Capítulo 3

— Pérola! – Gritou Natali do seu quarto. Ela com certeza devia estar me chamando para ver qual dos cinco vestidos ficou melhor. O ruim de sair com a maninha é que ela fica se trocado praticamente o dia todo só para escolher uma única roupa. Isso me mata, é desperdício de tempo.

— Estou indo, chata. – gritei num tom azedo. Quando eu entrei no quarto de Natali, vi-a se olhando em seu grande espelho. Ela estava com um vestido branco, cheio de bolinhas verdes e com uma fita da mesma estampa nos seus cabelos loiros. Natali estava incrivelmente linda. Quando percebeu que eu estava no quarto, virou-se rapidamente para mim. Ela abriu um grande sorriso, os seus olhos chegavam a brilhar.

— Estou feia? — repentinamente me sentia insegura, e imaginei que ela estaria me achando ridícula.

— Pérola, você está linda! — gritou Natali. Eu vestia uma calça de couro preta, uma blusa branca, uma jaqueta de couro também preta, e uma bota escura de salto alto. Os meus cabelos estavam soltos, cheios de cachos, e eu tinha passado um pouco de rímel.

— Obrigada! — murmurei, insegurança partindo na mesma rapidez em que havia surgido. — Mas você sim está linda, adorei este vestido. Deixou você ainda mais viva — digo com um grande sorriso.

— Ainda não acho que está perfeito, falta algo... – Natali choramingou. Fui até a cama dela, onde estava uma bagunça: cheia maquiagens, roupas, adereços, transbordando para o chão. Milagrosamente achei um prendedor de cabelo e fui até Natali.

— Vira de costas – falei. Sem me questionar, ela se virou, e rapidamente fiz um rabo de cavalo nos seus cabelos loiros. — Prontinho, senhora — digo brincando, e ela ergueu a sua sobrancelha. Voltou-se para o espelho e, quando viu o seu reflexo, ficou se encarando por um bom tempo, analisando cada detalhe. Depois, abriu um grande sorriso e veio até mim.

— Ai, o que seria de mim sem você, Pérola? – diz, abraçando-me e dando pulos de alegria.

— Vamos, meninas! – Berrou Taylor lá da sala.

— Falta só a Natali, Taylor – Gritei.

— Ficou bom mesmo?

— Sim. Agora vamos para festa – falo animada. Ao entrarmos na sala, Taylor foi o primeiro a comentar.

— Ryan, que homens de sorte nós somos. — Taylor ergueu a sobrancelha para mim, e abriu um sorriso de tirar o fôlego. Ele estava vestido praticamente igual a mim, mas em um conjunto masculino.

— Concordo, dá vontade de nem sair de casa com duas mulheres lindas assim – falou Ryan com os lábios esculturais e sensuais repuxados num sorriso. Ele vestia uma calça jeans escura, e uma camisa de manga branca que marcava a sua barriga definida. Parecia que os dois tinham combinado a camisa. Ele estava com uma jaqueta também de couro preta.

–— Taylor, a Rose chorou muito? – perguntei já subindo naquela linda moto preta grande.

— Até que não. Já deve estar acostumada com a Fernanda – disse sorrindo e me dando o capacete.

— Às vezes fico contando os dias da sua morte só para herdar a sua linda moto – falei brincando e já de capacete.

— Nossa, tem sonhado demais, ainda tenho muito tempo pela frente para fazer besteira, e para puxar os seus pés de noite — Taylor brincou de volta.

Por alguns segundos deixo de presta atenção nas pessoas ao meu redor. Olho intrigada para o belíssimo carro preto de Ryan, que combinava perfeitamente com ele. Quando menos espero, os nossos olhares se encontram, ele me olha intensamente, como se pudesse ver por dentro de mim. Chega ser sufocante. Pisco várias vezes e desvio olhar.

— Vamos pessoal, não queremos chegar atrasados na festa – diz Ryan com um sorriso em seus lábios. Imediatamente meu irmão ligou a moto, que fez aquele som delicioso de se ouvir.

— É só me seguir — falou o meu irmão com os lábios firmes, com um tom de poder. Ryan concordou com a cabeça. Taylor acelerou a moto e partimos.

A cada vez que Taylor acelerava mais adrenalina eu sentia. As minhas mãos estavam fortemente circundando no seu peito. O vento cada vez mais forte batia no meu rosto e a sensação de liberdade me dominava. Hoje o ar estava gelado, o céu estrelado e a lua linda. Olhei para a direita à procura do carro que nos acompanhava, mas não o encontrei, nem quando o procurei do outro lado. Então olhei pelo retrovisor da moto e o vi muito atrás, acelerando. Logo nos alcançou e ultrapassou pela esquerda, e Natali me cumprimentou sarcasticamente.

