Notas iniciais
Que alegria em poder estar aqui postando esse capítulo, hoje estou precisando de elevar meu açúcar kkkkkk Era pra eu ter vindo antes, mas fiquei sem internet por uma semana foi um caos, mas enfim voltei e bora encaminhar DV para um desfecho, mas calma que ainda têm alguns lances pra acontecer... espero de coração que curtam o capítulo.


Long Island, Nova York — Mansão Everdeen

11 de maio de 2025

✦✦✦

O quarto de Katniss ainda cheirava à infância.

Aroma floral suave. Madeira antiga. Livros guardados em estantes altas. E aquele perfume quase imperceptível das flores do jardim entrando pelas frestas da janela aberta, misturado ao aroma doce das rosas brancas espalhadas pelo cômodo.

A luz dourada da manhã atravessava as cortinas de linho, desenhando sombras delicadas no piso de madeira escura. O antigo quarto da herdeira Everdeen permanecia praticamente intacto — elegante, clássico, silencioso. Apenas mais adulto agora. Mais dela, mesmo que tivesse tirado quase todos seus pertences e ter levado para o apartamento de Peeta.

Katniss estava sentada diante do espelho dourado da penteadeira, usando um robe de cetim marfim com rendas delicadas nos punhos. As pernas cruzadas revelavam nervosismo apesar da postura impecável. Os cabelos castanhos já haviam sido presos em um coque baixo sofisticado, alguns fios suaves moldando seu rosto.

A maquiadora finalizava o iluminador abaixo dos olhos dela com movimentos leves.

— Pronto… — murmurou a mulher, inclinando o rosto para observar o resultado. — Você parece saída de uma revista de noivas.

Katniss soltou uma respiração curta.

— Estou tentando não vomitar de ansiedade.

Do outro lado do quarto, Delly gargalhou suavemente enquanto acariciava a barriga já evidente sob o vestido verde-sálvia.

Cinco meses. Joy crescendo ali dentro. Ela estava sentada perto da janela, uma das mãos apoiada no ventre arredondado e a outra segurando uma taça de água com limão.

— Relaxa. Eu vomitei no meu casamento inteiro emocionalmente — disse Delly. — Você está indo muito melhor.

Katniss riu baixo, finalmente relaxando um pouco.

Perto da cama, Presley digitava freneticamente no celular, usando um vestido de seda azul-claro e um coque elegante perfeitamente alinhado.

— Notícias do front masculino — anunciou ela.

Katniss virou o rosto imediatamente.

— E?

Presley abriu um sorriso divertido.

— Peeta diz: “Johanna está tentando me manter sóbrio.” E abaixo ele mandou: “Ela ameaçou jogar whisky na minha cara se eu borrar o discurso.”

Delly começou a rir.

— Isso parece exatamente a Johanna.

— Espera, tem mais. — Presley continuou lendo. — “Cato já chorou duas vezes escondido. Finnick está emocionalmente instável. Tio Haymitch está oferecendo charutos italianos para os garçons. Me salva.”

Katniss abaixou os olhos, incapaz de conter o sorriso trêmulo que surgiu em seus lábios.

Peeta.

Em poucas horas ele seria oficialmente seu marido.

A ideia parecia absurda e inevitável ao mesmo tempo.

Na outra ala da mansão, Johanna Mason provavelmente estava mesmo organizando o caos masculino como um general de guerra — camisa com os primeiros botões abertos, taça na mão e sarcasmo afiado.

E, de algum modo, aquilo fazia tudo parecer ainda mais real.

A porta do quarto se abriu suavemente.

Asterid entrou.

Elegante em um vestido azul petróleo bordado à mão, ela parecia carregar consigo toda a serenidade daquela casa. Os olhos claros encontraram imediatamente a filha diante do espelho.

E então ela sorriu.

Aquele sorriso específico de mãe.

Orgulho misturado com nostalgia.

— Meu Deus… — sussurrou. — Você está exatamente como imaginei.

Katniss sentiu o peito apertar.

Asterid caminhou lentamente até ela segurando uma pequena caixa antiga revestida de veludo azul-marinho.

Delly imediatamente endireitou a postura.

— Ah não… isso é cara de relíquia emocional.

Presley levou a mão ao peito dramaticamente.

— Eu vou chorar antes da cerimônia começar.

Asterid abriu a caixa com cuidado.

Lá dentro repousava um delicado arranjo de cabelo em prata envelhecida, cravejado por pequenas safiras azuis que brilhavam sob a luz da manhã.

Antigo. Elegante. Atemporal.

Katniss prendeu a respiração.

— Era da sua avó Catarina — disse Asterid suavemente. — Ela usou isso no casamento dela em 1963. E depois eu usei no meu.

Os olhos de Katniss marejaram imediatamente.

Asterid ajoelhou-se diante dela e segurou a peça com delicadeza.

— Algo antigo. Algo azul. Algo emprestado — ressitou baixinho. — E algo que carrega amor suficiente para atravessar gerações.

O silêncio no quarto tornou-se quase sagrado.

Delly enxugou discretamente uma lágrima.

Presley simplesmente desistiu de fingir compostura.

— Pronto. Acabou pra mim. Eu tô destruída emocionalmente.

Katniss soltou uma risada chorosa.

Asterid então se posicionou atrás dela e encaixou cuidadosamente o arranjo entre os fios presos do coque.

As pequenas safiras refletiram a luz dourada da manhã como estrelas discretas.

Katniss observou o próprio reflexo no espelho. Por um instante, parecia conseguir enxergar todas as versões de si mesma coexistindo ali. A menina silenciosa da mansão Everdeen. A mulher marcada por perdas. A executiva implacável.

E agora…

A noiva de Peeta Mellark.

Atrás dela, próximo à grande janela, o vestido aguardava protegido pela capa translúcida com a assinatura elegante:

CINNA LAURENT.

O tecido rendado aparecia suavemente através da proteção, iluminado pelo sol da manhã como se fosse parte da própria luz.

Katniss o encarou em silêncio.

E sentiu o coração acelerar.

Delly aproximou-se devagar, segurando a barriga enquanto colocava uma das mãos no ombro dela.

— Sabe o que é engraçado? — disse baixinho. — O Peeta olha pra você exatamente como meu pai olhava pra minha mãe.

Katniss ergueu os olhos pelo espelho.

— Como?

Delly sorriu.

— Como se finalmente tivesse encontrado casa.

O quarto imergiu num silêncio emocionado.

Então Presley respirou fundo dramaticamente.

