Doce Inverno
4 Capítulo 4
Notas iniciais
Umas distrações com algumas garotas, sangue, e bebida, foram o suficiente para que a família de Isabella tirasse o carro em uma sexta-feira e sumisse entre o branco da neve, em busca de algum lugar – provavelmente – mais quente.
Eu me senti abandonado quando não encontrei ninguém além das empregadas na enorme mansão. Eu estava agoniado querendo saber para onde ela tinha ido, o que tinha acontecido e ela não estava lá. Eu não podia entrar sem ser convidado. Nem no quintal eu conseguia passar.
Sábado á tarde, a Mulher chamada Chloe que salvou a pequena da barata saia de casa para fazer compras. Aproveitei o deserto por conta da neve e seus pés fora da propriedade, e a abordei.
–-Santo Cristo! Quem é... como você...
– Onde está Isabella? – perguntei olhando em seus olhos. Ela paralisou e me encarou como uma estátua. – E então?
– Eles foram para a casa da irmã de Renne.
–-Quem é Renne?
–-Mãe de Isabella. – Ela mordeu os lábios, ainda me encarando.
– Hum... e onde raios fica a casa da titia?
– Califórnia, Malibu. Ela é atriz. – a mulher empalidecera cada vez mais.
–-Hum... qual o nome?
– Bryanna Swan.
–-Ok, eu preciso do endereço.
A mulher ditou o endereço rapidamente eu guardei no fundo da mente, a fiz se esquecer de mim e continuar sua rotina e parti para o aeroporto. Não quis roubar a passagem de alguém, consegui hipnotizar comissárias e fiquei na primeira classe bebendo uísque.
Assim que cheguei no aeroporto, fui voando até a casa de Bryanna, a atriz de 40 anos com cara de 30 ou menos. Ela era simpática, mas gananciosa. E não gostava nem um pouco da sobrinha.
Fiquei observando Isabella de longe, até vê-la sozinha no jardim da enorme mansão, com poucas barbies e uma chupeta na boca. Ela estava triste, mexendo na terra. Acabara de levar uma bronca e não faço ideia do motivo.
Desci até ela aproveitando que ninguém a observava. Ela ficou me olhando, ainda sem esperança alguma.
Com o bico, peguei a barbie morena pelo cabelo e a coloquei de pé. — A derrubando sobre mim diversas vezes – e tentei fazê-la andar. A pequena pegou a loira e colocou de pé, entendendo a brincadeira.
Tentei distraí-la e a fiz rir enquanto derrubava as barbies em mim e me machucava levemente. Levantei assas algumas vezes e ela se assustava e ria animada. Até que sua mãe veio atrás dela para o banho, então rapidamente me escondi em uma arvore.
Aproveitei Malibu e corri atrás de qualquer bonitinha perfeitinha que pudesse existir. O sangue não era nada puro, mas dava pro gasto.
(…)
Eu estava descansando sobre a sombra de uma arvore, em forma humana e observando as coisas ao meu redor.
De longe, podia avistar Isabella brincando na areia com seus brinquedos de praia que a tia lhe comprou. As irmãs conversavam e o pai dela olhava para o corpo das mulheres sem disfarçar, até jogava cantada e a esposa fingia nem perceber. Mas quando via, não agia diferente. — ela era traida e continuava com o cara por ganancia, dinheiro.
Meu celular vibrou no bolso e eu resmunguei, o tirei e resmunguei mais vendo que era Stefan.
–-Irmão. O que quer? – perguntei demonstrando meu desinteresse.
– Gostaria de saber onde está, Damon.
– O que houve de errado?
– Katherine houve. Ela apareceu aqui, e ficou intrigada pelo fato de você ter saído de casa. – bufei. A vadia bonita estava em Mystic Falls.
–-Meu laço com a vadia acabou, irmãozinho, então se vire com ela. Afinal, ela foi atrás de você, e quer você. Eu já estou em outra.
–-Apaixonado? – Perguntou surpreso. Podia visualizá-lo agora, parado em algum lugar, com os lábios em uma linha fina e a testa franzida em esperança.
– De babá, tecnicamente. Não é de seu interesse. Bem, cuide das gêmeas, agora você tem o melhor dos dois mundos. A vampira do mal e a humana do bem. Que cara de sorte.
