Doce Pecado
31 Revelações
Notas iniciais
P.O.V Da Sam
Cheguei na sala com os passos quase lentos, o coração palpitando forte e as pernas um pouco trêmulas. Eu devia controlar todo o nervosismo que se formava, todos os convidados para o jantar estavam na sala, me aguardando. Pam fez até questão de chamar minha avó e o inconveniente do Austin, e ele estava conversando com Freddie, algo que fazia a Melanie ficar desconfortável, assim que nossos olhares se encontraram, ela me deu um pequeno sorriso e me limitei a retribuir mínimamente.
Minha mãe se levantou do sofá que estava sendo ocupado por meu pai, minha avó e a mãe do Benson. Tio Carmine, meu primo Chaz e Ryan estavam no outro sofá, e no terceiro e último sofá estavam Melanie, Freddie e Austin.
Enguli em seco e parei perto da poltrona do meu pai quando Pam abriu um enorme sorriso e começou a falar toda empolgada...
— Eu reuni todos aqui nessa noite maravilhosa para degustarmos de um delicioso jantar e principalmente para celebrarmos a bela e boa notícia que Sam nos dará. Não está ansiosa, filha? — Se encaminhou até a mim, parou me dando um abraço de lado, enquanto sorria para todos ali, reunidos na sala de estar.
— Sim, estou muito ansiosa para emocionar à todos vocês! — Forcei um sorriso olhando para cada olhar direcionado à mim.
Meu pai estava muito sério, seu olhar era intimidador. Tio Carmine e meu primo Chaz me encaravam ambos com certa curiosidade, minha avó e a senhora Benson mantinham a mesma expressão, as duas me olhando desconfiadas. Freddie e Ryan aparentavam estarem confusos e a Mel me encarava com que aqueles olhos meigos e brilhantes, cheios de expectativas, e o Austin foi o único que sorriu cínico.
Ninguém ousou falar nada, apenas houve algumas trocas de olhares entre todos ali.
— Por favor, nos acompanhem até a sala de jantar. — Pam falou educada, calma e toda decidida, nos conduzindo para outro cômodo.
Apenas suspirei discretamente e a segui, estava completamente absorta em pensamentos, me sentindo obrigada a estar ali. Os convidados vieram todos atrás de nós, assim que chegamos na sala de jantar, todos foram ocupando seus lugares com calma.
Havia um verdadeiro banquete à nossa espera, a mesa foi posta com elegância, esbanjando beleza e comidas extremamente apetitosas. Pam realmente exagerou, se ela queria agradar a vista e o paladar refinado, xom certeza conseguiu...
Acabei sentando exatamente de frente para o Benson, a Mel estava ao lado dele, na sua direita e na cadeira ao lado esquerdo, estava o Ryan. E meus pais ocuparam os seguintes lugares, um em cada ponta da mesa, como a matriarca e o patriarca da família, impondo certa superioridade.
— Primeiramente quero agradecer à todos que aceitaram o meu convite e estão aqui presentes nessa noite tão importante... — Pam tomou partida novamente, começando a tagarelar já de pé e eu me contive para não revirar os olhos.
Apenas tratei de ignorar suas palavras e foquei no moreno à minha frente. Seus olhos quentes e escuros sustentaram o meu olhar, e eu senti aquele gostoso friozinho na barriga mergulhando profundamente naquele mar intenso e achocolatado.
Meus lábios secaram junto com a minha garganta, peguei uma taça com água que estava ali ao meu dispôr. Beberiquei ainda o encarando, nós dois éramos os únicos que não prestava atenção nas palavras da minha mãe.
Involuntariamente me peguei passando a mão por meu ventre e por míseros segundos eu pensei nele. No meu filho, então de imediato finalmente acabei tomando a minha decisão, seria por ele, por mim e era justo ao meu olhar... Já estava decidido.
Olhei para Ryan, e um pequeno suspiro acabou escapando por meus lábios. E por fim, fitei a Melanie e tive a absoluta certeza que a minha decisão era correta, eu poderia repensar, esquecê-la e mudar de ideia, mas uma Puckett deveria ser destemida,ne naquele momento eu deixei que algo mais forte tomasse conta de mim, um sentimento que era difícil ignorá-lo ou esquecê-lo.
[...]
— Filha, já pode fazer as honras de falar sobre a sua notícia, estamos todos curiosos, não é mesmo, querido? — Minha "querida" mãe sorriu para o meu pai, com certeza ela não havia contado nada para ele.
— Certamente, querida! — Ele retribuiu o sorriso e olhou para mim e eu abaixei a cabeça, incapaz de encará-lo.
Então, havia chegado a hora. Não havia como fugir e eu não queria fugir. Se todos eles queriam saber da grande e importante notícia, então eles ficariam sabendo. Me levantei completamente determinada, e com passos firmes caminhei até a ponta da mesa, aonde minha mãe se encontrava, sorrindo triunfante.
— Com licença, mãe, eu vou precisar da sua cadeira! — Falei o mais doce possível.
Pam se levantou hesitante, me dando o seu lugar a mesa. E o meu primo que estava bem perto dali, se levantou prontamente prevendo o que eu iria fazer, subir na cadeira obviamente.