— Certo. Antes que todo mundo desidrate chorando… alguém precisa verificar se Johanna não colocou tequila escondida nos bolsos do Peeta.

Asterid riu baixo.

Katniss também.

E naquele instante — entre lágrimas, risadas, flores brancas e luz dourada — ela percebeu que não estava assustada.

Não de verdade.

Porque pela primeira vez em muitos anos…

O futuro parecia bonito.

Katniss o encarou em silêncio.

E sentiu o coração acelerar.

O celular de Katniss vibrou sobre a penteadeira.

Presley arqueou uma sobrancelha imediatamente.

— Aposto cinquenta dólares que é o noivo quebrando alguma regra tradicional.

Katniss pegou o aparelho e, no instante em que viu o nome dele na tela, sorriu automaticamente.

[10:15] Amor❤️ — Posso ter um spoiler? Só um. 🥺🙏

Katniss soltou uma risadinha baixa.

— Ah, ele definitivamente está surtando — murmurou.

Delly praticamente se inclinou da cadeira.

— Lê em voz alta. Eu preciso participar desse momento histórico.

Katniss digitou:

[10:17] Noiva💍— Faltam menos de uma hora pro “aceito”, Mellark. Controle-se.

A resposta veio quase instantaneamente.

[10:19] Amor❤️ — Johanna acabou de dizer que eu pareço um mafioso italiano emocionalmente abalado.

Presley gargalhou.

— Isso significa que ele está perfeito.

Outra mensagem surgiu.

[10:21] Amor❤️ —Então te vejo no altar, Gataniss. 😼🤍

Katniss balançou a cabeça, sorrindo daquele jeito raro e completamente apaixonado.

[10:23] Noiva💍—Eu serei a de branco. 😏

Do outro lado da tela, os três pontinhos apareceram imediatamente.

[10:25] Amor❤️ — Impossível te confundir. Você sempre foi a única pessoa que eu procurei em qualquer sala.

O quarto inteiro ficou em silêncio por dois segundos.

Delly levou a mão ao peito dramaticamente.

— Ah, não. Grávida não pode passar por isso. Eu vou começar a chorar de novo.

Enquanto isso, Presley sentiu o próprio celular vibrar também.

Ela desbloqueou a tela discretamente, mas o sorriso surgiu antes mesmo de terminar de ler.

[10:26] 🖤 Jason — Seu irmão já encarou a entrada principal três vezes como se fosse fugir. 😂

Presley riu baixo.

[10:28]🩵 Presley — Ele não vai fugir. Ele esperou por isso metade da vida.

Jason respondeu quase imediatamente.

[10:29]🖤 Jason — Katniss também. Aliás, você tá absurdamente linda. Mesmo daqui da cerimônia eu consigo perceber quando você saiu na sacada. As bochechas de Presley ganharam um leve tom rosado.

Delly percebeu na hora.

— Ahhhhh… mensagem do namorado.

— Cala a boca. — Presley rebateu, ainda sorrindo para o celular.

[10:31]🩵 Presley —Você também tá bonito, Kim. Muito estranho te ver sentado do lado “família da noiva” depois de todos esses anos.

Jason respondeu:

[10:33]🖤 Jason — Talvez porque eu meio que faça parte agora. 😉

Presley mordeu discretamente o lábio inferior, escondendo o sorriso.

Katniss observou a cena pelo espelho e soltou uma risada suave.

Jason sempre fora uma presença constante na vida dela — desde muito antes da Atlas, das guerras corporativas, da vingança, de tudo.

E agora vê-lo ali, apaixonado pela irmã de Peeta, sentado entre os convidados da família Mellark…

Parecia mais uma dessas coincidências bonitas que a vida oferecia quando finalmente decidia ser gentil.

Asterid observou elas em silêncio por um instante.

Delly acariciando a barriga.

Presley sorrindo para o celular.

Katniss segurando o telefone junto ao peito enquanto tentava conter a ansiedade.

E então ela sorriu.

Porque aquela cena tinha exatamente o som que felicidade deveria ter.

Risadas baixas, mensagens apaixonadas e pessoas amando umas às outras sem medo.

O som de Canon interpretado pelo quarteto de cordas preenchia os jardins da mansão Everdeen como se tivesse saído de um filme.

As cadeiras brancas alinhadas sobre o gramado impecável estavam ocupadas por familiares, empresários, amigos antigos e pessoas que, de alguma forma, haviam testemunhado a história turbulenta daqueles dois.

O arco coberto de rosas brancas parecia flutuar sob a luz dourada daquela manhã de domingo.

E ali, adiante dele, Peeta esperava.

As mãos unidas à frente do corpo denunciavam o nervosismo que ele tentava esconder. O terno bege claro perfeitamente alinhado, a flor branca presa à lapela, os cabelos dourados penteados para trás…

Mas nada conseguia disfarçar seus olhos inquietos procurando a entrada do jardim a cada cinco segundos.

Johanna, parada ao lado dele também em um terno claro sem gravata, murmurou:

— Se você desmaiar antes da noiva chegar, eu vou rir no seu funeral.

Peeta soltou uma respiração trêmula.

— Eu tô tentando respirar.

— Então tenta menos dramaticamente, italiano.

Do outro lado da cerimônia, dentro da mansão, Katniss finalmente estava pronta.

O vestido abraçava seu corpo com elegância quase etérea. A renda delicada desenhava flores sobre sua pele, o véu caía suavemente pelas costas e o pequeno arranjo de safiras da avó Everdeen brilhava preso entre os fios castanhos. Ela segurava o buquê de rosas brancas com as mãos levemente trêmulas.

Então ouviram batidas suaves na porta.

Katniss ergueu os olhos pelo espelho.

— Entra.

A porta se abriu devagar.

Burdock surgiu do outro lado usando um terno cinza-escuro impecável, mas no instante em que viu a filha… simplesmente parou.

Os olhos dele se arregalaram.

E por um momento, Burdock pareceu esquecer completamente como respirar.

Katniss sentiu o coração apertar.

— Pai…?

Ele piscou lentamente, completamente emocionado.

— Meu Deus… — A voz falhou. — Você está igualzinha à sua avó no dia do casamento dela.

Asterid levou a mão ao peito discretamente.

Burdock caminhou até a filha como se estivesse diante de algo sagrado.

Então segurou o rosto dela com cuidado.

— Eu passei metade da sua vida preocupado porque ninguém jamais seria bom o suficiente pra você — disse baixinho. — E então apareceu aquele garoto loiro… e amou você exatamente do jeito que eu sempre pedi ao universo que alguém amasse.

