pérola. – Disse educadamente, desapertando a minha perna.
Quando senti os meus pés no chão, rapidamente passei as mãos nos cabelos de Bruno deixando-os bizarramente bagunçados e saí correndo, para onde Emily estava dançando numa forma de me proteger, mas de nada adiantou. Ele em instantes já tinha me derrubado no chão e estava me torturando com muitas cócegas.
— Não, para! – imploro quando percebo Emily vindo em nossa direção com Rose e Helena, e Rafael ser aproximando. Todos começaram a fazer cócegas em mim, comecei a perder o fôlego de tanto rir, ficando cada vez mais vermelha como um camarão. Até Rose com as suas mãozinhas gordinhas ficou tentando fazer cócegas em mim.
— Vamos pessoal, deixem Pérola respirar – disse Daniel em uma postura impecável.
— É... pessoas chatas, me deixem em paz. – Respondi com um leve sorriso nos lábios, e me levantando.
— Vocês já viram que horas são? – perguntou Daniel, todo arrumado com os cabelos penteados e estava muito cheiroso.
— Não. – Respondeu Helena passando as mãos nos cabelos numa tentativa de arrumá-los.
— Daqui a pouco Natali chegará e se vocês não estiverem prontos para festa, ela vai surtar. E, o pior: ela encontrará a nossa querida aniversariante toda desarrumada – respondeu Daniel.
Antes que ele terminasse a frase, rapidamente peguei Rose no colo, para começar a arruma-la antes que Natali chegasse.
As crianças corriam pelo clube, por todos os lados você as ouvia gritar, chorar, cantar e, principalmente, brincar. O clube estava muito bem decorado, tinha muitas bolas e fitas coloridas, as mesas estavam belíssimas, estava tudo muito bonito. Rose era a sensação da festa, o tempo todo correndo brincando e, claro, aprontando. A música altíssima fazia as crianças dançarem e pularem, contaminado os adultos da festa e assim fazendo os seus pais dançarem com elas. Eu podia sentir que essa noite era muito importante para Natali, os seus olhos brilhavam de alegria. Ela demonstrava o tempo todo para os convidados que ela estava feliz.
— Pérola, vem dançar – chamava-me Julia com seu vestido rosa e com uma belíssima flor nos seus cabelos. Mostrando o seu lindo rostinho de anjinho com um batom rosa claro, a pequena Julia já deveria ter oito aninhos.
— Que ótima ideia, Julia. Sim, vamos dançar – falei segurando a sua mãozinha e indo para pista de dança.
Na pista eu dançava divertidamente com Julia. Eu pulava, rebolava, contaminando as crianças mais ainda. Para completar o meu irmão chegou fazendo mais farra do que eu com as crianças ao nosso redor. então alguém me puxar pelo braço e vejo que era Natali.
— Muito obrigada por me ajudar a realizar essa festa – falou ela me abraçando.
— Eu que agradeço por estar aqui. — murmuro docilmente.
— Fico feliz por você fazer parte da família – falou Natali, suspirando.
— Obrigada por me deixar fazer parte de sua família – respondo cheia de vida.
— Agora vou descansar, mas continue com a tia Natali dançando e, claro, com a nossa querida Rose – falei ofegante pegando Rose no colo, a beijando muito e depois a colocando no chão para dançar com a sua mãe.
Caminhei para minha mesa, onde o garçom me serviu um refrigerante, e aos poucos a minha voltou ao normal. Sorri ao ver Rose pulando com a sua mãe. Suspirei com um pouco de cansaço.
— Já esta cansada? – sussurrou uma voz masculina no meu ouvido, e quando olhei para ver quem era que vi Ryan sentado ao meu lado.
— Mas que pessoa não fica cansada de dançar? – perguntei olhando para os seus olhos violeta, mas antes que ele respondesse, perguntei outra coisa logo em seguida.
— Gostando da festa?
— E tem como não gostar? – respondeu Ryan.
— É praticamente impossível não gostar, está tudo perfeito do jeito que Natali quis desde quando ela estava grávida – respondi, mordendo os lábios.
— Melhor de tudo é que Rose está curtindo bastante a festa, porque crianças de dois anos de idade costumam ficar enjoadas, chorando, querendo dormir cedo, mas está acontecendo tudo a contrário, veja como ela dança – falou Ryan, me mostrando Rose dançando.
