Notas iniciais
Boa tarde meus amores!!!!! Tudo bem com vocês? Primeiramente Bella Salles muito obrigada pelo carinho no comentário do capítulo passado e dedico esse capítulo de hoje a você... Ótimo feriado a todos e vim postar mais um capítulo quentinho e com aquele gostinho de antecipação rsrs... a Vitória minha amiga e estimada leitora me sugeriu uma ideia do passado do nosso loiro e trouxe aqui no início um flashback, não sei se consegui alcançar as expectativas dessa lindona, mas juro que tentei rsrs (qualquer coisa pode puxar minha orelha kkkk) Pessoal novidades, pra quem acompanha Linha Tênue da Sany (ela está bem, mas está tendo problemas com o notebook dela) Mas ela e eu criamos um grupo no WhatsApp e quem quiser se aliar a nós me enviem MP com o número de vcs e identificação de seus avatares que colocarei no grupo, está bem divertido apenas tributos maravilhosos. Bora se divertir conosco.


Katniss estava deitada no sofá, com a cabeça apoiada no colo de Peeta. A chuva fina batia contra as janelas panorâmicas e o som ritmado enchia o silêncio confortável entre eles.

Peeta passava os dedos distraidamente pelos fios de cabelo dela, o olhar distante.

— Você nunca me contou como acabou aquele noivado — disse Katniss, quebrando o silêncio.

Peeta soltou um suspiro curto, sem emoção.

— Acho que porque, no fundo, foi um alívio. Mas na época… doeu pra caramba.

Katniss ergueu o rosto, curiosa.

— Ela te traiu?

Peeta riu, sem humor.

— “Traiu” é pouco. — Ele passou a mão pelo rosto. — Quer saber? Eu ainda lembro o minuto exato em que descobri.


Flashback — Dois anos antes, Manhattan | Atlas Technology


Era uma manhã corrida na Atlas. Reunião com investidores, prazos apertados e um novo projeto em fase de teste. Peeta e Johanna saíam da sala de conferências — ele com o paletó pendurado no ombro, ela equilibrando dois copos de café.

— Se eu ouvir mais uma vez a palavra “projeção de margem” eu juro que me jogo da cobertura — reclamou Johanna.

— Vai dar trabalho limpar a calçada depois — respondeu Peeta, distraído, enquanto desbloqueava o celular.

Uma notificação piscava no topo da tela: @EntertainmentLive: “Novo casal no show do Coldplay? Glimmer Smith e Marvel Quaid trocam beijos na área VIP.”

Peeta franziu o cenho.

Tocou na notificação.

O vídeo abriu.

Luzes piscando, multidão gritando. E lá estavam eles — Glimmer, de vestido dourado e Marvel, o “melhor amigo” dele, rindo, abraçados… e se beijando.

O mundo pareceu silenciar.

Peeta ficou parado no meio do corredor envidraçado Atlas, olhando para o celular como se fosse uma bomba prestes a explodir.

— Peeta? — Johanna se aproximou, percebendo a tensão. — Que cara é essa?

Ele virou a tela pra ela.

Johanna levou meio segundo pra entender. Depois, soltou uma risada seca e descrente.

— Ah, eu sabia! — exclamou, balançando a cabeça. — Eu disse que essa loira não era pra você. Tinha “propaganda enganosa” escrito na testa dela desde o primeiro dia.

Peeta não respondeu. Continuava olhando a tela, o maxilar travado, o coração apertando no peito.

— Ei, olha pra mim. — Johanna tocou o braço dele. — Ela não te merecia, Mellark. Você é o cara mais fiel, mais idiota e mais leal que eu conheço. Vai por mim, isso aí é livramento.

Peeta respirou fundo, desligou o celular e o enfiou no bolso.

— É… um belo livramento. — Forçou um sorriso. — Agora eu só preciso sobreviver à reunião com o conselho sem jogar um projetor pela janela.

