Doce Inverno
2 Capítulo 2
Notas iniciais
– Então... Você vai mesmo embora. – Ergui o rosto e encarei Stefan pelo espelho de meu quarto.
– Vou.
– Hum... – ele olhou para a mala em minha cama. Suspirei e terminei de jogar o resto da peça de roupa.
Não que eu fosse usá-la. Não era como se eu não conseguisse roubar roupas novas, de várias formas possíveis. Mas, mesmo assim, algumas eu gostava e embora não quisesse viver carregando uma mala... por que não levá-la? Não sou do tipo que se prende á coisas mesmo.
– Bem... para onde?
– Não sei, por aí.
– Voltará?
Virei para meu irmãos mai novo. Queria lhe meter a mão na nuca por ser tão sentimental e desligado do mundo ao redor, Elena era o que importava, era ela que vinha como seu ponto principal, eu, talvez, seja o quarto. Já que em segundo lugar estavam os bens humanos.
– Não sei. Temos a eternidade pela frente, Stefan, bem provável que eu lhe faça uma visita.
– Tenha cuidado.
Assenti para ele, peguei a alça da mala e passei por ele, descendo as escadas.
Elena estava no sofá com um copo de chocolate quente. Fazia muito frio e já havia escurecido, ela ainda não havia aceitado o fato de que eu ia embora. Não gostaria, mesmo sendo melhor – fugindo da maldição do triangulo amoroso. Eu não estava afim de amar a mesma garota que meu irmão e perdê-la, novamente. A história se repetia com o mesmo rosto, porém de personalidade, raça e século diferente.
Parei em sua frente, ela me olhou por um longo tempo, de cima abaixo, memorizando cada traço.
Continuei encarando seus olhos castanhos enquanto ela pousava a caneca na mesa, largava o cobertor e ficava de pé. Por uma mínima distração minha, me assustei enquanto ela se jogava em mim, passando os braços por meu pescoço. Por impulso, larguei a mala e retribui o abraço, afagando gentilmente suas costas e seus cabelos. Ela suspirou diversas vezes.
–-Se cuide, Elena. Não deixe que meu irmão mate a floresta toda. – Disse em seu ouvido, senti-a estremecer.
– vê se não mate todas as garotas bonitas.
– Pode deixar, serei mais... seletivo.
Ela me soltou e me encarou. Embora eu quisesse realmente beijá-la antes de partir, sabia que não podia. Stefan olhava tudo da ponta da escada e eu podia sentir sua onda de ciúmes pairando pela mansão. Sorri, soltei um longo suspiro, peguei a mala e rapidamente parti.
O vento frio de Mystic Falls jogou meu cabelo pra trás, guardei a mala do banco traseiro e, sendo observado pelo casal na porta da mansão, entrei na ferrari preta e parti para qualquer lugar, mal notei as ruas que eu pegava, só fui perceber quando acabou a gasolina e o dia já havia clareado.
Eu estava indo ao norte dos EUAs, e não fazia ideia de onde iria parar.
(…)
A neve de Vancouver me fez sorrir. Enquanto eu caminhava pelo bosque, minha bota se afundava na neve branca e macia. Eu me sentia bem com esse clima. Já havia visto tantos lugares bonitos ao longo das décadas, porém nenhum era tão lindo quanto em época de neve.
Gostava de me sentir livre e explorar cada lugar belo deste mundo imenso, visitá-lo em uma época e décadas depois visitá-lo de novo para ver a mudança.
Essa era a beleza da eternidade, você podia conhecer cada canto lindo e acompanhar cada mudança. Ás vezes, era irritante tudo ao seu redor mudar e você continuar o mesmo, e conforme as décadas vão passando, você fica sozinho, se sentindo vazio. E faz amigos, mas os perde. E perde sua família.
A única pessoa da minha família era Stefan, porém brigávamos o tempo todo. Fomos tão unidos quando humanos e separados brutalmente quando ela apareceu, nos transformando em demônios, deixando-nos á beira da morte e fugindo quando viu que éramos eternos problema seu.
Katherine Pierce... A primeira vadia que me apaixonei.
– Receberemos uma hóspede esta tarde, ela ficará um bom tempo conosco.
–- Ela? – Stefan perguntou estranhando o fato de nosso pai colocar outra mulher em casa. Nunca houve outra além das empregadas desde a morte de nossa mãe á cinco anos, em um incêndio que ele insiste em me culpa.
– Sim, ela . Katherine Pierce. Uma antiga amiga da família.
– Virá porquê? – Perguntei enquanto me encostava no sofá.
– Uma orfã. – respondeu acendendo um charuto dentro de casa. Revirei os olhos – só até se estabilizar e arrumar um pretendente para abrigá-la melhor.
Seu olhar caiu sobre mim, porém ele sorriu para Stefan.
– Ela é uma boa pessoa, gentil, carinhosa. Não sei se faria seu gênero, Damon.
– Não penso em me casar pai. Não tão cedo.
– Mas é claro que não. --ele resmungou.-- quero que a recebam. Daqui algumas horas estejam arrumados, ela chegará antes do por-do-sol. Estejam apresentáveis.
…
Observei uma senhora de cor escura sair da carruagem branca, o cavalo resmungou e arranhou as patas no chão de terra. Suspirei cansado de tanto tempo parado esperando uma donzela chegar.
A mesma senhora ajudou alguém descer da carruagem. Imediatamente, prendeu minha atenção. A pele clara e delicada, os lábios vermelhos e os cabelos do loiro mais perfeito que existia, em um penteado elegante.
Mudei o peso do pé e a acompanhei com os olhos, muito impressionado com sua beleza. Ela sorriu agradecida para a mulher, depois olhou meu irmão, e por fim, seu olhar pousou em mim. Porém continuei parado.
– Seja bem-vinda senhorita Pierce, sou Stefan Salvatore. – Stefan lhe beijou na mão.
–-É um prazer conhecê-lo senhor Salvatore. – ela sorriu ainda mais, depois olhou para mim e se aproximou. – Boa tarde, senhor.
–-Seja bem vinda, senhorita Pierce.
– Você deve ser Damon Salvatore.
– Vejo que já te avisaram sobre mim.
– Sim, mas prefiro eu mesmo conhecê-lo.
Sorri e peguei sua mão, beijando-a rapidamente.
– Teremos tempo para isso, senhorita.
Balancei a cabeça para expulsar a memória e tentei me concentrar em onde ia.
Cheguei á um lago congelado, encostei-me em uma arvore e fiquei observando as crianças e adolescentes se divertindo enquanto patinavam. Sorri. EU mesmo já havia experimentado a alegria que era patinar, com uma humana hipnotizada. Foi uma delícia, mas aqueles humanos se divertiam mais por estarem com alguém. Não sabiam a sorte que tinham em ser.. humanos.
Fiquei um bom tempo observando, até me transformar em corvo e ir observar outras crianças brincando na neve.
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