— Amo muito essa criança ela é como uma filha para mim – ele falou olhando hipnotizado para Rose dançando, com um brilho nos olhos de tal forma que seria capaz de pular na frente de uma bala por ela. Como ser ele já nascesse destinado a protegê-la como a uma filha. Por mais que não fosse pai dela de sangue, ele o era espiritualmente. Podia sentir que ele a ama demais.
— Você ama muito como um pai, vejo o jeito como você a olha – ele abaixa a cabeça sorrindo docilmente.
— Você não sabe como eu daria tudo para ser o pai dessa criança – Ryan sorriu para mim.
— Vou precisar de muita coragem, porque ter que acordar todos os dias e não ver o rostinho dela vai ser difícil – murmurei com um nó na garganta.
— O que você quis dizer com isso? – perguntou Ryan com os olhos arregalados.
— Semana que vem vou voltar a morar com o meu irmão lá em Copacabana, preciso ficar mais com ele... – antes que eu terminasse a frase, ele já estava de pé de punho cerrado todo vermelho, pois estava irado. Ele ergueu a mão e passou pelo os cabelos deixando todo bagunçado numa tentativa de ser acalmar, mas foi em vão.
— Mas você não precisa ir morar com ele, e quanto a mim, Rose e Natali como ficamos nessa história? – sua voz era fria, mais baixa.
— Calma, eu prometo vir todos os dias ver vocês – respondi numa tentativa de acalmá-lo, mas foi um fracasso.
— Você não pode ir, eu não vou deixar você ir – falou, trincando os dentes de raiva.
— Claro que eu vou, quem é você para me dizer o que eu devo ou não fazer? – Respondi com raiva, levantando-me da cadeira furiosamente. — Para de agir como uma criança – rosnei para ele.
— Quem está agindo como uma criança é você, querendo se afastar – rosnou de volta para mim, segurando meus braços fortemente.
— Solte o meu braço teu filho da puta, não estou de graça com você! – Falo olhando impetuosamente para os seus olhos. Um homem desconhecido puxou Ryan para trás, e assim soltei meu braço.
— Você está maluco Ryan, vamos embora daqui agora. – O homem desconhecido falou irritado com Ryan e começou arrastá-lo pelo braço e logo desapareceram. O homem era meio parecido com Ryan. Passei a mão no meu cabelo e fui ao toalete. Encaro o meu reflexo no espelho do banheiro por minutos, estava nervosa, preocupada, angustiada. A briga foi como ter levado um nocaute, derrubando-me, fazendo acabar com a festa, não tinha mais ânimo para permanecer ali.
Assim seguiu o resto da noite com muita música, alegria e um pouco de angústia no meu coração.
Não consegui dormir direito por causa dos acontecimentos, continuava preocupada pela maneira como Ryan agiu. Estava triste por ele pensar que eu ia me afastar deles. Os meus olhos ardiam, mas eu me recusava a chorar, a minha garganta doía demais. Uma raiva estava tomando conta de mim, numa tentativa de me acalmar fui para sala e encontrei Natali chorando com o rosto todo manchado pela maquiagem. Por todos os cantos da sala tinha bagunça e coisas quebradas. Preocupada com Natali me sentei ao lado dela, e ela simplesmente me abraçou e chorou no meu ombro. Percebi que estava muito mal mesmo, como se alguém tivesse plantado uma imensa ferida no seu coração.
Os meus pensamentos são interrompidos pelos seus sussurros.
— Ele me deixou, disse que estava tudo acabado, falou que não tinha nada a ver comigo, mas sim com ele. Disse que eu merecia alguém melhor, que cuidasse de mim como deveria ser cuidada – sussurrou, soluçando entre lagrimas. O meu corpo estava paralisado com as palavras que ela dissera, estava com um imenso nó na garganta.
— O que esse cretino pensou, para vir aqui e deixar você nesse estado? – falei irada.
— Deixa Pérola, melhor sozinha que mal acompanhada – respondeu Natali chorando.
— Você sabe onde ele está? – perguntei, tirando o seu rosto do meu ombro e olhando nos seus olhos.
— Sim – respondeu limpando as lágrimas do seu rosto.
— Então me fala, para que eu possa ir dizer umas boas verdades – falo respirando fundo.
— Quando ele estava aqui pegando as coisas dele, estava com malas prontas, perguntei para onde ele iria e falou que ia para casa dele, perguntei aonde ele respondeu nos Estados Unidos.
— Vocês duas vão ficar bem aqui sozinhas? Você lembra que eu vou me mudar essa semana? Acho que é melhor esperar as coisas se acalmarem mais — murmurei inquieta.
