Capítulo 5

— Alexandre, vejo que você gosta dela, mas do que um amigo – Falo mastigando um biscoito.

Foi muita coincidência Natali viajar para a Itália e tê-lo encontrado lá. Apesar de ela te me falado que ele era um amigo de infância, eu não tinha me convencido de que ele gosta dela só por amizade. Está escrito no seu rosto que vai muito além disso e só Natali não vê. Ele sorri para mim com um olhar quem está se rendendo.

— Sim, eu gosto dela, estou tentando conquista-la, mas esta difícil, como você pode ver ela não quer enxerga que eu gosto dela.

— Uma dica, aproveite que eu vou sair com Rose e leve Natali para jantar e no final pegue-a pelos braços e a beije, duvido muito que ela vai resistir — O seu sorriso ser alarga no seu rosto.

— Você é o meu anjo – Falou se levantando e beijando a minha testa, neste momento pude perceber como ele é lindo, pois não tinha notado que ele era alto, um pouco musculoso, os seus cabelos eram castanho claro, apesar dos vinte nove anos o seu rosto era apenas de vinte três, o seu sorriso era lindo a ponto de deixar as pessoas encantadas. Era incrível como em menos de três horas eu praticamente eu já o conhecia como a palma da minha mão, e sem duvida gostava dele, mas ainda de sua personalidade.

— Não se esqueça de devolver a minha filha – Murmurou Natali fazendo bico, eu via nos seus olhos que não estava tão feliz em deixar Rose sair.

— Sem problema! E leve o Alexandre para almoçar fora, porque ficar o tempo todo em casa é enjoativo – falei pegando Rose no colo de Natali. Ela segura Rose e dá um enorme beijo no rosto dela, a solta e me passa a bolsa.

— Bem que seria uma ótima ideia almoçar fora. Por favor – Alexandre pediu fazendo uma cara de coitadinho que tornava impossível não fazer o que ele pedia.

— Tudo bem – Natali revirou os olhos e sorriu, Alexandre ria como uma criança, era como tivesse ganhado um doce. — Tchau meus amores – despediu-se Natali.

— Tchau! – Falei saindo.

Caminho lentamente enquanto Rose corria pelo Jardim botânico perto de um chafariz muito lindo, pois era bem alto, no lado esquerdo do chafariz havia um belíssimo Tucano. Rose estava brincando, sorrindo e com os seus lindos olho lindos contemplava a maravilhosa vista do Jardim, das árvores, das flores, dos beija–flores. E pensar que só bastou passar pelo portão para chegar, como por um passe de mágica, a um novo mundo. As cores, os aromas variados, os bancos de madeira, o cenário era lindo e incrível. O tempo estava colaborando, um dia lindo de sol e céu azul do inverno carioca. O Jardim Botânico é lindo, não me canso de visitar e hoje é a primeira vez que Rose vem. O lago com as vitórias-régias é um “clássico” do lugar, assim como a alameda com as palmeiras que são o símbolo do Jardim. São tantas árvores que em certos trechos vira quase que um túnel, perfeito pra um dia de calor. Estávamos perto do nosso destino para encontrar Ryan no local marcado, vejo Rose pulando toda boba ao ver um lindo cachorrinho de guia, passeando com a sua dona.

— Mamãe au-au. — Ela gritava e com a sua mãozinha apontava para o cachorro.

— É au-au meu amor – Falei segurando a sua mãozinha, eu sorria com as suas doces palavras. A minha flor esta se divertindo como nunca, Ryan sabia mesmo como fazer Rose feliz, sorrio com os meus pensamentos.

— Papai – Pronuncia, esta foi a primeira palavra que tinha aprendido há um mês. Com um enorme sorriso no rosto sai correndo para os braços de Ryan revelando os seus dentinhos.

— Meu amor. – Diz Ryan a pegando no colo e a beijando, e ela retribuiu o gesto de carinho. Pude ver como os dois se amavam, os olhos dele brilhavam de felicidade. Ele a coloca no chão com um pouco de dificuldade por causa de uma enorme mochila que carregava nas costas. Ele desamarra um lindo balão de ar quente da mochila e amarra no pulso dela. Quando ele terminou de amarrar o balão ela saiu correndo puxando o balão pelo pulso.

— Como você está? – Pergunta caminhando do meu lado. Olho para ele com um olhar que já dizia tudo.

— Não muito bem, e não gosto de mentiras. – Falo um pouco sem animo.

— Mas você sabe que é por um ótimo motivo. – Fala pegando a minha mão, me fazendo girar, eu sorri com a sua brincadeira mandando o desanimo embora.

— Só a trago porque vejo no rostinho dela que ela sente a sua falta. – Falo sacudindo as nossas mãos entrelaçadas. Solto à mão dele vou correndo até Rose e a seguro pela mão. Estávamos perto do lago das vitórias-régias, e do jeito que Rose é poderia querer entrar na água. Ryan tira uma enorme câmera semiprofissional e começa tira varias fotos de mim e Rose, penso em repreendê-lo, mas acabo entrando na brincadeira e faço varias poses com Rose e várias caretas.

— Agora é a minha vez de tirar as fotos de vocês dois – Falo a caminhado com Rose até onde Ryan estava e ele simplesmente me dá câmera sorrindo e pega Rose e coloca-a nas suas costas e caminha para mais perto do lago, antes que ele chegue perto do lago começo atirar varias fotos deles. Os dois começam a fazer várias caretas e poses, imitando bichinhos, os dois estavam muito fofos. Uma senhora de idade que passava veio até perto de mim.

— Minha filha, eu posso tirar essa fotos para vocês – Falou sorrindo.

— Bem que seria uma ótima ideia. – Disse Ryan sorrindo com Rose pendurada nas suas costas.

— Viu o seu marido já concordou a tua filha só pelo sorriso já diz tudo. – Falou pegando a câmera da minha mão.

Antes que eu pudesse consertar o que a senhora tinha dito sobre Ryan ser o meu marido ele me puxou pelo braço me levando para perto do lago. Ryan se abaixou e mandou eu sentar em cima das suas costas, eu obedeci.

— Coloque Rose na sua corcunda – Fiz o que ele me pedia, olhamos para câmera e sorrimos fazendo caras e bocas. Depois coloquei Rose sentada nas costas de Ryan comigo, eu sei que foi muito divertido tirar essas fotos com os dois. A senhora ficou alguns minutos batendo as fotos.

— As minhas pernas já estão doendo de tanto andar – Reclamo, tínhamos acabados de fazer um lanche.

