Doce Vingança
3 Capítulo 3
Notas iniciais
A semana havia passado rápido, continuei levando minha vida normalmente. Minha mãe parecia estar aos poucos superando tudo, nessa semana em que a visitei, ela parecia estar bem mais alegre e menos abatida.
— E como via a Leah? — perguntei enquanto tomava um gole do suco.
— Está bem, tirou A+ na prova de álgebra — ela sorriu, contente.
— Mas ela não odeia álgebra?
— Sim, mas a professora particular que eu contratei ensina de um jeito que ela conseguiu aprender rápido.
— Sério? E ela cobra caro? — perguntei, preocupada.
— Não filha, só cem dólares por mês. Não é muito.
Ela falava com uma certeza absurda, parecia que não faria diferença cem dólares na conta dela. Mas ok, já que ela acha... O importante é que ela conseguia ter uma sobra de dinheiro para comprar comida.
— Sabe que pode contar comigo sempre né? — falei, pondo minha mão sobre a dela.
— Eu sei filha — ela sorriu, acariciando minha mão — E como vai o trabalho?
— Está indo bem. Ontem, fiquei de babá na casa do Derek, mas sobrevivi.
Eu ri, mas no fundo estava soltando um suspiro de alívio.
— Ele aprontou de novo?
— Sim, mas pelo menos não foi comigo, apenas fez desenhos do Baby Shark na parede da sala e eu tive que passar horas limpando. Voltei exausta, mas valeu a pena.
— Você ama cuidar de crianças, né filha?
— Confesso que sim, me lembra um pouco de quando cuidávamos da Leah juntas.
— Época boa mesmo...
Sorrimos.
Ficamos conversando por mais algumas horas até que eu fui para minha casa. Ao entrar, tomei um banho relaxante e deitei na cama. Ao voltar para o quarto, meu celular apitou. Era uma mensagem do Sr.Clifford me avisando que eu precisava passar o final de semana com Aiden, já que ele faria uma viagem de negócios e a última vez que ele viajou, deu no que deu. Respondi prontamente que iria e bloqueei a tela do celular, o deixando na cabeceira da cama e fechei meus olhos para dormir.
Acordei no dia seguinte por volta das nove da manhã, o Sr...Clifford disse que iria viajar somente após o almoço. Então, usei esse tempo livre para arrumar uma malinha pequena para passar a noite fora e arrumei a casa, já que ela ficaria vazia até domingo.
Quando terminei, coloquei a bolsa no carro e fui direto para a casa do Sr.Clifford. Depois de uns minutos, vi o carro dele parado lá e estacionei logo atrás. Ao descer do carro, rapidamente ele apareceu na porta da frente.
— Boa tarde Sally — ele disse, descendo os degraus do alpendre.
— Boa tarde Sr. Clifford — respondi, me aproximando.
— O Aiden já está no quarto. Use esse cartão aqui, ele tem bastante crédito, mas como ele não costuma gastar muito, pode usar em caso de emergências — pediu ele, me entregando um cartão metade vermelho e metade azul.
— Ok senhor. Posso pedir uma última coisa antes de ir?
— Claro, o que você quer?
— O endereço da mãe do Aiden.
Rapidamente o sorriso dele desapareceu e ele bufou.
— A Rosanne está na reabilitação. Não vejo motivos para você querer ir vê-la — ele ponderou, mas não desisti.
— Não é por mim. É pelo Aiden. Ele deve sentir falta dela. E como certamente a mãe dele pode receber visitas, ele vai querer ir vê-la.
Ele bufou novamente, impaciente. Visivelmente irritado, ele tirou do bolso outro cartão, mas dessa vez, da própria clínica.
— Eles só fazem visita por agendamento. O número é esse aí — ele apontou e eu sorri de leve.
— Muito obrigada senhor Clifford.
— Mais uma coisa... Metade do seu pagamento adiantado. O resto lhe dou quando voltar.
Ele logo estendeu a mão com a metade do dinheiro prometido enrolado com um elástico e me entregou.
— Sem problemas senhor. Boa viagem — respondi, prontamente.
— Obrigado, até domingo.
Sem abrir mais um sorriso, obviamente irritado por eu ter tocado no assunto da mãe do Aiden, ele entrou no carro e dirigiu até o final da rua. Quando o carro sumiu de vista, entrei na mansão indo direto para o quarto de Aiden.
— Posso entrar? — perguntei, depois de bater na porta.
— Pode sim — respondeu ele.
Ao abrir a porta, vi que ele mexia no computador. Estava jogando alguma coisa, algum jogo que eu não conhecia. E parecia bem entretido nele.
— Já almoçou? — perguntei da porta.
— Ainda não, mal cheguei — ele disse, sem me olhar.
— Então vai tomar um banho enquanto eu cozinho algo pra você comer.
— Está bem...
Ele não me pareceu muito animado, parecia estar se sentindo forçado a comer e por isso, nem se animou tanto quando eu falei de comida. Mas mesmo assim, fui para a cozinha e fiz macarrão com salsicha pra gente. Demorou cinco minutos e ele chegou, enquanto eu servia os pratos.
Enquanto saboreava meu prato, dei uma rápida olhada nele e percebi que comia devagar, quase que comendo sem gostar da comida.
— Tá sem fome ou a comida tá ruim? — perguntei, preocupada.
— Não, tá muito bom — ele me olhou — É que meus colegas de turma que antes eram meus amigos vão para o shopping mais tarde assistir filme no cinema.
— E você não foi convidado?
— Não. Tudo isso por causa do que aconteceu.
Suspirei comendo, mas ele logo me olhou.
— Não estou culpando você, mas eles agora me chamam de tudo quanto é tipo de nome referente à uma criança por causa disso e não me chamam pra mais nada — agora ele suspirou.
Por alguma razão, comecei a me sentir mal por aquele garoto. Talvez por ele não me dar trabalho e ter desabafado — embora na hora da tristeza a gente desabafe com o primeiro que vê pela frente — eu comecei a ficar bastante incomodada com a tristeza no olhar dele. E o pior de tudo é que se realmente o Sr. Clifford disse que era só ignorar que tudo ficaria bem, pois eles logo parariam, parece que não adiantou e eles continuam fazendo ele sofrer.
Bebi um gole de suco e o olhei.
— Eu até poderia te levar no cinema, mas se seus amigos nos virem, só vai piorar a situação — confessei.
— Isso não tá ajudando... — rebateu ele.
— Então, vamos fazer outra coisa. Seu pai te disse aonde fica a clínica que sua mãe está?
Ele pareceu pensar um pouco.
— Que eu saiba, não. Disse que eu não iria gostar do lugar.
— Mas ele me deu o endereço. Eu posso ir lá com você se quiser, só temos que agendar.
Os olhos dele brilharam.
— Sério? Você consegue? — perguntou ele, com um leve sorriso.
— Claro, posso sim — respondi com o mesmo sorriso.
— Bom, então... Vou adorar.
— Ótimo, termina de comer e aí eu faço a ligação.
Sorrindo largo, ele rapidamente terminou de comer e depois que eu acabei, fui lavar os pratos. Rapidamente peguei o cartão com o número e digitei no meu celular.
Após alguns minutos de ligação, finalmente desliguei.
— Consegui Aiden. Marquei para as duas e meia de hoje, o que me diz? — perguntei, guardando o celular.
— Acho ótimo! Deixa eu me arrumar e vamos! — ele disse, empolgado.
— Ótimo, vai lá que eu espero...
E saiu todo feliz em direção ao banheiro, me fazendo sorrir pois afinal, estava começando a deixar o clima mais amigável na casa.
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