Doce Pecado
15 Happy Birthday, Benson - Parte 1
Notas iniciais
- Que sorriso de orelha à orelha é esse? — Mamãe perguntou desconfiada, assim que coloquei os pés na sala.
—Não é nada! — Respondi, sem conter o sorriso. Já estava tudo planejado. — Eu vou sair, tenho que comprar um vestido, para hoje à noite — Informei e ela fechou a cara.
— Festa de aniversário do Freddie? — Perguntou e eu assenti — Toma cuidado, garota. Olha lá o que você vai aprontar — Me advertiu.
— Não estou aprontando nada. Eu juro — Sorri tentando convencê-la. E disfarçadamente levei minha mão às costas, cruzando os dedos.
— Eu não queria perguntar isso, mas eu preciso saber- Ela respirou fundo E prosseguiu — Vocês estão se encontrando sempre? Estão tendo um caso fixo? — Disse rapidamente e eu congelei.
— Não! — Sorri cínica — Foi só uma brincadeirinha. A gente esfriou, sabe? — Menti tentando convencê-la. Tenho que admitir, Pam sempre foi muito esperta, sempre foi difícil mentir para ela. Lembro quando ela me pegava nas mentiras sobre à escola e namoricos de adolescência.
— Me engana que eu gosto — Ela riu debochada — Você puxou à mim, Sam. Sempre teve talento para mentir,mas você nunca vai poder me pegar.Eu sei que tá acontecendo alguma coisa, mas prefiro fingir que acredito na sua mentira.
— Legal! Eu minto e você finge que acredita. Estamos combinadas — Disse tentando descontrair e ela me olhou séria.
— Bom, eu não me importo com suas aventuras, mas não quero que sua irmã saia machucada dessa história — Me repreendeu.
— Sempre defendendo a princesinha. -Resmunguei, revirando os olhos — Ninguém se importou comigo, quando foi a minha vez de sofrer.
— Espera aí, então é isso? — Exclamou supresa — Tudo isso não passa de uma vingançinha besta — Concluiu. — Eu realmente achei que você tivesse se interessado pelo Freddie, afinal ele é um rapaz bonito e você poderia sentir uma atração por ele. Mas não, desde que voltamos esse era o seu propósito, não é? — Indagou incrédula.
— Quer saber, eu poderia mentir mãe, mas é verdade — Confirmei.
— Você não pode estar falando sério — Ela veio pra cima de mim irritada.
— Sim, eu estou! — A enfrentei dando um passo a frente. — A sua querida filhinha merece sofrer, e o que ela mais ama na vida? O marido bobinho, que eu vou tirar dela.
— Eu não vou deixar você fazer isso- Disse indignada.
— Você não vai conseguir mudar nada. O Freddie já está na palma da minha mão — Gesticulei — Eu vou fazê-lo rastejar aos meus pés, abandonar à Melanie, vou vê-la sofrer, e então, vou chutar o Benson -Sorri maldosa.
— Por quê, Sam? — Suspirou, parecendo decepcionada e triste, e eu segurei uma lágrima teimosa que tentava cair.
— Porque vocês não se importam comigo. Eu sofri tanto, e tudo o que você e papai sabiam me dizer é que a culpa não era dela. Quando na verdade, sabemos que foi — Disse magoaga, limpando rapidamente a lágrima teimosa que escapou.
— Eu entendo você, filha. — Ela sorriu tristemente. — Mas a Melanie se arrependeu e ela não teve culpa do que aconteceu, foram consequências.
— Você nunca vai entender, não é? Por acaso você não se lembra o que aconteceu? Eu quase morri. Literalmente...E a Melanie... — Pausei dando um longo suspiro — Quer saber, deixa pra lá — Me virei, me preparando pra sair da sala.
— Espera, tem outra coisa que eu quero falar com você — Ela puxou meu braço.
— O que é? — Disse ríspida.
— Seu pai e eu vamos viajar hoje. Voltaremos semana que vem -Avisou e eu não contive um sorriso.
