Doce pesadelo
1 Capítulo 1
Eu estava cansada de viver tão sozinha. Eu não tinha uma vida normal como toda adolescente, eu não vivia uma amizade verdadeira, eu não tinha alguém pra compartilhar minhas felicidades e tristezas… Porque, aliás, nada de interessante acontecia. Mas como eu já estava acostumada: eu iria me mudar, pela centésima vez.
Meu nome é Sofia e eu tenho 16 anos. Estou indo me mudar hoje pra uma cidade qualquer, de um estado qualquer, que eu sei que não vai fazer diferença alguma na minha vida.
Acordei cedo e terminei de arrumar minhas coisas. Vesti minhas calças jeans de sempre, uma blusa básica cinza e meu Vans branco. Eu não tinha de quem me despedir, então não estava animada nem triste por sair dali.
Depois de chegar à minha nova cidade, fui direto pra minha nova casa, juntamente ao meu pai. Sim, só ao meu pai, já que minha mãe havia nos abandonado a alguns anos atrás.
Amanhã seria meu primeiro dia de aula e eu estava um pouco nervosa. Aquele lugar parecia muito mais animado do que a outra cidade e eu não sei se me adaptaria rápido àquele lugar.
— Está tudo bem? – Meu pai falou, abrindo a porta do meu quarto e me observando arrumar meu novo “cantinho”.
— É, acho que vai ficar tudo tranquilo. – Eu sorri, tentando ser simpática.
A situação minha e do meu pai era muito diferente. Sim, eu o amava muito, mas ele focava sempre mais no trabalho dele do que em mim. Eu sei que tem muita gente que passa por isso, mas coloquem-se no meu lugar: eu não tinha mais ninguém pra me apoiar, apenas ele.
Ele olhou mais um pouco o quarto e saiu, aborrecido. Eu odiava fazê-lo ficar com aquela cara de “eu sou um terrível pai” mas se ele realmente achava aquilo, deveria fazer algo pra melhorar a nossa convivência de pai e filha.
Terminei de arrumar meu quarto e dei uma olhada geral: dava pra viver ali por alguns meses, já que os móveis demorariam pra chegarem.
O apartamento não era muito grande, mas valia bastante. Eu sabia, porque meu pai ganha o suficiente pra poder comprar um lugar favorável pro trabalho, pra ter um bom sono e uma ótima cozinha (pelo menos era o que ele sempre falava).
Procurei meus materiais novos pela sala e não achei NADA. Então peguei meu dinheiro e fui dar uma volta pela cidade. O lugar era bonito e as pessoas pareciam bem legais, até. Achei uma livraria e comprei dois cadernos grandes, que era só o que eu não tinha encontrado. Amanhã era meu primeiro dia de aula e eu não podia deixar nada pra amanhã, pois sabia que iria acabar me atrasando no primeiro dia, o que não era nada bom.
Cheguei em casa e havia um bilhete em cima da mesa, era do meu pai: “Sofia, tive uma emergência e não chegarei cedo! Dentro da minha gaveta das meias tem dinheiro pra tu pedir comida e ir de táxi pro colégio amanhã cedo, depois te explico o que aconteceu! Boa aula.” Ok, era só o que me faltava.
Joguei aquele bilhetinho janela à fora, explodindo de raiva. Poxa, acabamos de chegar na casa nova e meu pai já tem uma emergência no emprego? Eu já estava REALMENTE cansada disso.
Pedi um xis e comi, rapidamente. Mais tarde, depois de ter ido deitar, olhei pro relógio e vi que eu estava a horas deitada, viajando: já era 2h13. Tentei ler e o sono chegou, então aproveitei e consegui dormir.
Eram 6h30 e você já estava acordada, de nervosismo. Não havia saído da cama, ainda, então resolveu levantar e ir tomar banho. Depois, se arrumou com o novo uniforme e resolveu pegar o dinheiro do táxi. Ligou para o número que estava junto com o dinheiro e o táxi disse que estava perto do local, então já era pra esperar na frente do prédio.
Depois de uns 15 minutos, eu estava prestes a conhecer minha nova rotina: eu estava saindo do táxi e entrando no novo colégio. Uma mulher, com um uniforme do colégio estava na entrada do colégio, desejando “bom começo de aulas” pra todos os alunos.
— Você é nova, certo? – Perguntou, segundo o crachá, diretora Patrícia. – Qual turma?
— Ah.. Eu tô na turma 102. – Falei um pouco envergonhada.
— Ok, segue reto, primeira porta depois das escadas. Boa aula, querida!
Segui o que ela me disse e logo pensei: “que tipo de diretora chama um aluno de querida?” Ok, ela era bem bizarra. Fui direto pra minha sala, mesmo faltando 20 minutos pra começar a aula.
Chegando na sala, havia 3 ou 4 alunos na sala de aula, nenhum deles em grupos. Eu procurei sentar num canto, e avistei um lá atrás: era pra lá que eu iria. Me sentei e fui ver o horário: primeiro período seria Artes.
Aos poucos, os alunos estavam chegando e pelo que pude perceber, quase todo mundo se conhecia: não era um bom começo. A professora chegou e logo depois, chegou mais 10 alunos: 5 meninas e 5 meninos.
— Por que é que entraram depois de mim? – Ela parecia braba.
— Desculpa professora, isso não irá se repetir! – Uma garota loira com uma calça jeans rosa respondeu, olhando um garoto de canto, nada satisfeita.
— Eu espero que não. – A professora disse e voltou à falar sobre a matéria dela.
Aquela aula passava devagar demais e o meu sono estava começando a chegar.
— Ei, — senti alguém cutucando meu braço, enquanto eu estava debruçada na mesa. – você é nova aqui, certo? – Falou uma menina de pele morena e cabelo liso, perfeito.