— Taylor, acelera essa merda – Falo rapidamente nos seus ouvidos. Eu nunca gostei de ser passada para trás, até hoje sou enjoada com isso.

— Segure-se – Ele falou num tom de brincadeira. Na mesma hora me seguro mais forte ainda. Em instantes a moto começou a se inclinar e a minha cabeça quase encostou no asfalto, e logo que a moto voltou para o chão, Taylor acelerou mais ainda. Quanto mais Ryan acelerava mais Taylor acelerava. Era gostosa a sensação de estar correndo numa moto, não tem coisa melhor para esfriar a cabeça. Já perto da ponte Rio-Niterói. Surgiram duas motos correndo muito. Eles estavam nos chamando para um racha. E sem me pergunta Taylor começou acelera junto com as duas motos, até me assustei por que ele não é de fazer isso. A primeira moto que se aproximou era uma Kawasaki Ninja verde escura, que era mais bonita quando se via de perto. Taylor olhou para o lado. Ele repetiu o processo de inclinar a moto. A adrenalina que eu estava sentido tomava conta do meu corpo, e eu sentia ondas elétricas atingindo meus músculos. Quando a moto voltou ao chão ele acelerou, deixando o adversário para trás.

— Nossa, que moto – Murmurei no ouvido do meu irmão, perplexa. Era uma Ecosse Titanium Series FE Ti XX preta, ela era uma maquina magnífica. Não é moto para uma pessoa pobre, seu dono com certeza devia ter bastante dinheiro. Ficamos lado a lado, e o restante da ponte não tinha mais carros, agora era somente uma questão de honra, para ver quem era o melhor. Há uma hora em que estar em cima de uma moto passa a ser um caminho sem volta, e este é o ponto aonde queríamos chegar. O velocímetro cada vez foi subindo, já marcava cento e sessenta quilômetros por hora. Pura adrenalina, eu mal conseguia respirar, o meu coração parecia que em qualquer momento sairia pela boca, conseguia ouvir o bombeamento do meu coração. Estávamos emparelhados, era incrível como aquilo acontecia. Aos poucos Taylor foi diminuindo a velocidade e o cara do nosso lado também, passamos pelo pedágio e pagamos. Saímos da ponte em direção à festa, e, em dois minutos, Taylor parou a moto num clube, seguido pelo cara da outra moto. Quando eu estava descendo da moto, o outro motociclista parou ao lado e, em seguida, Ryan chegou em seu carro esportivo. Obviamente, nossa chegada chamou atenção, mas eu não estava preocupada com isso, queria apenas saber quem eram aquelas pessoas.

O cara da moto preta veio em nossa direção, e logo no início, pude ver que ele era lindo. Vestia uma calça jeans escura, e uma camiseta branca de manga que marcava os seus bíceps, ele tinha um corpo bem definido. Quê isso Pérola, se comporta! Pensei, mordendo os lábios. Meus pulmões doíam, eu praticamente estava esquecendo como se respirava, odeio saber que o meu corpo é o meu pior inimigo, pois está sempre me traindo.

— Esta pilotando cada vez melhor, cara! – murmurou Taylor apertando a mão do homem, demonstrando que já se conheciam.

— Essa é a minha irmã Pérola — diz Taylor me abraçando pela cintura.

— É um prazer finalmente conhecê-la Pérola – disse o cara da moto, chegou mais perto deixando-me ver melhor os seus olhos castanhos claros sedutores. Ele apertou a minha mão, sob o olhar atento de meu irmão.

— O prazer é meu! — digo abrindo um grande sorriso.

— Ah é, maninha o nome desse maluco é Thomas — disse Taylor dando um sorriso e uma piscadela para Thomas. O outro só sorriu.

— Thomas, essa é a Natali – falou o meu irmão, ao perceber minha amiga ser aproximar com Ryan. Ela deu um sorriso educado e Thomas retribuiu o gesto gentilmente.

— Esse é o Ryan – Continuou Taylor. Os dois homens apertam as mãos educadamente. Ryan envolvia a cintura de Natali completamente, num claro gesto de ciúme.

— Meus amores, vamos para a festa! – falo alegremente, quebrando o silencio que havia se instalado.

Taylor me puxou pela mão e começou a me guiar. Ao passamos pelo o portão, começamos a caminhar pelo jardim, que tinha muitas flores de várias cores, era repleto de vida. Continha muitas árvores e com esse céu cheio de estrelas, a visão ficava ainda mais perfeita. Lá na frente eu via um salão, com uma música muito animada e bem alta.

