Doce Pecado
32 Em busca de consolo...
Notas iniciais
P.O.V Da Sam
Fechei meu porta-malas e suspirei aliviada, quase todas as minhas coisas pessoais estavam ali, mas eu não queria deixar nada para trás. Meu pai havia me dado apenas 1 hora para eu aprontar minhas malas, e lógico que aproveitei cada segundo, enchendo minhas cinco malas e duas caixas grandes de papelões com os meus pertences. Não me despedi, sequer lancei meu último olhar para aquele casa, fui expulsa de casa por meu próprio pai e Pam ficou do lado dele é claro, aquilo tudo era uma grande injustiça.
Quando foi a Melanie que aprontou comigo não houve nenhuma punição. A patricinha mimada saiu ilesa, os pedidos de desculpas vindo dela não foram o suficiente para mim. E eu sequer cogitei a ideia de perdoá-la,njurei que aquilo não ficaria assim, iria ter troco e ela se arrependeria amargamente.
Jurei me vingar e foi o que fiz, e sinceramente apesar de ter tido consequências valeu à apena. Vê-la se desmanchando em lágrimas, apreciar sua dor em saber que levou um belo par de chifres foi muito satisfatório, amei humilhá-la na frente de todos, fiz bem em dizer que o pai do meu bebê era o seu marido infiel.
E tenho quase certeza que ela vai pedir o divórcio ou será que ela vai perdoá-lo quando a raiva passar? Ah, não. Isso não pode acontecer...
Assim que entrei no meu carro e travei as portas, desabei ali mesmo no banco. Soquei o volante descontando uma pequena parte de minha raiva, lágrimas banhavam meu rosto e meu corpo tremia por conta dos soluços.
Se eu havia me arrependido? Não, nem pensar. Melanie teve o que merecia, faria tudo de novo se fosse preciso.
Ryan ficou muito magoado, eu não pretendia atingí-lo, mas aconteceu. E foi horrível vê-lo indo embora, correndo atrás da "coitadinha", mas o que eu esperava, afinal? Que ele ficasse do meu lado? Que ficasse me consolando e apoiando? Que não me desse as costas? Talvez, isso mesmo. Mas quebrei a cara lindamente, Ryan me deu as costas e com razão, certamente. Eu de fato merecia aquilo, não?
E o que mais doeu foi ouvir as palavras duras e frias do Benson. Aquilo acabou me machucando e muito, não vou negar. Mas é claro que ele reagiria daquele jeito, eu deveria ter previsto aquilo, afinal, havia me aproveitado dele, o usei para poder dar o troco na minha "querida" irmã. Mas no fundo, gostaria que ele me entendesse, mesmo sendo um absurdo querer que ele ficasse do meu lado ou ficasse comigo no final das contas. Isto seria querer muito?
E sinceramente, pensei que ele gostasse de mim, fui boba achando que ele iria me querer depois daquele showzinho que dei. Só me iludindo mesmo, né? Claro, acabei com o casamento do cara e ainda queria que ele ficasse feliz com a notícia e corresse para os meus braços? Não, doce ilusão. Só ganhei seu desprezo, palavras frias, talvez seu ódio...
E agora? Para onde vou? Como vou me virar sozinha e ainda por cima grávida? Oh, droga! Vou ser mãe solteira e quando o meu filho/filha nascer, crescer e perguntar por seu pai? O que direi à ele/ela? E como vai ser minha vida daqui pra frente? Porra! Só não contava com isso tudo,bque iria me ferrar legal. Parabéns, Samantha, você não só acabou com a vida da sua irmã,nmas acabou detonando com a sua também. Que merda.
E agora? Aonde vou morar? Talvez, uma certa pessoa possa me ajudar. Sim, ela não seria capaz de me dar as costas ou seria? Oh, droga.
[...]
— Oh, meu Deus! — A morena arregalou os olhos assim que abriu a porta. — Você está horrível. O que aconteceu? — Perguntou preocupada.
— Eu... Eu... Fui expulsa de casa, Carly. — Falei quase fraquejando. — Preciso de um lugar para ficar. — Entrei em seu apartamento com passos lentos. — Só você pode me ajudar, eu...
— Calma. Você está muito nervosa, venha, sente-se. — Falou me conduzindo até o sofá.
— Minhas coisas estão lá no porta-malas. — Falei baixinho sentindo minha cabeça latejar.
— Depois pegamos, ok? Quer um copo d'água? Um chá? Um chocolate quente? — Sentou ao meu lado, atenciosa.
— Agora todo mundo sabe... Eu revelei sobre o meu caso com o Benson... E eles também sabem que estou grávida... Até minha avó sabe, Carly. O Freddie me chamou de vadia vingativa. — Comecei a chorar descontroladamente, aquilo só podia ser os malditos hormônios da gravidez me afetando.
A morena soltou uma pequena gargalhada, mas depois se calou e me olhou prendendo o riso.
