Quando terminei de contar, minha mãe, para zero surpresas pra mim, simplesmente não mudou sua expressão.

-Filha, olha a roubada que você se meteu! — exclamou ela.

-Eu sei mãe, mas o que eu podia fazer? O que o Sr. Clifford fez não foi certo — rebati.

-Não importa se o que ele fez foi errado, você agora tomou uma atitude que pode causar sérias consequências para você. Já pensou se o Sr. Clifford realmente leva isso na justiça? — reclamou.

-Claro que não mãe, o Aiden vai fazer dezoito daqui uns meses, nem é tão ruim assim — ponderei.

-Não importa! Mesmo se ele fosse de maior, ainda assim você se deitou com o filho do seu ex — patrão. Ele é rico, com certeza tem ótimos advogados que poderão te prejudicar e muito!

-Mãe, eu sei que não quer ajudar, mas também não precisa piorar — retruquei.

-É apenas a verdade minha filha... Não parou pra pensar no quanto essa atitude pode prejudicar você se ele realmente cumprir a ameaça?

Aquela última parte me deixou realmente preocupada, se o Sr. Clifford realmente decidir abrir um processo em mim, vai realmente ficar ruim para mim, pois além de prejudicar minha reputação na agência de babás ainda poderia me levar presa.

-Tudo bem mãe... Realmente eu fiz besteira, agora tenho que sofrer as consequências.

-Eu fico feliz em saber que você admitiu seu erro, mas não vou deixar isso ficar assim. Vou falar com o pessoal do trabalho e ver se algum advogado de lá pode ajudar ou se conhecem algum bom advogado que possa te ajudar a sair dessa.

-Mas por quê? Não quero a senhora ser apanhada no fogo cruzado.

-Porque você é minha filha! E eu não vou permitir que você seja presa! Pior do que te enterrar, seria ver você sendo presa sem poder fazer nada!

Senti um aperto no coração ao ouvir aquelas palavras. Minha mãe e eu sempre fomos muito unidas, mas nunca passamos por uma situação daquelas, onde ela teria que fazer um sacrifício enorme daqueles, se metendo em um assunto que não era dela e ainda correndo risco de também se prejudicar. Tudo isso porque eu decidi me vingar do Sr. Clifford.

-Calma mãe, de repente o Sr. Clifford só falou aquilo no calor do momento. Depois que ele esfriar a cabeça, de repente ele não pensa mais nessa ideia de justiça e não acontece nada — encorajei.

-Espero mesmo que não aconteça nada, mas de qualquer maneira, vou procurar um bom advogado, para nos prevenirmos caso ele realmente leve isso à sério — finalizou.

-Tudo bem então, vai dar tudo certo.

Ela assentiu, terminou a xícara de chá e colocou na mesa.

-Bem, então eu já vou indo. Tenho que verificar isso logo. Quanto antes eu procurar um advogado pra contornar essa situação, mais preparados estaremos — ela incentivou.

-Está bem, eu levo a senhora até a porta.

Levantamos e fomos até a porta. Mesmo com medo e raiva de mim por ter me metido naquela situação, nos despedimos com um abraço e logo que fechei a porta, também fechei meus olhos e respirei fundo, torcendo para que o Sr. Clifford realmente não tente nada contra mim e se tentar, que minha mãe consiga alguém pra me defender.

Depois de algum tempo, comecei a preparar o almoço. Quando ficou pronto, olhei no relógio, faltava meia hora para Aiden sair da aula, então rapidamente me arrumei colocando um cropped e um short porque estava calor e fui direto para o meu carro dirigindo em direção à escola de Aiden.

Ao chegar, estacionei o carro e esperei que ele saísse. Demorou alguns segundos, mas logo ele apareceu e nossos olhares se encontraram, o que fez ele abrir um leve sorriso e vir andando até a mim. Sua expressão me deixou confusa, teria acontecido algo? Minha presença ali o incomodava? Suspirando, o vi entrar no carro e deixar a mochila nos pés.

-Oi — eu disse, ainda o olhando.

-Oi — ele respondeu, me surpreendendo com um selinho rápido e colocando o cinto.

-Por quê essa cara abatida?

-Está tão nítido assim? — bufou ele.

-Sim, está. Olha, se for eu quem estou te incomodando por te buscar de carro, não pense que é porque te acho imaturo, é só para ter certeza que você está bem — garanti, o olhando.

-Eu sei que você só quer o meu bem, não me importo de você me trazer e buscar todos os dias — garantiu ele, pondo a mão no meu rosto e acariciando — Estou meio triste por causa deles.

Ele olhou para fora e logo vi uns quatro moleques rindo enquanto apontavam para ele. O que me deixou irritada. Certamente eles ainda não pararam de zoar com Aiden por ter tido uma babá.

-Quem são eles? — perguntei, engatando a primeira marcha.

-São os valentões da escola. Eles nunca me machucaram, mas eram aqueles que mais fizeram bullying comigo quando você era minha babá. Só que depois que eu contei que eu já não teria mais babá, eles pararam e agora voltaram a me zoar porque estou vindo para a escola com um carro velho — suspirou ele — Não ligo de zoarem o carro em si, ligo de estar sendo zoado novamente.

-Imagino, você sofreu muito com bullying na escola, mas isso vai passar — garanti.

-Espero mesmo que sim.

Então arranquei com o carro e fomos direto para casa. Ao chegarmos, Aiden foi para o quarto, deixando a mochila no canto do mesmo e foi pro banheiro e tomando banho.

Assim que ele saiu, já de roupa trocada, comecei a servir a mesa.

-O cheiro tá bom! — elogiou ele, entrando na cozinha.

-Espero que o sabor também — sorri sentando à mesa.

Depois que ele sentou, começamos a comer. Apesar de estar feliz com a presença do Aiden em casa, a conversa com minha mãe a respeito do pai dele poder querer me processar ou me colocar na justiça estavam me deixando preocupada. Sorte minha que Aiden não havia percebido, mas eu realmente estava apreensiva com aquilo, porque se isso realmente acontecesse, aonde Aiden iria ficar? Bom, Sr. Clifford poderia aceitá-lo de volta em casa, mas ainda assim, olha o fardo que tanto eu quanto Aiden teríamos que carregar.

Quando terminamos de comer, guardei os pratos e ele me ajudou a lavar tudo.

-Obrigada pela ajuda — sorri.

-De nada — disse ele.

-O que quer fazer?

-Bom, primeiro vou dar uma descansada e depois eu vou fazer minha lição de casa, me ajuda em alguma coisa? — perguntei.

-Ajuda em quê?

-Em uma parte de matemática, tô boiando.