Johanna deu um tapa de leve nas costas dele.

— Bora, campeão. Depois eu te pago uma tequila — disse, e os dois seguiram em direção ao elevador, a amizade servindo de anestésico para a dor.


Fim do flashback — Presente


Katniss o observava em silêncio, os olhos suaves.

— Então foi assim… — murmurou. — E você nunca mais falou com ela?

— Ela tentou — respondeu Peeta. — Mas… quando você vê algo assim, não dá pra voltar atrás. Não é raiva, é só… o fim.

Katniss entrelaçou os dedos aos dele.

— E agora?

Peeta olhou pra ela, um sorriso pequeno nascendo nos lábios.

— Agora eu agradeço todos os dias por aquele vídeo idiota. Porque, se não fosse por ele, talvez eu ainda estivesse preso ao passado… e nunca teria conhecido você.

Katniss sorriu, encostando a testa na dele.

— Então, no fim das contas… o Coldplay salvou sua vida amorosa.

Peeta riu baixo.

— E o pior é que é verdade.

Eles ficaram ali, abraçados, enquanto a chuva lá fora aumentava — como se lavasse, de vez, o último vestígio do que um dia doeu.


✦✦✦


Manhattan Balthazar, Soho – 13h22


Katniss e Peeta saíam de mãos dadas do restaurante badalado, ambos sorrindo, os cabelos dela balançando com o vento leve da tarde e a camisa de Peeta meio aberta no colarinho, revelando parte do bronzeado. Estavam vivendo aquele momento pós-almoço perfeito… até o destino decidir sacudir o coração de Katniss.

Do nada, uma figura esguia, alta e bronzeada, tropeçou propositalmente nos ombros largos de Peeta.

— Peetinha?! — Uma voz estridente cortou o ar como alarme de incêndio.

Peeta congelou.

Katniss arqueou uma sobrancelha e virou o rosto, deparando-se com uma loira de 1,80, corpo escultural, bochechas cavadas e olhos cor de mel emoldurados por cílios postiços que pareciam bater asas.

Vestida com uma saia curtíssima e um cropped da Versace, a mulher o encarava com o que Katniss definiu como olhar de predadora felina com gloss de morango.

— Ah, não — resmungou Katniss entre os dentes, cerrando a mandíbula.

— Peetinha, sou eu! Coraline Deveraux! A gente se viu na after party da Balmain em Milão... lembra? Você me disse que o meu perfume era como “um incêndio no Mediterrâneo”... — Ela riu como se estivesse num comercial de xampu.

Peeta coçou a nuca, constrangido.

— Coraline, oi... é, faz tempo, né?

— Tempo demais. — Ela se aproximou mais um passo, praticamente ignorando Katniss. — Achei que você tinha esquecido de mim… Mas impossível esquecer você, Peetinha.

Peetinha?

PEETINHA?

Katniss sentiu o sangue ferver. Com um sorriso tão falso quanto uma bolsa no Camelô, ela deu dois passos até Peeta e abraçou sua cintura com força suficiente pra marcar território até no astral.

— Amor, quem é essa mesmo? — Perguntou Katniss, colando o rosto ao de Peeta, sua voz sedosa como uma lâmina prestes a cortar.

— Coraline… Coraline Deveraux — respondeu ele baixinho, quase como quem recita a culpa.

Coraline piscou.

— E você é?

— A mulher dele — falou Katniss, com um sorriso vitorioso. — Mas se quiser, posso desenhar com batom no abdômen dele mais tarde pra não restar dúvidas.

Coraline tossiu um riso falso.

— Uau. Intensa. Ainda gosta de garotas possessivas, Peetinha?

Peeta pigarreou e tentou apaziguar:

— Coraline, foi um prazer te ver, mas a gente tá no meio de um dia agitado…

— Não, não, espera um pouquinho, meu amor — interviu Katniss, se virando para Coraline. — Você ainda desfila pela Victoria’s Secret, é isso?

