Doce Pecado
27 Juntos e Misturados
Notas iniciais
Após alguns segundos, eu ainda estava em choque, completamente paralisada. Carly havia mesmo me falado que era bissexual e que estava apaixonada por mim?
Confesso, aquele beijou me deixou muito transtornada, estava com medo do que ele realmente poderia significar. E agora essa bomba, isso me deixou tão confusa.
— Não vai falar nada? – Carly perguntou com a cabeça baixa, ela parecia triste após minha reação.
— Eu... Eu não sei o que dizer! – Confessei, sentindo uma angustia percorrer meu corpo.
Carly é muito importante pra mim. Mas eu não sei dizer como, não sei o que sinto, a mesma sensação de pavor que tive quando ela me beijou pela primeira vez, tomou meu corpo novamente, não sei o que fazer.
— Eu não quero te pressionar, só quero que pense! – Ela deu um passo à frente, para se aproximar, e eu recuei, dando dois para trás..
— Carly, eu sou casada e...
— Não use essa desculpa. Pode tentar mentir pra mim, mas não pra si mesma! – Ela disse com um sorriso entristecido – Sei que está colocando seu casamento na frente de tudo, mas não faça isso. Pense com o coração, Mel. Não quero que diga que sim nesse momento. Mas... Eu posso ter uma esperança?
— Carly... Eu... – As palavras simplesmente não saiam da minha boca. Eu não sei o que estava acontecendo.
— Tudo bem, eu já entendi! – Ela balançou a cabeça, angustiada. Seus olhos estavam marejados, Carly me olhou nos olhos mais uma vez, e se virou para sair.
— Espera! – Disse num sussurro alto e ela se virou, seus olhos brilhavam – Não quero que se afaste de mim, é minha melhor amiga, sinto sua falta.
— Não vou deixar de ser sua amiga, mas não estava mais aguentando ficar perto de você, acho bom que fiquemos afastadas um pouco! – Carly disse e eu assenti, deixando ela sair.
Ela não entende. Eu não consegui responder porque estava com medo da minha resposta, não sei se tenho coragem de dize-lá em voz alta. Eu sou casada, Freddie e eu nos amamos. Mas Carly me provoca sensações que eu mesma não entendo. Mas apesar de tudo, concordo que temos que ficar afastadas uma da outra. Não tenho medo do que pode acontecer, mas tenho medo do que tenho que fazer.
P.O.V Sam
Algumas horas antes...
Alguns dias já haviam passado desde meu último encontro com Freddie e Ryan. E admito, estou sentindo falta deles, os dias vem sendo bem chatos desde a última vez que falei com eles. Na verdade, eu estava esperando eles virem atrás de mim, o que parece que não vai acontecer. Desgraçados, já me esqueceram.
O Benson deve estar ocupado com a Melanie, encenando seu casamento perfeitinho. Agora, o Ryan, sou obrigada a confessar, eu tinha certeza que ele viria atrás de mim. Mas para minha decepção, ele não me procurou mais, provavelmente arrumou algum rabo de saia e esqueceu que eu existo. E isso está me deixando louca de raiva.
— Qual o problema daqueles idiotas? – Disse pra mim mesma e levantei da cama, levando junto meu enorme balde de frango frito. – Um prefere ficar com a esposa e outro que a pouco tempo andava por aí babando por mim, sumiu. – Soltei o balde de frango na cômoda e me observei na frente do espelho – Com certeza, alguns quilinhos a mais, olheiras, toda descabelada e de moletom. Acho que sei porque eles sumiram! – Disse agoniada, minha aparência nos últimos dias estava horrível. Eu sou praticamente movida a sexo, e nos últimos dias fiquei sem meus brinquedinhos sexuais favoritos, o que me deixou mal-humorada e como consequência, me tranquei no quarto por três dias sem parar de comer.
Assim que tomei uma decisão, saí correndo para o banheiro para tomar um banho, lavar os cabelos e ficar cheirosa. Faria uma visitinha para Ryan está noite, ele deve estar morrendo de vontade de mim.