O universo estava conspirando ao meu favor.
— Tá bom. Vou indo, Ryan deve estar me esperando lá fora — Me virei.
— Só mais uma coisa — Bufei e me virei novamente esperando ela falar. — O seu "relacionamento" com Ryan está ficando sério, não é? — Ela fez áspas com os dedos.
— Não! — Neguei — O Ryan nunca vai passar de sexo pra mim. Ele é bonito, é divertido, mas não o vejo como uma pessoa que eu possa ter um relacionamento sério.
— Você não percebe mesmo? Não está enxergando um palmo à frente do nariz — Ela riu, balançando a cabeça.
— Por quê? — Perguntei confusa.
— Ryan está apaixonado por você — Disse eu ri.
— Claro que não! — Gargalhei, mesmo estando um pouco desconcertada. Ryan não gostava de mim, não é? — De onde tirou isso?
— Ele vem aqui todos os dias, fica nervoso na frente do seu pai, o jeito como ele te olha, o sorrisinho bobo. Concluindo: Ele está apaixonado! — Sorriu e parecia feliz. — E você não pode perder a chance de namorar um cara legal, que goste de você.
— Nada à ver. Isso é o que? Um teste pra ver se eu desisto do Freddie? -Disse ríspida.
— Isso não tem nada a ver com Freddie. Bom, na verdade até tem. Você sabe que eles não estão se falando, não é? — Perguntou e eu assenti. — E isso é culpa sua, esses dias eu toquei no nome do Freddie perto do Ryan, e a cara dele já fechou.
— Eles brigaram, é normal ele querer ignorar o Freddie.
— Não. Isso é porque ele sabe do que está rolando entre o Freddie e você, e não está gostando.
— Tá bom, chega dessa conversa você está errada. Ryan não gosta de mim e eu não gosto dele, nosso envolvimento sempre vai ser somente sexual — Falei.
— Tem certeza? — Ela sorriu debochada e fez um gesto pra mim olhar pra trás.
— Ah... Oi Ryan! — Disse desconcertada, ao ver que ele estava à trás de mim.
— Oi! — Ele acenou, dando um leve sorriso, porém um sorriso triste.
— Eu entou indo. Tchau mãe — Disse e saí rapidamente, arrastando Ryan pelo braço.
— O que você tem? — Perguntou, assim que chegamos lá fora.
— Nada. É que minha mãe estava me perturbando, eu quis sair logo — Entramos dentro do carro e ele continuou imóvel.
— O que foi? Eu sei que sou gostosa, mas não precisa ficar me secando assim. — Falei e ele riu.
— Não é isso. É que você tá diferente.
— Diferente...? — Perguntei e ele continuou me analisando.
— O seu visual. Cadê os saltos altíssimos e a maquiagem forte? O batom vermelho provocante e às roupas sensuais? — Perguntou olhando para mim com uma expressão esquisita.
— O que você quer dizer com isso? Que eu estou baranga? — Me exaltei — Homens são todos iguais mesmo. Para eles mulheres só ficam bonitas quando estão pelad...
— Ei... — Ele me interrompeu e segurou meu queixo — Eu não disse isso. Você está linda! — Ele sorriu repassando os olhos pelo meu corpo — É só interessante te ver de moletom, jeans e tênis.
— É acho que esse é meu "Eu adolescente" — Ri ao lembrar de quando odiava saltos e saias. Só que isso tudo foi antes dele.
— Eu adorei. Prefiro você assim, apesar da Sam de vestidos curtos me encantar — Ele disse tocando uma mecha do meu cabelo.
— As minhas coxas te encantam — Restruquei rindo e empurrei sua mão.
— Não. A sua essência me deixa encantado. Você é a garota mais divertida que já conheci — Ele disse olhando profundamente em meus olhos. — E também, um homem deve saber diferenciar pernas gostosas ao jeito de pensar.