— Deixe-me ajudá-la, prima. — Chaz me estendeu a mão.
Já descalça,livre daqueles sapatos cafonas, eu aceitei sua gentileza e subi na cadeira da matriarca com a ajuda dele.
— Valeu, primo! — Sorri agradecida.
Dei uma ajeitadinha no vestido idiota que Pam me fez vestir e sorri olhando para todos que me fitavam atenciosamente, aguardando a grande notícia.
— Que bom ver minha família e amigos reunidos! — Falei um pouco debochada. — Como a minha mãe já lhes informou na sala e acabou de ressaltar o motivo pelo qual ela convidou vocês para esse importante jantar, então todos já estão ansiosos para receber minha notícia, certo? Bem, eu não vou ficar enrolando, odeio enrolações e o que eu tenho para contar é algo que com certeza vai desencadear emoções! — Sorri sem esconder certo deboche, descaramento e Pam me olhou apreensiva. — Estou tão emocionada! — Suspirei e fingi limpar lágrimas que não existiam arrancando risadas do meu tio e do meu primo. — E minha notícia é especialmente para alguém... — Pausei olhando para Chaz e com pequenos gestos mudos eu pedi a taça de Vinho que estava perto dele, o próprio Chaz abriu uma garrafa e se serviu. — Parabéns, Freddie, você vai ser papai! — Com uma mão estendi a taça apontando para ele e acariciei meu ventre com a outra.
Falei com uma naturalidade quase surreal, fazendo questão de deixar claro. Mas eu não tinha certeza que ele era o pai, mas no fundo queria que fosse, e algo me dizia que eu não deveria ter dúvidas sobre aquilo.
Silêncio se fez presente, parecia que o mundo havia congelado. E depois de quase um minuto naquele silêncio desvastador, minha irmã decidiu quebrá-lo.
— O QUÊ? — Melanie gritou chocada, levantando-se.
— Isso mesmo querida irmãzinha, você vai ser titia e o seu amado marido é o pai! — Revelei, sorrindo satisfeita sabendo que o mundinho cor de rosa dela iria desabar.
— Como foi capaz de faz isso comigo, Sam? — Tentou avançar, mas o Ryan a deteve, segurando-a.
E uma confusão se iniciou naquele exato momento.
Meu pai ficou petrificado no mesmo lugar e Pam correu para socorrê-lo, imaginando que ele infartaria a qualquer momento. E a velha Benson ficou histérica, muito revoltada e começou a brigar com o filho, me ofender e defender a adorável nora. E o Freddie ficou tão chocado que nem sequer reagia, estava cada vez mais pálido. Enquanto Melanie se acabava de tanto chorar, meu tio Carmine e meu primo Chaz atacavam a comida assistindo tudo de camarote. Minha avó e o Austin soltavam altas gargalhadas, ambos se divertiam com a situação. E o Ryan ainda continuou segurando a Mel, ele me olhava com raiva e algo a mais que fui incapaz de decifrar.
— MEU MARIDO E MINHA PRÓPRIA IRMÃ? COMO? POR QUÊ? COMO PUDERAM FAZER ISSO COMIGO? — Mel gritou desabando, caindo de joelhos, em prantos, se fazendo de coitadinha.
Não me comovi ou me arrependi...
— Eu apenas quis me vingar e lhe dá o troco! — Lhe lancei o meu melhor sorriso diabólico. — Está doendo, né? Eu nunca esqueci o que você e o Austin fizeram comigo. Aquilo acabou comigo, sabia? POR CULPA DE VOCÊS! DA TRAIÇÃO DE AMBOS EU ACABEI PERDENDO O MEU FILHO! — Gritei revelando e deixando alguns ali chocados, principalmente o Benson, a raiva havia me possuído e eu prossegui. — Ela só tem essa cara de sonsa e agora parece ser a única vítima de uma grande e arquitetada maldade, mas a Melanie nem sempre foi a santa ou a puritana da família. Essa desgraçada me traiu, eu a flaguei com o aquele maldito ali, na época que eu namorava com ele! — Apontei para o Austin que enguliu em seco. — E eu estava grávida... — Comecei a fitá-los com ódio. — PERDI MEU BEBÊ POR CULPA DE DELES! — Esbravejei.
— Foi... Um... Acidente! — Mel soluçava de joelhos no chão.
— A culpa não foi nossa se você saiu correndo feito louca e foi atropelada por um carro! — Austin se pronunciou. Que canalha.
— Mas eu já havia me arrependido, foi um grande erro e eu pedi perdão... — Ela se levantou e com passos lentos veio até a mim.
Já havia descido da cadeira quando acabei sendo surpreendida.
— SUA VADIA! — Melanie me deu um tapa tão forte que me fez cambalear e meu rosto virar com violência, olhei para ela indignada sentindo o local atingido pelo tapa arder. — Quantas vezes transou com o meu marido, sua cretina? — Perguntou amargurada me olhando com ódio e com nojo.
— Diversas vezes, maninha. Ele é ótimo na cama, grande e delicioso. — Sorri provocativa.
