Doce Mentira

4 E Se Você Pudesse Tocar o Arco-Íris?


Notas iniciais
Mais um capítulo nessa história maravilhosa! Talvez saia um amanhã...já que o desafio está quase acabando...eu tenho que me apressar...enfim. Boa leitura!!!

Peguei todos os objetos que necessitaria e coloquei em uma maleta. Respirei fundo, segurei a maleta e segui em direção ao meu carro, até uma voz chamar meu nome:

–Anderson!!

Não necessitava me virar, eu conhecia aquela voz há um bom tempo:

–O que você está fazendo com esse terno? -Perguntou Daniel. -Vai a alguma festa?

De certa forma eu não queria encara-lo e por isso continuei de costas:

–Você...já pensou em quão irreal a realidade pode ser?

–Que tipo de pergunta é essa? -Respondeu ele.

–Você nunca se viu com medo de estar distante daquilo que é real?

–Ei, Anderson, onde você quer chegar? -Perguntou ele meio confuso.

Eu me virei, olhei em seus olhos e respondi:

–Eu tenho medo! Eu tenho medo de que tudo que seja importante para mim agora não passe de uma fantasia! Eu tenho medo de estar vivendo apenas um sonho! Mas esse medo acaba hoje! Hoje eu sanarei todas as minha dúvidas!

–O que você vai fazer?

–Eu vou entrar dentro do cofre da mansão Brakmar, se eu estiver certo, minhas respostas estarão lá. -Respondi.

–Você não está meio paranoico com essa história toda?

–Talvez mas mesmo assim...eu preciso fazer isso...

Ele olhou em meus olhos e mudou sua expressão:

–Porque você está fazendo isso tudo? É realmente... pela dúvida?

Na parte mais profunda do meu ser não existia uma resposta para essa pergunta. O medo me atormentava? Sim. A dúvida me perseguia? Sim. Mas esse era o motivo para eu fazer tudo isso? Não. Era subconsciente. Eu sentia uma vontade incontrolável de rejeitar essa realidade. Eu buscava algo...mas eu não sei o que buscava:

–Sim...o medo está me atormentando... -Menti eu.

Ele pareceu se conformar com aquela resposta e apenas se manteve em silêncio. Eu não tinha tempo a perder e por isso decidi entrar em meu carro e seguir em frente. Pensei bastante sobre o resultado disso e seria capaz de aceita-lo mas no final não cheguei a nenhuma resposta. Meu carro parou em frente ao lugar e eu pude a ver a enorme fila para a entrada do funeral.

Eu dei a volta a fila e fui me aproximando discretamente do segurança que controlava a entrada das pessoas. Pude ver em sua mão uma lista de convidados. Atraí sua atenção e deixei meu corpo cair no chão. Ele olhou para mim caído e simplesmente ignorou:

–Maldito... -Sussurrei baixinho.

Comecei a tossir como se estivesse passando mal mas ele continuou ignorando. Mas comentários das pessoas na fila começaram a surgir:

–O segurança não vai ajuda-lo? Ele parece estar bem mal... -Disse um.

–Que segurança incompetente... -Disse outro.

Ele já incomodado com aqueles comentários se aproximou de mim e estendeu a mão:

–Ei...você está bem?

Eu segurei sua mão e rapidamente toquei seu peito e deixando um pequeno objeto grudado em sua camisa. Me levantei rapidamente sem ele que pudesse ver meu rosto claramente e apenas me afastei:

–Eu estou bem...foi apenas uma pequena dor intestinal...

Ele continuou me olhando enquanto eu me afastava:

–Que cara estranho...

Eu entrei rapidamente no meu carro e liguei a pequena câmera que eu havia colado em seu peito:

–Pronto...está recebendo as imagens da câmera, carro?

–Sim. -Respondeu a máquina. -Já tenho as imagens da lista de convidados.

–Me dê um nome qualquer masculino. -Ordenei eu.

–Ok, o senhor agora é Getúlio Guimarães. -Disse o automóvel. -O dono da multinacional MrDonalds.