— Pode esquecer essa ideia maluca. Você vai sim, fica um tempo com seu irmão... Pérola, eu e Rose podemos nos cuidar sozinhas e você tem que ir com ele. Se você não percebe, o seu irmão sente falta de você e vai ser melhor para você ficar um tempo com ele – retruca Natali prendendo o seu cabelo.
— Dessa vez você tem razão – falei me afastando. .
— Acho que vou com Rose e os meus pais viajar – fala Natali, com um sorriso brotando nos seus lábios.
— Para qual lugar? – pergunto.
— Itália – responde bocejando.
— Que ótima ideia, vai ser bom tanto para você esquecer os problemas quanto para Rose ser divertir – digo absorta. — Quando vocês pretende ir? E quanto tempo pretende ficar lá?
— Daqui a três dias, para dar tempo de deixar tudo organizado. Devemos voltar daqui a duas semanas – falou se levantando.
— Nossa isso tudo? – resmunguei.
— Só não te convido porque quero que fique com seu irmão – falou com seus olhos semicerrados.
— Me ajuda a fazer as malas – pediu.
— Ah não, você é muito chata para escolher roupa! E nem sei para que você quer levar roupa, porque é só chegar lá e começa a comprar mais. E para que fazer as malas hoje se ainda restam três dias – eu olho de cara feia para ela.
— Levanta essa bunda e vem me ajudar agora – falou me puxando pelos braços.
As semanas passaram tão rápido que quase não notava. Já estava no meu novo apartamento e ele era perfeito, estava do jeito que eu queria, e é o melhor de tudo é que tinha conseguido organizar os meus livros no escritório. A pior parte foi ter quer organizar as minhas roupas no closet. Aproveitei essas semanas para decorar o apartamento todo do meu gosto, menos o quarto do meu irmão. Estava dormindo muito tarde, por causa da faculdade. Natali estava o tempo todo me mandando fotos dela e de Rose na Itália, cada uma mais bizarra que outra.
— Está pronta Pérola? – perguntou meu irmão batendo na porta.
— Sim – respondi pegando a bolsa de praia e saindo do quarto. — Vamos – falei pegando o capacete da moto.
— Coloca na bolsa a minha camiseta – falou me dando uma camiseta branca. Ele estava vestindo uma bermuda preta e sem camisa.
— Eles já estão na praia de Piratininga? – pergunto subindo na moto.
— Não eles ainda vão pegar a ponte Rio-Niterói – respondeu saindo do condomínio.
O calor radiante do Rio deixava a cidade cada vez ficava mais abafada, e esse é o melhor tempo para curtir as praias. Ainda bem que eu tinha optado de ir só com a parte de cima do biquíni e de colocar a minha saia branca de praia que estava um pouco curta. As minhas costas já estavam começando a formigar com os raios de sol. Quando percebi que já estávamos chegando à praia, eu tirei o capacete e coloquei os meus óculos, com os cabelos ao vento, perdendo a noção do tempo. Já vendo a praia, respirei fundo para sentir a brisa do mar.
— Pérola, vem aqui, rapidinho – me chamou meu irmão. Percebi que ele estava com a sua ex-namorada, e, como sempre, ela estava radiante com a sua pele morena, com os seus cabelos lisos, compridos e pretos, com um corpo bem brasileiro. Ela sorria para mim.
— Bruna, há quanto tempo – falei abraçando-a. Bruna foi umas das melhores garotas que o meu irmão já namorou em toda a vida, eu gostava dela de verdade, ela não era falsa, e nem mentirosa, não gostava de fofocas.
— Nossa você está linda Pérola, mudou muito – ela me respondeu, sorrindo.
— Então vocês voltaram a namorar? – perguntei com uma pitada de curiosidade.
— Sim, tua curiosa – falou meu irmão, sorrindo e abraçando Bruna pela cintura. Olhei para ele e fiz uma careta.
— Vamos pular daquela pedra – falou Marcos atrás de mim.
— Que ótima ideia – falei me virando e olhando para ele. — É uma pena que a pedra é pequena, mas se vocês quiserem, na volta para casa a gente pode passar na praia de Boa Viagem, lá sim tem uma belíssima pedra. Só não pode arregar na hora – falei com expectativa nos olhos.
— Por mim tudo bem, e vocês? – ele falou olhando para o meu irmão e Bruna.
— Vocês acham que vou perder essa oportunidade? – falou Taylor sorrindo e beijando a bochecha de Bruna.