— Nossa, que silêncio – Falei para quebrar o ar tenso. – Taylor, conta uma piada – Falei cheia de energia.

— Conheço alguém melhor para fazer isso, não é Thomas? – diz Taylor, dando uma indireta.

— Thomas, se você sabe contar piadas, é melhor ir logo começando, porque estou louco para começar a noite com muitas risadas – disse Ryan sorrindo para o outro.

— Está bem, então vamos – falou Thomas jogando fora o cigarro que havia acendido há pouco.

— Me deixa pensar em uma maneira – respondeu Thomas.

— Dois amigos estavam fumando maconha e foram pegos pela polícia. No dia do julgamento, o juiz, que estava de bom humor, disse “Vocês parecem ser boas pessoas, por isso lhes darei uma segunda chance! Ao invés de irem pra cadeia, vocês terão que mostrar para as pessoas os terríveis males das drogas e convencê-las a largá-las! Compareçam ao tribunal daqui uma semana, pois eu quero saber quantas pessoas vocês convenceram!”. Na semana seguinte os dois voltaram e o juiz perguntou para o primeiro homem “Como foi sua semana, rapaz?”. O jovem respondeu “Bem, meritíssimo, eu convenci 17 pessoas a pararem de consumir drogas para sempre!”. “17 pessoas?” disse o juiz, satisfeito, “Que maravilha. O que você disse para elas?” — Eu usei um diagrama, meritíssimo. Desenhei dois círculos de tamanhos diferentes, aí apontei para o círculo maior e disse “Este é o seu cérebro em tamanho normal”, e, apontando para o menor, “E este é o seu cérebro depois das drogas!”. “Muito bem!”, aplaudiu o juiz, virando-se para o outro sujeito. “E você? Como foi sua semana?”. “Eu convenci 234 pessoas, meritíssimo!”. “234 pessoas?”, exclamou o juiz, pulando da cadeira. “Incrível! Como você conseguiu isso?”. “Utilizei um método parecido com o do meu colega. Desenhei dois círculos também de tamanhos diversos, mas apontei para o círculo menor e disse: “Este é seu c* antes da prisão”.

E caímos na gargalhada, de tira fôlego.

— Onde você aprendeu essas piadas? — perguntou Ryan, curioso.

— Com amigos, colegas, até com a minha própria família – Respondeu Thomas, com os seus lábios se apertando em uma cautelosa linha firme. Ao entramos no salão fomos para uma mesa no canto perto de uma linda janela, o salão estava muito bem decorado, com discos vinil pendurados no teto, muitas bolas e fitas coloridas. As mesas estavam forradas com uma toalha de mesa cheias de bolinhas de diversas cores, tinha umas seis guitarras no salão enfeitando, o balcão estava incrivelmente lindo, a pista de dança tinha uma multidão dançando.

— Vou pegar algumas cervejas para a gente pessoal – disse Taylor.

— Vou com você – falou Thomas encarando Taylor por um momento.

— Está bem – diz Taylor devolvendo o olhar.

— E você Ryan, vem com nós? – perguntou Taylor.

— Se eu for quem vai tomar conta das meninas? Vai que passa um otário e tentar fazer algo – respondeu Ryan sarcasticamente.

— Ei, eu sei me defender muito bem. E não preciso de guarda costa não, já basta o meu irmão, querendo saber onde eu estou – respondi de cara feia para Ryan. Taylor, Ryan e Natali começaram a rir e Thomas ficou mordendo os lábios para não rir junto.

— Ryan, elas não precisam de ajuda, vem com a gente – diz o meu irmão se levantando da cadeira.

— Claro, já que você insiste – disse Ryan se erguendo sorridente.

— Voltamos logo meninas. – falou Taylor.

— Qualquer coisa é só me gritar – completou Ryan.

Depois disso a única coisa que eu vi foi os três desaparecendo na multidão, indo em direção ao bar. A forma de andar do meu irmão mostrava que estava pronto para qualquer coisa, mostrava poder, grandeza, e Ryan e Thomas não ficavam para trás, o trio era imponente em cada movimento.

— Pérola! – gritou Natali repetidas vezes.

— Oi – respondi rapidamente, olhando para Natali espantada. – O que foi? – Perguntei.

— O que é? Tem quase meia hora que eu estou falando com você, enquanto você estar no mundo da lua, isso responde a sua pergunta? – reclamou.

— Ah, me desculpa, só estava pensando numa coisa – me desculpei.

— Estava pensando em quê? – perguntou interessada.