Os olhos de Katniss marejaram imediatamente.

— Pai…

Ele beijou sua testa.

— E agora eu tenho que entregar minha menina pra ele. Honestamente? Acho que foi a única derrota da minha vida que valeu a pena.

Katniss riu chorando.

Asterid aproximou-se dos dois e segurou a mão da filha.

— Está na hora.

A música mudou do lado de fora.

E então tudo pareceu em câmera lenta.

As grandes portas da mansão se abriram.

Os convidados se levantaram.

Peeta ergueu os olhos.

E esqueceu o mundo inteiro.

Katniss surgiu entre os pais como uma visão impossível.

A luz dourada atravessava o véu dela. As pequenas safiras brilhavam discretamente entre os cabelos presos. O vestido parecia ter sido feito exatamente para aquele momento.

Mas era o olhar dela que destruiu completamente qualquer resquício de controle que existia nele.

Peeta perdeu o ar.

Literalmente.

Johanna olhou de lado.

— Ah não. Ele vai chorar.

— Cala a boca… — sussurrou ele, completamente sem fôlego.

Katniss caminhava lentamente em direção a ele. E conforme diminuía a distância… Todo o resto desaparecia.

O cerimonialista Jacob começou a falar algo sobre amor, união e eternidade.

Nenhum dos dois ouviu metade.

Porque Peeta só conseguia olhar para ela.

E Katniss só conseguia olhar para ele.

Quando finalmente Burdock colocou a mão da filha sobre a de Peeta, o toque pareceu eletricidade.

Peeta segurou os dedos dela com força imediata.

Como se precisasse confirmar que aquilo era real.

Jacob sorriu discretamente.

— Podemos seguir para os votos.

Peeta respirou fundo.

Os olhos azuis presos nela. Completamente nela.

— Katniss… — Começou, a voz baixa e trêmula. — Passei grande parte da minha vida acreditando que amor era algo distante. Algo bonito que acontecia com outras pessoas. E então você apareceu… e mesmo quando estava quebrada, furiosa, tentando fugir do mundo inteiro… ainda era a coisa mais extraordinária que eu já tinha visto.

Katniss já chorava silenciosamente.

Peeta sorriu entre lágrimas.

— Você me ensinou que amor não é paz o tempo inteiro. Às vezes é sobrevivência. É permanecer. É escolher alguém todos os dias, até nos dias difíceis. E eu escolheria você em todas as versões da minha vida.

Ele apertou as mãos dela.

— Quando você entra em uma sala, tudo em mim encontra direção. Você é minha melhor amiga, minha coragem, meu lar… e o maior privilégio da minha existência vai ser passar o resto da vida sendo amado por você.

Katniss levou a mão à boca tentando conter o choro.

Johanna já enxugava lágrimas escondida.

Até Cato desviou o rosto discretamente.

Peeta então sussurrou:

— Eu prometo te amar quando o mundo estiver leve… e principalmente quando ele não estiver. Prometo cuidar do seu coração com a mesma devoção com que você salvou o meu. E prometo nunca deixar você enfrentar nada sozinha de novo.

O silêncio emocionado tomou conta do jardim.

Katniss respirou fundo antes de começar.

— Peeta… eu passei tantos anos acreditando que eu era difícil demais de amar. Complicada demais. Que todas as partes quebradas dentro de mim afastariam qualquer pessoa.

Ela sorriu chorando.

— Mas você nunca fugiu.

Os olhos dele já estavam vermelhos.

— Você ficou.

Katniss segurou o rosto dele delicadamente.

— Você ficou quando eu estava furiosa. Quando eu estava assustada. Quando eu não sabia amar direito. E mesmo assim… você me olhava como se eu fosse algo precioso.

Ela soltou uma risada fraca entre lágrimas.

— Você transformou sobrevivência em vida pra mim. Fez o mundo parecer menos cruel. E eu nunca vou conseguir explicar o que significa ser amada por alguém tão bom quanto você.

Peeta fechou os olhos por um segundo, emocionado demais.

— Então aqui está minha promessa... eu vou te escolher todos os dias também. Nos dias fáceis, nos impossíveis, nos silenciosos e nos felizes. Vou construir uma vida com você… uma vida bonita. E quando eu olhar pra trás daqui cinquenta anos… quero ainda encontrar esse mesmo garoto loiro me olhando como se eu fosse a melhor coisa que já aconteceu com ele.

Peeta riu chorando.

— Porque você é — sussurrou imediatamente.

Jacob sorriu emocionado.

— Então… pelo poder concedido a mim…

Peeta já estava puxando Katniss pela cintura antes mesmo do final da frase.

Os convidados começaram a rir.

— Pode beijar...

Mas Peeta já a beijava. Como se tivesse esperado por aquilo a vida inteira.

As pétalas começaram a cair ao redor deles enquanto aplausos explodiam pelo jardim.

E, Katniss Everdeen sentiu que o futuro não a assustava mais.

Um almoço foi servido emendando com a festa que aconteceu sob luzes douradas penduradas entre as árvores conforme a tarde caía.

Champanhe. Música italiana suave. Risadas ecoando pelos jardins.

Peeta segurou a taça durante o brinde e puxou Katniss para perto.

— À mulher que transformou minha vida inteira em lar — disse ele.

Katniss encostou a taça na dele.

— Ao homem que me ensinou que amor não precisa doer pra ser verdadeiro.

Os convidados vibraram.

Logo em seguida, diante do enorme bolo branco decorado com rosas naturais, Katniss segurou a faca junto com Peeta enquanto ele murmurava no ouvido dela:

— Se você borrar glacê no meu rosto, a guerra começa hoje.

Ela sorriu inocentemente.

Cinco segundos depois havia chantilly na ponta do nariz dele.

Finnick quase caiu da cadeira de tanto rir.

A primeira dança aconteceu sob as luzes suspensas.

Katniss repousava a cabeça no ombro dele enquanto Peeta a conduzia lentamente pela pista.

Nenhum dos dois parecia perceber mais ninguém. Como se dançassem sozinhos dentro de um universo próprio.

Depois veio a liga.

Johanna subiu numa cadeira gritando:

— VAI, MELLARK! HONRA A ITÁLIA!

Os convidados explodiram em gargalhadas.

Peeta ajoelhou-se diante de Katniss com um sorriso perigosamente bonito enquanto ela cruzava lentamente as pernas.

— Não se atreva a me provocar em público — sussurrou ela.

— Tarde demais, esposa.