— Pare de reclamar você nem esta carregando Rose – Falou, e espantosamente beija o meu rosto, me surpreendi com o gesto.

Fomos passeando nesse dia lindo procurando os pássaros, e achamos alguns tucanos como da última vez, bem pertinho do chafariz na rua principal onde ficam as palmeiras. Eram vários, foram voando de árvore em árvore, sempre uma árvore a minha frente. Precisava de um zoom melhor pra minha câmera nesse dia! Coisa linda ver os tucanos voando assim, nesse oásis no meio da cidade grande. Andando pelo Jardim e vimos o Cristo Redentor lá no alto, ao fundo. Rose havia feito inúmeras poses com as palmeiras imperiais ao fundo.

Depois fomos andando rumo ao playground, e no caminho nos deparamos com um bando de macacos, que estavam espalhados entre as bananeiras, uma laranjeira (tinham uns dois comendo laranjas) e outras árvores bem altas ao redor. Os macacos que estavam nas bananeiras vieram bem pertinho ver a gente, e nem ligaram pra gritaria de Rose repetindo “bicho, bicho!” entusiasmadamente, enquanto eu pedia, por favor, pra ela parar pra não assustar os bichos. Eles muito provavelmente estão bem acostumados com as pessoas e imagino que devem ganhar comida dos visitantes (mas é proibido alimentá-los!) estavam em frente ao orquidário. O difícil foi sair dali, porque Rose não desgrudavam os olhos dos macacos, e eles estavam muito bem instalados nas árvores sem a menor pretensão de ir embora. Contei mais de 10! Mas consegui com muito custo convencê-la.

Fomos para o playground que por sinal era muito legal no Jardim Botânico, com ótimos brinquedos para crianças de várias idades, incluindo balanços e escorregador pra crianças bem pequenas como o Rose. Ela adorou, mas não queria sair da caixa de areia pra mais nada. Eu e Ryan sentemos num banco.

— Estou cansada demais – Falei deitando com a cabeça nas pernas de Ryan e fechando os olhos, sem me importar com o que as pessoas iam falar de mim.

— Gostou o passeio? – Perguntou com a voz calma e doce.

— Eu amei, espero mais passeios assim. Fico tão contente que Rose tenha se divertido tanto assim – Falei sorrindo ainda com os olhos fechados.

— O próximo vai ser em um lugar mais divertido ainda. – Ryan murmurou brincando com o meu cabelo.

— Você conhecer bastante o Rio apesar de não ser criado aqui. – Bocejo.

— Eu não fui criado aqui, mas nasci aqui e sempre vinha com os meus pais para cá, ficávamos meses e depois voltávamos para os Estados unidos, mas era porque o meu pai tem empresa lá e aqui.

— E o pior é que você nem tem sotaque – Faço bico, ainda não conseguia abrir os olhos. Sinto os seus dedos nos meus lábios, e me arrepio.

— No começo eu tinha, mas nada que um tempo não dê jeito. – Enquanto afagava o meu rosto com cuidado. O meu coração começa bater mais rápido do que o normal, a minha respiração estava pesada que chegava a doer. Eu sentia que um sentimento estranho brotava em mim, algo que eu não sabia lidar muito bem.

— Você é muito linda. – Falou um pouco inquieto.

— Eu não me acho linda.

— Se você olhar ao redor e ver quantos caras ficam te admirando você vai ver que é linda. E por favor, se olhe no espelho e contemple a linda mulher que você é, por mais que às vezes você aja como uma adolescente. – Falou sorrindo e beijando a minha testa.

— Hei! Eu não ajo como uma adolescente – Falo cruzados braços e abrindo os olhos, mas logo fecho por causa da claridade que machuca os meus olhos.

— Gosto de estar com você, você me faz ter sentimentos que eu nem sabia que existiam em mim, adoro compartilha as suas alegrias. Gosto da sua forma de brincar com as pessoas. Está o tempo todo rindo.

— Você também não é uma pessoa chata. – O provoco fazendo cara de nojo. Suas mãos foram rápidas e tocaram em parte do meu corpo sensíveis me fazendo cócegas.

— É mentira eu adoro estar com você. – Falo-o fazendo movimento com as mãos em pedindo pra parar e dando um pouco de gargalhada.

— Por que você me puxou na hora que eu ia fala para senhora que você não era meu marido? – Murmuro abrindo os olhos e encarando.

— Eu fiz isso? Nem lembro! – Falou sinicamente, fazendo cara de coitado.

Coloco as minhas mãos em seu rosto e puxo para o meu fazendo ficar a centímetros de mim, olho em seus olhos e percebo que o seu humor mudou, ao invés de fazer o que eu queria eu encarei os seus olhos violeta. Eu empurro o seu rosto para longe.

— Menti que nem sente Ryan – Falo caindo na gargalhada. — Fala a verdade, você gostou. – Sorrio. Ele esta um pouco serio, e o pior eu nem sei o que fiz, tento salvar o clima.

— Hei porque você esta serio, não deixe com que o seu humor acabe com o clima. – Um sorriso enorme ser alaga em seu rosto. Ouço um gritinho de Rose e vou até ela, me sento na caixa de areia e brinco com ela.

— A tua mãe vai me matar Rose. – Falo beijando o seu rosto. Tinha areia em seu rosto, no seu cabelo e nas roupas. Ryan senta ao meu lado e brinca com ela enquanto eu só assisto.

— Eu te ligo para marcar o novo encontro. Vocês duas – fala beijando Rose e me entrega, e desaparece entrando carro. Subo com ela para o apartamento de Natali. Dou um banho em Rose e a deixo brincando no cercadinho. Faço a janta.

Eu estava mentalmente acabada, com um enorme cansaço, a única coisa que eu queria fazer era dormir como a minha linda flor. O seu rostinho tão delicado como uma pétala de rosa, as suas bochechas me davam uma enorme vontade de mordê-las. Os seus cachos estavam tão perfeito, que pareciam várias molinhas. Cada dia que passa ela fica mais linda e inteligente. O cansaço que ela estava já dizia tudo, que o seu dia foi ótimo, que brincou muito e deu tantos pulinhos de alegria. Surpreendi-me com o passeio, eu pensava que seria chato e sem graça, mas foi tudo ao contrario, o céu estava lindo, Ryan e Rose estavam bastante animados, a melhor parte do dia foi a hora que a senhora se ofereceu para tirar foto para gente, adorei fazer aquelas caras e bocas com as paixões da minha vida. Sentia-me tão bem, bastante viva. Por mais que eu não queira admitir que foi bom esta com Ryan, algo dentro de mim fazia eu admitir, contra minha própria vontade. Como ele conseguia carregar aquelas energias todas como se fosse uma criança? O modo que ele dava gargalhadas me encantava, gostava do seu sorriso. Ouço voz de Alexandre. Beijo rapidamente o rosto de Rose, e vou para sala.