— Claro, querida. — Coraline ajeitou o cabelo como se estivesse sendo fotografada. — Angel desde 2020.

— Hmm. Que bom. Mas deixa eu te contar um segredo... — Katniss se inclinou como se fosse confidenciar algo, depois sussurrou alto o suficiente pro quarteirão ouvir. — Quando eu desfilo lingerie, o palco é o colo dele. E o final é sempre mais… explosivo.

Peeta tossiu, quase se engasgando de nervoso e riso contido. Coraline arregalou os olhos e soltou um forçado “Bom ver vocês!”, antes de sair rebolando calçada abaixo.

Assim que ela sumiu da vista, Katniss se virou para Peeta com os braços ainda em volta da cintura dele.

— Peetinha? Sério?

— Tinha terminado o noivado com a Glimmer, bêbado e vulnerável em Milão. — Peeta ergueu as mãos em rendição. — Mas posso te garantir uma coisa…

— Hmm?

— Nenhuma modelo da Victoria’s Secret chega aos seus pés. Você desfilando lingerie pra mim é o paraíso. — Ele beijou a testa dela com doçura, segurando seu rosto.

Katniss bufou, mas deixou escapar um sorrisinho malicioso.

— Então se comporta, Mellark… ou vai dormir no sofá.

— Com ou sem você?

— Aí depende.

Eles riram juntos e seguiram de volta à Atlas, de mãos dadas, como se nenhuma Coraline Deveraux no mundo tivesse poder sobre eles. E não tinha mesmo.

Katniss sabia disso.

Mas também sabia que, se precisasse, poderia despachar uma Angel com um salto 12 e um bom sarcasmo em menos de 10 segundos.


✦✦✦


A porta da sala de Peeta se escancarou com a mesma delicadeza de um furacão.

— Katniss! — A voz animada e alta de Presley Mellark preencheu o ambiente antes mesmo da jovem surgir totalmente à vista. — Passei pelo departamento de marketing e seu estagiário fofo disse que eu te encontraria aqui!

Peeta ergueu os olhos da papelada, o cenho franzido com a interrupção repentina, mas já acostumado com o estilo impulsivo da irmã caçula.

— Oi pra você também, irmãzinha — resmungou ele com sarcasmo.

Presley deu de ombros, fazendo uma careta.

— Ah, oi, Peeta... na verdade, Kat, queria te perguntar uma coisinha. Em particular, se possível.

Katniss, que estava sentada no braço da poltrona de Peeta, ajeitou-se com leveza e sorriu.

— Claro, vamos ali no corredor.

As duas saíram da sala deixando Peeta murmurando algo sobre nunca ter paz naquela empresa.

No corredor envidraçado, onde se via a vista panorâmica de Manhattan, Presley virou para Katniss com um brilho travesso nos olhos.

— Tá, é o seguinte… você se lembra daquele boy magia que me apresentou na academia?

Katniss piscou.

— Jason? O Jason Kim?

Presley mordeu o lábio inferior e confirmou com a cabeça.

— Desde aquele dia… a gente tem saído. Tipo… saído mesmo. Ele me levou em um rooftop coreano incrível, depois fomos num planetário e, olha, Katniss… ele me faz rir! Rir mesmo. Tipo… até chorar.

Katniss sorriu largamente.

— Eu sabia que ia dar um clima entre vocês dois.

— E aí… queria saber se posso levar ele pro baile. Como acompanhante. Você acha que fica estranho? Ele é gente boa e… bem, gostoso também.

Katniss riu alto.

— Pres, se você não levasse o Jason, eu mesma te arrastava de volta até a academia pra repetir a cena. Ele é um ótimo cara e você vai causar com ele. Aposto que vocês vão ser o novo casal sensação da noite.

— Você acha? — Os olhos azuis de Presley brilharam.

— Absolutamente... Jason vai estar protegido pela sua glória.

Presley riu.