–Obrigado...

Entrei na fila e esperei minha vez. Ao aproximar-me do segurança, apenas disse:

–Getúlio Guimarães.

Ele me olhou atentamente:

–Você parece o cara que estava deitado no chão antes...

Eu respondi imediatamente fingindo estar ofendido:

–Como ousa me comparar a um sem-teto que rastejava por ai? -Gritei.

Ele conferiu meu nome na lista e pediu desculpas:

–Me perdoe...foi um engano meu...

Eu apenas retruquei enquanto entrava no funeral:

–É bom mesmo...

Depois de passar pelo mais difícil que era entrar naquela casa, agora eu só precisava encontrar o filho do velho e roubar a chave. Isso foi bem fácil. Foi apenas encontrar o homem que era alvo de elogios constantemente, todos pareciam ama-lo...ou ao seu dinheiro. Me dirigi ao seu lado e lentamente comecei a participar das conversas.

Eu entendi um pouco de economia graças ao tempo que havia passado com meu pai. Depois de conversarmos um pouco, eu fiz um pedido:

–Sinto minha garganta seca, empregada traga algumas taças de vinhos!

A empregada atendeu ao meu pedido obedientemente e trouxe uma bandeja repleta de taças de vinho. Eu coloquei meu pé em seu caminho e a fiz tropeçar. Ela deixou algumas taças de vinho caírem em cima do senhor Brakmar. Ao aperceber-se de seu erro, ela implorou por desculpas. Eu fiz minha suave introdução:

–Que infortúnio, senhor... -Disse fingindo estar triste. -Mas essa festa não pode acabar por causa do erro de um empregado, vá troque de roupa, nós iremos esperava-lo aqui!

Eu tirei seu casaco que estava sujo:

–Vamos, tire isso rápido senão o resto de sua roupa acabará ficando suja também...

–Tudo bem... -Respondeu ele.

E ele fez como eu havia sugerido. Se dirigiu para seu quarto para trocar de roupas. Eu chequei seu casaco e achei o que queria...a chave dourado. Tudo tinha funcionado exatamente como eu imaginava. Agora havia começado a parte que eu não tinha planejado, achar a entrada para o porão. Fiquei alguns minutos observando o tráfico de pessoas achando que podia encontrar.

E depois de muito observar pude ver uma porta onde ninguém entrava ou saia. Deduzi que aquela era a entrada para o porão. Mas havia alguém cuidando sua entrada e eu não acho que conseguiria convencê-lo a me deixar entrar:

–Tive uma ideia...

Me aproximei da área de fumantes que era do lado de fora e pedi um cigarro e um isqueiro emprestado a um senhor. Ele gentilmente cooperou comigo sem fazer muitas perguntas. Eu peguei ambos os objetos e fui o mais longe possível da entrada do porão. Lá, discretamente acendi o cigarro e deixei que o alarme de incêndio se ativasse devido a fumaça do cigarro. Corri para a entrada do porão:

–Senhor...aquela parte da casa está pegando fogo...eu acho que o senhor deva ir ajuda-los! -Disse num tom desesperado.

O guarda se apavorou e correu em direção ao alarme sem pensar duas vezes. Eu tive certeza de que ninguém estava olhando e entrei no porão. Depois de explorar por alguns minutos eu vi um gigantesca porta:

–Aqui é entrada...

Coloquei a chave de ouro na fechadura e a rodei, ouvi os estalos de uma porta que já não era aberta a anos. Me envolvi num misto de medo, insegurança, coragem, excitação e tensão. Muitos sentimentos me possuíram quando a porta lentamente se abria. Aquele um segundo foi o mais longo de toda a minha vida, vi tantas imagens passarem por minha cabeça.

Nunca tinha me sentido tão ansioso antes. E quando a porta abriu, eu pude contemplar a verdade. Vazio. Branco como a neve. Não havia nada naquele cofre senão o vazio. E aquilo se devia ao fato de ninguém saber o que havia dentro do cofre.