— Não seja chata Natali eu sei que você gostou. – Fala Alexandre, agarrando Natali.

— Você é um cretino irresistível que conseguiu me hipnotizarva, gostava do seu sorriso. Ous. – Disse Natali beijando-o levemente nos lábios. Limpo a minha garganta, para chama atenção deles, pois eu ouvia tudo.

— Foi você que armou tudo isso! – Disse Natali me acusando.

— Eu? – Faço uma cara de surpresa.

— Sim, você mesma. Sua cínica – Murmurou, apontando para mim. Alexandre piscou para mim, meio que agradecendo pela dica que eu dei.

— Hei! Aonde esta a minha filha. – Perguntou arregalando os olhos.

— Está dormindo. — Falo pegando a minha bolsa. — Vou embora, amanhã vou ter um dia cheio.

— Como foi o passeio? – Perguntou Natali sentando no sofá.

— Foi muito bom, ela pulou, dançou e aprontou bastante, foi muito divertido o dia! – Falei sorrindo e lembrando.

— Fico feliz que vocês duas tenham se divertido, mas foi uma pena que só foi vocês duas.

— É, Mas na próxima vocês dois vão com a gente. — Disse um pouco inquieta por mentir a respeito do dia.

— Tenho que ir – Falei abraçando Natali e por fim Alexandre. — Funcionou? – Perguntei sussurrando no ouvido de Alexandre.

— Tem duvida a respeito disso? – Sussurrou. – Simplesmente sorrir com a sua resposta.

Corri em volta da praia, o tempo estava fechado naquele dia, respirei fundo e senti a brisa do mar. Não tinha nem dado cinco horas da manhã e eu já estava de pé correndo, estava sem sono. Naquela semana praticamente não dormi direito, estava frustrada só conseguia pensa em... Ryan. Por mais que eu não quisesse pensar nele, era quase impossível, tudo que eu fazia me lembrava dele, não sei explicar o porquê, eu não consigo tirá-lo da cabeça.

Eu não quero ter ele em meus pensamentos, por mais que eu lutasse contra os meus instintos era quase impossível não me lembrar dele. Tive que me segurar essa semana para não ligar para ele, só para ouvir a sua voz, pois algo dentro de mim necessitava ouvir a sua voz, de perguntar se ele estava bem. Balanço a cabeça negativamente, eu não vou mais pensar nele. Corro mais rápido ainda. Será que ele vai ligar para marcar outro encontro comigo e com Rose? Já tem mais de uma semana que ele disse que ia ligar para surpreender nós duas. Merda! Choramingo mentalmente por me pegar pensando nele de novo. Deus me ajude a parar de pensar nesse homem, não bagunce os meus sentimentos, não me deixe mais confusa ainda. Eu só quero ter uma vida normal. Não quero sentir esses sentimentos, nem me preocupar com mais pessoas, já basta às pessoas que eu tenho que me preocupar. Paro de correr espontaneamente, me sento arfando um pouco, puxo as minhas pernas e apoio a cabeça nos meus joelhos. Vejo uma pequena onda se quebra, a água fria molha os meus pés, me fazendo arrepiar.

Olhava água do mar atentamente, até que eu perdi a noção do tempo, suspiro e me levanto, e começo a caminhar lentamente sobre a areia abrasadora.

— Eu vou pegar Rose, ah mais eu vou pegar esse neném. – Falo brincando com Rose. Ela sorria, quando dou um passo, ela sai correndo dando gargalhada. Saio andando rapidamente atrás dela. Rose corria atrapalhadamente com os seus pesinhos, com as mãos levantadas, dando muito gargalhada, eu a pego no colo imediatamente e ela da uma enorme gargalhada contagiante, beijo o seu rostinho todo vermelho. Logo ela começa resmungar, pois queria volta para o chão.

Sento-me no sofá, era incrível como bastava brincar apenas alguns minutos com Rose, que já me deixava cansada. Rose puxava uma boneca de pano pelo pé. Ela observou a sua canequinha em cima da mesa, caminhou até a mesa e ficou na pontinha do pé tentando pegar, mas como ela não conseguia logo resmungou par a eu ir pegar para ela. Levanto-me e pego a sua caneca, ela puxa da minha mão a caneca e bebe água e volta a brincar. — De sede não morre mais – Falo sorrindo. O meu celular começa tocar. Vejo que é numero desconhecido na tela, atendo.

— Alô – Murmuro.

— Como você está sol? – O meu coração dispara ao perceber a voz sedosa de Ryan do outro lado da linha, fico sem fôlego, a minha mão tremia um pouco, a minha garganta estava seca e eu mal conseguia respirar. Eu queria falar para ele que eu estava bem, mas as palavras não saiam. Posso escutar a sua respiração pesada.

— Pérola você esta bem? Responda-me, por favor — Exige, o seu tom demonstrava que estava preocupado. Limpo a garganta e com muita dificuldade respondo.

— Sim! – Falo com a voz falhada.

— Que susto que você me deu criança. – Faço cara feia quando ele me chama de criança.

— Amanhã você vai te quer enrolar Natali para pegar Rose, porque já preparei a surpresa. – Sorrio em saber que amanhã estaremos juntos.

— Não vou precisa mentir para ela, porque esse final de semana Rose vai ficar comigo. — Falo rapidamente e me sento no sofá.

— Por que, aconteceu algo com Natali?- Perguntou.

— Não. Aonde você vai nos levar? – Pergunto curiosa, mordo os lábios para conter a minha ansiedade.

— Ser eu te contar não vai ser mais surpresa baby! – Eu podia escutar os seu riso contido.

— Em que lugar você vai nos encontrar? – Murmuro.

— No cais, aquele que você e Natali quase se afogaram, se lembra? – Disse.

— Não sei aonde que você viu a gente ser afogar, porque eu mesma não me lembro, seu sem graça. – Falei com um pouco de raiva pela brincadeira dele.

— Me desculpa, não queria deixa você zangada. — Ele deu uma pausa, parecia aborrecido com ele mesmo. — Realmente eu não sei o que se passa na minha cabeça, mas então amanhã vejo você duas às quatro horas da tarde no cais, eu mandarei o meu motorista busca você duas. Seja pontual Pérola. – Disse calmamente.

— Eu sempre sou. – Sussurrei, e quando me dei conta ele havia desligado. Puta merda! Porque eu não consigo me conter? Pergunto-me.