— VAGABUNDA, DESGRAÇADA! — Esbravejou me acertando outro tapa no mesmo local, doeu mais que o outro.
— Nem doeu! — Sorri lambendo o cantinho do lábio inferior que ardia, senti o gosto de sangue.
— Sua puta... — Melanie ia me agredir novamente, mas dessa vez foi detida por Freddie.
— ME SOLTA FREDDWARD EU VOU ACABAR COM ESSA MALDITA DA SUA AMANTE! — Ela gritava se debatendo nos braços dele, estava enlouquecida, os cabelos bagunçados e a maquiagem toda borrada pela quantidade de lágrimas que ainda derramava, pareciam infinitas. — VOCÊS SE MERECEM! — Começou a se espernear, tentando se soltar. — MALDITOS TRAIDORES! — Finalmente se soltou e se virou para ele. — Eu te amei tanto, Freddie... Sempre fui fiel e olha o que você fez... ME TRAIU COM A MINHA PRÓPRIA IRMÃ! — Avançou nele, começando a socar o peito dele que continuava calado e visívelmente abalado...
A doce Melanie havia se transformado, estava irada, inteiramente fora de si...
— POR ACASO ELA TE DEU O QUE EU NUNCA TE DEI? — A tonta continuou escandalizando.
— Sim, Mel. Eu dei, eu gostei de dar, ele amou e eu não me arrependo. Faria tudo de novo! — Provoquei deixando ela ainda mais furiosa.
— ESSA MINHA NETA É FOGO! — Vovó gritou e riu, provavelmente alterada por culpa do Vinho que ela tomava nos assistindo.
— Que horror! Meu Deus! — A senhora Benson choramingava, lamentando e se apoiando na cadeira.
— ESTOU COM TANTO NOJO DE VOCÊS! — Melanie olhou para mim e para o marido.
— Por favor, Melanie, eu posso explicar...
— CRETINO! TRAIDOR! — Ela calou o Benson lhe acertando um forte tapa bastante estalado. — Acabou! Pode ficar com a sua amante e trate de assumir seu filho!!! — Rapidamente retirou a aliança e jogou na cara dele. — Você conseguiu o que queria, satisfeita? — Seus olhos azuis me fitaram, transmitiam muita mágoa e raiva.
Não respondi. Então, a Melanie começou a caminhar para longe com passos apressados, soluçando.
— ME ESPERA, MELANIE! — Ryan gritou indo atrás dela. Eu sabia que ele havia ficado magoado, eu também havia o machucado sem intenção.
— Por favor, John,fale comigo, querido! — Pam começou a se desesperar pois meu pai não reagia, estava completamente chocado e aparentemente paralisado.
Suspirei começando a me sentir mal vendo meu pai daquele jeito.
— Já vou nessa. — O idiota do Austin se levantou sorrindo, ohando para mim e para o Benson. — Ah, eu já ia esquecendo... Parabéns para os dois, que o bebê venha com muita saúde. — Levantou uma taça de Vinho e tomou um gole. Sorriu cínico e foi embora...
— Meu único filho... Por quê, Deus?... Senhor, que decepção... Que decepção! — A mãe do Freddie chorava com desgosto copiosamente.
— Foi muito emocionante, priminha... — Meu primo fingiu limpar uma lágrima. — Muito lindo mesmo. — Sorriu sacana,v voltando a encher o prato. — A comida está deliciosa, tia Pam! — Chaz riu antes de voltar a comer.
— Ei, rapaz!!! — Tio Carmine chamou o Benson. — Depois você e eu teremos uma boa conversa! — Apontou uma faca falando num tom rude, seu olhar era intimidador.
O Freddie não falou nada, apenas desviou o olhar e o focou em mim, me aproximei parando em sua frente.
— Eu realmente estou grávida e o filho é seu. — Falei olhando nos seus olhos castanhos.
Bom, eu não tinha a absoluta certeza, mas algo me dizia e eu sentia que era ele, só podia ser dele...
— Quêm me garante que esse bebê é realmente meu? — Perguntou rude, me olhando com frieza.
— Eu...
— Você apenas me usou para poder realizar sua doce vingança. Espero que esteja satisfeita,bSamantha! Acabou com o meu casamento, destruiu a sua própria irmã. Decepcionou seus pais, acabou magoando o Ryan e não adianta se fazer de vítima porque você não passa de uma vadia vingativa! — Cuspiu as palavras com raiva, me olhando enojado.
E em seguida, me deu as costas indo embora seguido pela mãe dele. De repente, me deu um aperto no peito, suas palavras duras conseguiram me atingir.
— Samantha... — Ouvi a voz do meu pai soar pela sala de jantar, se pronunciando pela primeira vez. — Você só tem uma hora para arrumar suas malas e ir embora. Não quero nenhuma vagabunda grávida na minha casa! — Seu tom raivoso me assustou e eu dei alguns passos para trás sentindo as primeiras lágrimas rolarem.
— Cada vingança ou escolha errada tem suas consequências, filha. — Pam me lançou um olhar que dizia: "Você deveria ter me obedecido..."
E eu senti todo o peso da minha consequência caindo sobre mim.
Fale com o autor