–-Onde você está?
– Tchau Irmão.
Desliguei o telefone e voltei a se concentrar na criança que queria ir para o mar, porém não podia ir sozinha.
Sua família se afastou sem a menor preocupação, ela brincava sem animação alguma, até que suspirei, me escondi e me transformei em corvo, indo atrás dela.
Parei perto dela e um sorriso perfeito e angelical nasceu em seu rosto. Eu brinquei na areia com ela, mas quando quase a engoli, sai brincando de correr pela água e a levei para a beira do mar, para pegar as conchinhas dali. Eu pegava com ela as mais bonitas e vazias e colocava no balde, ela pegava sujeira e eu tirava de sua mão.
Depois de corrermos mais, a família dela se aproximou e eu lancei voo sobre o mar, ás vezes tocando na água e indo para qualquer lugar em que pudesse descansar.
O tédio era tanto, que eu só pensava em voltar para olhar a pequena, mas infelizmente a deixei sozinha e fui socorrer meu irmão disputado pela mesma garota. De certa forma.
(…)
– Uhul, cheguei para a festa. --Anunciei ao entrar em casa. Quatro vozes femininas se calaram na cozinha e ouvi os passos até aqui, porém, eram apenas três. O quarto era de Katherine que, um segundo e meio após minha fala, estava em minha frente, me pressionando contra a parede da escada e passando a mão por meu peito. – Katherine, quanto tempo.
– Você só ficou mais gostoso, Damon. – disse ela sorrindo. Ele sorri sarcástico e segurei suas mãos.
– E você continua a mesma megera.
– Não faz isso. Eu senti tanta saudade... – passou a mão por meu pescoço e não me deixou sair.
– Se tornou tão atirada...
– Só por você. – disse com os lábios próximos. – Nem um beijo de boas vindas?
Aproveitei seu momento de distração e ajoguei para o outro lado da sala. Caroline e Bonnie arfaram surpresa, mas relaxaram depois, escondidas atrás de Elena.
– Damon! Que bom que veio.
– Uau, uma festa de garotas e ninguém queria me chamar para aproveitar? Se soubesse a bruxinha estaria aqui junto com a loura, teria vindo mais cedo.
– Não enche. – Caroline falou, sorri para ela, até Katherine me prensar novamente na parede com as mãos em meu pescoço, um pouco forte demais.
– Por onde anda, Damon? Soube que é babá.
– Uau, crianças são mais agradáveis.
– Damon de babá? – Bonnie perguntou. Revirei meus olhos.
– Sabe qual seu problema Katherine? Você sufoca demais.
– Trocadilho sem graça. Não vale como se quisesse me agarrar.
– Assumo que quero, mas acho Elena mais bonita que você.
Senti – sim, eu senti–- que Elena corava diante o comentário, mas consegui o que queria: Katherine ficou revoltada e me lançou contra a porta. Eu ri e me levantei devagar.
– Mais delicada, é um ponto positivo que nos faz gostar mais dela.
– Mas você me quer. E ela tem Stefan, você foi deixado, duas vezes.
– Então porque corre atrás de mim?
– Você é quente. – ela se aproximou de mim, – é mais meu estilo... Apesar de achar Stefan mais amável, cavalheiro, melhor companheiro... Doce... Meigo.
– E eu sou mal... Grosso. Ignorante, assassino... Amargo...
– É por isso que, no momento, escolho você.
– Eca. – Caroline falou baixo.
Beijei Katherine, fazendo-a acreditar que haveria algo a mais. Apertei-a contra mim e até escorreguei minha mão de suas costas, porém a joguei pro canto e segui as três meninas que nos olhavam sem graça.
– Então, vamos fazer biscoitos, escoteiras?
Katherine bufou e saiu dali bufando.
– Hã... estávamos fazendo bolo. – Bonnie disse.
– Muito bom. Cadê meu irmão? Assassinando coelhinho?
– Cobrindo o estrago de Katherine, já que você saiu do cargo de xereta junto com a Xerife Forbes. – Elena deu de ombros. – ela assassinou umas pessoas e ele está.. encobrindo.