O meu celular toca novamente atendo no primeiro toque na esperança de ouvir a sua bela voz.

— Oi, você esta em casa? – O meu entusiasmo vai embora, pois não era a voz de Ryan.

— Sim, Thomas. – Falo desanimada.

— Aconteceu algo Pérola?

— Não. – Murmuro.

— Eu estou numa pracinha a um quarteirão do seu prédio, pensei que você podia vir aqui com Rose para que ela pudesse brincar. — Fala calorosamente. A minha vontade era de não ir, mas pensando bem seria bom para Rose ver outras crianças. Olho para Rose, que estava entretida com um mordedor.

— Tudo bem! Mas só um pouco – Falei.

— Claro, eu espero vocês duas aqui! – Disse.

— Até daqui pouco.

Caiamos na gargalhada ao ver Rose tentando brincar com a sobrinha de Thomas de cinco anos. Alice falava entregando a boneca a Rose: “Segure a boneca Rose”. Ao invés de segurar ela tacava a boneca no chão e pisava. Alice corria até Rose e falava “Não Rose é para segurar o neném e não matar, porque a única que pode matar é só eu porque eu que sou a mãe” Falou com toda paciência do mundo, pensando que ela estava entendo.

— Thomas, manda Alice guardar a boneca porque a Rose vai destruir. – Falei rindo.

— Não faz mal não, depois eu compro outra. – Disse rindo.

— Há, não! – O reprendi.

— Alice traz a boneca para eu guardar, por favor. – Pedi abaixando a mão de Thomas que fazia um sinal para Alice não trazer.

— Ah não tia, eu quero brincar com a boneca.- Falou fazendo beicinho.

— Eu sei, mas se você não trouxer Rose vai destruir. – Expliquei.

— Não tem problema depois o meu tio compra outra. — Falou me deixando de boquinha aberta. Tive que sorrir com a sua resposta.

— Oh tio me da um iate já que o senhor está distribuindo dinheiro. – Eu disse sacaneando. Thomas simplesmente sorriu.

— E como anda a sua vida, esta saindo com alguém, ou está gostando de alguém? – Estava um pouco serio, pois ele olhava para as meninas brincando. A sua pergunta fez-me lembrar de Ryan, deixando-me constrangida.

— Não estou saindo com ninguém. – Falei mordendo o lábio.

— Mas esta gostando de alguém? – Perguntou procurando o meu olhar, para ver se eu diria a verdade.

— Eu não sei... Sim e não, estou um pouco confusa com os meus sentimentos, pois não estou acostumada a gostar das pessoas dessa maneira, não sei se você me entende. — Falei piscando várias vezes.

— Por que sim e não?- Perguntou curioso.

— Quando estou perto dele me sinto mudar, vejo que eu estou sendo eu mesma. Gosto de ficar perto dele. Fico fascinada do estar do lado dele, mas é errado o que eu estou fazendo. E quando estou longe dele eu fico perturbada – Falo soltando um gemido baixo e agarrando as raízes do meu cabelo.

— A verdade é que você está gostando dele. — A sua voz foi tão baixa que quase nem ouvi.

— Eu não posso, e nem quero gostar dele, não dessa maneira. — Murmuro. Os seus olhos se estreitam especulativamente.

— Por que é errado você gostar dele? – Disse suavemente.

— Simplesmente eu não posso. — Falo secamente.

Thomas entrelaça a sua mão na minha, com o seu ato inesperado puxo a minha mão de volta para o meu colo. A minha garganta estava seca, os meus olhos ardiam. Olho para ele, seu olhar é de magoado, mas eu não entendia porque ele estava assim.

— Eu tenho que ir. – Falo me levantando, e acabo pisando em falso, rapidamente Thomas me segura em seus braços impedindo que eu caísse. O seu rosto fica a centímetros do meu e sinto a sua respiração na minha face. Eu mal consegui conte a minha respiração que estava acelerada com o susto — Você esta bem?- Perguntou com a voz grave.

— Desculpa, desculpa! Eu tenho que ir. — Falo com a voz enrolada. Saio andando rapidamente e pegando Rose no colo que resmunga por eu tirá-la no meio da brincadeira.

— Alice... Rose e eu vamos embora, mas depois pede o seu tio para levar você lá em casa para que você possa brincar com Rose, está bem meu anjo? – Falo beijando o rosto dela. Ela só concorda com a cabeça.

Saio andando para o mais longe daquela situação, eu não sei por que eu estava triste daquela maneira, a única coisa que eu precisava era ficar sozinha. As lágrimas rolavam lentamente pelo meu rosto. Cada passo que eu dava as pessoas ao redor me olhavam. Não devo estar causado uma boa impressão por chorar na rua com uma criança no colo. Limpo com a mão as lagrimas que rolavam no meu rosto.

O motorista de Ryan é bem simpático e educado. Ele estava perto de uma lancha falando no telefone, que presumo que devia ser Ryan. Ele desligou o telefone e não parecia nem um pouco contente. — Senhorita Pérola, devo lhe informar que o Senhor Ryan já está na ilha. Ele pede desculpas por não poder acompanhar você até lá como havia prometido. Ele fala palavra por palavra com uma postura impecável. Fico surpresa ao saber que Ryan não me acompanharia até a ilha, como eu desejei não ter saído de casa, já não estava com nenhuma vontade de ir, por causa de ontem.

— Eu acompanharei a senhorita. – Falou me tirando dos meus pensamentos. Sorrio para ele.

— Desculpe-me, o senhor pode avisar ao Ryan que eu estou indisposta, por favor? – Falei erguendo a sobrancelha. A sua expressão era de surpresa.

— Senhorita, por favor, não faça isso, pois o senhor Ryan não vai gosta nem um pouco disso.

— Eu vou se você prometer para de me chamar de senhorita, eu tenho um nome e este é Pérola, por favor.

— Acho que o senhor Ryan não vai gosta disso. – Falou seriamente.

— Preste atenção, senhor... – Esperei que falasse o seu nome.

— O meu nome é Paulo senhorita. – Disse sorrindo, meio espantado com a minha atitude, pois isso não devia ser comum para ele, ser chamado pelo nome.

— Paulo, ser o senhor Ryan falar qualquer coisa com você pede para ele vir falar comigo, por favor, e ser você me chamar de novo de senhorita eu vou embora, e tenho certeza que o senhor Ryan não vai gostar nem um pouco de saber por qual motivo eu fui embora certo? – Expliquei, mudando Rose de posição, porque o meu braço já começava a doer.

