Doce Pecado
47 Nascimento
Notas iniciais
P.O.V Da Sam
Estava indo tudo tão bem, minha placenta já tinha começado a voltar ao lugar. Eu tinha até chances de ter um parto normal, então de repente, as coisas complicaram de um dia para o outro... Acordei com dores e também com um pequeno sangramento, passei por exames e a notícia veio como um baque.
Eu teria que passar por uma cesariana de emergência.
Meu bebê e eu corríamos riscos, Melanie começou a se apavorar, o que só me deixou ainda mais nervosa e com medo de algo acontecer no Centro Cirúrgico.
Me colocaram na maca, me levaram com urgência. Quando me vi ali no meio de uma equipe médica, sem ninguém para me acompanhar, comecei a chorar pedindo para deixarem alguém da minha família entrar, mamãe ou Melanie poderiam ficar comigo, eu só estava muito assustada e me sentindo sozinha.
Foi quando a médica disse que o pai do bebê poderia me acompanhar.
Começaram a me explicar sobre o procedimento que fariam, seria algo rápido e indolor. Eles não iam arriscar muito esperando eu melhorar mais um pouco, já tinham conseguido estancar o sangramento me dando uma injeção.
O que poderia ser temporário. Eles não falavam muito, acho que estavam evitando me deixar mais aflita.
O Benson chegou no momento que eu estava sendo preparada para receber a anestesia Raquidiana. Eu não poderia me mexer, fiquei imóvel enquanto aplicavam na minha coluna vertebral.
Vi emoção e medo no seu olhar. Ele sorriu para mim, tentando me reconfortar.
Eu só precisava relaxar, não iria doer. Seria rápido. Logo eu teria o meu bebê nos braços.
O nosso bebê... Por algum motivo, o Benson estava ali e não o Collins. Aquilo já bastava.
[...]
P.O.V Do Freddie
— Estou aqui, Sam, não vou sair do seu lado. Vai dar tudo certo. O Ryan não estava em condições de entrar, mas eu vim correndo assim que fiquei sabendo... — Minha voz saiu bem rouca e abafada pela máscara.
Eu também usava uma touca semelhante à dela. Estava devidamente preparado para estar ali acompanhando de perto.
Lágrimas escorriam por seu rosto pálido. Sua mão tremia segurando a minha. Sam estava com medo. Eu também.
Não dava para ver a equipe médica trabalhando no parto devido a cortina azul erguida servindo de barreira.
Sam não dizia nada, apenas olhava para cima, eu sabia que ela estava triste por não poder ter o parto normal.
A médica estava sendo auxiliada por duas enfermeiras. Também havia um médico de plantão, assistindo o parto, ele anotava algo na prancheta e monitorava os batimentos da Sam.
Foi tudo tão rápido, pelo menos no meu ponto de vista. Acho que o procedimento todo não demorou tanto, ou talvez sim, só sei que eu estava tão nervoso e preocupado.
Segurando a mão da Sam, eu não conseguia parar de olhar para seu lindo rosto abatido.
— Parabéns, mamãe e papai. É um menino! — Informou a doutora da loira.
O sexo foi mantido em segredo até aquele momento.
Eu até havia esquecido o nome da mulher. O choro forte e agudo rompeu pela sala de cirurgia.
A doutora entregou o bebê para uma das enfermeiras. Iriam cortar o cordão umbilical.
Olhei para Sam que sorria e chorava ao mesmo tempo. Era um choro de felicidade e puro alívio.
— Ocorreu tudo bem, linda. O pior já passou. — Beijei sua testa orgulhoso dela, e também muito emocionado.
— Você vai ficar bem, Samantha. Está fora de perigo. Vamos dar os pontos agora. — Sua médica a tranquilizou.
— Eu quero vê-lo. — Sam pediu.
— Calma, ele precisa ser pesado e medido. Você o verá quando ele estiver limpo. — Informou uma das enfermeiras.
Eu tinha a permissão de bater fotos. Não perdi tempo. Fui tirar as primeiras fotos do nosso filho para registrar aqueles momentos que ficariam marcados.
Não me contive, logo selecionei as fotos e enviei para a minha mãe que estava em Detroit.
[...]
P.O.V Da Sam
— Eu sabia que era um menino. — Sorri quando finalmente pude segurar meu filho, ele estava mamando.
Apesar de ser um pouco doloroso, era tão bom poder estar fazendo aquilo.
— É o nosso garotão. — Freddie estava todo bobo. — Mediu 53cm e pesou 3.374kg. — Ele é grande, não acha? Todas as enfermeiras estão encantadas com ele. — Sorriu olhando para o bebê nos meus braços.