— Meu Deus, você é mesmo o melhor tipo de má influência.

— Faço o que posso. — Katniss piscou.

— Tá. Agora deixa eu correr antes que o Peeta me obrigue a organizar mais um brunch com a nossa mãe. Ele ficou irritadinho ali dentro, você viu?

— Ele só tá tentando fingir que é o CEO todo sério. Mas por dentro… é um garoto apaixonado.

— Sim, apaixonado por você, sua bruxa. — Presley riu e piscou antes de seguir pelo corredor.

Katniss ficou parada ali por alguns segundos, olhando a cidade abaixo e pensando em como tudo estava convergindo para a noite do baile. A noite onde verdades seriam reveladas.

Mas até lá… que pelo menos o amor estivesse do lado certo.

Katniss abriu a porta da sala com um sorriso contido nos lábios. Peeta estava de pé junto à mesa, analisando alguns relatórios, mas ergueu o olhar assim que a viu.

— E aí? — perguntou ele, arqueando uma sobrancelha. — O que a senhorita “aparição espontânea Mellark” queria?

Katniss soltou uma risadinha e encostou-se no batente da porta, cruzando os braços.

— Um favorzinho. Mas antes... — Ela fez uma pausa dramática, encarando Peeta com divertimento. — Você sabia que a Presley é completamente viciada em doramas?

Peeta arregalou os olhos como se Katniss tivesse acabado de revelar que a irmã tinha entrado pra um culto em Seul.

— O quê?

— Isso mesmo — confirmou Katniss, caminhando com passos suaves. — Ela me confessou que passa madrugadas maratonando dramas coreanos no streaming. Tem até crush em uns atores.

Peeta soltou um suspiro exagerado e jogou-se na cadeira com um ar derrotado.

— Isso explica porque ela vive dizendo que “merece um homem que segure seu guarda-chuva na chuva sem camisa”. Eu achei que era só figura de linguagem.

Katniss gargalhou.

— Não, amor, isso é cena do episódio oito de praticamente todos os doramas românticos.

Tsc... Já vi que o Jason vai ter que ensinar coreano a ela se quiser manter a atenção da loirinha.

Katniss se aproximou dele e se sentou de lado no colo de Peeta, que imediatamente passou o braço pela cintura dela.

— Mas posso te contar um segredo? — Aproximou-se ela, sussurrando perto do ouvido dele.

— Sempre — respondeu ele, sorrindo.

— Eu acho muito fofo que você fique com ciúmes até do estagiário, mas com a sua irmã… você age como um pai.

— Ela me deixa maluco — resmungou, encostando a testa no ombro dela. — Primeiro aparece sem bater na porta, depois ignora a minha existência e ainda sequestra minha namorada pra uma conversa secreta no corredor... eu devia bloquear o crachá dela.

Katniss riu, brincando com a gravata de Peeta.

— Mas ela te ama. E eu também.

Peeta a encarou, os olhos azuis mais suaves que o céu da tarde do lado de fora.

— Mesmo com meu ciúmes? Minha irmã barulhenta? Minhas planilhas intermináveis?

— Especialmente por isso. Você é um caos controlado e... meu caos preferido.

— E você é minha loucura favorita. — Ele a beijou de leve. — Mas olha... eu vou ter que começar a desconfiar de qualquer pessoa que fique muito tempo te olhando. Stuart, o garçom do almoço...

— Ah não... — Katniss ergueu as sobrancelhas, divertida. — Não começa a competir com estagiário e garçom, Peeta Mellark.

— Tô só dizendo. Vai que alguém resolve fazer um dorama com você? Eu teria que invadir a Netflix.

— Aposto que faria sucesso. “Meu CEO, Meu Namorado.”

— E o episódio final teria você vestindo a lingerie verde-esmeralda e me chamando de “Oppa”.

Katniss riu alto, encostando a cabeça no ombro dele.

— Você é completamente louco.

— Por você, sempre.