— Certo senho... Pérola. – Falou sorrindo, com a minha atitude.

— É melhor a gente ir, pois se eu ficar mais um minutinho nesse sol eu morro de desidratação e de desgosto.

— Por ali Pérola. – Falou me indicando o caminho pelo cais. Ele foi na frente para nos guiar. Passamos por uma enorme fileira de lanchas e iates, até chegar à lancha que iriamos utilizar. A lancha é bonita, pois era enorme, era toda branca e tinha o sobrenome da família (Ziguecool), era de fato muito linda. Paulo falava com um homem. O homem desconhecido desamarrava a lancha.

— Vamos senhorita? – Faço cara de reprovação quando ele me chama de senhorita, mas deixo passar. Ele pega Rose no colo e entra com ela primeiro, pede ao outro homem que estava dentro da lancha para segurá-la. E depois com cuidado ele me ajuda a entrar. E logo me devolve ela, sento-me num banco de couro que continha o sobrenome da família novamente. Pelo visto a viajem seria longa. Paulo me passa um colete salva vidas, não fico contente em ter que colocar o colete, pois eu sabia nadar perfeitamente, enquanto eu colocava o colete, ele colocava em Rose. Aos poucos a lancha vai saindo de perto do cais.

A lancha já estava bem longe do cais, ouço o som do motor roncar, e aos poucos ele vai ganhando velocidade. Sinto a brisa do mar em meu rosto. Rose esta com um belo sorriso no rosto. Escuto o mar quebrando nas pedras ao nosso redor.

O motor foi desligado, Paulo saiu da lancha para amarrar. Rose dormia num sono profundo. A ilha era deslumbrante, perto da areia dourada existiam vários coqueiros e bem atrás várias outras árvores. Tinham também várias pedras enormes tanto dentro d’água quanto fora, a água do mar estava um azul deslumbrante. Eu conseguia enxergar a areia branca com várias conchinhas de baixo da água. O barulho da onda do mar se quebrando na beira da praia, era extraordinário. Já tinha ido a muitas ilhas, mas nenhuma comparada a essa. O lugar é incrível.

— Pérola! – Ouço Ryan me chamar. Olho na direção de onde vem a voz, ele corria pela areia, vinha em direção ao cais. Ele vestia apenas uma bermuda, estava com um sorriso cativante nos lábios. Sorrio quando ele chega mais perto do cais. Levanto-me com cuidado, para não acordar Rose. Ryan não pensa duas vezes e vai entrando na lancha. Mais de perto eu já conseguia ver a sua pele morena que já estava radiante, o que o deixava muito lindo, os seus cabelos estavam molhados, o seu sorriso estava encantador. E logo não se conteve e veio em minha direção, e com muito cuidado ele pega Rose dos meus braços.

— Me desculpa por não poder vir com você. Pois a minha mãe hoje está muito chata. – Se desculpa, tirando uma mecha de cabelo do rosto de Rose.

— Há não acredito que a sua família esta aqui! Pior, você nem me contou, eu só conheço a sua irmã e o seu irmão Ryan. – Falo um pouco nervosa. Eu nunca tinha visto a família dele, e de repente ele resolve me apresentar.

— Eles vão gostar de você, como a Maria e Kaique gostam. — Vamos falou saindo da lancha. Deixando-me falar sozinha

— Ryan! Me espera.- Falei saindo da lancha com a ajuda de Paulo. Rapidamente tiro o colete salva vidas e entrego ao Paulo, saio correndo com a bolsa, para poder acompanha ele, pois já estava lá na frente.

— Eu não acho que é uma boa ideia... – Falo perturbada, pois não esperava por isso.

— E como foi a sua semana? – Perguntou mudando de assunto.

— Foi ótima, fui a algumas ONG para fazer alguns trabalhos voluntários, ontem fui à pracinha com Rose e Thomas e Ali... – Fui interrompida pela voz grave de Ryan.

— Que? Com Thomas? – Parou rapidamente me encarando, com um olhar querendo respostas.

— Sim, porque, tem algum problema?– Perguntei um pouco curiosa. Ele fez uma cara feia, mas continuou a andar.

— Não, mas a questão é que você nem conhece o cara direito. – Murmurou meio insatisfeito.

— Eu fui à praia com o meu irmão, com alguns amigos e com Thomas. Eu estava conversando com ele, e pela conversa parecia uma ótima pessoa. – Ryan parou novamente meio surpreso e nem um pouco contente.

— Porque você não me contou que estava saindo com Thomas? – Disse bufando.

— Bem eu não sei se isso pode ser chamado de encontro. – Falo sem tirar os olhos dele.

— Você está gostando dele? – Perguntou olhando para uma enorme casa lindíssima.

— Não sei, mas sei que o seu plano de querer me conquistando para ser sua amiga está dando certo. – Murmurei.

Os seus olhos se estreitaram especulativamente. Maria veio correndo em minha direção, pelo seu sorriso pude ver que estava feliz. Apesar dos seus 19 anos, ela é linda, possuía uma estatura mediana. Os seus cabelos loiros e levemente cacheados, os seus olhos verde marcantes, a sua boca e seu nariz são bem desenhado. Seus braços carregavam uma quantidade impressionante de pulseirinhas multicoloridas, os seus pés calçavam uma sandália com tiras finíssimas e brancas, que combinava perfeitamente com o seu vestido leve e branco. Ela segurava firmemente o chapéu de palha com uma fita azul, para não voar com a brisa leve do mar. Apesar de Maria não ser filha da Eva, só de Hugo, ela é simplesmente linda e encantadora. Atura mediana

— Maria. – Falei abraçando ela fortemente.

— Pérola, há quanto tempo eu não te vejo. – Murmurou com voz cheia de saudades.

— Mas foi você que sumiu criança! – Falei, ela me deu um belo sorriso doce.

— Onde está o seu irmão? – Pergunto, procurando por Kaique.

— Qual deles? – Disse sorrindo.

— O único que eu conheço? – Falei, calmamente.

— O Kaique saiu de barco com nosso pai! – Disse caminhado do meu lado. Procuro por Ryan e Rose, mas eu não os vejo.

— Onde estão Ryan e Rose? – Pergunto, impedindo que ela terminasse de falar.

— Eles já devem esta lá com Eva. – Ao ouvir isso me calmo.

— Tem muita gente aqui? – Pergunto chutando água do mar.

— Não, só estão o meu pai os meus irmãos, e a tia Amanda e o tio Francisco, Carla e claro a Eva. – Disse no final com um pouco de nojo. Suspirei um pouco aliviada em saber que não tinha muita gente.

