Doce pesadelo
2 Capítulo 2
Encarei meu pai, como sempre fazia quando não gostava do que estava acontecendo e lembrei do quanto eu sofri quando minha mãe nos deixou. Senti que iria chorar e fui correndo pro quarto. Me tranquei lá, e me atirei na cama: fiquei chorando até adormecer.
Acordei no outro dia e só tive tempo que colocar minha roupa do colégio e pegar meus materiais. Meu mau-humor poderia ser visto de longe, já que a chuva estava raivosa lá fora. Além do que aconteceu ontem, a aula seria tediosa, eu podia sentir.
Não vi meu pai em casa, já que estava na corrida. Quando cheguei no colégio, e ele parecia deserto. Um motivo ótimo pra faltar aula é: chuva.
Entrei na minha sala e percebi que nenhuma das meninas havia ido. Ótimo, eu estava sozinha aquele dia. Estava eu, o grupinho do Rafael, o grupinho do Liam e o grupinho da Valentina. Era apenas eles, e eu, naquela sala.
— Good morning, guys! – Falou o professor de inglês, Renato.
— Good morning. – A turma ecoou.
— Today we work in groups, – Ok, pra ajudar a situação, eu ia ter que trabalhar em grupo com algum deles. Isso seria tenso. — and I’ll choose which groups.
Ele fez a chamada e então escolheu os grupos: eu, Louis, Harry, Liam e Peter seriam um grupo; Rafael, Enzo, Zayn e Louis seriam outro; e por fim, Valentina, Danielly, Niall e Gabriela seriam outro.
Me juntei ao meu grupo e eles estavam todos quietos. Mal eles sabiam que eu sabia o porque desse silêncio.
— Qual é teu nome mesmo? – Liam perguntou pra mim, quebrando o silêncio.
— Ah, meu nome é Sofia. – Eu falei e sorri.
—Novata! – Harry falou, sério.
— Algum problema? – Falei, irritando-o.
— Só se for pra você. – Ele falou, me encarando.
— Tá, vamos fazer essa palhaçada de uma vez. – Peter falou, irritado, e Louis continuava quieto.
O trabalho era simples: só fazer um texto em inglês e como Liam sabia bastante de inglês, fez quase tudo, só apenas me perguntava algumas palavras que ele não sabia.
— Pronto, terminamos! – Liam falou, colocando a folha sob seus olhos, pra ver se estava tudo certo. – Entrega pra mim? – Ela falou, me entregando a folha.
— Sim, entrego. – Falei, pegando a folha e entregando pro professor. Logo depois, voltei pra mesa onde nós estávamos e me sentei, quieta.
— Então… – Liam voltava a puxar assunto. – tu não é daqui, certo?
— Na verdade, nasci aqui mas depois me mudei. Estou de volta por causa daquele meu pai. – A palavra “pai” foi dita por mim com força e raiva ao mesmo tempo, já que eu ainda estava com aquela cena na minha cabeça.
— Aconteceu alguma coisa? – Peter falou, indiferente.
— Na verdade, sim. – Falei, um pouco surpresa com a cara de “preocupação” dos dois. – Peguei meu pai com uma mulher hoje em casa, sendo que minha mãe nos deixou a um tempo e eu não estava preparada pra isso, sabe?
— Porque tão idiota? – Harry sussurrou pra Liam, e eu escutei.
— Idiota é tu. – Falei, sem me arrepender. – Nem me conhece e fica dando cortezinho.
Ele me ignorou e logo bateu pro outro período. Eu realmente tinha me irritado com aquele garoto. O que ele tinha de bonito, tinha de ridículo e eu não suporto gente desse tipinho.
Quando o sinal bateu, eu me levantei “brutalmente”, fazendo um barulho muito alto com a cadeira. Voltei pro meu lugar e quase metralhei aquele menino com os olhos.
Chegou o recreio e eu estava sozinha, maravilha. Fui pra cantina e não tinha nada de bom pra comprar. Então fui pro pátio e me apaixonei por aquele lugar. Era florido, com várias árvores e alguns banquinhos de jardim. Era o típico colégio de filme americano, perfeito.
Me sentei num daqueles banquinhos vazios e liguei meu iPod. Coloquei “I Run To You – Lady Antebellum” pra tocar.
Fiquei um tempo viajando e logo percebi que alguém sentava do meu lado: Liam.
— O que tu quer aqui? – Perguntei, virando de frente pra ele e tirando um dos fones do meu ouvido.
— Desculpas pelo Harry. – Liam falou, rindo.
— Ele mandou dizer isso, é? – Falei, desconfiada.
— Óbvio que não. Harry não é do tipo que se preocupa com a tua raiva… Acredite. – Liam falou, desapontado.
Fiquei conversando com Liam e ele era realmente muito querido e engraçadinho. O recreio ainda não tinha acabado e aquilo era tipo, anormal. Parecia que estávamos conversando ali há séculos.
— Posso te fazer uma pergunta?
— Pode. – Liam respondeu, curioso.
— Tu namora? – Perguntei, tentando parecer que era só curiosidade… porque era.
— Eu não vim aqui pra te trovar, sério. – Ele riu. – E não, eu não namoro. Porque?
— Nada… É que eu achava que tu tava namorando com a Danielly. – Ele falou e revirou os olhos, desviando o olhar. – Eu não deveria ter trazido esse assunto, né? Desculpa, sou muito metida.
— Não, não é contigo o problema. – Ele deu uma pausa e continuou: — Eu não namoro com a Danielly porque eu não gosto dela, só uso ela pra me divertir e ela fica achando que a gente tem algo sério… Daí sai falando que a gente tem algo a mais que ficar.
— Não foi ela quem me falou… eu não falo com ela!
— Eu sei… Mas, quem te falou? – Ele olhou nos meus olhos, querendo sorrir.
— As meninas com quem eu ando. Não sei se tu sabe quem são elas. – Falei, fingindo não saber de nada.
— Bibi, Alana, Melissa e… a Eduarda? – Ele falou, um pouco mais sério.
— Sim, elas.
Ele mudou de assunto e o recreio acabou. Ele disse que tinha adorado conversar comigo e falou que ele tinha algo pra me contar, mas deixaria pra mais tarde, quando ele tivesse certeza do que iria falar.
A aula passou rápida, já que eu dormi quase todos os períodos depois do recreio. Fui pra casa e almocei, sozinha, novamente.
Peguei o telefone e liguei pra Alana.
— Alô?
— Oi Alana, é a Sô! – Falei, animada.
— E aí, como tava a aula? – Ela perguntou, bocejando.
— Tava bem legal! E eu odeio o Harry.
— Ai meu deus! – Alana falou, rindo. – O que houve?
— Teve um trabalhinho de inglês em grupo e aquele guri não sabe ser querida, pelo amor de Deus. Mas em compensação, o Liam é um ótimo amigo.
Ficamos conversando e decidi que não iria me abalar por causa daquele guri, ele era ridículo e eu não tinha que ficar pensando no quanto eu odeio ele. Mas eu ainda queria saber o que o Louis tinha e porquê ele andava com aqueles guris. Tinha que ter algum motivo, alguma coisa tinha…
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