Minha prova definitiva se mostrou mais clara que o sol. A realidade era falsa. Estávamos vivendo o sonho de alguém. O interior daquele cofre só era conhecido por mim, o que significa que eu podia moldar a realidade ali dentro. Mas eai? O que eu farei? A realidade é um sonho mas e? Não sei se existe um modo de escapar, e agora tenho que viver nisso para o resto de minha vida?

Valeu mesmo a pena ter feito tudo aquilo para descobrir isso? Apenas para ter que descobrir uma realidade que eu não posso alterar? Valeu mesmo a pena? Não sei. Mas por enquanto existe apenas uma coisa que eu posso fazer. Comprovar ainda mais que essa realidade é falsa. Vou distorcer a realidade dentro desse cofre, se isso for um sonho, eu consigo fazê-lo.

Forcei meu cérebro a pensar. Comecei a projetar uma bola de neve em minhas. Fechei meus olhos e imaginei com todas as minhas forças uma bola de neve em minhas mãos. Ao abrir meus olhos pude ver um leve branco começar a se materializar em minha mão. Enquanto tentava completar a bola, a porta do cofre abriu-se bruscamente...

Vários seguranças entraram e me cercaram. Eu permaneci parado enquanto pensava:

–Como eles sabiam que eu estava aqui?

Até eu perceber um rosto familiar...Daniel...

Saindo de trás dos seguranças lentamente enquanto me olhava com um olhar de pena:

–Filho da mãe...ele me denunciou...

–Não fique estressado, eu fiz isso para seu bem...você estava fora de si mesmo! -Gritou ele para mim.

–Você está errado! Eu consigo provar que essa realidade é falsa! -Retruquei eu gritando. -Se eles não tivessem interferido, eu teria conseguido projetar várias coisas aqui dentro! Eu até mesmo quase projetei uma bola de neve!

Ele olhou para a minha mão e não viu nada:

–Você está delirando Anderson...não há nada em sua mão...

–Isso é porque eu não consegui projeta-la! -Gritei me exaltando. -Vocês todos duvidam de mim...e me olham como se eu fosse louco...isso me irrita ao extremo!!!! Olhe essas paredes brancas, essa é mais uma prova de que isso é um sonho!!!! Pelo fato de ninguém conhecer o interior desse cofre, o cofre estava vazio e branco!!! Porque num sonho você não pode projetar o que não conhece!!!

–Você está errado...você não viu as outras paredes da casa? -Perguntou ele. -A grande maioria delas está pintada de branco, porque o senhor Brakmar tinha alguma afeição com a cor branca...

Algumas imagens atravessaram a minha cabeça e eu me lembrei. Eu tinha realmente visto várias paredes brancas...ele estava certo. Eu me calei e comecei a pensar:

–Então...tudo isso foi um delírio meu? -Sussurrei eu sem expressão.

–Sim...vamos voltar para a nossa rotina...esqueça essa ideia maluca...

Não sentia nada...o vazio havia me preenchido. Era um sentimento estranho, eu havia aceitado que tudo que eu tinha feito até ali tinha sido inútil. Todas as provas estavam contra mim...apenas admiti para mim mesmo que aquilo não passava de delírios meu...deixei de acreditar em mim mesmo...

Apenas deixei os seguranças me levarem para fora da casa. Daniel de alguma forma conseguiu fazer eu sair impune com a condição de que eu nunca mais voltasse lá. Nós entramos em seu carro e fomos embora. No caminho, ele colocou a mão em meu ombro e sussurrou:

–Tudo vai dar certo...

Acabou... Tudo aquilo acabou...toda aquela ansiedade acabou...toda a minha rotina louca acabou...todos os delírios acabaram...todas as obsessões malucas acabaram. Talvez eu devesse me sentir feliz...

Não consigo...

Não acho que isso seja certo...

Não acho que eu deva apenas aceitar...

Mas eu acho isso o certo a se fazer...

Notas finais
Então, será que ele simplesmente aceitou o que aconteceu? ou será que ele tentará mais algum plano maluco? Descubra isso...e mais no próximo capítulo de Doce Mentira!!!!