— Como tem andado a sua vida? – Perguntou Maria cheia de curiosidade.

— Bem! – Falei mentido, fazia tempo que a minha vida não andava bem, pelo contrario só andava mal. Ela me olhou um pouco desconfiada.

— E Como tem estado a sua vida? – Perguntei obsevado a pequena onda se quebrar na beira da praia.

— Péssima, mas não quero fala desse assunto. Como está se sentido, pois é a primeira vez que você vai conhecer o restante da família. – Murmurou, baixando-se para pegar uma pequena conchinha.

— Nervosa, estou com medo deles não gostarem de mim.

— Não fique nervosa e caso eles não gostem, os mande ir se ferrar. – Sorrio ao ouvir as suas palavras. Há alguns metros da casa eu já conseguia ouvir a voz macia de Rose, a casa por fora é perfeita. Os detalhes por fora faziam ficar tão linda e tão perfeita. Maria me puxa pelo braço, passo por uma enorme porta de vidro, por fora da casa é só vidro, fazendo que toda claridade do dia entre na casa. Passamos por uma pequena sala confortante, as paredes são revestida em creme. É enorme a casa e muito bem decorada. Passamos pela enorme cozinha que é belíssima cada misero detalhe me chamava atenção, quem decorou essa casa tem bastante gosto, haviam três empregados na cozinha.

Atravessamos uma porta de vidro. A primeira coisa que eu vi foi três piscinas em forma decrescente. Maria continuou me puxando, levando-me até Ryan que segurava Rose. Ao lado de Ryan estava uma mulher com um vestido floral, com uma pequena pulseira e com um chapéu de palha que continha uma flor laranja. Ryan sorriu para mim quando me viu.

— Mãe gostaria de apresentar uma pessoa. – Falou Ryan calmamente me puxando pela mão, a sua mão quente e macia faz que uma estranha eletricidade percorra meu corpo, olho para o seu rosto por causa da estranha eletricidade, o seu belo rosto está simplesmente sereno. A senhora do vestido floral, me olha com um olhar desconfiado, os seus olhos são violeta, iguaizinhos do Ryan.

— Prazer, eu me chamo Eva! E como se chama criança? – pergunta docemente, com um brilho nos olhos, como ser estivesse encantada.

— Eu me chamo Pérola, e é um prazer conhecer a senhora. – Respondi.

— Por favo Pérola, me chame de Eva. – Disse. Dei um sorriso para me desculpar, meio sem graça. O celular de Ryan começou a tocar, e ele pediu licença e saiu com Rose, deixando-me com a mãe dele sozinha

— Como está Natali? – Perguntou com a voz baixa.

— Ela esta bem – Murmurei.

— Fico muito feliz que ela já esteja bem. Pois Ryan me contou que eles terminaram. – Disse erguendo a mão para passar nos cabelos.

— Você esta cursando uma faculdade? – Perguntou curiosa. Não estava entendo os motivos das perguntas, por que ela estaria me perguntando tudo isso?

— Sim, estou cursando uma faculdade – Respondi olhando fixamente para os seus olhos.

— Você está namorando? — Perguntou me encarando.

— Por que a senhora esta me fazendo essas perguntas? – Perguntei secamente sem entender nada do que estava acontecendo.

— Desculpa, eu não queria me intrometer na sua vida, pois é só o meu modo de ser, de querer conhecer as pessoas que estão o tempo todo com a minha família. – Murmurou meio constrangida, as suas bochechas estavam vermelhas, por causa do mal entendido.

— Não ser preocupa está tudo bem. — Respondi sorrindo para ela.

— Venha, eu quero te apresentar ao meu marido. — Falou puxando-me pelo braço.

— Você deve ser a Pérola – falou o pai de Ryan, beijando a minha mão.

— E você deve ser senhor Hugo. – Falei com sorriso divertido e com um olhar de brincadeira.

— É um prazer conhecer uma senhorita tão bonita, tão encantadora. — O modo como ele expressou fez com que eu ficasse sem graça.

— O prazer foi meu senhor Hugo. – Murmurei olhando para Eva, parecia ser divertir com a gente.

— Pérola, se você não quiser que eu a jogue nessa piscina, pare de me chamar de senhor, pois o senhor esta no céu, e dessa maneira faz que eu me sinto um velho.

— Desculpe-me não vai te chama de senhor, e sim de capitão. – Falei sorrindo, enquanto ria. Eva sussurra algo no ouvido dele, o que o faz pedir licença para resolver um problema e Eva o segue, deixando-me sozinha.

O senhor Hugo é bastante educado, também é uma pessoa brincalhona que gosta realmente de aproveitar a vida. A sua pele morena faz-me lembra de Ryan. Tem um belo sorriso de menino, e apesar da sua idade ele está bem em forma, ele vestia só uma bermuda, deixando a sua barriga amostra que é um pouco redonda igualzinha do meu avô, por beber tanta cerveja.

— Pérola. – Gritou Kaique correndo pela enorme porta em minha direção. Os seus cabelos negros como os de Ryan estão totalmente molhados, a sua covinha é parte mais bela do seu rosto, os seus olhos são castanho claros como os do seu pai. Percebo que ele já estava começando criar músculos. Ele passa os braços entorno da minha cintura e me abraça, os seu olhar é cativante, pois ardia de felicidade.

— Faz tanto tempo que eu não te vejo! — Falou com um enorme sorriso no rosto.

— Nossa eu estava morrendo de saudade, quando eu falo que eu gosto de você, eu falo de verdade. – Murmurei, me afastando para ver o seu rosto. Kaique é uma ótima pessoa, e tem alguns gostos meio parecidos com os meus. Bem, Ryan não gosta muito quando Kaique e eu nos juntamos para sacanear as pessoas, ele fala que nós dois pegamos muito pesado com as pessoas com essas brincadeiras, mas é mentira porque a verdade é que o Kaique adora aloprar o irmão, e Ryan fica puto da vida o que me faz rir bastante na cara dele. Kaique ficou a maior parte do tempo falando comigo me contando curiosidades sobre a família, me apresentando os seus tios Amanda e Francisco e por último foi a Carla, uma amiga da família, que não foi muito simpática quando Kaique me apresentou a ela, os seus cabelos eram loiros como os raios de sol, os seus olhos eram verdes, a tua pele era branca como a neve, ela usava um batom vermelho nos lábios, o que a deixava muito bonita. Kaique disse que o seu irmão mais velho não poderia comparecer hoje ao encontro de seus pais

O tempo todo eu espiava Ryan e Rose para ver ser estava tudo bem, estava sentada em uma cadeira de praia na sombra, perto da água onde Hugo, Eva, Kaique, Ryan e Rose tomavam banho de mar. Eu vestia apenas um short jeans e a parte de cima do biquíni. Fernanda esta ao meu lado, onde tem bastante sol, ela vestia um biquíni muito rosa, o que era muito chamativo e ao lado de Maria estava Carla com um biquíni verde e com um enorme óculos de sol. E ao lado de Carla estava Amanda, com seus cabelos castanhos escuros com enormes cachos com o rosto cheio de protetor solar.