— Você vai pular também meu anjo? – murmurou Taylor no ouvido dela.
— Claro, se Pérola pular, eu pulo – falou Bruna, abrindo um imenso sorriso.
— Você fica inventando ideia, depois fica difícil controlar a Pérola – falou Taylor com o seu pé jogando areia nas minhas pernas.
Abaixei-me rapidamente. Peguei uma porção de areia e joguei no meu irmão e na Bruna. E saio correndo, desviando das pessoas que pegava sol, pulo uma espreguiçadeira. Subo as pedras e começo a pular algumas. Na ultima pedra que eu ia subir eu me atrapalho um pouco e demoro a subir, mal eu consigo subir, já saio pulando na água, volto à superfície e vejo o meu irmão já na água, eu sorrio para ele, mergulho e vou nadando por baixo como ele me ensinou. Saio cortando rapidamente as pessoas por de baixo da água sem que elas me vissem.
Volto à superfície para poder respirar e vejo o meu irmão muito longe de mim. Ele me foca com os seus olhos e me da um tchau com as suas mãos, olho para trás de mim e vejo Rafael, ele me segura e eu grito de raiva, me bato contra o seu corpo numa tentativa inútil de me soltar, parecia que nos últimos tempos ele andava malhando. Quando o meu irmão volta à superfície percebo que já estava quase perto de mim. Mordo o braço de Rafael, ele simplesmente grita algo inteligível, ele me solta, nado rapidamente para areia ofegante e corro, o meu irmão já estava na areia cansado, ofegante e querendo beber água, diminuo o meu ritmo, e ele me pega, me jogando com tudo para na areia. Era incrível como as pessoas conheciam o meu ponto fraco, isso me deixava morrendo de raiva
— Para, me larga – eu suplicava. Ele atacava com tudo me fazendo cócegas, me contorcia numa tentativa de fazê-lo parar, mas de nada adiantava.
— Chegar Taylor, ela já estar ficando igual um camarão nesse sol – falou Bruna rindo do belo desastre. Quando ele para eu solto um suspiro, eu estava ofegante e o meu coração estava acelerado. Taylor me deu a mão e me ajudou a levantar
— Vou começa a processar todas as pessoas que tentarem fazer cócegas em mim – murmuro. Taylor e Bruna simplesmente sorriam com as minhas palavras.
Taylor ficava me empurrando e eu o empurrava, mas na minha segunda empurrada Taylor bate com o seu corpo com tudo no de Bruna a derrubando na areia, eu começo rir, sem piedade nenhuma e os meus olhos começam a lacrimejar, sento na cadeira de plástico branca que havia na praia rindo muito. Vejo a expressão no rosto de Taylor, pois estava doido para rir.
— Porque essa garota está rindo desse jeito? — pergunta Marcos rindo de mim. — Não dá ideia para essa maluca não. — falou Bruna tirando o resto da areia que restava no seu corpo.
Respiro fundo numa tentativa de me acalmar. — Vamos pedir camarão frito? – pergunto olhando para Taylor.
— Sim, e traz algumas latinhas de cerveja – Taylor me responde, eu já estava de pé, ando rápido até o quiosque. Uma mulher de meia idade, com os cabelos grisalhos de pele bronzeada me atende com um belo sorriso no rosto.
— Como posso ter ajudar meu anjo? – me pergunta a senhora muito simpática.
— Quero uma porção de camarão frito e churrasquinhos. E cinco cervejas e dois refrigerantes.
— Para qual mesa? – me pergunta à senhora.
— Para mesa sete, por favor – Respondo sorrindo para ela.
— Já estou mandando — me respondeu à senhora.
— Obrigada – respondo sorrindo e saio. Ficamos uma boa parte da tarde comendo, bebendo e tomando banho de mar. Eu e Larissa fomos as únicas que não bebemos cerveja, ficamos apenas no refrigerante, pois seria a gente que voltaria com o povo para casa. Larissa ficou uma boa parte da tarde no sol se queimando, ela me dizia que estava branca demais. E o restante do pessoal ficou na água. É só eu pegar sol e ficar com o rosto todo vermelho, a minha pele fica mais bronzeada, mais viva quando pega sol. Quando eu não pego sol ela fico meio pálida, sem vida.