Ele deslizou os dedos cuidadosamente pela perna dela, arrancando gritos e assobios dos convidados até prender a liga entre os dentes dramaticamente.

Jason gritou:

— ISSO, CAMPEÃO!

Presley quase morreu de vergonha.

No decorrer da festa, Katniss ria junto das amigas perto da mesa de doces. Johanna roubava brigadeiros. Delly acariciava a barriga enquanto ria de alguma piada absurda. Madge conversava baixinho com Gale.

E Annie corria atrás de Anthony, Kate e Skye que haviam decidido transformar a mesa de macarons em um circuito olímpico infantil.

— NÃO SUBAM AÍ... Anthony! Kate, devolve esse cupcake! Skye, querida, isso NÃO É CONFETE.

Katniss ria tanto que mal conseguia respirar.

Então ergueu os olhos. Do outro lado do jardim, Peeta já a observava. Aquele olhar de novo. Como se ela ainda fosse a única pessoa no mundo inteiro.

E talvez fosse mesmo.

A festa já havia mergulhado completamente naquela atmosfera dourada de fim de tarde.

As luzes suspensas entre as árvores brilhavam como estrelas baixas. Os convidados conversavam espalhados pelo jardim, taças tilintavam suavemente e a música instrumental preenchia os espaços entre as risadas.

Peeta estava próximo da pista de dança conversando com Finnick e Cato quando percebeu um movimento perto do pequeno palco montado ao lado da fonte.

Katniss subia os degraus lentamente.

Os convidados começaram a se virar curiosos.

Johanna imediatamente estreitou os olhos.

— Ah não… essa cara dela é perigosa emocionalmente.

Katniss caminhou até o microfone segurando a barra do vestido com delicadeza.

O véu já havia sido retirado, revelando completamente o coque adornado pelas pequenas safiras da avó Everdeen.

Peeta franziu levemente a testa, surpreso.

— Amor…?

Katniss sorriu nervosamente.

— Eu prometi pra mim mesma que não faria isso porque odeio ser o centro das atenções — disse, arrancando risos baixos dos convidados. — Mas… hoje é literalmente o único dia da minha vida em que isso faz sentido.

Finnick já começou a sorrir largamente.

— Ah, ele vai chorar. Aposto cem dólares.

Peeta apontou imediatamente.

— Eu não vou...

A música começou.

Os primeiros acordes suaves de A Thousand Years ecoaram pelo jardim.

E então Katniss começou a cantar.

A voz saiu baixa no começo, tímida… mas cheia de emoção.

“Heart beats fast…

Colors and promises…”

O jardim inteiro ficou em silêncio apenas apreciando.

Peeta simplesmente parou de respirar direito.

Katniss mantinha os olhos presos nele o tempo inteiro enquanto cantava, como se esquecesse completamente todas as outras pessoas ao redor.

“I have died everyday waiting for you…

Darling don’t be afraid…

I have loved you for a thousand years…”

Peeta levou a mão à boca discretamente.

Os olhos já brilhavam perigosamente.

Johanna imediatamente cutucou Cato.

— EU FALEI.

Katniss desceu lentamente do pequeno palco durante a segunda parte da música, caminhando entre os convidados até parar diante dele.

“All along I believed I would find you…

Time has brought your heart to me…”

Peeta já estava completamente destruído emocionalmente.

Uma lágrima escapou sem permissão.

Finnick arregalou os olhos dramaticamente.

— O CEO caiu.

Cato começou a rir.

Haymitch, segurando um copo de whisky perto da mesa, observou a cena com um sorriso torto.

— Finalmente alguém fez esse garoto chorar sem precisar de terapia ou processo judicial.

Os convidados riram baixo.

Katniss terminou a música segurando as mãos dele.

“I have loved you for a thousand years…

And I’ll love you for a thousand more…”

O silêncio durou apenas dois segundos antes dos aplausos explodirem pelo jardim inteiro.

Peeta puxou Katniss imediatamente pela cintura e a beijou forte, ainda claramente emocionado.

Quando se afastou, os olhos dele estavam vermelhos.

— Você queria me matar hoje? — perguntou rouco.

Katniss sorriu tocando o rosto dele.

— Talvez só arruinar sua reputação de homem emocionalmente estável.

Finnick já gritava atrás deles:

— TARDI! È FINITA! STA PIANGENDO COME UMA NONNA ITALIANA!

(Tarde demais! Acabou! Ele tá chorando como uma avó italiana!)

Cato quase se dobrava de rir.

— GUARDA QUEST’UOMO, JOHANNA! È TROPPO INNAMORATO PER FUNZIONARE!

(Segura esse homem, Johanna! Ele está apaixonado demais pra funcionar!)

Haymitch levantou o copo na direção de Peeta.

— POVERO RAGAZZO. COMPLETAMENTE DISTRUTTO.

(Pobre garoto. Completamente destruído.)

Peeta passou a mão no rosto tentando recuperar alguma dignidade.

— Eu odeio todos vocês.

Finnick colocou a mão no peito dramaticamente.

— NO, FRATELLO… TU SEI L’AMORE VERO ORA.

(Não, irmão… você é o amor verdadeiro agora.)

Katniss começou a rir tanto que precisou apoiar a testa no ombro dele.

E Peeta, ainda com lágrimas nos olhos, apenas a abraçou mais forte.

Como se aquela música tivesse colocado em voz alta tudo aquilo que ele sentia desde o primeiro instante em que a viu.

Mais tarde, chegou o momento do buquê.

Katniss virou-se para o grupo de mulheres reunidas perto da fonte.

Presley estava entre elas ao lado de Madge, Felicity, Cici e Kiara.

Jason observava tudo já desconfiado.

Katniss ergueu o buquê…

Olhou diretamente para Presley.

E piscou.

Então lançou.

O arranjo voou perfeitamente na direção dela.

Presley arregalou os olhos quando o pegou automaticamente.

Os homens começaram a gritar imediatamente.

— IH ALA!

— JASON KIM PERDEU!

— JÁ PODE ENCOMENDAR O TERNO!

Jason levou a mão ao rosto rindo enquanto Presley ficava completamente vermelha.

Katniss gargalhava sem remorso algum.

E nos próximos minutos Presley ainda escondia o rosto toda vez que alguém mencionava casamento.

Perto do fim, Otho estava sentado próximo aos jardins observando os filhos.

Peeta, Finnick e Cato se aproximaram quase ao mesmo tempo.

Por um instante, os quatro apenas ficaram ali.

Juntos.

Otho olhou demoradamente para cada um deles.