Toquei uma das bochechas fofas, bem redondas. A pele era rosadinha, o nariz lembrava o meu. A boquinha com lábios finos. Os cabelos escuros. Lisos e ralos.
Meu filho era um bebê muito lindo.
Por mais que os olhos fossem pequenos e lembravam o formato dos olhos do Benson, não poderíamos ter certeza se ele era o pai.
O pequeno em meu colo bocejou após largar meu peito. Os olhos que mal se abriam por completo se fecharam. Ele se mexeu, entortando a boca e as duas fendinhas se abriram para nós.
Uma careta. Mais um bocejo. Olhos abertos pela primeira vez, revelando a cor...
Cinza-escuro era o tom.
— Michelle? — Chamei a enfermeira que tinha acabado de trocar meu soro.
Era ela que cuidava de mim desde que cheguei ali.
— Oi, Sam. Tudo bem? — Sorriu simpática.
— Tudo sim. Só uma perguntinha, os olhos dele vão ficar dessa cor mesmo? É normal serem dessa cor? — Estranhei aqueles olhinhos opacos.
O Benson já me olhava preocupado.
— Oh, sim... Ainda têm uma membrana. Quase todos os recém-nascidos nascem com essa tonalidade, com o tempo vai clareando ou escurecendo. Já vi bebês que nasceram de olhos azuis e depois os olhos ficaram verdes. Não se preocupem, essa cor não é definitiva. — Nos tranquilizou.
Agradeci a ela pela informação.
— O pessoal está lá fora. Sua família e seus amigos estão loucos para ver você e o bebê. Posso permitir a entrada deles ou vocês querem ficar mais um pouquinho à sós com o bebê? — Nos perguntou.
— Pode mandar todos entrarem, Michelle. — Concordei. — Oh, meu anjo, a mamãe está muito feliz. Te amo tanto. — O ajeitei no meu colo. — Vamos receber visitas. — Falei.
Estávamos bem, uma pena que eu teria que esperar mais um tempo para poder ir pra casa. No máximo três dias. E claro, superar a cicatrização dolorida.
[...]
P.O.V Do Ryan
— Esse menino é a minha cara, vocês não acham? — Virei o bebê para a Melanie e a Carly compararem comigo.
Eu estava tão feliz. Claro que perdi um momento tão importante. Tudo culpa do meu nervosismo. Eu meio que entrei em pânico.
— Ele ainda não se parece com ninguém, Ryan. É igual a todos os bebês que nós vimos no berçário. — Carly cortou o meu barato.
— Mas ele têm os meus olhos. Azuis iguais aos meus! Acho que a gente não vai precisar de...
— Você tá é cego! Não são azuis e sim cinzas, seu idiota! — Claro que o Benson iria ficar nervosinho.
— Gente, pelo amor de Deus! Vamos parar com isso? — Melanie se aproximou pegando o sobrinho.
Sam sorriu, ela ainda estava pálida, a loira estava cansada. Vi ela bocejando algumas vezes. Ela foi forte. Conseguiu passar por uma cesárea sem mais complições. A loira e o bebê estavam bem, graças a Deus.
— Não importa quem seja o pai, eu sei que vocês o amarão porque ele é meu filho. E eu amo vocês! — Ela disse sendo sincera.
Freddie e eu nos entreolhamos, mas não falamos nada.
Sam estava dividida, porém, ela ainda teria que escolher um de nós.
— Já escolheu o nome, Sam? — Sua mãe quebrou o silêncio.
Não era uma garotinha, eu sonhei tanto com uma princesinha igual à Sam... Fazer o quê? Eu estava feliz de qualquer forma.
A Puckett olhou para o Freddie que estava mais perto e depois olhou para mim, estava pensativa.
— Aceito sugestões, rapazes. — Sorriu para nós.
— Ryan Junior. Esse nome é perfeito! — Falei alegre.
— Menos Ryan, bem menos... — Benson cortou meu barato.
Todos ali riram, eu revirei os olhos.
— Bom, é melhor você escolher, Sammy. — Disse a ela.
— Pois é, nada mais justo. — Concordei.
— Estou em dúvida... Gosto de Alexander e Liam. — Falou olhando para o bebê. — Acho que vai ser Alexander mesmo. Assim podemos chamá-lo de Alex. — Sorriu.
O bebê já havia acabado de ganhar nome e apelido. Só faltava passar pelo exame de DNA. Quanto mais rápido descobrirmos, seria melhor.
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