✦✦✦


Os raios dourados do pôr do sol atravessavam as janelas envidraçadas, lançando sombras longas pelos corredores luxuosos do último andar. A empresa ainda funcionando em ritmo acelerado, mas na sala executiva de Peeta, a atmosfera estava mais íntima.

Katniss se inclinava sobre a grande mesa, os papéis com o layout do salão, lista de confirmações e detalhes da cerimônia de abertura organizados por ordem de prioridade. Ela mordia levemente a tampa da caneta — um hábito que Peeta achava absurdamente sexy.

Ele estava atrás dela, apoiado no amparador próximo a janela com uma xícara de café nas mãos, observando-a em silêncio, um sorriso bobo nos lábios.

— Você vai me distrair olhando assim, Mellark — disse ela sem desviar os olhos dos papéis.

— Nem estou disfarçando — respondeu ele, dando um gole no café. — É que você, assim, toda concentrada, focada e linda... me dá vontade de cancelar o baile e prender você comigo o fim de semana inteiro.

Katniss riu, ainda sem encará-lo.

— Para de ser safado. A gente trabalhou semanas nisso. E amanhã é sexta. Eu vou revisar o palco com o DJ e fazer a última passada de som. A equipe do bufê também quer confirmar as porções veganas.

— Eu só quero confirmar uma coisa — disse ele, aproximando-se e passando os braços ao redor da cintura dela por trás. — Aquele tal vestido vestido misterioso e divino com a máscara dourada que Presley não parou de falar... ainda está seguro no seu closet?

— Está. E longe dos seus olhos até o sábado. — Ela virou o rosto e o encarou por cima do ombro. — Você que lute com a curiosidade.

Peeta suspirou dramaticamente.

— Tortura psicológica. Isso deve violar algum código de conduta corporativa.

— Então me demite — provocou ela com um sorriso maroto.

Ele a virou de frente com delicadeza, puxando-a pela cintura.

— Impossível. Você é meu maior investimento emocional. Além disso... estou curioso pra saber qual será o desfecho dessa nossa história.

Katniss mordeu o lábio inferior, sentindo um calafrio subir pela espinha.

Ela disfarçou o sobressalto e o beijou devagar, saboreando a calma antes da tempestade.

— Amanhã nos separamos — murmurou ela. — Tenho que coordenar tudo de longe. Você só vai me ver no sábado. Vou me arrumar com você na cobertura.

— Eu posso sobreviver 36 horas sem você — respondeu ele, a testa colada na dela. — Mas vai doer.

Katniss soltou um riso baixo, mas seus olhos estavam tomados por algo mais profundo. Um prenúncio do que viria.

Ela recolheu os papéis, organizou a pasta e se afastou:

— Vai pra casa, Peeta. Durma bem. Você vai precisar de energia pra... tudo.

— Estou contando com isso — respondeu ele, pegando o paletó. — E Katniss...

Ela se virou na porta.

— Sim?

— Eu amo você.

Ela hesitou por um segundo. O tempo pareceu suspenso.

— Eu também.

Peeta desceu pelo elevador até o saguão, pronto para ir pra casa, mas seu celular vibrou com insistência. Ele franziu o cenho ao ver o nome de Cato na tela. Atendeu de imediato.

— Cato?

A voz do irmão soou como um turbilhão do outro lado da linha, tensa e irregular.

— Peeta, tudo está indo ladeira abaixo, cara... Clove... ela... ela apareceu aqui no prédio e começou a gritar comigo. E depois... depois ela caiu, e disse pra todos que fui eu quem empurrei. — A respiração de Cato estava acelerada. — A mídia tá na porta. Eu juro por tudo, Peeta, eu não toquei nela. Mas ninguém vai acreditar. Eu tô perdendo a sanidade. Eu não quero perder a guarda da Skye.

Peeta parou de andar, os olhos arregalados.

— Cato, respira. Me diz onde você tá nesse momento.