Itacoatiara é uma praia muito bonita, tem muitas pedras e tem alguns coqueiros espalhado pela praia, tem bastante verde, e a água é limpa. É uma das minhas praias favoritas desde que eu era criança. Respirei fundo, me levantei e comecei a caminhar em direção às pedras da praia. Passei a mãos nos meus cabelos para arrumar os fios de cabelo que estavam no meu rosto. O sol se escondeu atrás de uma nuvem. Sentei em uma pedra e fiquei olhado o mar, que parecia aos meus olhos ser infinito. Fechei meus olhos e suspirei.
— Pensando em que? – perguntou Thomas ao meu lado. Não fiquei surpresa ao ver ele ao meu lado, algo que eu faço muito bem é reconhecer as pessoas pela voz.
— Em nada! – respondi olhando para as suas mãos que descansavam no seu colo.
— Ser você não quer falar, não sou eu quem vai obrigar – ele fez uma pausa, e continuou.
— Porque Natali e Ryan não vieram com vocês? Pensei que eles viessem. — É porque aconteceram algumas coisas, foi por isso que eles não vieram – falei bocejando.
— Tem algo para fazer no sábado? – perguntou tacando umas pedrinhas no mar. Virei-me e olhei para o seu rosto, que encarava o mar, não mostrava nenhuma expressão. Vi uma tentativa em seus olhos de me chamar para sair, rio dos meus pensamentos.
— Não, que eu saiba.
— Então, você não pode recusar o meu convite de ir jantar comigo – ele parou de falar pensativamente, e continua. — Às oito horas eu te pego – falou as palavras cuidadosamente, com um brilho nos olhos.
— Tudo bem Thomas, eu aceito ir jantar com você – respondi sorrindo, levanto-me, pulo da pedra e nado, olho para trás e vejo-o na água.
Eu estava com o meus pés em cima da mesa, com um livro pousado no colo, eu lia “A cabana”. Enquanto eu virava as páginas do livro, tomava um pote de açaí. Eu estava vestindo um short branco que ficava colado no meu corpo e revelando um pouco as minhas curvas com um top preto. Taylor e Bruna dormiam desde as cinco horas da tarde enquanto eu só consegui dormir duas horas desde que voltamos da praia. Ouvi a campainha tocar me tirando do meu transe.
Abri a porta e tenho uma surpresa ao ver Ryan, com os olhos vermelhos com algumas olheiras que me diziam que ele não havia dormido direito. Os seus cabelos estavam completamente bagunçados, a sua aparência era de frustrado. Vê-lo assim, sem vida, me deixava um pouco triste, mas o que ele tinha feito com a minha amiga, não tinha explicação. Num impulso fechei a porta rapidamente, mas ele a empurrou, impedindo que eu a fechasse.
— Vai embora Ryan, eu não quero falar com você – falei, tentando empurrar a porta. Ouvi a sua voz grave e agonizante.
— Por favor, Pérola, deixe-me te explicar o que aconteceu, por favor — falou com a voz enrolada. Ryan parou de empurrar a porta e vejo-o entrando no elevador.
— Ryan, espera – gritei correndo em sua direção. Ele saiu do elevador e me encarou com um pouco mais de vida no seu olhar. Suspirei. — Tomara que você faça valer a pena por eu te deixar entrar– murmuro. Ele meio que sorri.
— Já pode começar a me explicar desde o começo — falei me sentando ao seu lado. Ele respirou fundo, e se curvou para frente, colocando as mãos no seu rosto.
— Me desculpa por eu ter gritado com você e por te agido daquela forma, reconheço que fui um babaca – falou olhando para o chão.
— Mas por que você agiu daquela forma? Você parecia muito furioso – percebo que o meu tom de voz havia aumentado por causa das palavras.
— É porque eu já estava um pouco perturbado com a minha família e você vem me dizendo que não ia morar mais lá com Natali. Eu já estava nervoso com o meu irmão e você simplesmente chega me dizendo aquilo... Eu fiquei mais nervoso — ele gaguejou.
— Mas será que você precisava fica nervoso daquele jeito? Você me deixou com medo – murmurei, passando as mãos no meu rosto. – Quem era aquele senhor que te puxou? – perguntei olhando para ele, para ver ser ele iria mentir para mim.
— É o meu irmão Ian... Ainda bem que ele estava lá, porque eu nem sei o que eu poderia ter feito – falou friamente.
— Mas porque você terminou com Natali? – perguntei, chegando mais perto dele.
Com minha mão eu seguro o seu rosto fazendo-o olhar para mim, os seus olhos encontram o meu olhar com uma chama desconhecida, me deixando um pouco hipnotizada, era como se ele visse a minha alma, o violeta dos seus olhos não ajudava nem um pouco com a situação. Ele se levantou.