Os olhos marejados.

— Vocês sabem… — disse baixinho. — Quando achei que fosse morrer naquele hospital, a única coisa que me destruiu foi pensar que talvez eu nunca mais visse vocês.

O silêncio caiu imediatamente.

Finnick segurou o ombro do pai. Cato abaixou os olhos discretamente emocionado. Peeta ajoelhou-se diante dele.

— Você tá aqui agora.

Otho sorriu entre lágrimas.

— E vocês se tornaram exatamente nos homens que eu sonhava que seriam.

Então os três filhos o abraçaram ao mesmo tempo. Um abraço apertado. Masculino. Desajeitado.

Real.

E Otho fechou os olhos apenas sentindo aquilo. Apenas a familiaridade de que tudo estava bem.

O entardecer caía completamente sobre os jardins da Mansão Everdeen em uma mistura de laranja e dourado quando alguém sugeriu:

— Última foto antes dos noivos fugirem!

Johanna imediatamente apontou para Delly.

— Vem cá, grávida elegante. Essa foto precisa entrar pra história.

Minutos depois, os quatro estavam diante da grande fonte do jardim.

Katniss no centro, abraçando Delly. Peeta ao lado, com os braços firme ao redor de Johanna que se apoiava nele dramaticamente.

— Isso parece capa de série milionária da HBO. — Finnick comentou ao longe.

— Ou um grupo perigosamente bonito prestes a cometer crimes internacionais. — completou Cato.

O fotógrafo tentou manter a compostura.

— Certo… todo mundo olhando pra cá…

Johanna virou para Peeta:

— Se você piscar na foto do seu casamento eu vou pedir anulação em nome da Katniss.

Peeta começou a rir justamente no instante do clique.

Flash.

E a fotografia eternizou exatamente quem eles eram:

Uma família improvável construída em amor, caos e sobrevivência.

Pouco depois, Delly acompanhou Katniss até o antigo quarto da mansão para ajudá-la a trocar de roupa antes da partida.

A música da festa ainda ecoava distante pelos corredores enquanto as duas entravam no quarto iluminado apenas pelos abajures dourados.

Katniss soltou um suspiro longo ao finalmente tirar o vestido de noiva.

— Acho que minhas costelas vão entrar com um processo contra Cinna Laurent.

Delly gargalhou suavemente enquanto abria cuidadosamente uma caixa sobre a cama.

— Então espere até conhecer a segunda parte da operação.

Katniss ergueu uma sobrancelha.

Dentro da caixa havia um vestido branco diferente do anterior.

Mais moderno.

Mais íntimo.

O tecido justo desenhava delicadamente seu corpo, o decote ombro a ombro deixava a pele dourada exposta e a pequena fenda lateral tornava tudo perigosamente elegante.

Katniss o vestiu devagar diante do espelho.

E Delly imediatamente levou a mão ao peito.

— Ah, o Mellark vai perder completamente a capacidade cognitiva.

Katniss riu baixo enquanto ajeitava alguns fios do coque.

— Você exagera.

— Não, querida. Eu conheço aquele homem. Ele olha pra você como se estivesse permanentemente vivendo um colapso romântico.

Katniss terminou de colocar os brincos pequenos enquanto Delly caminhava até o closet buscar algo.

— Ah! Quase esqueci.

Ela voltou segurando um pequeno par de tênis brancos extremamente confortáveis.

— Um pra você e um pro Peeta. Porque eu me recuso a deixar recém-casados ricos desenvolverem fascite plantar em lua de mel italiana.

Katniss começou a rir.

Então Delly aproximou-se lentamente e cochichou no ouvido dela:

— Ah… e Presley e eu, montamos sua mala.

Katniss estreitou os olhos imediatamente.

— Isso me preocupa profundamente.

Delly sorriu inocentemente demais.

— Só vou dizer que garanti alguns looks bem ousados pra você enlouquecer o Mellark em Amalfi.

Katniss quase engasgou rindo.

— DELLY!

— O quê? Estou grávida, não morta.

As duas desabaram na gargalhada.

Então Delly segurou as mãos dela por um instante.

Os olhos marejados.

— Você merece isso tudo, Katniss. Finalmente merece ser feliz sem medo.

Katniss apertou os dedos dela emocionada.

— Obrigada por ficar comigo em tudo.

— Sempre.

Quando Katniss desceu novamente para os jardins, Peeta estava perto da entrada principal conversando com Otho e Finnick.

Sem o paletó, mangas dobradas até os antebraços, o primeiro botão da camisa aberto…

Ele parecia finalmente relaxado.

Mais leve. Então ele a viu.

E o resto da conversa morreu imediatamente.

Finnick acompanhou o olhar dele.

— Ah não. Lá foi ele de novo.

Peeta simplesmente ficou parado observando Katniss caminhar até ele naquele vestido branco justo que parecia feito especificamente para destruir sua sanidade.

Ela parou diante dele sorrindo.

— Você tá me olhando estranho.

Peeta soltou uma respiração desacreditada.

— Eu sou seu marido há literalmente algumas horas e já tô sem palavras de novo.

Katniss riu baixinho.

— Pronto senhor Mellark? — Então segurou a mão dele.

—Sempre senhora Mellark

Os dois já estavam descalços quando caminharam juntos rumo à saída da mansão.

E então começou a chuva de arroz.

Os convidados se alinharam dos dois lados do caminho iluminado, jogando arroz, pétalas e gritando despedidas enquanto os recém-casados atravessavam os jardins pela última vez.

Katniss se despediu dos pais emocionada enquanto os grãos dançavam no ar como pequenas bênçãos douradas.

Em seguida, ela apertou a mão de Peeta com força enquanto ria.

— Estamos mesmo indo embora?

Peeta olhou para ela como se ainda não acreditasse.

— Parece mentira… mas sim. Agora começa o para sempre.

Ela sorriu daquele jeito pequeno e verdadeiro que sempre desmontava ele.

A BMW Série 7 preta aguardava no fim do caminho.

Burdock mantinha o braço ao redor de Asterid enquanto tentava claramente não chorar.

Presley pulava acenando.

Johanna gritou:

— APROVEITEM BEM E ME DEEM SOBRINHOS BONITOS!

A mansão inteira explodiu em gargalhadas.

Peeta abriu a porta do carro para Katniss com elegância exagerada.

Antes de entrar, ela olhou uma última vez para a casa.

As luzes douradas. As árvores. As pessoas que amava. A vida que existia antes daquele instante.

Então voltou os olhos para Peeta.

— Eu te amo.

