Doce Realidade

4 Ao tirar a venda dos olhos


Notas iniciais
A cada dia, eu demoro mais para escrever. Desculpa.

Quando você é uma pequena criança. Sem responsabilidades. Sua paciência é bem menor. Exemplos engraçados podem aparecer na sua cabeça. Mas sei com toda a certeza que no momento foi triste e desesperador. Quando alguém puxa seu dente de leite, sem você perceber, aquele mesmo dente que você mexia com a boca e adorava a sensação. Ou a primeira vez que alguém disse "não" para você. Muitas pessoas não entendem que se fosse como hoje. Podíamos sentir aquilo como uma traição ou um tiro no peito.

Não importa a dor. Se ela vem de surpresa. No ato te mata por dentro. Ou você desiste ou você aprende com ela.

O telespectador que nunca passou por isso ou não lembra, não vai entender sua dor. E esse telespectador eram suas amigas. Elas que não se importavam em trair sem ser pegas. Ou ser traída e falar "A vida é assim", partir sem ruma para um novo namorado, pois já estava cansada mesmo.

Mesmo assim Escarlate ficou feliz pelo apoio teatral de suas amigas.

– Querida, ele é um desgraçado. Eu não acredito. Filho da...- A menina de cabelos lisos, continuou falando por um tempo enquanto segurava a mão da sua amiga.

Ouviram passos.

– Chegamos.

Eram mais duas das suas amigas. Trouxeram sorvete. E chá. Pois na madrugada nenhuma delas aguentaria beber refrigerante e comer pizza.

Até aguentariam. No entanto, teriam que passar um tempo na frente do vaso, tentando perder peso.

Enquanto todas as garotas estavam trocando mensagens e algumas vezes tirando os olhos do celular para mostrar/ver uma foto vista no feed de uma rede social.

Escarlate estava olhando para seu feed também, preferia falar com seus amigos virtuais a conversar com suas amigas.

Aí ela percebeu.

Olhou para suas amigas. Por alguma razão desconhecida ela se perguntará. Como aquilo tão comum pareceu estúpido para ela.

– Manu. Ju. Adri. — Todas adoravam apelidos. Escarlate não teria um muito belo. Late? Escar?

Manu e Ju olharam de uma vez. Adriana primeiro olhou para sua unha e levantou a cabeça devagar.

– Que? — Comentou Manu.

– Vocês querem jogar Detetive ou Uno? — pediu Escarlate.

– Ah.. — Ju olhou para Manu. As duas podiam ler os pensamentos uma da outra, Escarlate desconfiava.

– Claro. — Falou Adri sem precisar pedir informação para ninguém.

Escarlate buscou os jogos e todas escolheram Uno. Que bom que ela tinha dois. Misturaram. Inventaram uma nova regra.

Todos nós já tomaram decisões radicais chorando no quarto ou apenas olhando para uma paisagem. Mas poucos sabem que as mudanças radicais vem conforme os dias comuns.

E sim. Aquele era um dia comum.

– Garotas eu estive pensando. Não quero deixar segredos entre nós.

A garota de sardas e olhos castanhos com cílios loiros olhou para elas. E cada uma carta que ela foi jogando. Ela foi dizendo a opinião sobre suas amigas.

Todas já estavam chorando e quase batendo nela quando ela terminou de falar.

– Eu sei que você está ficando com o namorado da Adri, Manuela. E não tem como você querer ser feliz com toda essa brincadeira de "psicopata, budista e geek, me julguem". Sério? Sabemos que você se corta para ganhar curtidas.

De um jeito brusco. Adriana bateu e Manu antes de Escarlate para de falar.

– Adriana, mesmo que você queíra fazer seletivo. Não acho que faltando 2 meses de aula para ficar com seu namorado de 30 anos que mora com os pais, vá ajudar muito.

– Por que está falando isso? — Julieta começa a repetir. Segurando as três.

– Ué. Vou deixar as coisas serem libertadas. Você rouba dinheiro da sua mãe, seu pai e até de nós quando não estamos olhando. Falar mentiras sobre nós sermos lésbicas ou que nós fazemos sexo anal desde os 9 anos. Você quer nos julgar sempre.

Julieta franze as sobrancelhas e permanece sentada, sem acreditar.

– Mas eu só queria dizer. Que mesmo vocês fazendo tudo isso. Para vocês isso é normal e feliz. E eu vou apoiar vocês.

E nesta parte da vida.

Escarlate assume o papel de bruxa. E tira a fenda dos olhos.

E ainda fez graça com suas amigas.

A conversa se seguiu com um pedido continuo se desculpas.

O que todas não eram mesmo era teimosas.

Mas aquilo foi uma surpresa. Será que ririam depois?

Notas finais
Quero treta.