— Por que você não senta com a cadeira de praia perto do sol? – Perguntou Fernanda me espiando através só seus óculos de sol.

— Muito obrigada, mas não estou a fim de virar carvão não. – Falei sorrindo, passando a mão em um pequeno cacho do meu cabelo. Maria me deu sorriso tão belo, se divertindo com que eu disse. Levantei rapidamente tirando o short deixando cair pela cintura revelando o meu biquíni preto, estava morrendo de vergonha, pois eu achava que estava meio que indecente, estava muito provocante, mas depois de analisar melhor tinha percebido que o da Maria estava pior. Maria não perdeu tempo assim que me viu levantar veio atrás de mim, como sempre esperando eu primeiro entra no mar. Ryan estava de costas para a beira da praia com Rose. Quando Rose me viu logo começou a gritar “mamãe, mamãe” várias vezes, os olhos de Ryan se arregalaram brilhando quando me viu, pois parecia que ia enfartar, logo se recompôs e voltou olhar para o mar. O que me deixou morrendo de vergonha, por pouco eu não dei meia volta e voltei para a cadeira de praia. Peguei Rose no colo e beijei a sua bochecha por várias vezes, mas logo resmungou para descer de volta para areia.

Eu entrei no mar fazendo um pouco de força por causa das ondas que tentavam me empurrar de volta para areia, olhei para trás e vi Maria atrás de mim, pude ver Eva pegando Rose no colo e levando para sombra. Kaique e Hugo estavam um pouco mais no fundo. A água do mar estava tão gostosa, respirei fundo para poder nadar até Kaique e Hugo, Respirei fundo de novo e mergulhei, por debaixo da água, eu nado rapidamente até eles. Quando subo para superfície vejo que eles foram um pouco mais para fundo, Kaique cai de gargalhada ao ver a minha expressão, vejo nos olhos de Hugo e Kaique que eles foram de propósito para o fundo. Logo os dois começaram a nadar até a mim.

— Foi ideia do Kaique. – Falou logo Hugo sorrindo meio ofegante.

— Eu jurava que você não iria entrar no mar. – Disse Kaique segurando a minha mão. Pude ver uma lancha e três Jet-skis se aproximando para perto da gente.

— Chegaram os nossos brinquedos. Pérola, me disseram que você saber pilotar Jet-ski, é verdade? – Perguntou Hugo.

Esse “me disseram” eu conheço muito bem, ele se chama Kaique, olhei para ele com um olhar interrogativo, e como sempre me deu um belo sorriso dando-me a chance de ver a sua convinha.

— Sei pilotar mais o menos. – Falei fazendo charme, pois não queria assustar ninguém.

— Então vamos brincar um pouquinho. – Disse Hugo subindo no Jet-ski que um homem segurava.

— Ser você cair no mar os meus seguranças estarão aqui para socorrê-la. – Alertou Hugo colocando o colete salva vida. Um dos seguranças me ajudou subir no Jet-ski. Passaram-me um colete salva vida, me senti uma criança em ter que colocá-lo. Olhei para trás e vi Ryan falando com Maria, tentando convencê-la a voltar para areia.

— Pérola pelo amor de Deus, descer dai agora! – Gritou Ryan, assustado quando me viu em cima do Jet-ski, sorri para ele numa tentativa de lhe mostrar que estava tudo bem, mesmo que ele não acreditasse.

Hugo deu partida fazendo o Jet-ski ligar, eu não perdi tempo, em um movimento rápido o veículo ganhou vida fazendo um enorme barulho, eu acelerei, e devagar o Jet-ski foi para frente e aos pouco eu o fiz ganhar velocidade. A água do mar começou a espirrar em mim, o vento quente no meu rosto faz o meu cabelo ficar todo bagunçado. Eu sorria como criança que acaba de ganhar o melhor presente da vida. Fazia um bom tempo que eu não pilotava um daqueles. Hugo faz um sinal com a mão para que eu o siga, Kaique está ao meu lado, ele sorri e grita algo, mas não consigo entender por causa do barulho do motor e acelera me deixando para trás. Hugo está na frente indo em direção ao mar aberto, Kaique o segue tentando ultrapassar o seu pai, mas não consegue, percebo que Hugo sabe o que faz com o Jet-ski e tenho certeza que ele faz isso com muita frequência, ele usa um tipo de estratégia para impedir que as pessoas ultrapassem.

Desligo o motor do Jet-ski, rapidamente dei um nó no meu cabelo para tentar impedir que ele atrapalhasse a minha visão por causa do vento. Jogo o Jet-ski para direita, desvio um pouco e vou acelerando, o Jet-ski parecia que estar quicando. Estava lado a lado com Hugo, quando ele se deu conta que eu estava ao seu lado os seus olhos se arregalaram, estava com boca aberta, a tua expressão era de quem não acreditava que eu estava ao seu lado, ele virou com o Jet-ski fazendo um retorno para praia, ele acelera, percebo que ele acelerou cedo demais, quando ele menos espera, eu o ultrapasso fazendo a água do mar espirrar com força em meu corpo, viro o meu rosto para esquerda e vejo Kaique desligar o motor só para assistir o seu pai ficar para trás, pelas suas expressões e seus movimentos consigo ver que ele está caindo na gargalhada, aos pouco eu vou desacelerando e logo desligo o motor, Hugo e Kaique vem ao meu encontro.

— Isso não vale Kaique! Isso foi jogo sujo, você não me contou que ela sabia realmente pilotar um Jet-ski. – Falou Hugo desligando o motor, sorrindo ainda meio sem acreditar que eu tinha ultrapassado.

— Eu falei sim, foi você que ajudou cedo demais. – Disse Kaique passando a mão nos cabelos para arrumá-los, dando uma piscadela para mim.

— Como eu pensei que você não sabia pilotar o Jet-ski, eu quero uma revanche, pois quero saber se você sabe realmente pilotar ou se foi sorte. – Murmurou Hugo com a mão no queixo, a sua voz é fria. Não acreditava que ele pensava que tinha sido sorte, o que me fez querer mostrar a ele que estava enganado.