— Por alguns motivos que eu prefiro não te contar. – Ele falou e ergueu a mão, passando-a pelo cabelo.
— Se você não quer me contar, eu não posso fazer mais nada. Eu respeito as suas decisões sobre o que deve ou não me contar, mas eu sempre estarei aqui para o der e vier — respondi pulando do sofá e o abraçando. — Eu não quero brigar com as pessoas que eu amo. Gosto bastante da nossa amizade – murmuro em seu ombro, os seus braços estavam fortemente em minha cintura.
— Também não quero brigar você por causa das besteiras que eu faço — ele me afasta educadamente. — Tenho que te pedir uma única coisa – murmurou com as mãos no meu rosto. — Quero que você traga Rose aqui para que eu possa vê-la. Estou morrendo de saudade dela e com certeza Natali não vai deixar que eu fique indo lá, na casa dela, depois de tudo. Simplesmente sobrou para você.
— Ah não Ryan, não me peça isso, por favor. Não me faça mentir para ela – falei dando três passos para trás. Ele segurou a minha mão, senti uma eletricidade estranha percorrer no meu corpo.
— Por favor, estou morrendo de saudade da minha filha, faz tanto tempo que não a vejo. Não estou acreditando que você vai negar um pai de ver a sua filha. Ser você fizer isso eu morro, não consigo nem imaginar em viver um dia da minha vida sem a minha princesinha – sussurrou segurando fortemente a minha mão. Eu não estava acreditando que ele estava conseguido me convencer a fazer isso.
— Claro, eu não sou burra – bufei. — Mas não gosto nem um pouco de ficar mentindo para ela, entenda ela é a minha amiga, melhor dizendo, ela é a minha irmã.
— Eu sei, mas, por favor, faça isso por Rose e por mim – ele disse, com a voz tão baixa que eu não tinha certeza se ouvira direito. Eu bufei um pouco nervosa, mas estava na cara que eu ia fazer o que ele me pedia. Um sorriso enorme se alargou em seu rosto, vitorioso.
— Não se acostuma – murmurei cruzando os braços e fazendo bico.
— Tenho certeza que você não vai se arrepender – falou abraçando-me e beijando o meu rosto.
— Amanhã nós vamos para o jardim botânico, eu as vejo lá às três horas.
— O que? – Falei espantada. — Você nem pergunta ser eu posso ir, ou pior você nem sabe ser Rose vai pode vir comigo. Elas duas nem chegaram de viagem – falei me jogando no sofá.
— Natali nem vai ligar ser ela vir com você, vai por mim eu conheço a peça. Elas vão chegar hoje de madrugada. – Sentou-se ao meu lado.
— E como você sabe que elas estavam viajando e que vão voltar hoje? – perguntei curiosamente.
— Um passarinho verde me contou, e pior ele disse que me processa se eu abrir o bico – falou se levantando.
— Hum, está bem, finjo que acredito – me levantei.
— Aonde você vai? – perguntei um pouco nervosa, pois não queria que ele fosse.
— Tenho que ir embora, você me acompanha?
— Mas está tão cedo para ir, fique e jante com a gente. Bruna e Taylor estão aqui e tenho certeza que eles vão gostar de te ver – implorei segurando a sua mão. Ele parou pensativamente.
— Bem que eu queria ficar, mas tenho que ir trabalhar e também tem o meu irmão que está me esperando.
— Está bem! – murmuro tristonha.
— Vem, vamos até a portaria — falou me puxando pela mão, mas parou. — É melhor você colocar uma blusa — falou me olhando de baixo para cima.
— Ah não, o que tem eu ir de top na portaria? Querido aqui é o Rio – ele me olhou com desaprovação. Revirei os olhos fui até o sofá e peguei a minha camiseta e coloquei.
— Vamos, e o short? – puxei pelos braços para fora do apartamento, sem ligar para o que ele disse.
— Até amanhã, seu chato – falei o abraçando.
— Até amanhã, meu amor – respondeu sorrindo. Ele veio para beijar o meu rosto, mas na hora do nervosismo eu sem querer virei o rosto e ele beijou o canto da minha boca. A mesma eletricidade percorreu o meu rosto, como se fossem dois fios desencapados em minha pele.
— Tchau – falei me afastando dele, um pouco tensa.
— Tchau, Pérola – ele sorriu, com uma cara cínica, era como ser tivesse contente com o meu desastre.
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