[...]
— Como assim ele não tá em casa? – Disse irritada, olhando para o porteiro idiota em minha frente. Fazia alguns minutos que eu havia chegado e o porteiro não me deixava entrar.
— Senhora, ele saiu faz algumas horas! – Respondeu.
— Onde ele foi? – Perguntei tentando controlar minha raiva.
— Eu não sei. Sr. Ryan saiu com uma moça morena, de carro e disse que ia levá-la para jantar! – Finalmente ele falou o que eu queria saber, esse porteiro estava me enrolando.
— Em que restaurante ele está? – Perguntei nervosa e irritada. Ryan é meu, não admito que qualquer uma tome a atenção dele.
— Eu não sei, Senhora! – Respondeu e eu bufei, virando as costas, não conseguiria tirar mais nada dele.
Mas também, tanto faz, conheço Ryan. Sei exatamente onde aquele falso Don Juan leva mulheres pra jantar quando quer comer elas. Entrei novamente no carro e segui para um restaurante próximo dali que era bastante frequentado por ele. Se o Ryan acha que vai me deixar comendo poeira para ficar com outra, ele está muito enganado.
Sem nem escutar o que a Hostess falava, entrei furiosa no restaurante. Olhei em volta, percebendo que estava bastante movimentado, rolei os olhos pelo salão e logo avistei o safado sentado de costas pra mim. Mas, surpreendentemente ele estava sozinho.
— Até que enfim achei você, seu safado! – Puxei a cadeira ao seu lado e sentei, dando um tapa em sua cabeça.
— Ai! Sam? – Virou-se surpreso, dando de cara com minha expressão nada feliz.
— Sim, eu! A garota que você comeu algumas vezes e depois esqueceu! – Falei e após alguns segundos ele riu. – Qual é a graça?
— Você! – Ele riu mais um pouco, enquanto eu o olhava fulminante – Não sabe o quanto fica linda, toda irritadinha! – Debochou e eu avancei sobre ele, lhe dando alguns tapas
— Isso é pra você aprender que não pode me deixar no vácuo pra sair com um vadia por aí! – Disse emburrada e soquei seu braço mais uma vez.
— Ai, Sam. Não me bate! – Ele se defendeu, tentando segurar meus braços – Por que você tá tão nervosa? Você que estava me ignorando! – Disse e eu percebi que ele falava do almoço com Freddie e o tanto que eu o evitei.
— Eu... É que... Eu... – Não consegui responder, e logo recebi uma risada de sua parte.
— Ciúmes? – Sorriu convencido e se aproximou de mim.
— Nem um pouco! – Me desvencilhei dele, envergonhada.
— Sei! – Disse sarcástico, sem tirar o sorriso convencido do rosto.
— Você tá aqui com quem? – Perguntei olhando em volta.
— Com uma amiga! – Respondeu dando ombros.
— E essa amiga não tem nome? – Disse enfatizando o ‘’amiga’’, com ironia.
— Sim, ela tem um nome, e muito bonito por sinal, assim como ela! – Disse se recostando na cadeira com um sorrisinho cínico nos lábios.
— Eu sei o que está fazendo, Ryan. Não vou cair nessa! – Falei percebendo seu jogo, ele estava tentando me provocar, me deixar com ciúmes.
— Não estou fazendo nada, você que está toda estressadinha! – Se defendeu ainda rindo.
— Chega! Eu vou embora, fica com a tua peguete. Já que esqueceu de mim, mesmo! – Falei e me levantei da mesa, pronta para ir pra casa praguejar Ryan por mais cinco mil anos.
— Ei... Espera aí, nervosinha! – Ele me alcançou, segurando meu braço e virando-me para ele. – Escuta o que eu vou te falar, e nunca esqueça disso. Eu nunca... Nunca vou te esquecer. Você é, e sempre vai ser a mulher mais importante que eu tive na vida, sempre, sempre e sempre. Eu vou estar aqui enquanto você precisar, por você e para você. Sempre vou estar por perto, Sammy!