— Em nada que vá te interessar – respondi rapidamente, tentando mudar de assunto.

— Como assim não vai me interessar? Tudo sobre você me interessa porque você é minha irmã, lembra? – perguntou Natali séria

— Claro que eu me lembro! Nunca vou me esquecer de uma coisa dessas Natali – olhei-a significativamente.

— Você esta pensando no Thomas? – falou.

— Claro que não, Natali – respondi olhando-a de cara feia.

— Calma, só estou perguntando – murmurou Natali num tom defensivo.

— Calma já estou até demais – respondi secamente, virando o rosto para o lado para ver se os garotos estavam vindos.

— Pérola, o Ryan tem uma surpresa para você – disse Natali, sorridente.

— O que é?

— Vou te falar, mas você não pode contar para ele que sabe, senão ele vai me matar, tudo bem? – perguntou Natali e eu concordei com a cabeça.

— A assistente dele pediu demissão e ele vai ter colocar no lugar dela temporariamente – minha amiga respondeu sorrindo.

— Você estar brincando comigo Natali – falei com a voz cheia de emoção e alegria.

— Você acha que eu vou brincar com uma coisa dessas Pérola? – antes que ela terminasse a frase eu já estava ao seu lado, dando-lhe um abraço bem forte, pois estava muito feliz em conseguir um emprego.

— Nossa, estou sem palavras, muito obrigada – digo num tom animado, em seu ouvido.

— Não é a mim que tem quer agradecer, e sim ao Ryan – murmurou Natali, batendo palmas de excitação.

— Mas assim mesmo obrigada irmã – falo olhando para os seus lindos olhos enigmáticos.

— Adoro ver você sorrindo, gosto de vê-la feliz e não triste ou magoada. – Sussurrou Natali.

— Eu sei. Como eu te amo! — nos abraçamos depois de toda a emoção do momento.

— Você não vai acreditar, sabe quem vai chegar amanhã ao meio-dia? — Fala Natali.

— Quem?

— Os meus pais, para a gente começar a ver os últimos detalhes da festa de aniversário da Rose – Falou Natali sorrindo.

— Então amanhã vamos buscá-los no aeroporto? – perguntei.

— Os dois exigiram que nós três fossemos ao aeroporto – respondeu.

— Como a nossa flor cresceu rápido, parece que foi ontem a primeira vez que ela sorriu, e que começou a comer comida. Ela fazia tanta sujeira ficava com comida no corpo todo, está começando a falar, é agora que vou me acabar de rir. Mas a verdade é que a melhor razão de ser viver num mundo é você saber que carregará uma criancinha indefesa durante nove meses, e que depois essa criança vai te amar incondicionalmente pelo resto de sua vida. Se ela for recebida por pessoas que a amam, desde quando ela ainda estava no ventre, se for tratada com carinho, com beijos e muito amor pode ter certeza que, mesmo que vocês discutam, aonde você for ela vai, e sempre estará próxima a você porque ela simplesmente vai te amar. Um filho é para o resto de suas vidas mesmo que ele erre – falei cheia de emoção.

— Eu também amo vocês duas – murmurou Natali entre lágrimas.

— Vamos enxugando essas lágrimas porque viemos aqui para nos divertir e não para ficamos a noite toda chorando certo? – digo em tom de incentivo, enquanto me recompunha.

— Sim, você está certa – cedeu Natali enxugando suas lágrimas.

— Cadê esses homens que não chegam com as nossas bebidas? – reclamei.

— Chegamos meninas – disse Taylor no mesmo instante, surgindo atrás de Natali.

— Por que vocês demoraram tanto assim só para comprar algumas cervejas? – perguntei em tom seco.

— Porque a fila estava grande! – falou Thomas sorrindo para mim.

— A gente veio aqui para se divertir, mais animação gente! — falei após algum tempo em silêncio. Thomas sorriu para mim quando me olhou, e deu uma piscadela em minha direção. Fiquei levemente confusa e irritada com o gesto, afinal, eu mal o conhecia.

Vamos brindar a nossa noite – propôs Taylor, erguendo o seu copo.

À nossa noite – falamos todos juntos, brindando.

— Vamos dançar pessoal! – gritou Natali cheia de alegria, pois a festa estava muito empolgante, e porque o álcool já havia subido a sua cabeça. Eu provavelmente estava ainda mais bêbada, porque aceitei o convite. — Vamos meninos – falei pulando da mesa, quase derrubando a minha cerveja no lindo vestido de bolinha de Natali, por ter pisado em falso. Em questão de segundos os garotos estavam na pista de dança com a gente.