Doce Realidade
2 Olhares Mentirosos
Notas iniciais
No fim os copos de sorvetes não ajudaram muito. Na manhã seguinte, Lorenzo mandou uma mensagem: "Vamos sair".
Escarlate deu graças pela chuva, mesmo vivendo em um bom lugar, com um belo escoamento de água para caso de inundações, ela deu a desculpa de não conseguir sair de casa.
Lorenzo enviou outra mensagem. Uma imagem. Ela abriu, ele olhava para ela com um olhar travesso, mesmo pela tela do celular ela viu o olhar de desejo que ele exaltava.
Jogou o celular na cama. Desistiu da idea e voltou para pega-lo, perdeu um tempo procurando no meio de tantas cobertas, até sacudi-las e ele cair no chão.
Fixou em seu olhar. Ele parecia um garoto apaixonado e com boas intenções. Na verdade as intenções podiam ser boas com as garotas. Várias garotas. Ótimo escritor, Lorenzo sabe fazer declarações e sabia fazer qualquer um fraquejar com seus olhos negros, malignos.
Com isso tudo, finalmente acordou do transe que a manhã proporciona e desceu para a cozinha. Escarlate olhou no relódio, não era mais manhã.
A ressaca da sua mãe estava dando ânsia em Escarlate.
– Vamos nos atrasar.
A aula das duas era de noite. A umidade do ar estava ótima, mesmo destruido a chapinha das suas amigas fazia ela respirar melhor. Um ar que na cidade grande era incomum.
– Ana Clara. Me dê sua prova. Você está colando.
– Não estou. Com certeza não estou.
Mesmo assustando a turma inteira. Fazendo todos terem pena dela. Voltou da cordenação sorrindo e contou no recreio seu bom drama.
Chamando toda a cordenação, e com o apoio de seus pais, ela derramou várias lágrimas. Por fim, conseguiu uma boa nota e quase demitiu um professor.
Sorrindo depois de tudo, olhou para mim.
– Melhore sua letra, Escarlate.
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