Sua voz saiu num sussurro. Seus olhos, tão azuis quanto o céu, pareciam penetrar os meus, de uma forma inexplicável. Meu coração estava acelerado, sua boca atraia a minha como um ímã. Eu sentia uma segurança perto dele, que nunca senti ao lado de ninguém. Talvez, Ryan fosse o certo, eu insistia tanto em errar, mas pela primeira vez, eu queria fazer o carto. E Ryan era o certo. Quero beijá-lo, não como das outras vezes... Quero que exista um sentimento por Ryan.
— ATÉ QUE ENFIM ACHEI VOCÊ, VAGABUNDA! – Um grito me fez empurrar Ryan para o lado e me virar, assustada.
— Austin? – Saltei meus olhos, ao ver o moreno avançando em cima de mim, furioso.
— Ei calma aí, cara! Tá falando com ela assim, por quê? – Ryan interviu, se pondo em minha frente.
— Não se mete, meu assunto não é com você! – Ele tentou empurrar Ryan, mas o mesmo continuou o encarando firme, sem sair da minha frente. – Qual é o seu problema?
— O problema é que você está mexendo com a minha garota. Esse é o meu problema! – Ryan deu um passo à frente, tentando intimida-lo.
— Ah, então esse é o corno? – Austin perguntou debochado, enquanto olhava pra mim por cima do ombro do Ryan.
— Austin, para. Vai embora! – Disse firme, olhando em volta. O restaurante todo já havia parado o que estava fazendo para olhar Austin e Ryan.
— O QUE FOI? NÃO VAI CONTAR PRO SEU NAMORADINHO QUE TRANSOU COMIGO? – Austin praticamente berrou, fazendo os ‘’telespectadores’’ locais nem piscarem.
— Austin, chega de escândalo. Seu problema é comigo, deixa ele! – Disse para tentar acalmá-lo. Apesar que, agora o problema era outro. Ryan estava praticamente entrando em erupção ao meu lado.
Sem nem me dar tempo para raciocinar direito, Ryan avançou para cima de Austin, lhe dando um soco certeiro na bochecha de direita que o levou ao chão. Assim que Austin se preparou para levantar e revidar o soco, dois braços o seguraram.
— CALMA, CARA! – Senti minha respiração falhar ao escutar aquela voz, que segurava Austin enquanto o mesmo se debatia tentando se soltar. Freddie também estava ali? Onde eu fui me meter?
— AUSTIN! – Melanie gritou assustada e surpresa, assim que chegou ao meio do salão. Que droga, todos estavam aqui.
— MEL? – Austin retribuiu a surpresa.
— Mel? – Freddie repetiu para si mesmo, parecendo confuso e ao mesmo tempo, enciumado.
— Freddie! – Melanie disse intercalando o olhar entre Freddie e Austin, ainda assustada.
— FREDDIE? – Austin gritou olhando pra mim, furioso.
— AUSTIN! – Gritei lembrando-me o porquê de sua reação. Ele podia falar que eu gemi o nome de Freddie no meio da nossa transa, isso botaria tudo a perder.
— Ele é o Freddie? – Austin se virou para mim, me fazendo saltar os olhos. Esse idiota não ia calar a boca.
— Você me conhece? – Freddie perguntou confuso.
— Mais do que você imagina! – Disse entredentes, me olhando furioso. – ESSA VADIA FALOU MUITO DE VOCÊ! – Disse descontrolado, tentando avançar em mim. Mas novamente, Ryan estava na minha frente.
— NÃO FALA DELA ASSIM, PORRA! – Ryan disse. O resto de controle que ele parecia ter se esvaiu.
Em um piscar de olhos, Ryan deu alguns passos, e dando um soco certeiro no maxilar de Austin. Que logo se recuperou, retribuindo um soco na mesma potência. E assim passou alguns minutos, enquanto Ryan e Austin se engalfinhavam no chão, Freddie tentava tirar Ryan de cima de Austin, mas o mesmo permanecia socando-o. Não que Austin estivesse somente apanhando, mas agora, Ryan estava na vantagem.