— Eu sei! — Brinquei desviando o olhar.- E eu não acredito nisso. Homens só vêem um par de peitos e pernas em sua frente. Nenhum homem é capaz de amar verdadeiramente, são traidores.
— Claro que não. Um homem sabe amar — Discordou — Nem todos são assim.
— Como sabe? Já se apaixonou po alguém para falar isso? — Ele pareceu pensar alguns segundos.
— Não sei! — Respondeu rapidamente.
— Como assi...
— E você, ja se apaixonou alguma vez? — Ele me cortou.
— Já, uma vez. E foi o pior erro da minha vida — Disse e senti um aperto no peito ao lembrar.
— O que ele fez para você? — Perguntou. Ryan é curioso demais.
— Eu não quero falar sobre isso. Vamos logo... — Ele assentiu, calando-se e deu partida no carro.
Eu não podia me atrasar. Afinal, tinha um plano para executar e ele não podia falhar.
PDV Freddie
Já eram quase dez da noite. A maioria dos convidados já tinham chegado. Sim, a maioria, menos quem eu realmente queria ver.
— O quê foi, amor? — Perguntou Melanie — É a sua festa, está todo mundo lá fora, dançando, curtindo a piscina, e você tá aqui dentro de casa, tristinho — Ela sentou no meu colo, me dando um selinho.
— Nada não, linda — Fiz um carinho e sua bochecha.
— Eu te amo! — Ela disse olhando profundamente em meus olhos.
— Também te amo — Respondi e ela sorriu.
Aquele sorriso... Era o mesmo!
Eram idênticos, mas ainda diferentes. O sorriso doce que eu me apaixonei à primeira vista e o sorriso maquiavélico que vem me tirando a sanidade. E eu os amo da mesma forma.
Como isso é possível? As duas me deixam louco, de formas diferentes.Melanie me encanta com sua personalidade doce e calma, com sua simpatia e honestidade.
Mas Sam, me deixa fora do normal, quando estou com ela é como se não existisse nada à minha volta, o perigo de estar com ela me arrasta cada vez mais ao fundo do poço.
Sam e seu modo divertido, sedutor e perverso estão me fazendo sucumbir.
Ao veneno que ela é...
Ao pecado que eu estou cometendo...
Mas apesar de tudo, ao mais Doce Pecado que já cometi em minha vida...
— Tá tudo bem? — Melanie perguntou me tirando de meus devaneios.
— Está tudo ótimo, a festa está linda, fez um ótimo trabalho com a decoração. Eu só estou com um pouquinho de dor de cabeça — Menti, tentando disfarçar.
— Já tomou um remédio? — Perguntou e eu assenti. — Ah, lembrei! Eu estava te procurando pra perguntar se você viu a Sam.
— A Sam tá aqui? — Perguntei com entusiasmo demais na voz — Quer dizer, eu não sabia que ela vinha — Disfarcei.
— Bom, o Ryan disse que ela foi comprar um vestido à tarde para vir à festa, mas ela combinou de encontrá-lo aqui. Ele está louco atrás dela. Isso não é ótimo? Eu acho que eles estão quase namorando — Sorriu contente.
— Eu não acho que eles combinam muito — Disse incomodado, saber dessa proximidade de Sam e Ryan nessas últimas semanas estava me deixando possesso.
— Ah, para de ser chato, baby — Ela riu — Eles combinam sim, assim como nós.
— Até demais! — Realmente, Melanie eu éramos muito parecidos. E isso faz com que nosso relacionamento fique meio... chato?
— Olha lá, Sam chegou — Apontou para à loira que entrava pela porta, deslumbrante, como sempre. Vestia um vestido vermelho curto e decotado, ela gostava de aparecer, sabia que era gostosa, e gostava de mostrar seus atributos. Com certeza, ela é uma beleza exagerada. Aqueles peitos, aquela bunda... Por que Senhor?
Eu quero ser fiel, mas assim fica difícil.
— Ah, é! — Sorri tentando disfarçar e à beijei, vendo a loira que conversava com Ryan, me fuzilar com os olhos.