— Ér.. Sou sim! – Falei, envergonhada novamente.
— Prazer, — ela ergueu a mão para me cumprimentar – eu sou a Alana.
— Eu sou a Sopia, prazer! – Falei, apertando a mão dela.
— Essas são: Bianca, Eduarda e, aquela que tá dormindo, é a Melissa! – Alana falou, e eu cumprimentei as outras com um sorriso.
— Então, tu é daqui? – Alana continuou puxando assunto.
— Na realidade, eu nasci aqui e fui direto pra outra cidade. Mas agora tô de volta porque meu pai trabalha e… – Eu falei e Alana interrompeu: — Eu entendo, a situação é exatamente a mesma lá em casa, tô sempre me mudando por causa do trabalho da minha mãe.
— Sério? Eu sempre achei que fosse a única que tinha esse problema.
Conversei com Alana e com o resto das meninas até chegar o recreio: eu realmente achava que eu iria continuar sozinha naquele colégio. Elas até foram simpáticas de me convidarem pra lancharem com elas, e eu aceitei, óbvio.
— Então, vai comprar alguma coisa na cantina? – Melissa perguntou, bocejando.
— Não, eu não tenho fome de manhã. – Falei, me sentando numa mesa.
— Para de olhar, Duda! – Alana falou, dando um tapa no braço da Eduarda.
— Tenho culpa de ter raiva agora?
E é óbvio que eu perguntei o que estava acontecendo, e fiquei sabendo de uma história super bombante: Eduarda namorava Liam, um dos jogadores de basquete do colégio. Ele é amigo de Niall, Zayn, Louis e Harry, que tem uma rivalidade supergrande com Enzo, Rafael e Peter. Valentina, Danielly e Gabriela são, vamos dizer, as atiradinhas do colégio. Elas conseguiram fazer com que Eduarda ficasse com Peter pelo Liam ter traído ela, só que na verdade, ele não tinha traído ela. Enfim, Liam esculachou Duda na frente de todo mundo e brigou feio, de soco, chute e etc, com Peter. Depois daquilo, ela nunca mais falou com ele, mas ainda era apaixonada pelo mesmo. O pior de tudo, é que agora essa tal de Danielly tá namorando ele, e ela disse que se sente muito mal por ter ficado com Peter porque ela deveria ter tido confiança no Liam.
— Duda, bola pra frente! – Falei, tentando consola-la.
— Eu já tentei de tudo, Sô. Nós estávamos no segundo mês, foi tão difícil pra mim. – Ela falou, tristinha e eu a abracei. Eu estava com vontade de ajuda-la, mas eu não tinha nada a ver com a vida dela.
O intervalo passou e eu fui no banheiro, antes de ir pra sala. Quando saí, fui arrastada pro chão, sem entender o que estava acontecendo na hora. Alguém me puxou pra cima e só pude ver seu rosto depois de estar em pé.
— Oh meu Deus! – Eu falei, amaciando meus joelhos.
— Desculpa, eu não te vi. – Ele falou e não me era estranho: ele era meu colega.
— Tu é meu colega, não? – Falei, rindo.
— Ér.. Ah, eu tenho que ir pra sala. – Ele falou, e saiu correndo na minha frente. Ok.
Cheguei na sala e a professora disse que não era pra eu me atrasar mais e me sentei, rapidamente.
— Gurias, quem é aquele ali? – Apontei, discretamente e as gurias arregalaram os olhos. – Calma gente, ele é algum tipo de sequestrador?
— Não exatamente. – Bianca falou, ainda assustada. – Mas ele é um dos mais estranhos daqui do colégio, realmente. Eu tenho um pouco de medo dele e não sei como ele consegue andar com aqueles… Enfim.
— Qual é o nome dele? – Perguntei, curiosa.
— Louis. – Melissa falou. – E aliás, eu não acho ele nada estranho. Acho ele bonitinho, mas nunca conversei com ele. Ele parece antipático.
— Não, ele até que foi querido comigo. Ele me derrubou e me levantou, pediu desculpas mas depois saiu correndo.
— Isso o torna estranho, certo? – Alana falou e nós todas rimos.
Ele era estranho, mas aqueles amiguinhos dele… Ah meu bem, não eram nem um pouquinho estranhos pra mim. Niall é loiro com olhos azuis, sorridente, porém, tem muita cara de garanhão. Harry é misterioso, cabelo cacheado e olhos “seduzentes” (Ok, eu não acredito que estou pensando nisso). Liam parecia o mais pegador dali e o “líder” daquele grupo. Zayn era um pouco largado, mas bonito também.
— O que tu acha dos outros? – Bianca olhou pra Peter, Enzo e Rafael.
— Enzo é bonito, mas tem cara de ridículo, do tipo que insulta qualquer pessoa, sabe? – Falei, e elas concordaram. – Peter tem cara de ser capacho, mas eu achei ele BEM bonito. Mas, o Rafael… Ele é estranho, tem cara de malvado.
— Feliz aniversário, Little Sopia! – Bianca falou, rindo e eu olhei curiosa, já que não havia entendido. – Malvado? Quantos anos tu tem?
— Ah, cala a boca Bianca! – Falei, rindo dela. – Ele tem cara de ter ficha na polícia. – As meninas riram e logo a aula acabou.
Despedi-me das meninas e fui pra casa, a pé. Peguei meu celular pra ouvir música e havia três chamadas do meu pai.
Liguei pra ele e caiu na caixa postal, então nem tentei novamente. Cheguei em casa e ele ainda não estava lá, então decidi dar uma dormida e só depois, ver o que tinha pra comer.
Depois de passar o dia dormindo, acordei 16h40, morrendo de fome. Fui pra cozinha e meu pai estava lá. Estava lá acompanhado.
Fale com o autor