Ele encostou a testa na dela imediatamente.

— E eu vou passar o resto da vida te provando isso.

Dentro do carro, o silêncio era íntimo. Cúmplice.

Katniss deslizou os dedos pelos dele observando as alianças brilharem sob a luz suave do interior da BMW.

Casados.

A palavra ainda parecia absurda.

Peeta aproximou-se devagar até encostar a testa na dela.

Os olhos fechados. Respirando junto. Como se finalmente pudesse descansar.

Lá fora, Manhattan ficando distante enquanto o carro os levava rumo ao aeroporto particular.

E quando chegaram ao jatinho…

Katniss parou por um instante na escada.

O vento bagunçava alguns fios soltos do cabelo dela. Peeta surgiu logo atrás segurando duas taças de champanhe entregues pela equipe.

— Sra. Mellark… — disse oferecendo uma delas.

Ela sorriu imediatamente.

— Ainda não me acostumei com isso.

— Eu pretendo repetir até você acostumar.

Dentro da aeronave, os dois se acomodaram lado a lado nos bancos de couro creme. Os pés, já calçados pelos tênis elegantes e confortáveis.

As mãos entrelaçadas. As alianças reluzindo discretamente.

Katniss repousou a cabeça no ombro dele enquanto o jatinho começava a taxiá pela pista iluminada.

— Amalfi… — murmurou ela.

Peeta beijou os cabelos dela lentamente.

— Só nós dois agora.

Ela ergueu os olhos.

— Finalmente.

O avião acelerou.

E enquanto Nova York diminuía sob as luzes…

Peeta segurou a mão da esposa com mais força. Como quem sabia exatamente, aquele era o começo da parte mais bonita da vida deles.

✦✦✦

AMALFI, ITÁLIA

O cenário era de tirar o fôlego, uma villa luxuosa esculpida sobre as encostas de Amalfi, com vista para o mar Tirreno. O sol dourado se põe devagar, tingindo as paredes em tons de âmbar. Uma varanda coberta de buganvílias dá vista para o horizonte. Lá dentro, o quarto principal exala tranquilidade e desejo — lençóis de linho branco, vinho rosé em taças, roupas largadas pelo chão como pétalas esquecidas de uma noite longa.

Na primeira manhã, Katniss acordou antes dele.

Permaneceu imóvel por alguns minutos, observando o marido dormir ao seu lado.

Peeta estava parcialmente coberto pelos lençóis brancos, os cabelos dourados bagunçados contra o travesseiro e a respiração calma desacelerando o próprio mundo ao redor.

Ela nunca se cansaria daquela visão.

Nunca.

Com cuidado, deslizou os dedos pelo peito dele.

Peeta sorriu sem abrir os olhos.

— Você me encara enquanto eu durmo?

Katniss reprimiu um sorriso.

— Talvez.

— Extremamente preocupante, Sra. Mellark.

Minutos depois Peeta, ainda deitado na cama com o laptop sobre as pernas, observa o pequeno USB dourado repousar em sua mão. Katniss, com uma camisola leve e pés descalços, se aproximou, encostando o queixo em seu ombro.

— Vai abrir? — perguntou, com um meio sorriso curioso.

— Finnick me entregou isso na despedida com o tipo de expressão que diz “abra e coloque sua conta em risco”. Estou pensando se não é uma armadilha emocional.

Katniss riu, mordiscando levemente o ombro dele.

— Você enfrentou investidores hostis em Hong Kong, Peeta. Consegue sobreviver ao conteúdo disso aí.

Ele inseriu o USB na lateral do laptop.

Uma pasta se abriu: “MELLARK FINAL FAREWELL – NÃO DELETAR (sério)”

Peeta clicou.

O vídeo começou com Finnick, usando um paletó aberto, óculos escuros e segurando uma taça de champanhe, gravando em modo selfie:

— Olá, senhor CEO. Se você está vendo isso, parabéns! Ou você sobreviveu ao casamento ou finalmente conseguiu convencer a Katniss a tirar férias de verdade. Este é o nosso presente. Aproveite... com moderação.

Corte para Johanna, em uma espécie de falso telejornal:

— BOLETIM URGENTE: O MELHOR CEO DO ANO ESTÁ INDO EMBORA PARA A VILLA DOS CASAIS FELIZES! Especialistas dizem que é improvável que ele retorne são e salvo, dado o nível de safadeza presente nesta união com a Everdeen.

Cato, de terno e cara séria, apareceu logo depois, como um “jurado”:

— Confirmamos: Katniss Everdeen não é uma IA secreta criada pela Atlas para manter Peeta funcional. Ela é real. Está viva. E ela aceitou casar com ele. Isso é histórico.

Katniss deu uma risadinha alta.

— O que mais tem aí?

Peeta clicou em outro vídeo.

Presley apareceu com um buquê de flores falsas e um tablet na mão.

— Peeta, desde que eu era pequena, você sempre foi o irmão que me protegia... agora alguém finalmente vai proteger você. E vai fazer isso com flechas, sarcasmo e amor. Boa sorte.

Corte para o momento mais inesperado: Delly e Johanna sentadas em um sofá, segurando cartazes que se alternam:

“Peeta, você foi um padrinho incrível…”

“Agora é sua vez de ser o noivo chorão.”

“Mas não se preocupe…”

“A Katniss está completamente ferrada de amor por você.”

“OS: O presente está na pasta chamada Extra.”

Peeta arqueou a sobrancelha. Abriu a pasta.

Vídeo extra: um compilado rápido de pequenos vídeos íntimos gravados pelos amigos ao longo do tempo — olhares roubados de Katniss para Peeta em reuniões, ele rindo com Haymitch, ela cochilando sobre os papéis da Atlas com a cabeça no colo dele, uma selfie escondida tirada por Delly dos dois abraçados na varanda em um jantar.

No final do vídeo, uma mensagem escrita em tela preta com a caligrafia digital de Johanna:

“Se algum dia você duvidar que é amado, assista isso. Assinado, a legião que acredita em vocês.”

Peeta ficou em silêncio por um momento, a tela escurecendo. Katniss acariciou o cabelo dele, inclinando o rosto com ternura.

— Você tá chorando?

— Não. É suor emocional italiano. — Ele riu, puxando-a para o colo.

Ela o beijou devagar, os dedos acariciando o peito nu dele.

— Acho que esse USB vai ser um dos meus bens mais valiosos agora.

— Achei que esse título fosse meu — sussurrou ela, no ouvido dele.

