Doce Inverno
5 Capítulo 5
Notas iniciais
Ao chegar na Califórnia, me frustrei por não encontrar Isabella. Soube pela titia-gostosa que ela havia voltado para casa com a família, depois que Renne, mãe da pirralha, foi traída em público e sentia raiva do marido – mas por sua ganancia ela não pediria o divórcio.
Peguei um jato para a casa de Isabella e enquanto voava do aeroporto até sua casa, senti cheiro de fumaça, e ouvi um choro – um choro infantil e desesperado, que logo reconheci como o da pequena garota.
Bati as asas mais fortes até onde vinha o cheiro, e, no meio da neve aglomerada, estava o carro preto e grande, completamente destruído e de ponta cabeça com fogo no motor. — Ele iria explodir em alguns minutos.
A mãe da garota estava sangrando na neve – vermelho no branco, atraente – e o pai dela estava desmaiado perto de alguns pedaços do carro.
O choro da garota estava cada vez mais fraco, ela berrava por Chloe, a empregada carinhosa.
– Tia Chloe... Chloe socorro Chloe.
Me transformei em humano, tropeçando na neve até o resto do carro. Me aproximei e a encontrei presa no banco de trás, chorando, machucada. Quando me viu, ela berrou mais alto e chorou mais.
– O que você quer? Quem é você.
–-Shhh, calma princesa, vim te salvar. Eu preciso que você se acalme, também.
Alguns segundos e ela já estava calma.
– Eu quero a tia Chloe. – ela resmungou.
–-Vamos nos encontrar com ela, tá? Agora, respira fundo que eu vou tirar o cinto.
Uma explosão no motor a fez chorar, eu me apressei mais ao puxar o cinto.
Não podia sair devagar, o carro explodiria. Teria de puxá-la com tudo da ferrugem, a machucando para conseguir salvá-la. Seria a melhor opção.
– Ok, respira fundo!
Eu prendi o ar e rapidamente eu a puxei com tudo, rasgando sua blusa nos ferros e escondendo-a em meu peito para nos afastar da explosão, que veio assim que virei as costas, com alguns pedaços de ferro batendo em mim. Ela berrou e chorou mais, gritando pela mãe.
Depois que a fumaça saiu – e eu liguei para a Emergência – vi que sua mãe fora atingida na cabeça pelo ferro.
– merda, merda, merda. – resmunguei ao me aproximar da mulher e perceber que ela não tinha mais pulsação. Ela já estava morta... Não havia mais chance. E a garota se agarrava a mãe, chorando de dor.
– Mamãe, tá doendo mamãe acorda. Mãe... – ela cutucou o corpo frio da mãe e me olhou, tremendo. – Moço, acorda minha mamãe?
Aquilo me matou. Foi como se algo em meu peito quebrasse e eu senti as lágrimas em meu rostos – o que não acontecia há décadas, senão por mais de um século. – e eu não sabia o que dizer. Ela tremia e chorava pelos machucados e, como qualquer criança, queria que a mãe acordasse e cuidasse dela.
– Acorda-a?
– Ela... ela não pode... – eu suspirei e tirei minha jaqueta, colocando sobre ela. Ouvi o barulho da ambulância. – vai ficar tudo bem, minha querida.
Beijei sua cabeça e virei um corvo, me escondendo.
Vi quando a ambulância chegou, a garota berrava ao se afastar da mãe. Seu pai saiu com vida, mas a mulher foi deixada numa ambulância afastada direto para o necrotério. A segui até o hospital e vi quando ela desmaiou pela pancada na cabeça. Vi quando Chloe, a empregada, chegou correndo para a família e quando seu pai acordou com bastante ferimentos, mas não tão mal quanto sua filha.
Ele sequer perguntou da garota, mais de sete horas acordados e só então avisaram que sua esposa morreu – ele sequer se importou- e avisou que sua filha estava em estado grave, ele então se preocupou o suficiente para pedir informações.
A menina estava machucada internamente, precisava passar por uma cirurgia urgente e eu me culpei por não ser mais cuidadoso ao tirá-la do carro, ainda mais ao ver o machucado em seu braço que foi necessário levar pontos.
A mulher foi cremada, as cinzas foram guardadas em um pote na casa da irmã da Califórnia. O pai teve alta uma semana e meia depois do acidente e quase dois meses depois, a garota foi para casa, bem.
A empregada Chloe tratava a menina de uma forma doce e especial, e lhe dava um chá de ervas mágico que me fez suspeitar que ela era uma bruxa.
Isabella não falava. Eu só ouvia sua voz através de gritos dos pesadelos á noite. Chloe dormia com a garota na maior parte do tempo – e colocava tampões de ouvido para que a menina não ouvisse o gritos das Prostitutas Gratuitas que seu pai levava para casa toda semana.
Eu dedicava meu tempo para a pequena, ficava direto na arvore a sua frente e, quando ela estava sozinha numa área livre, tentava fazê-la brincar, porém ela sequer me notava. Sempre triste e calada.
(…)
Sentia lábios por meu corpo. Eu encolhia o pescoço para que não chegasse ali.
Não era agradável acordar assim quando não se conhece a pessoa.
Abri meus olhos e encontrei o sorriso irônico de Katherine.
– Bom dia, Damon.
Rosnei e a joguei da cama, porém ela logo voltou para cima de mim.
– Larga carrapato!
– O que faz numa cidade fria? Não é bem sua cara... Sempre me surpreendendo.
Tentei me afastar, mas ela beijava. Não consegui afastá-la então fiquei parado.
– Hotelzinho barato, mas andei vigiando o que você fazia. Foi uma surpresa te ver vigiando uma garotinha que perdeu a mãe e a fala. — Eu senti raiva pela forma que ela falava de Isabella, mas tratei de prender isso em mim. – Incomodado, Damon?
– Com sua presença. O que você quer?
– Uma visita, apenas. – ela beijou meu rosto, eu rosnei e consegui jogá-la para o lado e me levantar. Coloquei uma roupa. – Indo atrás da garota? Ela vai se mudar, soube hoje de manhã.
Fingi não me importar, como se já soubesse.
– Você não me engana, Salvatore. Sei o que te fissurou nessa garota. Ela estava sozinha, sem amigos, e agora perdeu a mãe... Você se sente nela.
– Bem emocionante.
– Ela vai para a Califórnia. Mas a tia dela vai se mudar para França e o pai ficou com a casa. Ele andou de caso com a.. ex cunhada, e rolou isso. A garota vai perder a única coisa que tem, ou seja, a emprega.
Terminei de ajeitar a jaqueta – nova, é claro, já que a antiga ficou com Isabella.
– Podemos ir embora, para qualquer lugar. Ela é só mais uma garota triste, querido, e você é um vampiro mal, sanguinário, assassino... – Ela tentou me abraçar, mas a empurrei e peguei o celular. – o que aconteceu com você?!
– Desistiu de Stefan após levar um pé na bunda?
– Está querendo se tornar babá de uma criança problemática?
Revirei os olhos e desci as escadas do Motel, transformei em um corvo e voei até a casa de Isabella, apenas para comprovar o que Katherine dizia. Eles iriam se mudar. E a pequena Isabella estava encostada perto da parede, calada, com um vestido amarelo de bolinhas brancas, meia calça grossa branca, sapatos de bonecas e uma pequena jaqueta preta, observando os homens colocarem as caixas no caminhão e com lágrimas nos olhos.
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