– Ah, Stefan Stefan, sempre limpando a sujeira dos outros. Bom, vamos fazer bolo.
Fui para a cozinha e dois minutos depois, elas me seguiram, confusas.
(…)
– Damon. Que bom vê-lo. – Stefan disse ao entrar na cozinha, olhou para mim e depois para a bagunça de farinha em minha roupa e as meninas comendo cupcake.
– Olá irmão. Quer um bolinho?
– Essa é.. uma cena que nunca pensei ver em minha vida.
– Um vampiro comendo doce com garotas? É normal. – dei de ombros.
–-Damon tem um dom para a cozinha...
– Concordo. – Elena disse após o comentário de Caroline. Sorri e olhei para meu irmão. Ele ainda estava confuso.
– Katherine está por aqui?
– Sumiu depois de um pé na bunda. – Bonnie falou, comendo outro bolinho. – vou precisar de horas na academia para perder as calorias de tudo isso.
– Eu posso lhe ajudar, bruxinha. – Pisquei para ela, que fingiu nem me escutar.
– Bom, consegui encobrir todos os rastros de Katherine e agora é só mandá-la embora.
– E quem disse que vão conseguir? – De repente, Katherine estava sentada entre nós, comendo um bolinho. Tirei de sua mão rapidamente.
–-Só para as pessoas bonitas, Katherine.
– Então apenas eu e você comeria, Damon. – Ela mordeu. – Falta algo especial.
Ela tirou de sua bolsa uma bolsa de sangue, as três humanas se arrepiaram. Katherine a abriu e jogou sobre o bolinho, depois mordeu.
–-Agora sim. – sorriu, se encostando na cadeira. Stefan se apertava contra a parede.
Suspirei, fiquei de pé e arrastei o Estripador para fora de casa antes que ele matasse a saudade do sangue humano... e as três garotas.
– Damon... você precisa tirá-la daqui. – Stefan disse enquanto caminhávamos pela floresta.
– Por que eu faria isso? Ela veio atrás de você irmão, e não de mim.
– Damon... Por favor, vocês são... parecidos, você consegue.
– Mas eu não quero. Ela veio atrás de você. – parei no meio do caminho e o encarei. – Eu tenho coisas mais importantes á fazer.
– Tipo o quê? Matar pessoas?
– O que eu faço não é de sua conta, irmãozinho, o problema é seu e eu só vim lhe visitar. Apenas isso.
Ele suspirou, irritado. Depois voltamos para casa já de noite.
Sabia que Katherine estava em casa, Stefan foi dormir com Elena para assim protegê-la do Furacão Katherine.
Caminhei até meu quarto, de onde vinha o barulho. Suspirei ao entrar no banheiro e vê-la na banheira coberta de espuma, com uma perna para cima.
– Sabe, por mais que eu não esteja aqui, temporariamente, essa banheira ainda é proibida para qualquer pessoa... Inclusive você.
– Venha me fazer companhia, Damon. Há espaço o suficiente para nós dois.
– saia dai Katherine. Da cidade. Deixe Stefan viver a vida dele.
– Uau, virou o Super Protetor?
– Tem dez minutos para se vestir e sair dai.
Vinte minutos se passou e Katherine continuava se movendo por meu quarto, enquanto eu mexia em uns diários de Stefan. Quando voltei para meu quarto, para poder ler, a encontrei semi-nua na cama.
– Sabe, a sua cama é a mais confortável da casa.
– É minha cama, obviamente seria a mais atraente. – me deitei ao seu lado, com vontade de jogá-la dali. Assim que abri o diário para ler, ela subiu em cima de mim, suspirei entediado.
–-Damon, Damon... Pare de fingir que não me quer.
– Katherine, pare de se oferecer! Por que não vai embora de uma vez?
– Você me deixaria ir? – Antes que eu impedisse, ela me beijava.
Revirei os olhos, joguei o diário para o chão e agarrei seus cabelos, retribuindo o beijo.
(…)
– Vou embora, por uns tempos. Mas te procurarei, Damon. – ela se levantou de minha cama, continuei deitado lendo o diário.
– Até mais ver, Katherine.
Ela desceu as escadas e simplesmente partiu. Aproveitei e também fui embora, para California encontrar a pequena Isabella.
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