Doce Vingança
4 Capítulo 4
Notas iniciais
Depois de alguns minutos, Aiden surgiu já arrumado, trajando uma camisa marrom com uma bermuda jeans e tênis.
—Já tá pronto? — perguntei, surpresa.
— Já sim.
— Ótimo, vamos.
Levantei e peguei a chave do meu carro, logo saímos da casa dele e entramos no veículo. Depois de ligar o GPS, pois eu não conhecia o caminho ainda, finalmente arrancamos.
— Não conte ao seu pai que te levei lá tá? Ele pode ter me dado o nome do lugar, mas não ficou muito feliz, parecia que ele não queria que você visse a sua mãe — pedi.
— Por quê ele não quer que eu a veja? — quis saber ele, preocupado.
— Não sei, acho que ele tem medo de você vê-la em um estado tão deplorável e ficar triste, talvez...
— Eu não me importo com isso.
— Tem que dizer isso para ele.
Ele assentiu e ficamos em silêncio pelo resto do caminho, mas o clima não estava tenso, apenas não tínhamos o que falar. Depois de alguns minutos, chegamos no local e estacionei o carro. Quando descemos, fomos até a recepção. As paredes do interior eram marrom claro, o piso era de cimento e tão limpo que chegava a brilhar. Nas paredes, alguns quadros de cachoeiras e pinturas bonitas davam um toque especial no ambiente.
Se o dono do lugar queria que as pessoas que entrassem não ficassem com medo e achassem o lugar até agradável, ele acertou em cheio.
— Boa tarde — eu disse.
— Boa tarde, qual a paciente gostariam de ver? — perguntou a recepcionista.
— Angeline Clifford, é a mãe dele — apresentei.
— Tudo bem então, coloquei esse crachá de visitante e podem entrar, é o quarto 14.
— Muito obrigada. Vamos Aiden.
Colocamos os crachás e fomos em direção ao quarto dela. Ao chegarmos na porta, dei três leves batidas na porta e quando ela autorizou a entrada, provavelmente pensando ser um dos médicos, abri a porta.
Ao ver sua mãe, Aiden abriu um largo sorriso.
— Mãe — ele disse, apressando os passo até ela.
— Filho, meu amor... — ela sorriu, emocionada.
Enquanto eles se reencontravam, sentei no banco ao lado da cama.
— Quanto tempo falta para você sair daqui? — perguntou Aiden.
— Eu não sei filho, o tratamento dura no mínimo seis meses, ainda estou tendo ajuda de psicólogos daqui e nem posso mexer no celular — lamentou.
— Sinto tanto sua falta...
— Eu também querido, mas assim que eu puder sair daqui, iremos nos ver muitas vezes tá? Eu prometo — ela beijou a bochecha dele.
— Tá bom mãe, vou adorar...
Ela sorriu e depois olhou em minha direção.
— Quem é você? — perguntou-me.
— Ah, desculpe... Não me apresentei. Sou Sally Johnson, babá do Aiden — falei sorrindo.
Ela ficou confusa, óbvio.
— Babá? — perguntou.
— Bem, eu... — Aiden começou a explicar, mas logo se enrolou.
— Deixa que eu conto para ela — pedi e Aiden concordou, sentando na cadeira que eu estava — O Aiden deu uma festa na casa enquanto o pai dele viajava a trabalho, só que um dos amigos dele levou drogas para vender na festa. Obviamente, a polícia apareceu e claramente o Sr. Clifford não gostou nada disso e decidiu me contratar como babá do Aiden como um castigo. Até quando, eu não sei.
Ela me olhou chocada, mas devido aos remédios que devia estar tomando, não conseguiu ficar tão impactada assim.
— Meu Deus, o Matt... — gaguejou.
Acabei ficando muito preocupada vendo ela naquela situação.
— O que foi? A senhora tá bem?
— Mãe!
— Eu tô bem, só... Estou muito chocado com o que seu pai fez! Primeiro ele me bota nessa clínica e depois te faz isso! — ela revelou, me deixando confusa.
— Espera, ele te colocou nessa clínica? — perguntei.
— Sim... Quer dizer, literalmente. Eu... Comecei a tomar remédios controlados por causa dele. O Matt sempre foi um homem muito arrogante, mas ele ao menos demonstrava me amar. Só que, depois de uns anos de casamento, tudo mudou. Eu nunca entendi o porquê, mas o comportamento dele comigo começou a mudar. Ele já não me tratava com carinho como antes, nem o nascimento do Aiden ajudou ele a melhorar.
— E o que isso tem a ver com você vir parar aqui? — perguntei, curiosa.
— O comportamento dele me deixava nervosa com tantas discussões. O divórcio foi conturbado, de modo que eu precisei tomar remédios controlados para sobreviver.
— Quer dizer que ele te deixou com problemas psicológicos com um relacionamento tóxico?
— Sim. Eu acabei tendo um surto dentro de casa, deixei o braço dele bem marcado depois de uma discussão. Então, eu fui convocada para vir aqui na clínica fazer reabilitação. Demorei, mas percebi que precisava refazer minha vida. E é isso que estou tentando.
Comovida, suspirei e coloquei a mão sobre a dela.
— Mas você ainda o ama? — perguntei.
— Sim. E sei que ele também me ama.
— Então sinto muito mesmo pelo que aconteceu. Espero que vocês voltem um dia.
— Deus te ouça querida...
Esboçando um sorriso, me afastei deixando Aiden falar com ela novamente.
— Me desculpa mãe, eu juro que não queria causar problemas pro papai — ele disse.
— Eu sei querido, não tinha como você saber que ele usava drogas. Não se preocupe — ela incentivou.
— Seria mais fácil dizer pra ele.
— Quando eu sair daqui, irei conversa com ele, pra tentar convencê-lo a te tirar do castigo.
— Promete?
— Claro que eu prometo.
Sorri e ficamos mais um tempo lá, até que tivemos que nos despedir dela e voltar para casa. Combinamos de voltar na próxima semana, já que visitas são permitidas semanalmente naquela clínica.
Depois de voltarmos para o carro, estava dirigindo tranquilamente até que, ao parar no sinal vermelho, estava tão distraída que quase dei um pulo quando ouvi a voz do Aiden.
— Sally? — ele chamou.
— Oi? — perguntei, após me recuperar do "susto".
— Obrigado.
— Pelo quê?
— Por me ajudar a visitar minha mãe.
Sorri de canto ouvindo ele.
— Ah, não foi nada... — corei.
— Claro que foi. Significou muito pra mim.
— Eu imagino.
Sorrindo, voltei a prestar atenção no sinal que logo ficou verde e arranquei com o carro rumo à casa dele. Aos poucos, aquele assunto da mãe dele ter tido um relacionamento tóxico com o Sr. Clifford me deixou bastante preocupada. Tanto por ela, quanto pelo Aiden, que poderia crescer e virar um homem tóxico como o pai.
Minutos depois, chegamos na casa dele e descemos do carro.
— Quer ver um filme ou jogar videogame? — perguntou ele.
— Pode ser. É bom que passa o tempo — assenti.
Então fomos pro quarto dele e ele ligou o videogame. Custou encontrar um jogo que eu gostasse, mas ele conseguiu e começamos a jogar.
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