— Perdão, Sam... Deixa eu ver se entendi. Você revelou para sua família que andava tendo um caso com o Freddie? Meu Deus! Que coragem, hein? garota? Também revelou para todos sobre sua gravidez? Como todos reagiram? E a Melanie? — Me olhou incrédula.
— Ryan e Austin também estavam naquele jantar. Foi um choque e uma grande decepção para o meu pai e ele acabou me expulsando de casa. A Melanie saiu como a coitadinha, a vítima da história. E eu como a vilã, a vadia vingativa. — Gruni de raiva. — Sua queridinha Mel fez um escândalo, caiu em prantos, me xingou e até me agrediu, credita? E o Ryan ficou muito magoado comigo... E pior de tudo foi a reação do Benson... — Contei entre soluços.
— Você esperava o quê,nhein? Que sua vingança terminasse em mil maravilhas? Eu te avisei, você não me deu ouvidos. Conseguiu se vingar da sua irmã, satisfeita? Mas olha no que deu... Pobre, Ryan... E o seu moreno também saiu machucado nessa história. Mas pode contar comigo, ok? Pode ficar o tempo que quiser. — Deu tapinhas nas minhas costas.
— Não está triste por sua amada? Eu consegui atingir meu objetivo, ela ainda deve estar em prantos. — Comentei.
— Será que ela vai pedir o divórcio? — Me olhou esperançosa.
— Claro que vai. Até jogou a aliança na cara do Freddie. — Dei uma risadinha lembrando da cena.
— Será, nesmo? Espero que sim. — Suspirou. — Então, quantas malas você trouxe? — Indagou levantando do sofá.
— Cinco e duas caixas com alguns pertences. Pode pegá-las pra mim? — Fiz biquinho.
— Claro, folgada. Pode ficar com o quarto de hóspedes, sua maquiagem está toda borrada, sabia? Tome um banho, tente relaxar, se estiver com fome eu preparo algo pra você.
— Okay. E obrigada, Shay. — Agradeci com sinceridade.
— Amigos são pra isso, certo? — Sorriu me olhando com carinho.
— Sim. — Concordei. — Você é a única amiga que tenho, sério... Eu tenho o Ryan como amigo, ou tinha, acho... Mas realmente nunca tive outras amizades, sabe? E eu já te considero como uma grande amiga. — Confessei toda emotiva.
— Own, Sam. Também te considero como uma amiga. — Sorriu emocionada.
[...]
P.O.V Da Carly
Após preparar um forte e delicioso chocolate quente, retornei para a sala com duas canecas cheias. Sam estava de pijama, deitada no sofá assistindo, já havia tomado banho e estava relaxada. Recusou uma xícara de chá, mas aceitou de bom grado uma caneca de chocolate.
— Tem Cookies, torradas ou bolachas? — Sentou-se, pondo uma almofada no colo.
— Vou pegar alguns Cookies para você, só um minuto. — Lhe entreguei uma das canecas e coloquei a outra na mesinha de centro. — Cuidado para não queimar a boca. — Alertei.
— Tá bom, mamãe. — Sorriu brincalhona.
— Hum... Gosta de American Horror Story, e? — Fitei a TV e me virei para ela.
— Você não? — Me olhou descrente.
— Ah, não muito, prefiro GG... — Dei de ombros, sempre achei aquela série imoral e arrepiante.
A campainha tocou e nos entreolhamos por alguns segundos enquanto alguém tocava a campainha insistentemente.
— Não vai atender a porta? — Perguntou antes de começar soprar seu chocolate para esfriá-lo.
— Sim. Vou sim. — Olhei para a porta e me apressei para abrí-la.
E o meu coração disparou assim que abri, me deparando com uma certa loira muito abatida. Rosto vermelho e cabelos bagunçados, com o vestido amassado. Ela segurava os sapatos de saltos, e seu olhar estava carregado de tristeza e dor.
— Melanie... — Sussurrei sentindo meu coração apertar.
Doeu em mim vê-la naquele estado. Seus olhos avermelhados, lágrimas secas marcando seu rosto angelical, escuras por conta do lápis de olho que havia borrado, escorrido junto com suas lágrimas. Melanie estava ainda mais deplorável, mas não estava chorando...
— Carly... — Sua voz soou baixa e rouca. — Preciso de você. Dos seus braços, de seu consolo... — Adentrou meu apartamento, empurrando-me com delicadeza para poder passar pela porta.
E assim que avistou a Sam sentada no sofá, acomodada debaixo de uma coberta, com uma caneca de chocolate, vendo TV. Seus olhos azuis arregalaram-se e seus lábios tremularam, e Melanie voltou a me olhar, balançando a cabeça descrente, seus olhos encheram de lágrimas.
— O que essa desgraçada está fazendo aqui? — Seu tom carregado de raiva me fez estremecer.
Melanie me olhava incrédula, esperando minha resposta, engoli em seco, sabendo que ela iria surtar...
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