Doce Pecado
45 Uma noite com ela
Notas iniciais
P.O.V Da Sam
— Filha, sei que errei com você. Falhei de todas as maneiras e não me orgulho, você não merecia ter passado por tudo aquilo sozinha, eu como mãe, devia ter ajudado, ao menos ter dado força para que conseguisse superar tudo... Sinto tanto, me perdoe por ter te decepcionado, eu sequer tentei ajudá-la... Você precisou de mim e eu não estive lá para você, filha, se eu pudesse voltar atrás e...
— Acontece que não pode mais consertar as coisas, mãe! Não pode! Você ficou do lado da Melanie, a defendeu como sempre e a protegeu me deixando desemparada... Você e o papai! — Olhei para meu progenitor.
— Samantha, nós erramos, sabemos disso. Estamos arrependidos, eu não devia ter falhado como pai... Não devia ter te colocado para fora de casa... Estou muito devastado porque me culpo tanto quanto a sua mãe, nós dois a decepcionamos, e estamos aqui implorando o seu perdão, minha filha. — Meu pai disse soando sincero.
Ambos estavam tristes.
— Já passou, não importa mais... — Falei. — Fiz o que tinha que fazer. Já está feito. Agora estou arcando com tudo, não preciso da pena de vocês, não me venham oferecendo compaixão, pra ser sincera, eu me sinto melhor porque fiz as pazes com a Melanie. Conversamos e nos entendemos. Tanto faz se querem participar da minha gestação, é o neto de vocês, e ambos têm direito... Eu errei e já meio que estou pagando por isso, fiz escolhas das quais me arrependo... Agora quero consertar as coisas, seguir em frente, tenho amigos que se importam, dois homens que são loucos por mim, um bebê para dar amor e me trazer alegria, e minha irmã ao meu lado... Não sou eu que devo perdoá-los, acima de tudo é Deus quem deve fazê-lo, se estão arrependidos e querem fazer parte da minha vida, quêm sou eu para negar isto a vocês? Apesar de tudo, vocês são meus pais, são minha família... Estou melhor agora, com a consciência mais leve e tenho uma prioridade, só quero me recuperar, ter o meu bebê e voltar pra casa. — Eu disse tudo o que tinha para falar.
— Entendo, filha... Você é forte, vai conseguir superar tudo isso. Estaremos aqui e vamos rezar para tudo dar certo, porque amamos você, nunca duvide disso... Apesar de tudo, nós realmente te amamos, e sempre iremos te amar, Sam... — Minha mãe se rompeu em lágrimas.
— Sua mãe está certa. Nós nunca te amamos menos, sei que fomos mais duros com você, que sempre cobramos e colocamos pressão em você, que exigimos demais como pais, mas tudo era porque queríamos o seu melhor. Não precisamos pegar no pé da sua irmã, mas tivemos que pegar no seu pé, o que não significa que te amamos menos... Amamos as duas da mesma forma, filha, sempre quisemos o seu bem, a sua felicidade tanto quanto a da sua irmã! — As palavras do meu pai me emocionaram.
Comecei a chorar... Mamãe se apressou, veio me abraçar e me reconfortar.
— Só prometam que nunca mais irão me deixar de lado, preciso de vocês... O neto de vocês precisa dos avós ao lado dele quando nascer... Pai e mãe, eu os perdôo por tudo. — Fiz o que era certo.
Guardar mágoas não me ajudaria em nada. Eu precisava me libertar do passado de uma vez por todas.
[...]
P.O.V Do Freddie
Arrumei umas coisas numa mochila, já que iria passar a noite com a Sam. Estava nervoso e ansioso, dirigi para o hospital sabendo que corria risco de ser mandado embora pela loira, no entanto, resolvi me arriscar de qualquer forma... Ela tinha o direito de me chutar. Já sabia onde ela estava, assim que cheguei, peguei o elevador e subi para o andar certo.
As enfermeiras que costumavam me olhar sem ao menos disfarçar, passaram ao meu lado enquanto eu seguia pelo corredor, uma delas sorriu para mim, a moça que se chamava Michelle. Eu sabia que ela estava de olho no Ryan.
Até que era bem bonita.
As cumprimentei e rumei para o quarto hospitalar, estava feliz por ter obtido a permissão para passar a noite ao lado da Sam, era tudo que eu queria, cuidar dela pelo menos uma noite.
Dei duas batidinhas na porta, ouvi sua voz abafada, ela disse:
— Pode entrar! — Sorri já imaginando sua reação.
Seus olhos se arregalaram assim que passei pela porta, com a mochila sobre o ombro e com o meu sorriso mais largo.
— Freddie? — Franziu o cenho. — O que tá fazendo aqui? — Estranhou. — Não é horário de visita, estou aguardando meu almoço. — Falou, séria.
— Carly e Melanie não poderão vir hoje, estou aqui para te fazer companhia, vou passar essa noite aqui com você. — Respondi com calma.
— Como é? Mas não é permitido, você nem é meu marido para...
— Sua irmã convenceu eles que acabaram dando permissão, sou o pai do bebê e todos pensam que somos namorados e moramos juntos. De qualquer forma, já estou aqui mesmo, eu trouxe algumas coisas para você. — Abri um dos bolsos da mochila, tirei barrinhas de cereal, um barrinha de chocolate ao leite e um pacote de jujubas sabendo que ela amava doces. — Melanie também conversou com uma das enfermeiras, você pode comer, mas não tudo de uma vez, vou te dar uma guloseima depois do almoço. — Expliquei.
