Doce Red
25 Cova, Carlos
Notas iniciais
— O que acha? — Pergunta, sentada, a pele branca avermelhada em carne viva, o cheiro de queimado assolando o cômodo, está sorrindo, apontando para um anúncio em papel, as mãos trêmulas, pulsos gastos.
— Mortalhas são melhores.
— Me queime. — Pede. Olhos grandes no rosto magro, olheiras profundas, lábios secos.
— Não, será enterrada, com um bela vestido, para que seus amigos idiotas da igreja vejam, para que o estupido lenhador se agonize na dor. Quero tortura-los. — Aperto o jornal, pernas cruzadas, meu rosto esquenta e mãos esfriam e suo. Nervoso. Ouço Red rir do tapete, ignoro, ela ri novamente, e jogo o papel, agarrando o trapo que chamava de roupa. — Calada — O som gutural em minha voz, ela se cala, porém, ainda sorri, passa a língua molhada sobre meus lábios, a gana subindo, agarro seus bens superiores, macios, pequenos, aperto, ela grita, levando a mão à sua intimidade, tocando.
— Carlos.
— Mandei calar. — Não consigo falar, a garganta se fecha, pressiono meus lábios aos dela, afundo dentes até sentir o gosto metálico.
— Aah, não acha — A voz um fio — Parecemos um conto infantil distorcido. — Observo a mão começar, move contra si. Lenta. Forte. Rápida. Ápice.
Fale com o autor