— No meu apartamento. A polícia já veio, mas eu tô sem chão. Eu não dormi a noite passada, ela tá me perseguindo... e agora isso... cara, eu tô ferrado.

— Escuta bem o que vou dizer, você não está sozinho. Eu vou até aí. A gente vai resolver isso, com calma. Você vai ficar bem, Skye vai ficar bem. Confia em mim, tá?

Peeta desligou com o coração disparado, girando sobre os calcanhares para voltar ao elevador. Mas antes que entrasse, uma voz o deteve.

— O que houve?

Katniss estava na entrada de outro elevador, com os papéis do baile apertados contra o peito. Seu olhar era puro instinto e preocupação.

Peeta resumiu a situação. Quando terminou, Katniss levou a mão à boca, atordoada, mas logo seus olhos assumiram um brilho afiado, focado.

— Clove pode ser imprevisível, mas eu sei como provar que o Cato está dizendo a verdade.

— Como?

Ela respirou fundo, relembrando o dossiê antigo que Gale havia reunido.

— Só confia em mim. Desde que você me contou o que o Cato estava passando, pedi pra um detetive a investigar... — mentiu ela, sem revelar nome do tal detetive e omitindo que tinha essas provas desde a época em que iniciou seu plano de vingança. — Ele conseguiu imagens da Clove sendo... ela mesma. Agressiva. Tem um vídeo dela agredindo uma funcionária em um estacionamento, em plena luz do dia. Isso mostra padrão de comportamento.

Peeta ficou surpreso.

— Você ainda tem isso?

Peeta a encarou com gratidão silenciosa.

— Você não precisava se envolver nisso...

— Mas eu vou. Porque o Cato é seu irmão e ele é pai da Skye. E, acima de tudo, porque eu não vou deixar aquela cobra destruir mais ninguém.

— Você vai ir comigo? — perguntou, surpreso. Notando ela guardar os papéis que segurava na bolsa.

— Claro. Alguém precisa manter sua cabeça no lugar, Mellark.

Enquanto o elevador descia até a garagem, Peeta não pôde evitar um sorriso suave.

Katniss era boa demais. Leal. Protetora com quem merecia. E, ao vê-la tão decidida, Peeta percebeu que amava tudo nela. Até a fúria.

Katniss, por sua vez, olhava para o próprio reflexo nas portas de aço inox do elevador e pensava em Cato, Skye e em justiça.

“Eles me feriram, mas ele não. Não ela. Eu não vou deixar Clove destruir mais ninguém. E se for preciso, eu vou queimar com essa vingança, mas não antes de proteger os inocentes das chamas.”

A noite caía sobre o Upper West Side, e o céu alaranjado refletia nos vidros da fachada do prédio onde Cato morava. Assim que Peeta e Katniss chegaram, foram recebidos por um segurança do condomínio, que os conduziu até a cobertura privada.

A porta já estava entreaberta. Do outro lado, Cato caminhava de um lado para o outro, completamente transtornado. Seus olhos vermelhos denunciavam uma noite sem dormir, e o som suave de Skye, assistindo desenhos no quarto ao fundo, era o único resquício de normalidade no caos.

— Peeta! — Cato correu até o irmão e o abraçou de forma rápida e contida, a voz embargada. — Eu juro que não toquei nela. Eu nem cheguei perto. Ela... ela caiu de propósito, Peeta. Disse que ia me arruinar. Que eu nunca mais ia ver minha filha.

Katniss entrou logo atrás, analisando tudo. Havia marcas de arranhões no braço de Cato. “Autoinfligidas?” pensou. Clove era esperta. Manipuladora.

— Skye está bem? — perguntou Katniss, sem rodeios.

— Está. Está no quarto com fone de ouvido. Eu disse que era só uma confusão de adultos. — Cato passou as mãos pelos cabelos. — Mas a polícia... os vizinhos ouviram o escândalo. E a imprensa já tá sabendo.