— Você é tudo — disse ele, antes de puxá-la para mais perto, selando aquela manhã com um beijo que prometia o início de um novo capítulo, com o coração aquecido pelo amor... e pelas loucuras maravilhosas de quem os cercava.

O céu da Itália parecia mais azul do que qualquer tom que Katniss já tivesse visto. Talvez fosse o contraste com os penhascos íngremes da Costa Amalfitana, com suas casinhas coloridas encaixadas como flores em uma encosta viva, ou talvez fosse apenas a sensação de estar ali, com Peeta, longe de tudo. Longe de Manhattan.

A brisa salgada vinha do mar Tirreno e fazia o linho leve do vestido branco que ela usava se mover como se tivesse vida própria. Katniss apoiou os antebraços na mureta da varanda da suíte e fechou os olhos, sentindo o calor do sol aquecendo sua pele, o aroma do limoeiro logo ao lado, e o som de Peeta rindo baixinho atrás dela.

— Você é mais bonita que a vista — disse ele.

Ela virou o rosto, abrindo os olhos devagar, e o viu com a câmera analógica nas mãos. A mesma que ele insistira em trazer, dizendo que cada clique nela era mais real, mais sincero, mais eterno do que qualquer filtro digital.

— Isso foi brega — respondeu ela, sorrindo.

— Talvez. — Ele se aproximou, encostando a câmera no peito. — Mas é verdade.

Peeta a beijou na têmpora e Katniss fechou os olhos de novo. Àquela altura, já havia desistido de tentar entender como ele sempre dizia as palavras certas nos momentos certos.

Mais tarde, caminharam por Positano de mãos dadas. As ruas eram iluminadas por lanternas antigas e pequenas lojas escondidas entre vielas que cheiravam a limão siciliano e vinho tinto. Katniss usava sandálias baixas e um vestido bege claro que deixava os ombros à mostra. O cabelo solto dançava ao vento, livre, como ela se sentia. Peeta parava de tempos em tempos para fotografá-la — sentada num degrau, provando uma fruta, olhando as vitrines sem pressa.

À noite, jantaram em uma pequena varanda suspensa sobre o mar.

O vestido vinho de Katniss brilhava suavemente sob a luz das velas, deixando as costas quase completamente nuas.

Peeta mal conseguia manter uma linha de raciocínio coerente.

Ela percebeu imediatamente.

— Você não ouviu nada do que eu disse nos últimos cinco minutos, ouviu?

Ele tomou um gole de vinho.

— Ouvi perfeitamente.

— Então repete.

Peeta inclinou a cabeça.

— Você é absurdamente linda e eu claramente não mereço isso.

Katniss começou a rir.

— Resposta errada.

— Discordo.

O vento trouxe o cheiro do mar enquanto músicos italianos tocavam baixinho ao longe.

Peeta segurou a mão dela sobre a mesa.

Os polegares deslizando pela aliança.

— Você sabe qual foi a melhor parte do casamento?

Katniss sorriu.

— Se casar comigo?

— Além disso.

Ela estreitou os olhos divertida.

— Continue.

Peeta observou o rosto dela por alguns segundos antes de responder:

— Ver você feliz.

Katniss segurou a mão dele por cima da mesa.

— Estar aqui com você só me deixa plenamente feliz e em paz.

No terceiro dia, navegavam próximos da costa de Capri em um iate pequeno e elegante.

Na Gruta Azul, mergulharam juntos, a água envolta de um azul tão profundo que parecia saído de um sonho. Ele a abraçou ali mesmo, os dois rindo, flutuando no silêncio mágico.

— Casaria comigo de novo? — perguntou Peeta, com um sorriso brincando nos lábios.

— Nesse lugar? — Katniss deslizou os dedos pela água. — Todo santo dia.

Após o mergulho, Katniss permanecia na proa com o vestido claro dançando ao vento enquanto o pôr do sol transformava o mar em ouro líquido.

Peeta aproximou-se por trás.

As mãos deslizando para a cintura dela automaticamente.

Ela inclinou a cabeça para trás contra o ombro dele.

— Acho que nunca mais quero ir embora daqui.

— Ótimo. Posso virar padeiro e abrir uma padaria italiana dramaticamente cara.

Katniss sorriu.

— Você faria sucesso.

— E você?

Ela observou o horizonte por um instante.

— Talvez eu aprendesse a descansar.

Peeta virou o rosto dela delicadamente.

— Você não precisa merecer descanso, Katniss.

Os olhos dela suavizaram imediatamente.

Porque ninguém nunca havia dito aquilo daquele jeito antes.

Então ela o beijou.

Ali mesmo.

Com o mar infinito ao redor deles e o vento levando embora tudo aquilo que um dia doeu.

Mais tarde, Katniss surgiu na varanda usando apenas uma camisa branca enorme dele.

Nada mais.

Os cabelos escuros caíam soltos pelos ombros enquanto a brisa italiana movimentava lentamente o tecido.

Peeta simplesmente esqueceu o que estava dizendo no meio da frase.

Ela arqueou uma sobrancelha.

— O quê?

Ele apoiou as mãos na grade da varanda, completamente derrotado.

— Você definitivamente abriu aquela mala que Delly montou.

Katniss sorriu devagar.

— Talvez eu esteja seguindo instruções da minha madrinha.

— Então sua madrinha é uma ameaça pública.

Ela caminhou até ele lentamente, os pés descalços sobre as pedras claras da varanda.

O céu atrás deles começava a ganhar tons rosados enquanto Amalfi brilhava abaixo do penhasco.

Peeta envolveu a cintura dela imediatamente.

Como se precisasse tocá-la o tempo inteiro agora.

Katniss apoiou a testa na dele.

— Sabe o que é estranho?

— Hm?

— Eu passei tanto tempo sobrevivendo… que ainda parece impossível simplesmente existir assim. Em paz.

Os olhos dele suavizaram imediatamente.

— Então vamos treinar.

Ela sorriu pequeno.

— Treinar?

— Banhos demorados. Beijos em varandas italianas. Passeios de barco. Você sendo dramaticamente bonita sem motivo aparente e... treinar fazer bebês.

Katniss riu baixinho.

— Parece cansativo, mas essa última parte definitivamente não precisamos de treino.

— Estou disposto a me sacrificar.

Ela o beijou devagar.

Agora a noite tinha um perfume diferente na Costa Amalfitana.

Katniss entrou rindo, os cabelos soltos e a pele levemente corada pelo vinho do jantar. Ainda com a camisa branca de Peeta. O colar de pérolas descansava em sua clavícula, e ela caminhava com passos lentos, deixando o som do mar se misturar a música suave que tocava em algum lugar lá embaixo.