— O que tá acontecendo? – Escutei uma voz atrás de mim, dando de cara com Carly. Fala sério, até ela estava aqui!
— Alguém precisa fazer alguma coisa! – Melanie disse em pânico. O restaurante estava cheio de gente que poderia ajudar, mas o imbecis estavam ali parados e assistindo de camarote o espetáculo. A não ser Freddie, ele estava tentando separá-los, mas a única coisa que conseguiu foi levar alguns empurrões.
— RYAN! Solta ele! – Mandei agarrando a gola de seu paletó, mas ele estava irredutível.
— Ele te ofendeu. Vou fazer esse infeliz se arrepender de ter nascido! – Disse voltando o olhar pra mim.
Nessa pequena distração Austin conseguiu se reestabelecer, voltando com tudo. Ryan caiu no chão após um soco, dando assim livre espaço para Austin se levantar e começar a chutar suas costelas.
Percebendo que ninguém ia fazer nada, avancei para cima de Austin, pulando em suas costas. Ele apenas se desequilibrou e tentou me tirar de suas costas. Após alguns segundos, Ryan conseguiu se levantar e avançou em Austin, só que dessa vez com o intuito de me ajudar. Assim que soltei Austin, ele se virou acertando um soco em mim, gemi de dor, caindo no chão. Droga, eu não devia ter me metido. Isso já tinha acontecido uma vez, e quem saiu com a cabeça rachada fui eu.
— TÁ MALUCO, CARA? – O Benson tomou as minhas dores, percebendo que o soco foi proposital e se lançou no meio da briga. Pela primeira vez tomando uma posição, e ajudando Ryan a socar Austin. Eles foram andando em meio a socos, até caírem os três em uma mesa de vidro. Um estrondo foi ouvido, os meninos nem se mexiam, só soltavam alguns gemidos por conta da queda.
— O QUE TÁ ACONTECENDO AQUI? QUE CONFUSÃO É ESSA? – Dois policiais vieram em nossa direção. Gemi de dor, me levantando do chão. Assim como Austin, Ryan e Freddie que se levantaram estalando as costas.
— Olhem o que fizeram com meu restaurante maravilhoso! – Um velho engomadinho apontou para nós. — LEVEM ESSES ARRUACEIROS PRESOS, AGORA!
[...]
E cá estamos nós, duas horas depois... Presos!
Até mesmo Melanie e Carly, que nem tinham se envolvido na briga foram presas. Por sorte, não fomos processados e o restaurante não deu queixa, não depois da generosa quantia que Austin ofereceu para o dono para não envolver seu nome em escândalos. Mas isso não nos livrou de passar uma noite na Delegacia, por desacato.
— Eu não acredito que estamos presos! – Austin bufava, andando de um lado para o outro – E tudo por causa da boca aberta, aí! – Apontou para mim, me acusando.
— Eu não tenho culpa se esse delegado é tarado! – Me defendi.
Quando estávamos sendo liberados o delegado passou a mão na minha bunda. Eu não podia deixar barato, então gritei com ele e o chamei de alguns nomes impróprios. Acabou que ele me acusou de desacato e prendeu todos nós.
— Vai ver você gosta de tanto passem a mão em você que já está alucinando! – Disse irritado, socando a grade da cela. Havíamos ficados em uma cela frente à frente, Melanie, Carly e eu em uma, e os meninos na da frente.
— EI, CARA! Baixa a bola, vai querer arrumar briga de novo? – Freddie segurou o ombro de Austin, e o idiota se desvencilhou dele, jogando-se no colchão velho e sujo que estava no chão.
— Aliás, porque vocês brigaram, mesmo? – Carly perguntou, observando o olhar fulminante de Ryan para cima de mim, que eu retribuía com louvor.