— Eu aceito, para te mostrar que eu não conheço a palavra sorte e sim habilidade. – Respondi com a voz macia, ele repuxa o canto da boca e me avalia com o olhar. Ele ligou o motor e explicou como seria gritando por causa do barulho do motor, Kaique seria o juiz, descreveu tudo detalhado para mim e para seu filho. Olhei para praia e já não via mais Ryan nem Rose.

E assim seguiu a nossa tarde com muita diversão e alegria, Hugo não aceitou muito bem as sete derrotas, ao mesmo tempo ele parecia muito zangado e surpreso, Kaique como era de se esperar ficou a tarde toda descrevendo para sua família como eu tinha ganhado do pai dele.

Rose logo enjoou de ficar com eles e só queria ficar comigo. Rose estava toda aninhada em meus braços com uma mamadeira rosa com quatro borboletas. Eu sempre pegava Ryan cruzando o meu olhar, não parecia estar tão contente. Ryan se retirou da sala pegando o celular, que eu considerava um monstro por ser tão grande.

Mais tarde, vejo que Rose está dançando com Maria, saio da sala em direção ao lado de fora da casa. Não tinha nem percebido o tempo passar, a escuridão já tinha tomado o céu todo, não havia nenhuma estrela, a única coisa que iluminava o céu noturno era a doce lua cheia que estava com brilho diferente no céu, estava rodeada por nuvens, o ar é um pouco quente. Ando na beira da praia, me curvo para tirar a minha sandália de tirinhas douradas, a água fria do mar me arrepia um pouco quando molha os meus pés, a areia é fofinha e contém algumas conchinhas. O mar estava sereno, a lua iluminava de tal maneira o mar, a ponto de hipnotizar qualquer um.

— Pérola espera! – Ouço a voz de Ryan, impossível de não reconhecer, paro e assisto ele correr até o meu encontro.

— Sai para caminha e nem me convida. – Fala arfando, ele respira com um pouco de dificuldade.

— Não sabia se você gostaria de caminhar esta noite. – Minto.

— Se você não pergunta nunca vai saber que eu gostaria de caminhar com você. Pode falar a verdade, você não queria convidar ninguém para caminhar com você, eu sei quando você esta mentindo, como agora... – Sussurrou, sustentando o meu olhar.

— Eu mentirosa? – Falo fazendo gestos com as mãos e dando uma doce gargalhada.

— Está gostando de conhecer a minha família? – Perguntou analisando o meu rosto para ver ser eu mentiria.

— Estou adorando, está tudo perfeito, a sua família é cheia de ótimas pessoas, e errei me precipitando ao julgá-los pensando que eles não iam gostar de mim. – Murmuro meio arrependida por te julgado cedo demais a sua família.

— Eu sabia que você ia gostar de conhecer a minha família. Rose está se divertindo muito, ela está o tempo todo rindo, dançando e brincando. – Falou, com um olhar meio intenso.

— Cada dia que passa ela fica mais linda, não só por fora, mas também por dentro. – Falei, mordendo o lábio inferior.

— Amanhã pretendo leva vocês duas ao parque, o que você acha? – Ele repuxa o canto da boca, ele entreabre a boca para me pergunta algo a mais, mas desiste.

— Pode perguntar... – Murmuro, olhando para os meus pés de encontro com a água que vai e vem molhando os meus pés.

— Como está Natali? – Perguntou, com a voz baixa olhando para as pedras que estavam um pouco longe.

— Bem, estou até um pouco impressionada com ela, nessas ultimas semanas Rose e ela viajaram para Itália e o destino a fez encontrar um amigo de infância que aparenta ser uma ótima pessoa e, é bastante educado – Faço uma pequena pausa e continuo – Ela vê ele como um amigo mas ele não vê ela como uma amiga, ele vê ela com outros olhos, com um tipo de sentimento, ela demorou um pouco para enxergar que ele gosta dela. – Falei.

— Fico feliz, por ela te encontrado alguém. Espero que esse mal entendido passe logo, para que eu possa voltar a ver Rose, porque me sinto muito mal em ter que ver Rose às escondidas.

Olho para ele com rabo de olho, e vejo sorri, o que faz eu me atrapalhar com os meus pés e cair, Ryan tenta me segurar, mas foi tudo tão rápido que ele não conseguiu me segurar e isso faz com que ele caia em cima de mim. Caio na gargalhada pela confusão que eu fiz com os meus pés, ele ria juntinho comigo, o seu rosto está tão sereno e calmo como um anjo.

Começa correr um vento gelado, vento calmo. O seu rosto está a centímetros do meu, podia sentia em minha pele o seu halito quente, ele parou de rir e com a sua mão macia como seda tirou uma mecha do meu cabelo que caia em meu rosto, quando me dei conta ele me beijava, os seus lábios eram tão quentes e macios, ele se moviam lentamente, a sua língua buscava a minha com um pouco de obsessão, uma das suas mãos fazia carícias em meu rosto, não consigo conter o desejo estranho de tocá-lo, entrelaço os dedos no seu cabelo que são macios e sedosos. A minha respiração está pesada quase não consigo respirar, fico um pouco atormentada...

Eu não queria fazer isso, isso é errado, mas não consigo parar, não consigo fazer com que o meu corpo me obedecesse, o que me fazia ficar com raiva por ser traída pelo meu próprio corpo, vejo a imagem de Natali passar em minha cabeça como um borrão rápido. O empurro devagar, com muito esforço para não voltar a beijá-lo, pois é estranho eu querer beijá-lo novamente. Levanto-me rapidamente meio desorientada, estava ofegante e comecei a correr para longe daquela situação, sinto as lágrimas quentes molhando o meu rosto, não porque eu estou chorando, eu só queria sair daquela ilha o mais rápido possível. Olho para trás para ver se ele me seguia, mas dou graças a Deus em ver que ele não estava atrás de mim. Recomponho-me entro na casa um pouco desorientada, só conseguia ver Maria com Rose no colo.

— Peça desculpa para os seus pais, mas tenho que ir embora. – Murmuro rápido para que ninguém nos ouvisse, peguei a bolsa de Rose. Com cuidado peguei Rose no colo para que ela não acordasse.

— Por que você vai embora agora? Dorme aqui com a Rose, tem bastante espaço para todos nós. – Murmura me acompanhando até o cais.

— Desculpa, mas não posso! – Digo, lançando um olhar de misericórdia. Ela parecesse meio desconfiada, mas sem questionar. A última pessoa que eu vi foi o segurança naquela noite.

Notas finais
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Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.