Peeta fechou a porta atrás de si. Tirou o cinto e o jogou sobre a poltrona próxima, depois abriu dois botões da camisa branca que já estava meio amarrotada. Observou Katniss de costas, caminhando até a cama, e não resistiu.

— Você anda provocando a natureza — disse ele, com um sorriso baixo na voz.

Ela se virou, sorrindo de volta.

— A culpa é do vinho. E da sua camisa.

— Então é justo eu tirar o que é meu — respondeu ele, já se aproximando.

Ele a agarrou por trás, as mãos deslizando para a cintura. Katniss riu com o toque, mas em um movimento ágil, o empurrou até a beira da cama.

— Não tão rápido — sussurrou. — Deixa eu me divertir primeiro.

Ela o despiu com calma, saboreando cada botão aberto, cada respiração suspensa. E quando ele tirou a camisa dela, deslizando o tecido pelos ombros até deixá-la nua sob a luz amarelada do quarto, Katniss montou sobre ele. Encaixou-se devagar, contornando sua cintura com as pernas. O calor dos corpos iluminava o quarto mais que qualquer lâmpada.

Ali, entre suspiros abafados e beijos lentos, eles se perderam no tempo. Era mais do que desejo. Era necessidade. Promessa. Fuga. Redenção. Peeta a segurava com reverência, como quem sabia que tinha encontrado o próprio lar.

Quando os corpos se aquietaram, ela tombou sobre o peito dele, e ficaram ali, apenas ouvindo a respiração um do outro.

— Vem comigo — disse Peeta depois de um tempo, a voz macia contra os cabelos dela. — Quero continuar te sentindo.

Levantaram-se sem pressa e caminharam até a banheira de mármore branco, onde a água morna já os aguardava, salpicada com pétalas vermelhas de rosas frescas. Ele entrou primeiro e estendeu a mão para ela, que aceitou com um sorriso leve.

Katniss se acomodou entre suas pernas, encostando as costas no peito dele. A água envolvia os dois com uma paz morna, perfumada. Peeta deslizou os braços ao redor dela, e a beijou no ombro.

— Agora sim — murmurou. — Isso é para sempre.

Katniss fechou os olhos, sentindo o coração desacelerar. O mar seguia lá fora, calmo. Mas dentro daquela banheira, com ele, ela descobria uma nova definição de paz. De amor. De casa.

Ainda naquela noite beberam vinho italiano na varanda da suíte. A banheira de mármore ainda tinha pétalas espalhadas, mas agora eram só os dois, envoltos no som distante do mar e no silêncio confortável de quem não precisa dizer mais nada.

O som do mar era constante, como um sussurro que invadia a suíte ampla do hotel boutique. A varanda estava aberta, deixando entrar o cheiro do sal misturado ao jasmim que subia pelas colunas externas. A cidade dormia — mas ali, tudo parecia desperto.

Katniss com a pele úmida, ainda quente, envolta apenas por um robe branco de seda fina que colava levemente à pele. O cabelo solto, ainda um pouco molhado, escorria pelas costas. Havia algo na noite italiana que mexia com ela — talvez fosse o vinho tinto, talvez o jeito como Peeta a olhava.

Ele estava encostado no batente da porta da varanda, vestindo apenas uma bermuda de linho clara. O peito nu, marcado por alguns respingos d’água, subia e descia com a respiração calma. Tinha uma taça de vinho na mão e os olhos dele... nela.

— Você vai ficar me olhando assim por muito tempo? — Katniss perguntou, com um meio sorriso preguiçoso, caminhando até ele devagar.

— Sempre que você deixar. — A voz de Peeta veio baixa, quase rouca. — Ou sempre que vestir isso.

Ela parou à frente dele, pegando a taça da mão dele e tomando um gole sem desviar os olhos. O vinho era encorpado e doce, mas não tanto quanto a tensão que se formava entre eles.

— Estou com calor — disse ela, colocando a taça no parapeito e desfazendo o nó do robe, deixando-o escorregar pelos ombros devagar.

Peeta não disse nada. Apenas a puxou pela cintura e a colou ao seu corpo, a boca deslizando até o pescoço dela. Katniss soltou um suspiro, os dedos apertando os ombros dele como se aquilo fosse a única âncora no mundo.

— Aqui? — perguntou ela entre dentes, sentindo a brisa da noite tocar suas costas nuas.

— Aqui — murmurou ele, beijando a clavícula dela. — Sob o céu da Itália. Entre as estrelas. Exatamente aqui.

A respiração dos dois ficou mais acelerada. Os corpos se moldaram no ritmo silencioso de quem se conhece até no escuro. E quando ele a deitou ali mesmo, sobre as almofadas da varanda, os olhos dela refletiam as luzes da cidade ao fundo e o desejo que há muito tempo já era marca registrada, tão certo e tão deles.

— O que você prometeu pra mim no altar mesmo? — murmurou ela, preguiçosa, quase adormecendo.

— Que te amaria com todas as versões de mim — respondeu ele, baixinho, como um segredo.

E naquela noite quente, o amor deles era só verdade.

No último dia aproveitaram ao máximo, explorando alguns pontos históricos e refeições pra lá de saborosas. Katniss temia não entrar em uma de suas saias lápis e Peeta apenas a elogiou o quanto estava gostosa.

Após o jantar, dançaram sozinhos na varanda da villa.

Sem música.

Só o som distante das ondas e das luzes pequenas brilhando pela costa amalfitana.

Katniss usava um vestido preto simples que girava suavemente ao redor das pernas enquanto Peeta a conduzia devagar.

Os dois descalços.

As testas encostadas.

As mãos entrelaçadas.

— No que você tá pensando? — perguntou ele, baixinho.

Katniss fechou os olhos por um instante.

— Que talvez o amor não seja uma coisa que destrói a gente no final.

Peeta apertou a cintura dela suavemente.

— Não quando é o amor certo.

Ela abriu os olhos.

E encontrou aquele olhar outra vez.

O mesmo desde o começo.

Como se ele ainda estivesse maravilhado por ela existir.

Katniss tocou o rosto dele devagar.

— Eu teria escolhido você em qualquer vida.

Peeta sorriu pequeno.

— Ainda bem que nessa você disse sim.

E então ele a beijou sob o céu italiano iluminado pela lua. Lentamente. Como quem tinha todo o tempo do mundo agora.


Notas finais
Obrigada pelo carinho de todos, beijos e até!