— Esse idiota que chegou gritando com a Sam! – Ryan acusou apontando para Austin.
— Olha, você nem sabe o que ela me fez então, na boa, não se mete! – Austin disse para Ryan, que fez menção de se levantar, mas foi impedido por Freddie.
— O que fez pra ele, afinal? – Carly perguntou. Ryan e Freddie também me olharam interrogativos.
— Foi uma brincadeirinha, o Austin que não tem o menor senso de humor! – Ri provocativa, e Austin me fulminou com o olhar.
— E você não tem o menor senso de nada. Tem noção de quanto tempo eu demorei pra me desamarrar? – O moreno levantou novamente, ainda irritado.
— Ai meu Deus! Amarrado? O que você fez pra ele? – Carly disse boquiaberta.
— Foi só um transa um pouquinho mais selvagem, ele que é exagerado! – Ri e logo senti Ryan virar a cabeça e me encarar.
— Você transou com ele? – Ryan disse acusativo — Depois veio me acusar de estar transando com a Carly! – Revidou Ryan bufando para mim.
— Você transou com a Carly? – Melanie, que até agora estava quieta, se pronunciou pela primeira vez.
— NÃO! – A morena gritou, envergonhada. – Só saímos para jantar!
— Você que saiu com ele? – Olhei para Carly, surpresa. Ela e Ryan...?
— Somos amigos, somente amigos. Saímos para jantar, ela precisava de conselhos, e eu também. Acabou! – Ryan respondeu e todos nos calamos, confusos com aquela conversa.
Na verdade, tudo estava estranho. Estamos aqui, juntos e misturados, num sexteto amoroso pra lá de confuso. Todos aqui já tivemos algum tipo de relação um com o outro e isso é muito estranho. Melanie e Carly se olhavam estranhamente, uma estava se sentindo desconfortável na presença da outra. Freddie soltava olhares curiosos para Carly e Melanie, ele estava percebendo a inquietação delas. Enquanto isso, ele cuidava para que seus companheiros de cela não matassem um ao outro, Austin e Ryan ainda se fulminavam. Agora, eu... Minha cabeça estava muito confusa. As palavras de Ryan não saiam da minha cabeça. Aquilo foi uma declaração, não foi? Ryan está mesmo apaixonado pra mim? Isso é tão confuso.
Algumas horas depois, Carly e Melanie estavam dormindo na beliche, enquanto o colchão no chão sobrou pra mim. Mas também, não importava, não estava conseguindo dormir. Não só porque estava num colchão velho, sujo e duro, mas também, porque os idiotas ao lado não calavam a boca.
[...]
— Cara, vocês são todos malucos. Deixa eu ver se entendi... Você é casado com a Melanie, certo? – Perguntou para Freddie e ele assentiu – Mas também transa com a Sam debaixo do nariz dela? – Perguntou com um sorriso sacana e riu – E ele é o agregado que se acha namorado, mas só come a Sam de vez em quando? – Apontou para Ryan que jogou um travesseiro na sua cara como revide.
— Mais ou menos! – Freddie Respondeu com uma careta.
— Eu não vou te culpar, cara as duas são gostosas pra caralho. Mas tenho que admitir, a bunda da Sam está bem melhor que a da Melanie...
— Dá pra vocês pararem de falar de mim como se eu não estivesse aqui? – O interrompi irritada.
Como se já não fosse suficientemente ruim a ‘’hospedagem’’, Freddie e Austin pareciam que haviam se tornado melhores amigos. Realmente, eles tem muitas coisas em comum, são dois babacas traidores. Eles estão conversando à horas, e eu não estou conseguindo dormir, na verdade, agora eu não quero. Austin pode falar coisas... Coisas que eu não quero que o Freddie saiba.
— Não, Sammy. Não podemos! – Austin respondeu debochado, ele estava tentando me irritar. – Amamos falar sobre a sua bunda!
— Não me chama de Sammy! — Disse entredentes, odiava esse maldito apelido. Bom, ao não ser quando o Ryan fala, aí fica bonitinho.