— Vai ficar tudo bem. — Peeta segurou o ombro do irmão. — Katniss acha que consegue ajudar.

Cato a encarou com uma mistura de surpresa e esperança.

— Como?

Katniss tirou o celular da bolsa e, com alguns toques, acessou uma pasta de vídeos antigos. Encontrou o que precisava: Clove empurrando uma funcionária em um estacionamento de shopping, aos gritos. Gale havia conseguido aquilo na época em que investigava os podres da elite mimada que infernizou sua vida.

— Isso mostra padrão de comportamento. Agressividade pública. É antigo, mas serve. Se eu conseguir que um jornalista confiável investigue, talvez exponha a verdade. E Peeta pode conversar com um dos sócios do escritório de advocacia que trabalha com a Atlas. Eles amam um caso midiático de reputação e guarda. — Ela o encarou com firmeza. — Mas você tem que me prometer que vai manter a calma.

— Eu... eu faço o que for preciso. — Cato assentiu, engolindo seco. — Obrigado, Katniss.

Ela apenas deu de ombros. Era como se a versão mais empática dela ressurgisse toda vez que crianças estivessem envolvidas.

Peeta ficou em silêncio por alguns segundos, observando a forma como Katniss lidava com tudo. Ela tomava controle, sem hesitar. Forte, sensível e inteligente. Quase inacreditável.

— O que seria de mim sem você? — confessou baixo, quando se aproximaram da janela da sala.

Katniss olhou para ele e sorriu. Por fora.

Por dentro... era como se uma faca girasse lentamente em seu peito.

“Você não sabe. Você não faz ideia. E talvez seja melhor assim, por enquanto.”

Mas ao encarar Peeta, tenso e cansado, ela pensou:

“Talvez... depois da queda, eu também caia com ele. Talvez queimar ao lado dele seja o preço por ter me apaixonado pelo meu próprio alvo.”

Ela se virou e limpou a garganta.

— Amanhã cedo, vou ao escritório dos advogados e depois falo com o detetive. Ele ainda tem acesso à rede investigativa. Vamos colocar Clove no lugar dela. Por Cato. Por Skye.

Peeta assentiu e, como um reflexo, beijou a testa de Katniss. Sem pensar. Como se o corpo dele já pertencesse ao dela.

— Eu te amo, sabia?

Katniss respondeu com um sorriso suave.

Mas não disse nada.

Katniss terminava de responder uma mensagem de Gale quando se voltou novamente para os dois irmãos. A tensão havia diminuído, mas ainda pairava no ar como fumaça densa.

Ela encarou Cato, que agora segurava um copo de água com as mãos trêmulas.

— Cato... quero que me ouça com atenção. — Sua voz estava firme, baixa, controlada. — Nada de sumir. Nada de faltar em compromissos. Essa é a hora em que você tem que parecer mais estável do que nunca. Vá ao baile com sua mãe. Sorria. Vista o melhor terno. Seja gentil com todos. Finja que tudo está absolutamente bem.

— No baile beneficente? — Ele arqueou uma sobrancelha. — Você quer mesmo que eu vá?

— Sim — assentiu ela. — Vai parecer que você não tem absolutamente nada a esconder. Confie em mim. Clove vai querer que você se esconda, se isole, fique acuado... e é por isso que você não pode fazer nenhuma dessas coisas. Vá. E apoie sua família. Mostre ao mundo que você é um pai dedicado e um homem equilibrado.

Cato respirou fundo e encarou Peeta, como se buscasse confirmação.

Peeta apenas assentiu, sério, com os braços cruzados.

— Ela está certa.

Katniss então se aproximou do sofá e pegou sua bolsa.

— Amanhã de manhã vou reunir tudo o que o detetive conseguiu sobre Clove. Já dei o alerta, ele deve mandar as provas mais comprometedoras, direto pro meu e-mail. Até lá, mantenha a cabeça erguida. —Ela fez menção de sair, mas parou na porta e voltou a encará-lo. — E Cato... não tente resolver nada por impulso. Ela vai provocar. Vai mentir. Vai posar de vítima. Você não pode cair nesse jogo. Você tem uma filha. Por ela, você vai vencer.