— Isso sim é golpe baixo! — Riu e balançou a cabeça.
Me aproximei e puxei a cadeira, sentei ao seu lado após fechar o bolso e deixar a mochila sobre a poltrona.
— Como se sente? — Perguntei pegando sua mão.
— Estou bem, não se preocupe... — Seus dedos roçaram nos meus.
Sem maquiagem, sua pele estava um pouco mais pálida, ela tinha poucas olheiras e seus olhos pareciam maiores... O monitor estava ligado, Sam também tomava soro.
Ela me viu olhando para o monitor.
— Estou bem, é sério... Eu apenas me emocionei muito hoje, fora isso, meu coração está batendo forte como sempre, sou osso-duro de roer, Benson! — Confirmou.
— Passou nervoso hoje? — Me preocupei.
— Recebi visitar dos meus pais, tive fortes emoções, enfim, daqui à pouco o médico vem me examinar, ele vai ver que estou ótima e não precisa ficar me monitorando! — Revirou os olhos.
[...]
P.O.V Da Sam
Era realmente bom ter companhia, a Carly dava uma de mãezona e Melanie agia como irmã mais velha, sendo que nasci primeiro... Pelo menos o Benson não estava enchendo o saco.
— Eu daria tudo por um pouquinho de sal. — Comentei de boca cheia.
A comida não era de todo tão ruim, estava até temperadinha, embora faltasse um tiquinho de sal...
— Troca comigo? — Pedi olhando para sua marmitex.
Seu bife acebolado estava me dando água na boca, vi que tinha molho no macarrão dele.
Olhei para a minha bandeja, me serviram frango com legumes e um arroz branco escorrido... Olhei de novo para o moreno, suplicante.
— Meu Deus, Sam... — Suspirou.
Ele levantou e se aproximou, pegou meu prato, fez a troca me entregando a comida servida para acompanhantes...
Minha boca salivou mais ainda.
— Só um momento. — Deixou a comida que devia ser minha sobre a mesinha.
Pegou o garfo e a faca, começou a cortar o bife para mim.
— Obrigada. — Agradeci.
Ele sentou pegando o prato e começou a comer o frango com legumes e arroz.
— Você sabia que eu jamais te negaria algo, espertinha... — Riu e eu sorri travessa.
Ignorando as porcarias enfiadas no meu pulso, incomodando e furando minhas veias, comi com gosto a comida do Benson, apreciando cada pedacinho.
Depois que raspei o prato laminado, exigi um doce como sobremesa e ele me deu chocolate.
Até que era bom ser paparicada.
[...]
P.O.V Do Freddie
A noite chegou, junto veio o temporal castigando Seattle. Tive até que ceder meu moletom para a Sam, a camisola e as cobertas eram finas demais. Além do meu almoço, Sam acabou devorando meu jantar também. Não me importei, portanto que ela tivesse feliz, satisfeita e com a barriguinha cheia, eu comeria mil tigelas cheias de sopa de legumes dando minha comida para ela, Sam comeu meu guisado de carne e o pudim que me serviram.
Sam tomou um susto quando ouvimos as trovoadas, ela quase arremessou meu celular para longe. Tinha 'roubado' meu celular, baixou até um joguinho para se distrair afirmando que não passava nada que prestasse na TV.
Ela tinha razão, se ao menos fosse TV à cabo...
— Desgarregou. — Me entregou o aparelho.
Deixei o jogo de palavras de lado, coloquei meu celular para carregar e voltei para a poltrona observando a inquietude da loirinha que mexia nas cobertas.
— Estou com frio. — Avisou.
— Vou pedir um cobertor maior. — Levantei.
— Não... Não me deixe aqui sozinha. — Eu sabia que ela estava com medo.
Seu olhar não me enganava. Não mesmo.
— Já volto, é rapidinho... — Vimos a luz dos relâmpagos cortando o céu através das cortinas claras.
Mais um trovão daqueles soou bem forte.
Ela se encolheu, puxando a coberta branca até o queixo.
— Deita aqui comigo? — Me olhou quase implorando.
— Não posso, não há espaço...
— Por favor, Freddie... — Como eu podia negar algo para ela me olhando daquele jeito tão indefesa?
Levantei, ela se ajeitou na cama hospitalar abrindo espaço, eu tentei me acomodar da melhor forma possível, deitando ao seu lado, tomando cuidado de não apertá-la.
— Quêm diria que têm...
— Cala a boca! — Me fez prender o riso. — Não é medo, só tô com frio... — Mentiu.
— Sei... — Abracei seu corpo, afagando seu braço.
— Tá chutando... Quer sentir? Acho que ele deve estar ouvindo tudo, deve estar com medo... — Passou a mão sobre a barriga avantajada.
Já estava com 6 meses e 3 semanas...
— E se for ela? — Indaguei colocando a mão sobre seu ventre.
— Não é... Sonhei com um garotinho. — Confessou.
— E como ele era? — Fiquei curioso.
— Não vi o rosto, ele estava correndo atrás de um cachorrinho no parque. — Contou.
— Deve ter sido um sonho bem especial... — Sorri. — Não precisa ter medo do temporal, Sammy... Vou estar aqui protegendo vocês. — Prometi beijando sua cabeça.
Ela se ajeitou e reposou a cabeça no meu ombro.
— Fico feliz por estar aqui. — Disse com a voz ficando sonolenta.
Ela logo adormeceu, tinha uma mão sobre a barriga, a outra sobre meu peito.
Eu iria lutar para reconquistá-la se fosse preciso.
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