Depois disso, mais algumas horas se passaram. Freddie e Austin finalmente tinham calado a boca, dormiram. Por sorte, Freddie não perguntou de onde Austin conhecia eu ou Melanie. E Austin, não falou nada sobre ser meu ex-namorado. Tudo okay.
Eu tentei dormir durante a noite toda, mas meus olhos pareciam secos. Ryan e sua estranha conversa estavam me atormentando. Ainda as indagações sobre os sentimentos de Ryan por mim me cercavam. E também, Austin, Melanie, eu estava muito perturbada. E agora ainda tinha Carly, que acordou a pouco tempo e decidiu se dedicar a babar pela minha irmã.
— É, vou ter chamar alguém pra me colocar em outra cela! – Disse me levantando do pequeno colchão.
— Por quê? – Carly perguntou.
— Porque estou sobrando. Eu poderia estar na cela ao lado, apreciando meus machos. Mas não, tenho que ficar aqui e ver você babando pela Melanie! – Falei e ela desviou o olhar que ainda estava colado na minha irmã que dormia na beliche.
— Desculpe! – Carly deu uma risada sem graça e envergonhada.
— Tudo bem! – Disse e voltei a sentar ao seu lado no colchão que estava no chão – E então, você gosta mesmo dela?
— Gosto! Gosto muito mais do que eu deveria. Eu não sei, nunca senti por ninguém o que sinto por ela! – Carly respondeu com um sorriso triste no rosto.
— Está completamente apaixonada por ela, né? – Foi uma pergunta, mas eu sabia a resposta. Carly olhava para minha irmã de um modo único e especial.
— Sim. E você? Está completamente apaixonada por ele? – Carly sussurrou apontando para Freddie, que se remexia no colchão velho, ele parecia inquieto.
— NÃO! – Gritei, num impulso, assim que ela terminou a frase. Os meninos do outro lado do corredor nem ouviram, e Melanie apenas se revirou na cama, mas continuou dormindo. – Claro que não! – Disse num tom mais ameno.
— Okay. Vou fingir que acredito! – Carly riu debochando do meu ‘’não’’ – Mas pelo menos, você tem mais chances que eu. Melanie não dá a mínima pra mim! – Disse com a voz entristecida.
— Por incrível que pareça, gostei de você, é uma pessoa bacana. E mesmo que eu não esteja nem aí pra felicidade da Melanie. Vocês merecem ficar juntas! – As palavras simplesmente flutuaram da minha boca.
Oque eu estou falando?
Por um momento a palavra ‘’vingança’’ sumiu da minha cabeça. Mas não... Melanie tem que sofrer, assim como eu sofri.
— Eu tenho que começar a aceitar que ela ama o Freddie, e não à mim! – Disse cabisbaixa. – E o Freddie, apesar de tudo, parece amá-la!
— Sei lá. Nem o Freddie sabe o que ele quer. As vezes parece não parece estar nem aí pra esposa, outras ele é o homem mais apaixonado do mundo, eu não sei!
— Entendo, a Melanie age do mesmo jeito. Sabe, nós nos beijamos e por um momento, ela mostrou tocada com aquilo. Mas hoje, nos encontramos no banheiro, e ela foi totalmente fria. Eu me declarei e ela não expressou nenhuma reação, só colocou o casamento como proteção – Carly disse.
— Sinto muito! – Disse verdadeiramente. Carly é muito legal, não merece sofrer.
— Tudo bem, não se preocupa. E o Ryan? – Carly mudou de assunto rapidamente, colocando um sorriso no rosto.
— Quê que tem?
— Ryan gosta muito de você!
— Como você sabe? – Perguntei curiosa. Ainda acho muito estranho essa amizade de Carly e Ryan.
— Ryan me chamou hoje pra desabafar. Ele está completamente apaixonado por você. – Carly disse eufórica – Mas a questão é... Você daria uma chance pra ele?
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