Depois de alguns segundos encerrei o beijo, olhando novamente para Sam, que nos encarava com um olhar matador.
— Posso te fazer uma pergunta? — Disse e eu assenti — Porque você e Ryan brigaram?
— Não brigamos! — Neguei rapidamente e ela continuou me olhando duvidosa — Como você sabe? — Me entreguei, percebendo que ela não iria desistir. Mas era estranho, Melanie não fazia noção, do que realmente aconteceu.
— É óbvio. Faz três semanas que ele não vem aqui em casa e agora à pouco eu perguntei se ele queria que eu chamasse você e ele negou com rispidez.
— Amor, é complicado. Brigamos por assuntos de trabalho, mas é uma briguinha à toa. Por uma coisa que não valhe a pena — Disse incomodado, assim que percebi Sam e Ryan quase se comendo perto da porta de entrada.
— Espero que se acertem. Não se pode perder uma amizade como à de vocês por tão pouca coisa — Ela sorriu confortante e seguimos para fora.
Eu não queria que essa palhaçada durasse mais tempo, e por palhaçada, não estou falando da festa e sim do Ryan e da Sam quase fazendo sexo em público.
— Eu vou procurar a Carly, já volto! — Ele foi se virar, e eu puxei seu braço.
— O que foi?
— Você não anda próxima demais dessa tal Carly? — Perguntei desconfiado com a presença da morena em todo lugar nas últimas semanas.
— Por quê? Ciúmes? — Perguntou divertida, rindo.
— Não. Claro que não — Acompanhei sua risada, era realmente ridículo pensar isso. — É só que vocês estão muito amigas. E você anda me deixando muito tempo sozinho, Sra. Benson — Brinquei apertando sua bochecha e ela riu — Quem sabe, eu possa até arranjar uma amante — Eu disse e ela caiu em uma garagalhada estrondosa.
— Ai amor, você é tão engraçado! — Ela riu mais e eu a acompanhei, num riso fingido. — Não gostei da brincadeira, mas foi engraçada. Eu vou procurar a Carly — Me deu um selinho e saiu.
— É... Foi só uma brincadeira — Sussurrei tentando me auto convencer — Ou não...
PDV Ryan
— Eu já volto! — Sam desgrudou seus lábios dos meus, com pressa.
— Onde você vai? — Perguntei, achando estranho sua reação, assim que pegou o celular.
— Fazer uma ligação. Já volto! — Sam me deu um selinho e saiu praticamente correndo.
[...]
Passam mais de trinta minutos e nada da Sam voltar. Eu já tinha bebido vários copos de bebida, já havia conversado com vários amigos. E nada.
— Ryan! — Escutei o grito da loirinha atrás de mim. — Você viu o Freddie? — Ah, não era a Sam. Era a Melanie.
— Não. Não vejo ele faz um tempo — Olhei em volta e aí me dei conta.
Sam sumiu e o Freddie sumiu. Eu não acredito que ela fez isso. Apertei o copo com força, o sentindo estorar em meus dedos.
— Oh, meu Deus! — Melanie gritou — Você se machucou? — Perguntou analisando minha mão, que estava ardendo.
— Estou... — Mal terminei de falar e a Carly entrou correndo no local.
— SOCORRO, AJUDEM O FREDDIE! — Carly gritou desesperada e Melanie correu até ela. E eu a segui.
— O que foi, Carly? O que aconteceu com o meu marido? — Melanie perguntou aflita.
—E-Eu vi-i! — A morena gaguejava de tão nervosa. — Dois homens doparam o Freddie e o colocaram dentro de um porta-malas — Disse tremendo.
—Você tem certeza disso? — Perguntou Melanie.
— S-sim! — Confirmou a morena.
— Freddie foi sequestrado — Concluiu a loira, em choque.
E eu sabia de quem pode ter organizado esse sequestro. Ela havia me dito que daria um presente especial à ele, nem que fosse preciso um sequestro e eu levei na brincadeira.
Que porra você fez, Sam?
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