Cato, pela primeira vez naquela noite, pareceu respirar aliviado.

— Obrigado, Katniss. De verdade.

— Não me agradeça ainda — murmurou ela, já caminhando para fora com Peeta. — Ainda temos um baile para dançar... e fantasmas para afugentar.

No carro com Peeta minutos depois ela suspirou.

— Você foi incrível ali — observou Peeta, dirigindo com os olhos ainda no asfalto. — Como você consegue ser tão calma em situações assim?

— Aprendi desde cedo que perder a cabeça não resolve nada. E… acho que me importo demais com a Skye pra não fazer nada. — Katniss desviou o olhar para a janela.

O carro seguiu pelas avenidas iluminadas. Manhattan parecia tão calma do lado de fora, mas Katniss sabia que, por dentro, o mundo estava prestes a pegar fogo.

E ela estaria no centro das chamas.

Mas por enquanto… tudo estava exatamente onde precisava estar.


✦✦✦


O café na esquina de Soho estava calmo, abafado pela neblina leve de fim de verão. Katniss usava óculos escuros, camisa branca solta e um café forte em mãos. Sentada no canto reservado do mezanino, observava a rua movimentada, enquanto o relógio de seu pulso marcava 08h43.

Gale apareceu poucos minutos depois, discreto como sempre, com uma pasta de couro surrada em mãos e um olhar sério.

— Dormiu? — perguntou ele, puxando a cadeira.

— Pouco — respondeu Katniss, sem rodeios. — A adrenalina não me deixou.

Gale abriu a pasta e tirou uma série de folhas grampeadas, bem organizadas, cada uma com nomes, datas, capturas de tela e transcrições. O dossiê que selaria o destino do grupo que a destruiu anos atrás.

— Aqui estão os podres de cada um — disse ele, empurrando a pasta em sua direção. —De todos desta lista, Marvel… bem, Marvel está no topo.

Katniss folheou as páginas com calma, os olhos cinzentos impassíveis.

— E a câmera testou? Está tudo pronto?

— Sim. — Gale se inclinou, falando em um tom mais baixo. — A sala VIP no segundo andar já está com o dispositivo. Eu entrei na madrugada com o crachá do time técnico da organização. Tudo escondido no suporte da escultura central. Infravermelho, microfone oculto, conexão direta com @SoftVendetta🖤 “A melhor parte do jogo é fazê-los sorrir antes de cair.” O perfil falso no Instagram. Só dar o play. Quando começar, vai estar ao vivo pro mundo todo.

Ela assentiu. Sentia o estômago revirar, não de culpa, mas de antecipação. O momento estava próximo. E nada, nem ninguém, poderia detê-la agora.

— E a estrutura do baile em si? Vai ser afetada?

— Nem de longe — garantiu Gale. — A transmissão vai ter localização anônima, não vai citar a Atlas, não vai aparecer banner, nenhum símbolo. Só os rostos deles... se destruindo uns aos outros.

Katniss respirou fundo, fechando a pasta devagar.

— Eles vão cair. Todos eles — disse, quase num sussurro. — E quando caírem... não terão nem a quem culpar.

Gale a observou por alguns segundos, até perguntar:

— E ele?

Katniss ficou em silêncio por um momento, antes de responder com a voz firme e os olhos fixos no horizonte.

— Ele vai queimar. E eu estarei nas chamas com ele.

Notas finais
Por enquanto é isso e logo, logo volto com o Capítulo 16 - Vingança hahahaha... esse título... beijos e até pessoal, prometo voltar loguinho. Ótima semana a todos. E quem quiser me seguir no tiktok para ver minhas artes de THG entrem no meu perfil e sigam.